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Especialistas indicam que se manter ativo é o mais indicado na velhice

7 janeiro, 2015 às 14:00  |  por Luciana Kotaka

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participação Luciana Kotaka

“Se você é jovem ainda, amanhã velho será, a menos que o coração sustente a juventude, que nunca morrerá. Existem jovens de oitenta e tantos anos e também velhos de apenas 26, porque velhice não significa nada e a juventude volta sempre outra vez.” Esses versos são do incrível e popular dramaturgo mexicano Roberto Gomez Bolaños, conhecido mundialmente por protagonizar e escrever o seriado Chaves, exibido há 30 anos no Brasil.

A letra da música Jovem Ainda traduz bem que a velhice ou a juventude, na verdade, está dentro de cada um. É como cada qual encara, sente e vive a vida, mesmo com o passar do tempo.

Não importa quantos anos alguém possa viver, só há uma escolha entre duas alternativas: a primeira é se entregar à velhice, é achar que o fato de já ter se aposentado e estar com os filhos e netos criados é o suficiente para esperar o dia da morte. A segunda alternativa é continuar ativo, trabalhando ou praticando um hobby, viajando, participando de grupos da terceira idade etc.

Bolaños ou Chespirito, como é mais conhecido no México, atualmente está com 85 anos e só não continua trabalhando porque sua saúde está muito debilitada. Sofre de problemas respiratórios por ter fumado por quase toda a vida. “A vida foi muito boa comigo, realizei grandes sonhos e abusei muito da sorte, mas agora é hora de pagar um pouquinho pelos meus abusos”, disse em entrevista a dois fãs brasileiros que estiveram na casa do artista, em Cancun.

Roberto foi completamente ativo até os 80 anos, escrevendo peças teatrais, roteiros para desenhos animados, e cuidou dos negócios da família até então. Fez jus à letra da música que criou e só parou porque foi obrigado. Porém a alma ainda é jovem e ávida pela vida, assim como o menino Chaves.

Envelhecer com sabedoria

De acordo com o especialista em medicina comportamental Dr. José Carlos Carturan, praticar exercícios, participar de grupos da melhor idade, fazer hortas em casa, criar animais, viajar etc. certamente são alternativas para aquelas pessoas que, até então, tinham uma vida mais ativa e se deparam com uma quantidade grande de tempo disponível. “Ações como essas servem para socializar o aposentado, fazê-lo interagir com outras pessoas e manter a mente e o corpo em atividade. Aliás, atividades que sempre conciliam desenvolvimento cognitivo, exercícios para o cérebro e raciocínio, associadas à movimentação física, servem também para prevenir doenças”, esclarece.

Para ele, o Brasil, infelizmente, ainda não parece preparado para atender à nova realidade, em que a expectativa de vida aumenta e os aposentados precisam de atividades para ocupar a vida e investir melhor o tempo.

Segundo Carturan, a falta de atividades é prejudicial porque mantém o idoso sem perspectivas. “Por sentirem-se assim, acreditam que já não têm mais utilidade, e problemas como a depressão começam a aparecer”, alerta.

A psicóloga clínica Luciana Kotaka diz que o ser humano nasceu para ser ativo. Segundo ela, com a chegada da aposentadoria e a saída dos filhos de casa, é importante que se prossiga com atividades que estimulem a mente, além de propiciar prazer, ocupando o tempo, para que não fique ocioso. “É o momento de realizar atividades que, quando jovens, não conseguiam conciliar com o trabalho, atividades isentas de cobrança, realizadas por puro prazer. Quando estamos em atividade, a mente assimila outras informações que vêm agregar nessa fase da vida, estimulando a alegria, para não cair em depressão. A pessoa se sente confiante, encara esse momento de vida de uma forma mais tranquila, impedindo que o sentimento de inutilidade tome conta. As atividades em grupo e até os exercícios físicos que são indicados nessa idade ajudam a manter um círculo de amizades e troca de experiências”, comenta.

O presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia, Dr. Osni Moreira, opina que o comprometimento com ideias ou grupos ajuda a criar e manter metas. “Se a expectativa é não morrer, não fará nenhuma diferença, já que o final virá, no seu tempo. Mas se a expectativa é viver seu ciclo da melhor maneira possível, faz toda a diferença. Envelhecer e adoecer não são motivos de vergonha ou reclusão, são sim motivos para rever potenciais para a felicidade.”

O médico explica: “O que se pode fazer depende do contexto de vida da pessoa, de seus gostos, de sua história, de sua cultura, de suas disponibilidades. Em geral, as limitações médicas, quanto ao tipo de atividade, são mais ortopédicas que cardiológicas. Já o grau de esforço físico aplicado em cada atividade depende do estado de saúde. Como regra, embora haja exceções, a atividade física confortável é segura, seja dançar, caminhar, nadar etc.”, indica.

Na opinião de Dr. Osni Moreira, as pessoas aposentadas bem equilibradas sabem que irão envelhecer, adoecer e, um dia, morrer. “Sabem que podem um dia ter uma doença limitante, mas sabem que isto não aconteceu ainda e, talvez, não aconteça nunca. Têm certeza de que seu ciclo de vida irá acabar, mas que ainda não acabou. Sabem que o dia de hoje pode ser vivido em paz ou em angústia, conforme sua atitude em relação a ele”, reflete.

Pedagogo especialista em gestão do conhecimento nas organizações, escritor e palestrante, o professor Marcus Garcia acrescenta que todas as atividades são importantes para a pessoa da terceira idade. Conforme a idade avança, é muito importante que a pessoa mantenha-se ativa, física e mentalmente. “O que as pessoas que chegaram à terceira idade precisam ter em mente é que o fato de estarem se aposentando do trabalho não quer dizer que devam parar de ser produtivas para si e para a sociedade. Depois que se aposenta, o tempo estará ao lado da pessoa, que poderá fazer dele o que bem quiser: passear, viajar, ler, escrever, contar histórias, jogar dados, jogar xadrez, passear de bicicleta, caminhar no parque, auxiliar uma ONG, fazer um trabalho comunitário, ficar em casa sem fazer nada, namorar, ir ao cinema, praticar natação etc. Faça de tudo um pouco, mas faça o que lhe dê prazer”, aconselha.

 

A vida na terceira idade pode ser intensa

13 junho, 2014 às 01:49  |  por Luciana Kotaka

Com maior longevidade, participação dos idosos vêm crescendo na sociedade e mostra que a vida continua na “melhor idade”

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por Luana Gomes

participação Luciana Kotaka

Quando um país está envelhecendo é sinal de que a expectativa de vida está melhorando. No Brasil, atualmente o número de idosos com mais de 65 anos passa dos 20 milhões, segundo os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2011. A projeção é que em 2050 esse número alcance os 60 milhões. Mas, como essa população leva a vida?

Esta é uma questão que pode gerar curiosidade, afinal, de certo modo, a sociedade enxerga que nesta fase da vida as pessoas já não têm mais o que fazer ou conquistar e que até “perdem o direito” de fazer determinadas atividades, pois são exclusivas da juventude. Os idosos do século XXI em nada lembram os do passado. Eles aprenderam a usar as redes sociais e a lidar com as novas tecnologias. A participação deste público nas redes sociais aumentou consideravelmente. Em 2006 era 1% e em 2013 foi de 43%, segundo pesquisa feita pelo Pew Institute.

Os idosos usam as redes sociais para resgatar contato com amigos e familiares, mas também aproveitam para relacionamentos amorosos. Segundo Eduardo Borges, diretor do AshleyMadison, maior site de relacionamentos extraconjugais do mundo, há uma participação considerável desse publico no site. “A maioria dos usuários do site se cadastra com a intenção de ter um encontro amoroso com outras pessoas, mas 9% deles estão lá apenas para conversar. No entanto, percebemos que, desses últimos, uma parcela muda de ideia no meio do caminho, e acaba marcando encontros com o ‘novo amigo virtual’”, explica.

A vida sexual deve continuar

Um dos maiores tabus nesta idade é o sexo. Muitos idosos desistem da vida sexual pelas dificuldades enfrentadas em decorrência da diminuição dos hormônios e por muitos acharem que a atividade sexual não faz parte dessa etapa da vida. A própria sociedade tem um certo preconceito com esse tema, embora livros, novelas e filmes apostem no tema e mostrem casais na terceira idade em cenas românticas.

Segundo psicóloga, sexo na maturidade é mais afetivo. Foto: Jupiterimages/Polka Dot/Thinkstock

“Recebemos uma educação religiosa muito rígida e mesmo com toda evolução, muitos de nossos idosos ainda enxergam a sexualidade como forma de reprodução, casaram-se em uma época que favoreceu manter casamentos mesmo sem afeto e sexualidade, sendo mais uma obrigação do que momento de prazer, é o que explica a psicóloga clínica Luciana Kotaka. Segundo ela, é preciso um resgate do que é natural, pois sexo faz parte da vida das pessoas e elas só precisam se autorizar a viver mais plenamente esse momento.

A falta de interesse sexual após os 60 anos está ligada, principalmente, às quedas hormonais, como da testosterona – o hormônio da libido – e a perda de ereção nos homens, assim como a ingestão de medicamentos para tratamento de algumas doenças como diabetes, podem inibir o desejo sexual. Mary Sorocaba, psicóloga clínica, ressalta que fatores emocionais ligados a estresse, ansiedade ou depressão também dificultam o sexo na terceira idade, mas ela defende que a visão do sexo nessa fase da vida tem de ser mudada.

“Na maturidade, o sexo é cada vez mais afetivo. É preciso mudar a visão médica do sexo calcado no coito. Existem outras práticas sexuais que também são muito prazerosas. Sexualidade e relação sexual são coisas diferentes. A sexualidade tem a ver com intimidade e sentimentos. A prática da atividade sexual é importante também para os idosos além de ser extremamente benéfica para a saúde física promove mais qualidade emocional”, explica a psicóloga Mary Sorocaba.

Mantenha-se ativo

A chegada da melhor idade não é motivo para preguiça. Esta é a fase em que é preciso ter mais atenção com a saúde, pois muitas doenças podem debilitar e os exercícios físicos são grandes aliados para manter uma boa saúde. Muitos exercícios podem ser adaptados para este grupo, segundo a especialista em biomecânica pela FMU, Talita Germano. Exercícios utilizados no futebol como chutar e andar conduzindo a bola leva o indivíduo a um ganho de coordenação motora e força muscular. Ela destaca que até o sleckline, que é um malabarismo em cima de uma corda bamba, pode ser aplicado aos idosos com as adaptações necessárias.

Como nessa fase algumas doenças prejudicam a coordenação motora, exercícios feitos na água são ótimos aliados para o tratamento de problemas como a osteoporose. “Atividades feitas em piscina aquecida são de extrema validade, principalmente para os que sofrem de dores nas articulações. Além de minimizar a dor, a água diminui o peso corporal e o impacto no quadril, joelhos e calcanhares, muito importante para quem tem osteoporose grave”, complementa a especialista.

Cheguei na terceira idade e agora?

A chegada da terceira idade, mais do que nunca, não é motivo para se excluir do mundo. A imagem de velhinhos frágeis que se transformam em estorvo para as famílias mudou. Muitos idosos, inclusive, participam ativamente da renda familiar, em média 53% das despesas de lares com idosos são arcados por eles. Eles também estudam, fazem excursões, enfim, fazem o que podem para se sentirem úteis.

Lourdes Gomes, 78, coordena uma feira de artesanato no Rio de Janeiro em que só idosos participam e diz que todos se sentem mais úteis tendo algo para se dedicar. “A pior coisa, quando se chega a certa idade, é depender dos outros. Na feira cada um chega, monta sua barraca e vende seus produtos de forma independente, tudo na maior disposição. Nunca vi ninguém faltar”, enfatiza Lourdes.

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