Cresce consciência empresarial sobre importância da sustentabilidade, mas falta decisão para adoção de medidas

25 agosto, 2017 às 18:06  |  por Ana Maria Ferrarini
Miguel Milano, engenheiro florestal e um dos organizadores do Fórum

Miguel Milano, engenheiro florestal e um dos organizadores do Fórum

Pesquisa realizada ao longo dos últimos cinco anos durante a realização do Fórum Sustentabilidade e Governança mostra que a maioria dos executivos e gestores tem elevada consciência do impacto das questões ambientais nos seus negócios, porém “falta cultura empresarial” para uma adesão maior a práticas responsáveis.

“De forma geral, os gestores sabem da importância do tema sustentabilidade e governança, têm consciência dos riscos envolvidos e das medidas necessárias para a sua implementação, sabem também que não podem esperar eficiência das ações governamentais, porém a mudança dessa cultura é muito mais difícil”, afirma Miguel Milano, engenheiro florestal e um dos organizadores do Fórum. Além desse aspecto, 65% dos pesquisados, em sua maioria coordenadores, gerentes e diretores, reconheceram que bens e produtos com origem produtiva comprovadamente legal, eficiente e sustentável merecem uma precificação (prêmio) diferenciada. Outros 35% defendem que as práticas sustentáveis não deveriam influenciar no preço, pois a “produção eficiente e legal é uma obrigação empresarial”.

Pesquisa mundial realizada pela ISEAL Alliance confirma esse diferencial, ao constatar que os resultados de longo prazo identificados em 53% dos casos foram o aumento do lucro, a diminuição de custos (30%) e a melhoria reputacional (60%)”. A razão para as práticas não serem adotadas mesmo em empresas “já convertidas”, já que existe consciência das vantagens, pode ter sido traduzido pelo resultado da pesquisa realizada, pois 45% dos entrevistados apontam para a “falta de conhecimento e cultura no assunto, falta de clareza no assunto e a falta de coordenação em cadeia”.

A pesquisa do Fórum mostra ainda que: apenas 37% dos entrevistados têm conhecimento de iniciativas na área ambiental em âmbito federal. O desconhecimento reflete a descrença na efetividade dos mecanismos de incentivo existentes. Na média dos cinco anos de pesquisa, mais da metade (52%) dos entrevistados respondeu que consideram ineficientes as ações governamentais das quais têm conhecimento.

A vulnerabilidade às mudanças climáticas também entrou na agenda de preocupações dos gestores. Em conjunto com a escassez e poluição da água, esses fatores somam dois terços das respostas do ano passado ao questionamento sobre quais limitações ecossistêmicas poderiam afetar o crescimento da empresa ao longo de dez anos.

O índice de preocupação com os eventos climáticos (20%) foi o mais expressivo de todos os anos estudados, o que mostra uma consonância da consciência dos empresários com o que está sendo discutido globalmente.

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