Convulsão febril: o que é e como cuidar

Manifestação é um dos distúrbios neurológicos mais comuns na infância e atinge de 2% a 5% das crianças entre três meses e cinco anos de idade

25/09/17 às 00:00 - Atualizado às 21:37

A febre é uma condição comum na infância, principalmente nos primeiros anos de vida e causa grande preocupação nos pais. Embora na maioria dos casos o aumento da temperatura é apenas um sintoma de infecções ou inflamações, em alguns casos pode levar à convulsão febril, também chamada de crise convulsiva febril.

A convulsão febril é um dos distúrbios neurológicos mais comuns na infância e atinge de 2% a 5% das crianças entre três meses e cinco anos de idade. Estima-se que nessa faixa etária irá ocorrer pelo menos uma crise epilética decorrente da febre igual ou maior que 37,8 graus. A explicação é que o cérebro das crianças ainda está em desenvolvimento e, por isso, é mais suscetível às convulsões febris.

Segundo Andrea Weinmann, neuropediatra e sócia-diretora do Centro Neurológico Weinmann, a convulsão febril está relacionada à febre igual ou maior que 37,8 graus, sem ligação com infecções intracranianas ou outras causas neurológicas. “Isso quer dizer que para ser considerada uma convulsão febril não devem estar presentes quadros de meningite ou de encefalite, por exemplo”. Em alguns casos a febre ocorre minutos ou horas após convulsão.

Na maior parte dos casos, a convulsão febril é uma condição benigna e as crianças que já tiveram uma convulsão febril não apresentam diferenças na inteligência, crescimento do tamanho da cabeça o de comportamento quando comparadas às crianças que nunca tiveram crises. Por outro lado, uma convulsão febril aumenta em 2,5% o risco de desenvolver epilepsia, principalmente se há histórico familiar da condição e se a convulsão febril for classificada como complexa.


Como identificar uma convulsão febril

  • A convulsão febril simples começa repentinamente e pode durar de 2 a 15 minutos. 
  • A criança pode perder a consciência, apresentar espasmos nos braços e nas pernas, virar os olhos para cima e pode ter dificuldade para respirar. 
  • Não coloque os dedos nem nenhum objeto na boca da criança
  • O ideal é colocar a criança em uma superfície macia e de lado para evitar um possível engasgamento ou obstrução da respiração
  • Conte o tempo da crise, pois isso é muito importante para o médico
  • Se a crise durar mais que 5 minutos, chame o SAMU ou leve a criança a um serviço médico de urgência 
  • Crise é prologada com duração maior que 15 minutos ou que ocorre repetidas vezes, o que é menos comum, é chamada de convulsão febril complexa e requer uma avaliação neurológica mais apurada
  • Fatores de Risco
  • O principal fator de risco para apresentar uma convulsão febril na infância é ter histórico familiar de convulsão febril entre parentes de primeiro grau, como os pais e irmãos. 
  • Crianças que frequentam creches, tiveram alta tardia da maternidade e/ou apresentam um desenvolvimento mais lento apresentam maior chance de ter uma crise convulsiva febril. 
  • As crises também estão relacionadas a eventos pós-vacinais e viroses.
  • Em 30% dos casos há recorrência da convulsão febril, principalmente entre os seis meses e três anos de idade
  • Quanto menor o intervalo entre um evento febril e outro, maior a chance de recorrência da convulsão.

Médico deve ser consultado

O médico irá fazer uma avaliação clínica. Em crianças menores que 18 meses, com sinais sugestivos de meningite ou ainda naquelas que apresentam um estado clínico mais comprometido, poderá ser preciso colher o líquor para descartar infecção no sistema nervoso central.
Além disso, quando a crise é classificada como complexa, outros exames podem ser solicitados, de acordo com o quadro clínico e suspeita diagnóstica.
Mas, felizmente, em 70% dos casos a convulsão febril só ocorre uma vez, sem nenhuma sequela. O mais importante é manter a calma e procurar um serviço de saúde.
O principal fator de risco para apresentar uma convulsão febril na infância é ter histórico familiar de convulsão febril entre parentes de primeiro grau, como os pais e irmãos.
De acordo com a neuropediatra Andrea Weinmann, em 30% dos casos há recorrência da convulsão febril, principalmente entre os seis meses e três anos de idade. Alguns fatores aumentam essa probabilidade, como idade precoce da primeira crise (antes de um ano de idade) e histórico familiar. Quanto menor o intervalo entre um evento febril e outro, maior a chance de recorrência da convulsão.

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