Vinhos e gastronomia

Vinhos com nota máxima: conheça os rótulos de 100 pontos

Seleção de vinhos muito bem avaliados
Seleção de vinhos muito bem avaliados (Foto: Divulgação/Assessoria)

A Rootstock Vinhos por meio de sua curadoria comandada pelos Wine Hunters Paul Tudgay e Juliana Tudgay selecionou rótulos pontuados com a nota máxima de 100 pontos. Destaca-se que já existiram outros sistemas de pontuações que não consideravam 100 pontos, mas neste artigo será abordado o sistema mais utilizado atualmente, os motivos para rótulos chegarem a essa pontuação e, principalmente, a especificação de cinco rótulos que conquistaram a nota máxima.

Primeiro é importante salientar que, obviamente, para ganhar 100 pontos, o vinho em questão deve ser perfeito ou o mais próximo da perfeição que um vinho pode chegar. Trata-se de um rótulo em que todas as análises organolépticas[1] e métodos de vinificação estão corretos. Cada crítico usa critérios diferentes ao julgar os vinhos, porém o senso de lugar, equilíbrio, concentração e potencial de longevidade são fatores universais entre os juízes de vinhos. O especialista Paul Tudgay ajuda a compreender melhor algumas questões importantes, confira os questionamentos e respostas abaixo. 

Por que os críticos usam o sistema de 100 pontos? Poderia um crítico, ou mesmo um consumidor, realmente saber a diferença entre um vinho de 96 pontos e um vinho de 97 pontos? A diferença pode ser tão sutil?

Segundo Paul Tudgay, provavelmente não. Tradicionalmente uma escala de 20 pontos era usada, e ainda é, entre os jurados e jornalistas de vinhos britânicos. “Foi Robert Parker que popularizou a escala de 100 pontos – é uma coisa americana”, explica Tudgay. Os americanos apreciam os grandes números, tanto que outros exemplos disso podem ser observados em sua cultura, é o caso dos esportes americanos, todos eles têm sistemas de pontuação elevada. Um dos motivos que levam os americanos a não gostarem de futebol está relacionado a isso, pois eles claramente têm uma preferência por coisas excessivamente grandes. Sempre querem ser os melhores em tudo, portanto não entendem como em uma partida um time pode empatar com outro e ainda ser considerado um bom jogo.

Na realidade, o sistema de 100 pontos é o sistema de 20 pontos "on steroids". “Raramente vemos um vinho com pontuação abaixo de 80, se for o caso é porque os críticos estão usando 20 pontos para pontuá-lo e, em seguida, apresentando-o numa escala de 100, funciona”, destaca Tudgay, que ainda enfatizou que o sistema de 100 pontos captura a imaginação, se destaca e torna os vinhos mais memoráveis e colecionáveis. 

Por que deveríamos confiar no sistema de 100 pontos?

Porque é um sistema consagrado, mas é importante ficarmos atentos, a questão da preferência pessoal não deve ser esquecida, ou seja, nem sempre um vinho que conquistou 100 pontos pode ser o que agrada seu paladar em termos de estilo.

Cada crítico, como já citado, tem gostos diferentes, embora use o mesmo sistema de pontuação. "Eu sei que um vinho de 100 pontos do Parker (mais frutado e extraído) será de um estilo diferente de um vinho de 100 pontos de Jane Anson da Decanter Magazine, que favorece mais a elegância e a finesse. A credibilidade do crítico, portanto, também é muito importante", comenta Tudgay.

Para finalizar, Paul garantiu que todos os vinhos selecionados são de excelente qualidade, porém questiona: será que os vinhos relacionados serão do agrado de cada leitor? Ele mesmo responde: “Só há uma maneira de descobrir, provando!”

Abaixo listamos os profissionais e as publicações que premiaram os 100 pontos. 

1-Marqués de Murrieta Castillo Ygay 2010, Rioja, Espanha

Resultado de muitos anos de experiência, é uma marca histórica e de renome. Um ícone dos Rioja Grandes Reservas de total qualidade e excelência. Produzido exclusivamente com os melhores anos da melhor única vinha. Lenda viva de Rioja que sobreviveu a três séculos, destinada a quebrar recordes. Elaborado com 85% Tempranillo, 15% Mazuelo, passou 24 meses em barricas de Carvalho americano e francês.

Prêmios:

100 Pontos Falstaff (Alemanha)

99 Pontos James Suckling

97 Pontos Decanter

97 Pontos Robert Parker

96 Pontos Tim Atkin 

2. Solaia 2016, Marchese Antinori, Toscana, Itália

De cor vermelho-rubi muito intensa, o vinho oferece aromas ricos na sua concentração de frutas vermelhas e pretas (cerejas e cerejas pretas, framboesas, cassis, mirtilos e frutos silvestres) que, juntamente com notas de baunilha, pimenta preta e alcaçuz, compõem um bouquet decididamente amplo e complexo. Na boca é excepcionalmente elegante e equilibrado, fresco nos sabores e com muita personalidade, sólido e sedoso na textura e nos taninos. O final, caracterizado por notas de fruta e especiarias, é de grande finesse e persistência.  Elaborado com as castas: 75% Cabernet Sauvignon, 20% Sangiovese, 5% Cabernet Franc. A primeira parte do envelhecimento ocorreu em barricas novas de carvalho francês, de 60 galões de capacidade, e durou dez meses. Após um período inicial de envelhecimento em lotes separados, os componentes foram misturados e a evolução em carvalho foi totalmente efetuada.

Premiações:

James Suckling 100 pontos

Robert Parker 100 pontos

3. Tignanello 2018, Marchese Antinori, Toscana, Itália

Este vinho apresenta uma cor vermelho-rubi intensa e brilhante. No nariz, notas de frutas vermelhas maduras combinam-se com notas agradáveis de amora fresca e frutos silvestres. Ao mesmo tempo, apresenta aromas delicados e perfeitamente integrados de baunilha e chocolate preto com ligeiras sensações de especiarias. Na boca, o vinho é vibrante, com taninos sedosos e refinados. Equilibrado e intenso, apresenta um final longo, complexo e persistente. Composto de 80% Sangiovese, 15% Cabernet Sauvignon, 5% Cabernet Franc. O vinho estagiou cerca de 14 a 16 meses em barricas de carvalho francês e húngaro, numa combinação de barricas novas e de segundo enchimento. Envelheceu por mais 12 meses na garrafa antes de ser lançado.

Prêmio:

Luca Gardini 100 pontos.  

4. Don Melchor 2018, Puente Alto, Chile

A safra 2018 do Cabernet Sauvignon ícone de Puente Alto obteve a maior pontuação que um vinho pode receber. O crítico norte-americano James Suckling lhe concedeu 100 pontos pela primeira vez em sua história. O Don Melchor 2018 tem a tensão de um ano mais fresco, expressa na acidez, assim como nos taninos firmes que aderem ao paladar. No blend entram as castas: Cabernet Sauvignon 91%, 5% Cabernet Franc, 3% Merlot e o restante de Petit Verdot. Envelhecido 15 meses em barricas de carvalho francês, a safra 2018 é uma das melhores na história do Don Melchor.

Prêmio:

James Suckling 100 Points. 

5. Bibi Graetz Testamatta 2018, Toscana, Itália

“Testamatta” é a palavra que melhor descreve Bibi Graetz: uma pessoa sorridente, criativa e apaixonada. O vinho conta com a pureza, a mineralidade e a transparência dos Sangiovese das vinhas antigas e carrega a mineralidade de solos pedregosos na região. Além disso, conta com vinhedos em altitude, o que mantém o frescor da fruta e auxilia em seu lento amadurecimento. É encorpado, com taninos maduros e ótima acidez. Seu final é marcado por frutas vermelhas maduras, especiarias e toques defumados. Varietal de Sangiovese, 24 meses de estágio em barricas de carvalho.

Prêmio:

100 pontos – Decanter 2018 

Confira mais detalhes no link abaixo:

https://rootstockvinhos.com.br/100-pontos-5-vinhos-premiados/

 

[1] Chamam-se propriedades organolépticas as características dos materiais que podem ser percebidas pelos sentidos humanos. No caso dos vinhos, é o caso da cor, do brilho, da luz, do aroma, da textura e do sabor.