• 11/07/2018

    Tuyo lança "Nude", minidoc sobre a "beleza"

    Tuyo lança

    O trio de “folk futurista” (?) Tuyo, em parceria com a Hyena Tapes. lançou há alguns dias um minidocumentário sobre a concepção, ou a origem, da beleza. Com 16 entrevistados, “Nude” discute representatividade, aceitação e autoestima. O elenco é o mesmo do ótimo clipe “Amadurece e Apodrece”, lançado no ano passado.

    “A intenção é mostrar outro padrão possível, diferente do qual a gente é exposto e está acostumado”, diz o diretor Alexandre Spiacci. O vídeo ainda coloca em debate os estereótipos de beleza social e comercialmente aceitos – sobre isso, aliás, há o estudo “TODxS – Uma análise da representatividade na publicidade brasileira”., que serviu de referência para o trabalho.

    “É sobre se enxergar mais nos lugares, nos espaços e no outro. Quanto mais parecido você é com aquela pessoa que vê, mais bonito você se acha”, explica Lio, uma das integrantes da banda Tuyo, ao lado da irmã Lay e de Jean Machado.

    “Nude” tem direção de Leticiah Futata e coreografia assinada por Milena Stemberg. Para este ano, a banda prepara o álbum "Pra Curar", além de um single em parceria com a cantora e compositora Bruna Mendez e com o Cafofo Estúdio, de Goiânia (GO).

     

  • 29/06/2018

    "Não seremos caladas, não mais"

    Foi em 2011, em meio a calorosos debates sobre a utilização do espaço público da USP e durante a greve de trabalhadoras terceirizadas, que Raquel Virgínia e Assucena Assucena se encontraram. Temas políticos foram catalisadores da música que logo fariam. A transexualidade e a luta contra o preconceito também são fatores que contribuem para que a banda As Bahias e a Cozinha Mineira, que se apresenta neste fim de semana na Caixa Cultural Curitiba (veja serviço abaixo), seja uma das mais relevantes do nichado cenário musical brasileiro. Completa a formação do grupo o mineiro Rafael Arcebi, que encontrou a dupla na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

    Há uma bagagem cultural e ideológica consistente e importante, mas que surpreendentemente não define completamente o som da banda. Com seus dois discos, “Mulher” (2015) e “Bixa” (2017), o trio embaça as fronteiras entre a música romântica e a de protesto, com influência direta de Gal Costa, “uma esteta genial”. A entrevista a seguir foi realizada por e-mail com Assucena Assucena.

    Qual foi a última música que você ouviu?
    “Joana Dark”, de Ava Rocha. Ava mais uma vez foi arrojada, imprevisível e genial.

    A história de vocês começa num curso de história (rs). Encontros universitários que geram bandas estão aí aos montes, mas o de vocês parece ter sido especial. Pode nos contar um pouco mais sobre isso?
    Tivemos a sorte de nos encontrar num período de luta dentro da universidade(a greve das trabalhadoras terceirizadas em 2011) e de conhecer colegas que consumiam todo tipo de arte e problematizavam o Brasil e os desdobramentos da arte em nosso tempo. Fizemos saraus e semanas de discussão artística. Nossa primeira experiência de palco foi para homenagear Amy Winehouse. A energia foi intensa e linda. A partir daí não paramos mais.

    A carreira de vocês talvez já tenha atingido um patamar muito profissional, que dribla ou não esbarra tanto em questões de preconceito ou estereótipos. Mas foi difícil, num país tão hostil, construir isso, aliar música e atitude social?
    Ainda esbarra e vai continuar esbarrando enquanto houver machismo, enquanto houver misoginia e transfobia. Nossa meta é acabar com esse estado permanente de abusos a dignidade de quem quer que seja. Por todos esses preconceitos o nosso trabalho é transpassado por boicotes. Eu prefiro encará-los como desafios, pois vamos passar por cima de todos eles. Agora temos movimentos organizados, os quais nos fundamentam ideologicamente e com táticas de luta. Não seremos caladas, não mais.

    Linn, Gloria Groove, Liniker, Johnny Hooker, Pablo Vittar, vocês. A sexualidade não ortodoxa (ou a transexualidade) conseguiu mais visibilidade artística por esses dias? A que custo?
    Conseguiu sim. Não o suficiente ainda, mas conseguiu a custo de muito sangue, a custo de nossa sanidade e de nossa chacota. O espaço LGBT na TV era o espaço da opressão por via das piadas e de estereótipos caricaturais.

    Falando sobre os shows em Curitiba. O que vão apresentar para nós?
    A narrativa de nossos dois álbuns: “Mulher” e “Bixa”. Fizemos uma adaptação especial para Caixa Cultural.

    Pode nos contar um pouco sobre as influências musicais, principalmente do álbum “Bixa”? Há tango, bolero. Gal Costa parece ser uma marca importante de diversas formas.
    Gal é sempre importante pra nós. Uma estrela-guia. Ela é uma esteta genial. “Bixa” carrega consigo nossos mestres: Elza, Amy, Bethânia, Alcione, Rita Lee, Milton Nascimento, Gil e Caetano, de quem veio o nome Bixa.

    E Caetano Veloso? A referência com o álbum “Bicho" (1977)...
    Com certeza. “Bicho” evoca a natureza e sua infinidade de signos, evoca a tigresa, o leãozinho, a borboleta, o som, a beleza, evoca quem é gente e gente nada mais é que bicho. É sempre bom lembrar que somos natureza, apesar de toda artificialidade possível que criamos para nos afastar dela e sermos alheios ao que somos; e somos bichos, metaforicamente ou não. O tempo passa e com ela a linguagem de tão viva se TRANSforma. Por isso é sempre bom lembrar que somos todas Bixas, metaforicamente ou não. Bons entendedores entenderão.

    SERVIÇO
    As Bahias e a Cozinha Mineira
    29 e 30 de junho e 1º de julho
    Sexta e sábado às 20h; domingo às 19h
    Caixa Cultural - Rua Conselheiro Laurindo, 280
    R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
    www.caixacultural.com.br
    Informações: (41) 2118-5111
    Classificação: 12 anos

  • 21/06/2018

    Entrevista - Soema Montenegro: "as escolas de música são um espaço traçado pela visão ocidental europeia"

    Entrevista - Soema Montenegro:

    Uma poeta surrealista, talvez, um arquétipo em desenvolvimento, uma força xamânica ao mesmo tempo bruta e delicada da natureza sul-americana. A cantora e musicista argentina argentina Soema Montenegro está em Curitiba desde a semana passada. Soema se inspira nas tradições e na natureza indígenas, mesclando isso com as diferentes latitudes musicais, como o folclore latino-americano, o fado português, a música afro-americana, as milongas e as valsas do Rio de La Plata. Como afirma na entrevista, sua música traz lembranças do universo sonoro da infância, composto por vozes estrangeiras, idiomas fronteiriços e relatos orais de memórias "do monte" e "da selva". Ela tem três discos lançados. Interessada tanto pelo realismo mágico de Gabo quanto pelo Tarot, sua personalidade é múltipla e muito receptiva. No último dia 16, ela dividiu o palco com a banda Ímã. Nesta quinta-feira (21) às 20h30, canta com Thaïs Morell no Palco dos Cinco Sentidos (R. Barão do Rio Branco, 438). Às 18h40 de sexta (22), apresenta showcase na Feira Internacional da Música do Sul (FIMS), que está rolando no Portão Cultural. Logo depois, às 21h, canta na Caiçara (R. Claudino dos Santos, 90), como parte do circuito off do evento. E finalmente no sábado (23), a partir das 14h, ministra oficina na Cia. Senhas de Teatro (R. Paula Gomes, 381). Abaixo, entrevista com Soema Montenegro, uma latina em estado puro. "Minha maior escola foi me reconhecer guarani, latino-americana, e não querer me parecer com outro modelo que não fosse minha própria raiz para soar tudo o que eu sou."    

    Sempre começo entrevistas assim com a seguinte pergunta: qual foi a última música que você ouviu?
    Faz algumas semanas que estou conectada com a música brasileira, sobretudo desta região. Tuyo, Bernardo Bravo, Mulamba, Imã, Luciano Faccini, Thaïs Morell. Me interessa muito a música com identidade, os compositores que conseguem manifestar sua realidade atual com as raízes, a síntese que se produz desde a identidade e a geografia física e social que habitamos.

    O que espera de sua passagem pelo Brasil, por Curitiba? O que irá nos trazer?
    O primeiro impulso que me trouxe a Curitiba foi o convite da FIMS para participar da feira e compartilhar minha música, e a música argentina aqui com todos vocês me parece muito importante. Esta feira agrupa aos artistas do sul, e a Argentina também é parte desta região e há muitos ritmos e sons que compartilhamos. Minha família é do litoral argentino, perto do Brasil e Paraguai, e neste sentido muito mais perto do que as fronteiras que pensamos que existem. Confio na música e sua própria natureza expansiva, me sinto muito bem aqui, com as pessoas, com a comida, com suas expressões artísticas. Sinto que os laços que vou fazendo crescem e no futuro vão dar seus frutos. Meu desejo é continuar vindo ao Brasil e seguir crescendo, aprendendo de sua cultura, sua música e criar intercâmbios com os músicos e artistas da região.

    Participação de Soema no projeto La Blogotèque:

    Você nasceu e cresceu na periferia de Buenos Aires, uma região com muitos imigrantes latinos, com sotaques diversos. Sua “investigação musical” passa por isso também. Esse encontro te influenciou de alguma forma?
    Cresci na periferia, e creio que inconscientemente desde a infância todos esses sons foram impregnando-se em meu mundo criativo, foram se instalando dentro de mim como sementes, minhas tias e avós contando histórias do monte e da selva, as viagens ao litoral argentino, logo veio o estudo formal na escola de música, e ali entendi que devia liberar meu canto e comecei a buscar mestres da voz que pudessem me acompanhar nestes processos e assim poder encontrar meus próprios sons e identidade. Essa foi minha maior escola, me reconhecer guarani, latino-americana, e não querer me parecer com outro modelo que não fosse minha própria raiz e soar tudo o que sou. Foi ali quando a semente da minha infância deu a luz todos os sons que habitavam em mim, e continuam sendo o portal de novas formas e criações. Agora conscientemente faço investigações pelos lugares que viajo na América Latina. É muito importante para mim compartilhar a música e apreender de seus sons.

    É grande seu interesse pela “magia” latino-americana, pelas lendas e causos, talvez melhor exemplificada na literatura de Gabriel García Márquez. De que forma esse mergulho na essência invisível do continente influencia na sua música?
    Amo o realismo mágico, creio que vivo com um pé neste mundo e o outro no mundo mágico também graças a possibilidade de subir no palco e abrir o universo das canções ali. Essa realidade foi uma parte minha desde a infância de uma forma muito natural, somado ao fato de que o mundo imaginário das crianças não tem limites, uma conjunção perfeita. Minhas composições, música e poesia continuam conectadas com esses espaços que também penso que são as vozes que podemos encontrar mergulhando na profundidade da nossa América Latina, na selva, nos montes, nos rios, na montanha, tudo está ali nos contando histórias, e os povos e sua gente são os porta-vozes dessa paisagem imensa, isso é maravilhoso e nossa tarefa, como os jograres [trovadores medievais que difundiam a música e a poesia], é escutar com profundidade essas vozes e deixar que ecoem em nós para que floresçam em música. Este é para mim o processo criativo e estou atenta a estes movimentos desde a composição.

    Apesar dessa relação com nosso passado folclórico, você estudou numa academia tradicional, o Conservatório de Música Alberto Ginastera. Houve algum tipo de conflito, como conseguiu concílio?
    Estudei no Conservatório de Música, e foi um bom momento para compreender a música que eu queria fazer, e encontrar minha identidade musical. Primeiro estudei violão por 4 anos, e entendi que minha natureza era compor música, então comecei a estudar composição musical, e ao mesmo tempo estudava com mestres maravilhosos da voz que me ensinaram a integridade do som, voz, corpo, movimento e emocionalidade, todos processos muito lentos, fortes e poderosos. Creio que o conflito em seu primeiro momento foi entender que as escolas de música só representam um espaço do mundo musical e justamente este espaço está traçado pela visão ocidental europeia, nisso se baseia no meu entender o conflito, e compreender que a realidade ocidental latino-americana está traçada por outras realidades foi o conflito maior e a visão dessa contradição me ajudou a entender a música que eu queria fazer. Mergulhar nessas buscas e dar espaço a experimentação, que neste caso tem a ver com o reencontro com nós mesmos.

    "Habanera de los Bichos", faixa do disco "Ave del Cielo" (2014)

    Você é reconhecida por interpretações viscerais e “naturalistas”. De que maneira isso se tornou natural e qual a importância do improviso na sua música?
    A improvisação sempre está presente nas composições porque para mim representam o espaço vivo do momento, as energias que são únicas em cada interpretação. Isso me é natural porque em nisso se baseia a investigação e a busca, e porque também acredito que o palco é um espaço ritual, político e único, então a improvisação vista desde a visão ocidental europeia não tem muito sentido aqui, porque não é repetir formas estabelecidas, mas uma energia, um estado ritual que revela os sons que são importantes em cada encontro com o público, que também é único e irrepetível como a própria vida.

    É uma pergunta um pouco abrangente, mas de que forma você vê a relação do Brasil, e da música do Brasil, com os outros países da América Latina? Parece-me que está melhorando. Estamos mais dispostos a ouvi-los?
    Na Argentina a música brasileira é muito conhecida, os músicos querem aprender a tocar bossa nova e outras músicas maravilhosas daqui. Para mim é bastante natural esta relação. Mas estando aqui, muitos músicos me disseram da necessidade de escutar e aprender mais de outras músicas latino-americanas, o que já é uma boa semente. Acredito que está começando a surgir bastantes projetos de intercâmbio cultural entre artistas brasileiros com outros artistas da América Latina, e que dessa forma Brasil está abrindo mais espaço para a música latino-americana.

    Você também utiliza muitos vocalizes em suas apresentações. O idioma, então, não é uma grande preocupação?
    O idioma não é uma limitação, fiz shows em muitos lugares do mundo, nos Estados Unidos, Austrália, Marrocos, Coréia do Sul, Europa, e graças a estas experiências compreendi que a música tem sua própria forma de comunicação que não tem nada a ver com o idioma, a música se expressa e traça seus caminhos invisíveis, mas muito concretos no coração de todos que queiram recebê-la.

    Atualmente você trabalha em seu quarto disco, "Camino a la Templanza", inspirado nas culturas xamânicas e nos arquétipos do Tarot. Pode nos contar um pouco mais sobre o trabalho, e quando poderemos ouvi-lo?
    As composições deste álbum são uma viagem que representam encontros com diferentes forças, espíritos, que como os pontos cardinais no céu guiam aos viajantes em seus caminhos. Uma viagem de um estado da vida a outro, a transformação que nos vai chegando, o desejo de poder despojar-nos de nós mesmos para começar a habitar o que realmente somos. Foi composto em um momento da minha vida em que me sentia em um rito de passagem para uma nova vida. A temperança simboliza a fluidez entre o passado, o presente e o futuro, e isso se expressa na sonoridade deste novo disco que transita pela música ancestral até a música eletrônica. Há uma forte influência das culturas xamânicas nele pois está dividido em quatro partes relacionadas, cada um com um ponto cardinal, um animal e um elemento, e além disso é inspirado também nas viagens xamânicas e nos ritos de passagem, e é também inspirado em algumas cartas do tarot como a temperança, a morte, os enamorados. Este disco é um encontro com seres mitológicos de diferentes culturas latino-americanas e especialmente da cosmovisão andina, arquétipos que formam parte das viagens que a humanidade passou e que ainda convivem com nós como fantasmas, espíritos que nos recordam como atravessar o caminho. Ainda estamos pensando em como lançá-lo, mas provavelmente lançaremos no final de novembro.

  • 20/06/2018

    Maglore apresenta seu pop otimista em show no Paiol

    Maglore apresenta seu pop otimista em show no Paiol
    Foto: Duane Carvalho

    Há um otimismo candente no som da banda Maglore. E também um discurso eficaz, não político no sentido de mudar as coisas por completo, mas pessoal e intransferível: a partir de angústias pessoais, o vislumbramento de um futuro mais, digamos, despreocupado.

    Formada em Salvador em 2009, então com Carlos Nery (baixo) e Lelo Brandão (guitarra e teclado), e atualmente radicada em São Paulo, a Maglore lançou os CDs independentes “Veroz” (2011), “Vamos Pra Rua” (2013) — com participações de Carlinhos Brown e Wado – e “III” (2015), este considerado um dos melhores discos daquele ano por Rolling Stone Brasil, Billboard e MTV.

    No show que faz às 7 da noite do dia 8 de julho no Teatro do Paiol, em Curitiba, a banda apresenta o disco “Todas as Bandeiras”, lançado em 2017 e também pinçado como um dos álbuns mais interessantes por portais como o Scream & Yell. As influências, como o próprio grupo afirma, vão de Caetano Veloso a Wilco. É um pop elegante em sua simplicidade, com letras simples e eficazes. Atualmente, a Maglore é formada por hoje formado por Teago Oliveira, Lelo Brandão, Felipe Dieder e Lucas Oliveira. O show é uma produção da Camará e da Bambaê.

    SERVIÇO

    Maglore

    Teatro do Paiol

    8 de julho (domingo), às 19h

    Ingressos antecipados à venda em http://bit.ly/maglorepaiol
    Meia-entrada: R$ 15
    Inteira: R$ 30

    No dia do show
    Meia-entrada: R$ 20
    Inteira: R$ 40

     

     

  • 04/06/2018

    Descobertas e redescobertas do Olhar de Cinema

    Descobertas e redescobertas do Olhar de Cinema
    Foto: Duane Carvalho

    A sétima edição do já tradicional Festival Olhar de Cinema começa nesta quarta-feira (6), e segue até o dia 14 de junho. São muitos os destaques em uma programação plural, que combina o que há de novo no cinema contemporâneo com filmes históricos, ou realizadores que precisam ser relembrados e conhecidos. Na busca de uma conexão entre a realidade política atual e as obras exibidas, a equipe de curadores selecionou 156 filmes de 46 países, que estão distribuídos entre as nove mostras do festival. Dentro delas, alguns destaques, aqueles filmes imperdíveis, seja pela experiência rara em vê-lo na telona (como os de Jean Rouch, presente na Mostra Olhar Retrospectivo) ou pela contundência artística.

    Na mostra Exibições Especiais, o Olhar de Cinema traz a Curitiba filmes que se destacaram nos festivais nacionais. Da Mostra Tiradentes, chega o vencedor "Baixo Centro", de Ewerton Belico e Samuel Marotta. Outros filmes estiveram na seleção de mais de um festival, como como "Diários de Classe", de Maria Carolina e Igor Souza, importante documentário sobre a alfabetização para adultos, sobre o direito à educação.

    Uma das grandes atrações do Olhar de Cinema é a seleção de filmes clássicos restaurados. Neste ano, a curadoria apresenta um programa com curtas-metragens da pioneira Alice Guy-Blanché. A diretora francesa, primeira mulher a dirigir e roteirizar filmes de ficção, tem em sua filmografia mais de mil títulos, mas acabou apagada pela história e recebe agora um resgate de sua obra. 

    Vários outros clássicos fazem parte da programação. Destaque para a co-produção méxico-cubana "Santo Contra Cérebro do Mal", de Joselito Rodríguez, e o longa-metragem "Scarface - A Vergonha de uma Nação", de Howard Hawks. Também serão exibidos "O Terror das Mulheres", comédia escrita, dirigida e protagonizada por Jerry Lewis, e "O Baile dos Bombeiros", terceiro longa para cinema dirigido por Milos Forman, que concorreu ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 1969, representando a então Tchecoslováquia. A diretora belga Chantal Akerman também se faz presente com "Os Encontros de Ana", uma jornada de melancolia e desencanto sobre o próprio viver. 

    Completando a seleção, um clássico do cinema de terror: "A Noite dos Mortos-Vivos", do mestre George A. Romero, ao lado de um dos mais importantes filmes brasileiros: "O Bandido da Luz Vermelha", de Rogério Sganzerla. Outro filme brasileiro impreterível é "Aopção ou As Rosas da Estrada", de Ozualdo Ribeiro Candeias.


    Outros Olhares

    A mostra Outros Olhares busca um diálogo entre filmes recém estreados, ainda inéditos, ou que já possuem uma trajetória internacional em festivais e mostras recentes. São vários estilos, linguagens e abordagens em torno de questões urgentes. Entre os destaques está "Algumas Perguntas", co-produção Uruguai/Alemanha dirigida por Kristina Konrad. Com suas quase quatro horas de duração, Kristina encontra um caminho para investigar a ditadura militar no Uruguai.

    Sobre espaços e realidades, a narrativa construída pela oposição entre fotografias antigas recém-descobertas e o que estas imagens não mostram de "A Nação Morta", de Radu Jude, dialoga com a poesia observativa de Kazuhiro Sôda, que expõe o definhar de Ushimado, antigo vilarejo japonês, em "Minatomachi".

    Questões sociais também marcam a mostra Outros Olhares. Caso de "Para Além de Nós", de Anna Marziano, que por meio da música, do cinema e da literatura, trata da violência doméstica; e de "Um Abraço na Sororidade", de Irene Lusztig, sobre as respostas ao movimento feminista dos anos 1970.

    Outro destaque é o diretor russo Rustam Khamdamov. Conhecido por suas longas pausas narrativas, ele volta às telas com o longa "O Saco sem Fundo", inspirado no conto de Ryūnosuke Akutagawa, obra que também serviu de inspiração ao clássico "Rashomon", de Akira Kurosawa.

    Novos Olhares

    Os longas-metragens com maior radicalidade em suas propostas estéticas estão na mostra Novos Olhares. Uma exposição serve de palco para o estudo das modificações culturais ocasionadas pela globalização em "Expo Lío’92", de Maria Cañas, e filmes inacabados argentinos são o ponto de partida de "A Película Infinita", de Leandro Listorti. Vale também dar uma espiada em "Smetak", de Simone Dourado, Nicolas Hallet e Mateus Dantas. O filme busca desvendar o músico suíço radicado na Bahia Walter Smetak. 

    O 7º Olhar de Cinema é uma realização da Grafo Audiovisual em parceria como o Ministério da Cultura e conta com o patrocínio BRDE, FSA, Ancine e apoio SESI-PR.

     

    SERVIÇO

    7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

    De 6 a 14 de junho

    Locais de exibição: Shopping Novo Batel (Cineplex Batel), Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema), SESC Paço da Liberdade, Centro Cultural SESI Heitor Stockler de França.

    Ingressos: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia). Os ingressos já podem ser adquiridos nas bilheterias dos cinemas.

    Site: olhardecinema.com.br

     

     

  • 29/05/2018

    1º Festival Panapaná reúne bandas do Paraná e do Piauí

    A ideia não é nova, mas se torna essencial por esses dias aquietadores: o intercâmbio cultural e o diálogo artístico. O Festival Panapaná, cuja primeira edição acontece em Curitiba na próxima sexta-feira, 1º de junho, reúne as bandas Validuaté (de Teresina, no Piauí), Abacate Contemporâneo (Londrina), Diego Perin e a dupla Estrela Leminski e Téo Ruiz, de Curitiba. A discotecagem fica nas mãos e nas cabeças de Luna Angreves e Heitor Humberto (Casa de Suingue).

    A Validuaté surgiu em 2004, e, com sua ironia fina, chegou a abrir os shows da turnê “Cê”, de Caetano Veloso. Com sua experimentação brasileira sobre o rock, o quinteto divulga o álbum “Manual de Instruções Para”, lançado neste ano. A banda também obteve alcance nacional com a música “Eu te Considerava Tanto”, tema da novela “Amor à Vista”, da Rede Globo.

    A Abacate Contemporâneo foi uma das atrações do Festival Psicodália deste ano. Na sonoridade, há uma vontade (não tão velada) de resgatar a cultura dos malditos da MPB – com referências setentistas complexas que se diluem, muito em função do bom-humor intrínseco do grupo, impulsionado pela performance da cantora e atriz Raquel Palma.

    Os pratas da casa são Diego Perin, ex-banda Gentileza, que em março lançou o instigante EP “Cabresto” - escrevi sobre ele aqui (“já que estamos cercados, é melhor frear e bater no muro ou acelerar e atravessá-lo?”). E a entusiástica dupla Estrela Leminski e Téo Ruiz, vencedores do prêmio Profissionais da Música na categoria “artista rock” com o disco “Tudo Que Eu Não Quero Falar de Amor” (2017), projeto multimídia com 12 músicas e 12 clipes. Neste ano, reforçando a ideia motivadora do Festival Panapaná, o casal se apresentou no Pará, em Porto Alegre, Goiás, Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Maranhão, Piauí e Distrito Federal.

    O evento começa às 20h com discotecagem do coletivo Casa de Suingue, de Luana Angreves e Heitor Humberto, conhecidos pelas festas e produção da RádioKombi do Festival Psicodália.

     

    SERVIÇO

    1ª Festival Panapaná

    Sexta-feira (1º de junho) a partir das 20h.

    Ingressos: R$20 com nome na lista ([email protected]) e R$30 sem nome na lista.

    Basement Cultural – Rua Des. Benvindo Valente, 260.

    Line-up:

    20h - Casa de Suingue

    21h30 - Diego Perin

    22h30 - Abacate Contemporâneo

    23h50 - Estrela Leminski e Téo Ruiz

    01h - Validuaté

    02h30 - Casa de Suingue

     

  • 24/04/2018

    Jorge Drexler lembra Marielle em show acolhedor

    Jorge Drexler lembra Marielle em show acolhedor
    Foto: Duane Carvalho

    O diálogo entre a música latinoamericana e o Brasil enfim tem melhorado nos últimos anos. Talvez já não valha a máxima de que “damos as costas para nossos vizinhos”, ao menos em termos culturais. Alguns casos específicos exemplificam isso: a Francisco, el Hombre, que ensinou todo mundo a cantar com sotaque; a coletânea “Somos Todos Latinos”, importante documento musical lançado pelo site Scream & Yell em 2015; e seu segundo capítulo, “Brasil También Es Latino”, divulgada no mesmo site no ano seguinte. Há também as bandas locais de expressão nacional que têm a latinidade em sua essência natural, caso da Banda Gentileza (acabou...), Tuyo e Trombone de Frutas. E restaurantes, bares e festas com uma temática caliente que pipocam por aí.

    O uruguaio Jorge Drexler é um caso interessante da popularização destes horizontes. No show que fez na Ópera de Arame em Curitiba, na última sexta-feira (20), não escondeu seu jeitão pop que às vezes lembra um Alejandro Sanz mais confiante; porém, fez uma incursão por ritmos folclóricos do sul do mundo, nos apresentando ricas sonoridades que, reféns da indústria, conseguem romper barreiras quando quem as revela é um vencedor do Oscar – pela canção “Al Otro Lado del Río”, trilha do filme “Diários de Motocicleta”, de 2004.

    Drexler divulga o disco “Salvavidas de Hielo” (2018). O show começou com “Movimiento”, música-manifesto sobre a liberdade. “Somos uma espécie em viagem/ Nós não temos pertences, mas bagagem”. Todo a percussão do álbum, explicou o músico, foi feita em violões, e assim também aconteceu na apresentação, didática, divertida e acolhedora.

    O médico otorrinolaringolosita passeou por outros discos, com ótimas músicas resgatadas de “Bailar em La Cueva” (2014) como “La Noche no Es Una Ciencia Exata” e “La Luna de Rasquí”. Em determinado momento, após a Ópera inteira cantar “Asilo”, pediu com o violão na mão para que uma moça da primeira fila escolhesse a próxima música. “Todo se Transforma”, do disco “Eco”, de 2004.

    Como um milongueiro típico, contava a inspiração para as composições que tocaria. Como em “12 Segundos de Oscuridad”, criada no retiro perdido de Cabo Polônio, leste litorâneo de seu país, em que um farol (e só ele) ilumina a antiga vila hippie a cada 12 segundos.

    Acompanhado de uma banda enxuta e precisa, Jorge Drexler soube ser pop. Entrou no clima festivo, dançou no meio da galera, elogiou a Ópera de Arame um par de vezes, mas não se mostrou absorto. Dedicou uma música à vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), assassinada há 40 dias. “Sei o que está acontecendo por aqui. Sei que é difícil”, disse.

    Elegante, Drexler também se manifestou sobre uma recente onda de participação pública inconveniente em grandes shows: é quando, quase mesmo antes de a música começar, já se ouvem palmas efusivas e desritmadas. “Façam castanholas com os dedos. Assim eu posso me ouvir”, pediu.

    Os momentos mais interessantes foram acústicos. Integrando um trio de violão (ele tocava uma espécie de baixolão afinado em Lá), o uruguaio tocou milongas e zambas, ritmos platinos pouco difundidos por aqui. Drexler fez um show de duas horas e 25 minutos. Estava contente, assim como ficou seu público. A sensação foi de acolhimento. Como se um hermano te convidasse para um mate enquanto conta uns causos em bom portunhol.

  • 13/04/2018

    Mostra de cinema discute a sociedade marginal brasileira

    Mostra de cinema discute a sociedade marginal brasileira
    Foto: Duane Carvalho

    Em tempos obtusos, meu caro, arte. A mostra de filmes Cine Brasil Marginal nos oferece obras produzidas por diretores, artistas, representantes de movimentos sociais e de direitos humanos. É (mais uma) oportunidade para que temas e personagens à margem (da sociedade, da grande mídia, da capital), sejam discutidos de forma respeitosa, honesta e profunda.

    No evento que acontece na Cinemateca de Curitiba entre hoje e domingo, serão exibidos cinco longa-metragens e uma sessão de curtas. Haverá também debates críticos e exposição de fotos (de Francisco Proner, aquele da foto do Lula nos braços do povo) e vídeoarte.

    Entre os temas discutidos nas obras estão os refugiados recém-chegados ao Brasil; a falta de moradias; a política diante do avanço do fundamentalismo religioso; a transexualidade; a população indígena e os povos tradicionais; a relação entre Brasil e África, entre outros. Também haverá uma mesa redonda sobre o tema “Sociedade e Empatia”.

    O evento foi idealizado pelo Coletivo Taoca, composto por produtores e artistas brasileiros, suíços e holandeses - "taoca" em tupi-guarani representa uma variedade de formigas. O coletivo promove iniciativas criativas e socieias e propõe um pensamento político crítico. Todas as sessões da mostra Cine Brasil Marginal são gratuitas.

    Programação

    Sexta-feira (13/4)

    19h

    Abertura da mostra, com Fabiana Kuriki, Andre Luzzi e Thais Aguiar

    19:30

    Era o Hotel Cambridge” 100' | Brasil | Eliane Caffé | Ficção

    Refugiados recém-chegados ao Brasil dividem com um grupo de sem-tetos um velho edifício abandonado no centro de São Paulo. Os novos moradores do prédio têm que lidar com seus dramas pessoais e aprender a conviver com pessoas que, apesar de diferentes, enfrentam juntos a vida nas ruas.
     

    21h - Exposição do Fotógrafo Francisco Proner Ramos e Vídeoarte "Moi, Brésilienne", de Fernanda Peruzzo

    Sábado (14/4)

    14h

    "Epidemia de Cores" 70' | Brasil | Mario Eugenio Saretta | Documentário

    O documentário narra a rotina dos participantes e coordenadores da Oficina de Criatividade ministrada no Hospital Psiquiátrico São Pedro, em Porto Alegre. As atividades no local contam com a participação de ex-internos e moradores. 

    15h20

    "Entre os Homens de Bem" 104' | Brasil | Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini | Doc | PTe

    O avanço do conservadorismo e do fundamentalismo religioso no Congresso Nacional Brasileiro contra os direitos dos LGBTs, através da atuação política do deputado Jean Wyllys.

    17h10 - Sessão de Curtas

    Memórias do Cais Valongo”

    27' | Brasil | Carlos Muricy e co-direção de Carlo Alexandre Teixeira| Doc

    Memórias do Cais do Valongo" enfatiza a memória e a história da região portuária que ficou conhecida no século XIX como "A Pequena África". Termo cunhado segundo consta pelo sambista e pintor Heitor dos Prazeres.

    A Boneca e o Silêncio”

    19’ | Brasil | Carol Rodrigues | Ficção

    O curta é sobre a solidão de Marcela, uma menina de 14 anos, ao ter que decidir se interrompe uma gravidez indesejada. 

    "O Menino Invisível"

    8’ | Brasil | Murilo Deolino |Ficção

    Um menino morador de rua é sistematicamente ignorado pelos passantes. Entretanto, a pobreza e o abandono não são capazes de embotar seu natural desejo infantil de sonhar. 

    Super Oldboy”

    15’ | Brasil | Eliane Coster |Ficção

    Sátira bem-humorada da paradoxal situação do idoso contratado como boy, muito comum em São Paulo. 

    Corpo Manifesto”

    25’ | Brasil | Carol Araújo | Doc

    As mulheres, seus corpos e suas batalhas. O filme explora de maneira poética as dimensões simbólicas do corpo e sua representação. 

    Água - Um Direito Humano”

    12’ | Brasil/Suíça| Taoca | Doc

    Estâncias de Águas Minerais em Minas Gerais ameaçadas pela entrada de multinacionais como a Nestlé mobilizam a população local na luta pela preservação de suas fontes. 

    Domingo (15/4)

    14h

    "Do outro Lado do Atlântico" 90’ | Brasil | Márcio Câmara e Danielle Ellery | Doc

    Um filme que retrata as semelhanças e o desconhecimento entre as culturas do Brasil e as de países africanos que tem o português como língua oficial. 

    15h30

    "Martírio" (2017) 160’ | Brasil | Vincent Carelli | Doc

    Uma análise da violência sofrida pelo grupo Guarani Kaiowá, uma das maiores populações indígenas do Brasil, que sofre com a repressão e opressão de latifundiários e pecuaristas. 

    18h30

    Encerramento

     

  • 10/04/2018

    Tim Bernardes apresenta disco solo em dois shows no Paiol

    Tim Bernardes apresenta disco solo em dois shows no Paiol
    Foto: Duane Carvalho

    Tim Bernardes, filho de Mauricio Pereira, e guitarrista e vocalista da banda O Terno, apresenta “Recomeçar”, seu primeiro disco solo – eleito o melhor álbum nacional de 2017 em votação do super Scream & Yell – em show no Teatro Paiol, em Curitiba, em duas sessões: às 18h e às 20h30 do dia 27 de abril. Os ingressos custam R$80 e R$40 (meia-entrada, válida para estudantes ou para quem doar um quilo de alimento não perecível).

    O disco solo de Tim, também produtor musical, é intimista e cancioneiro, com arranjos simples (e meio bossanovistas) ao violão e ao piano. Honestidade artística, enfim. “Recomeçar”, nesse sentido, se distancia do rock setentista da banda O Terno, com a qual já lançou três discos e um EP, todos eles muito bem recebidos. Vai ser bonito no Paiol.

  • 19/03/2018

    A força contemporânea do EP "Cabresto", de Diego Perin; ouça

    Numa tarde no fim do ano passado, me encontrei com o músico Diego Perin em sua casa. No meio da conversa, ele disse: “a real é que estamos cercados.” Naquele mesmo dia ouvimos algumas das músicas que iriam compor o EP “Cabresto”, lançado hoje - baixe aqui e ouça ali embaixo. E agora, com trabalho solo do ex-baixista da Banda Gentileza nas orelhas e na cabeça, saquei o que ele quis dizer. Há diversas maneiras de assimilar e retratar o que acontece por aí. Talvez neste momento, cruel e nebuloso, artistas conscientes tenham uma missão especial. Uma carta branca para que tentem nos explicar o que parece inexplicável e, mais do que tudo, apontar um caminho. Diego Perin. Foto: Luana Angreves Diego Perin. Foto: Luana Angreves Nas quatro músicas do EP, Diego, que agora assume guitarras e vocais, trabalhou com metáforas assertivas. A força de “Cabresto” não está em sua base roqueira, latina e afro, simples até, com participação de Rodrigo Lemos, João Taborda, Estrela Leminski, Téo Ruiz, Douglas Vicente, Vinicius Nisi, Luana Angreves e Lucas Ajuz. Mas sim na mensagem, que se encontra um ouvinte atento, é capaz de se agigantar. Em “Cabresto”, a faixa homônima, Diego Perin canta que “a verdade é um artigo de luxo/ você não pode pagar”. É difícil, nestes tempos líquidos e quase inverossímeis, resumir e cantar o que se apresenta como sistema imutável. Encontrar em suas brechas a possibilidade do entendimento. Providencial por estes dias é a música “A Dor dos Outros”. A partir de uma cotidiana reflexão pessoal (sobre a vida de artista?), um anúncio dos mais claros que – permitam a transição editorial – encontra eco em quem não sente o assassinato de quem representa muito da gente: “A dor dos outros não dói em nós”. Há certo otimismo no início da setentista “Tapeçaria do Asfalto”. “A cidade oprime/encurrala/ atropela/ em compensação por dentro/ sigo com o peito florido para balancear”, antes da revelação certeira:   “cada dia o cerco fecha mais e mais

    arregalo bem os olhos

    que horizontes tão escuros

    na realidade já cansei de procurar

    pela solução ou recomeço

    que nas utopias reconheço”

      “Salto”, o rompante pop do EP, é sensível em sua ideia-poesia geral e nos faz uma pergunta: já que estamos cercados, é melhor frear e bater no muro ou acelerar e atravessá-lo? Diego Perin lança o EP Cabresto em show no dia 6 de abril, a partir das 8 da noite, no Ornitorrinco (R. Benjamin Constant 400), ao lado de Bernardo Bravo e com discotecagem da Casa de Suingue.

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