• 24/09/2018

    Música de Mulher Preta: Bia Ferreira inaugura projeto paralelo do Sofar Sounds

    Música de Mulher Preta: Bia Ferreira inaugura projeto paralelo do Sofar Sounds
    Foto: Haistudio

    O já tradicional Sofar Sounds, em que o público se encontra com artistas-surpresa em locais secretos e intimistas, tem uma novo projeto paralelo: o Sofar Sounds Curitiba Apresenta. A primeira convidada é a cantora e compositora sergipana Bia Ferreira. E desta vez sem segredos: a apresentação acontece na próxima quinta-feira (27) a partir das 21h, no Espaço Fantástico das Artes - Al. Princesa Izabel, 465, no São Francisco. Os ingressos custam R$20.

    Bia Ferreira define sua música como MMP: Música de Mulher Preta. Seu trabalho tem alto poder de conscientização e reflexão sobre o racismo. Em ascensão no circuito da música independente do país, Bia participou do PulsoRedbull Music, do Vento Festival 2018 e do programa Estúdio Showlivre. Sua a música “Cota Não É Esmola”, gravada durante o Sofar SessionsLatinAmerica, em Curitiba, passou a marca de três milhões de visualizações no YouTube e se tornou o vídeo mais assistido do projeto (veja abaixo).

    “O Sofar é um espaço muito importante para divulgar artistas que estão no corre há muito tempo. Estou muito orgulhosa de fazer parte dessa ‘parada’, diz Bia.

    SERVIÇO

    Bia Ferreira e banda 
    27 de setembro (quinta-feira) às 21h.
    Espaço Fantástico das Artes - Al. Princesa Izabel, 465, São Francisco
    R$ 20.
    Compra online antecipada: https://beta.sympla.com.br/painel-do-evento?id=365827
    Compra física: no local do evento a partir de 24/9
    Censura: Livre
    Capacidade do local: 180 pessoas
    Evento: https://www.facebook.com/events/245311789465802/

     

  • 23/08/2018

    Entrevista - Francisco, el Hombre: "o Brasil está se descobrindo latino"

    Entrevista - Francisco, el Hombre:
    Foto: Haistudio

    Mais do que 650 shows em cinco anos de estrada (num sentido totalmente literal), a banda Francico, el Hombre carrega nas trouxas uma missão ainda em construção, apesar dos frutos: a de fazer o Brasil, e sua música, se sentirem “latinos”, integrados a um contexto sócio-cultural (e político) mais abrangente.

    Se começaram tocando nas ruas, juntando moedas no almoço para pagar a janta, hoje os irmãos mexicanos Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte, e os brasileiros Juliana Strassacapa, Andrei Kozyreff e Rafael Gomes lembram de shows em grandes festivais recentes, como o Vive Latino, no México, e o Lollapalooza Brasil. Ainda divulgando o disco “SOLTASBRUXA” (2016), com hits como “Calor da Rua”, “Bolso Nada” e “Triste, Louca ou Má”, faixa que virou uma espécie de hit feminista (no melhor dos sentidos), e é trilha da novela “O Outro Lado do Paraíso”, da Rede Globo. No show que fazem na sexta-feira (24), no Hermes Bar, em Curitiba, na companhia da coirmã Trombone Frutas (serviço completo abaixo), o quinteto também divulga músicas novas, que estarão no próximo álbum, a ser lançado no início do ano que vem. Sobre tudo isso, bati um papo com Mateo (violões, sintetizadores e vocais). Ah, a Francisco, el Hombre também faz em show no Phono Pub, em Ponta Grossa, no sábado (25).

    Qual foi a última música que você ouviu?
    Foi “Tenso”, da Maria Beraldo.

    Show em Curitiba de novo, que é quase a segunda casa de vocês. Como tá o sentimento por aí?
    Pois é, Curitiba se tornou uma outra casa nossa mesmo, desde o começo da banda. Há muito tempo tocamos no MON, em formato acústico, e fomos conhecendo a galera que estava querendo trabalhar a cultura daí. Essas pessoas foram virando parceiros, uma família mesmo. Temos vontade de ir aí pra tocar, mas pra ver essas pessoas também, da Arnica Cultural, do Trombone de Frutas, da Mulamba. Lembro aqui que a primeira vez que toquei em Curitiba foi com a banda do meu irmão. Eu tinha 14 anos. Depois de um tempo, percebi que na verdade as bandas precisam se complementar, aprender com quem tá do lado, para marcar a nossa época. Nada melhor pra isso do que se ouvir.

    A música “Bolso Nada” é de 2016, mas de certa forma faz cada vez mais sentido agora?
    É. Na verdade me dá um pouco de curiosidade de entender o eleitorado desse sujeito. Porque aquele cara é um boneco que está a frente de muita coisa que tá errada, um fantoche. Me dá susto! Não consigo realmente entender como tem uma quantidade imensa de jovens que pensam assim hoje em dia. Por outro lado é massa ver a quantidade de galera assustada igual a mim. Então, é preciso cantar essa mensagem. A gente faz música para comunicar, tocar as pessoas. E as pessoas estão sentindo necessidade de falar. A música está na boca da galera. Achávamos que ia ficar datada, mas esse discurso de ódio de outro lado fez com que a música crescesse. Mas tem um porém. Essa música é um grito muito alto contra aquele discurso. Não gosto dessa polaridade crescente, então sou bastante autocrítico em relação a ela, porque acredito no diálogo, não em rótulos.

     

    Não sei se é uma missão para vocês, mas a Francisco aproximou a musicalidade latina de nós, meio que fez com que o Brasil se reconhecesse de forma mais orgânica como um país latino. Como vocês veem essa questão hoje? Há algumas bandas outras bandas que compartilham disso também...
    Absorvemos de fato essa latinidade quanto fomos tocar em países vizinhos, quando fomos para lá e cruzamos nossos próprios muros. Entendo que o Brasil é, acima de tudo, América Latina, e talvez estejamos começando a entender isso organicamente, com alguns séculos de atraso. Hoje, por exemplo, estamos gravando um reggaton com a banda Braza. É preciso estar mais atento a essa comunicação natural da música. E não é a gente que tá trazendo tudo isso, o Brasil é que está se descobrindo enquanto latino.

    Vocês tem uma música em uma novela da maior rede de televisão do país. A banda está meio que num meio termo entre o mainstream e o underground. Isso chega a vocês de que forma?
    Cara, quando chegou o convite da Globo para incluir “Triste, Louca ou Má” na novela, nós achamos que era spam e jogamos o e-mail no lixo. Aí chegou de novo, e a gente “opa, se pá é verdade”. Nós conversamos e chegamos numa conclusão: alguém vai ocupar aquele espaço. E a gente confia na nossa música. Ela terá um alcance maior, em lugares em que nunca estivemos. Pra nós, sinceramente, é uma alegria pensar dessa forma.

    E sobre o segundo disco, o que pode adiantar ? O que vem por aí?
    Está tudo gravado. Não tem bateria, é numa pegada mais eletrônica. Lançamos o álbum no começo do ano que vem. Há uma música nova, “Dilatada”, que já lançamos, mas ela não vai entrar no álbum. O disco tá uma grande... fritação

     

    SERVIÇO
    Francisco, el Hombre - Curitiba
    Data: 24 de agosto (sexta-feira)
    Horário: A partir das 19 horas
    Local: Hermes Bar  - Rua Engenheiros Rebouças, 1645 - Rebouças
    Ingressos: de R$35 até R$70
    Vendas Online: https://bit.ly/2N97tKk

  • 21/08/2018

    Maikon K. arquiteta a liberdade em “Neblina Canibal”

    Maikon K. arquiteta a liberdade em “Neblina Canibal”
    Foto: Haistudio

    Demorei alguns dias para absorver totalmente a experiência em participar da performance “Neblina Canibal”, de Maikon K., no último sábado (18), na Sede da Companhia Brasileira de Teatro, Centro de Curitiba. Maikon Kempinski é um artista e performer paranaense. Ele foi preso ano passado, em Brasília, quando apresentava seu trabalho anterior, “DNA de Dan”.

    Na sala fechada daquele espaço antigo, de frente para a entropia crescente de um baixo Largo da Ordem pulsante, o público era primeiramente confrontado com um pombo engaiolado. O bicho estava imóvel até Maikon se aproximar, acolhê-lo nas mãos e lhe oferecer uma janela aberta sem sucesso, já que o pombo não podia voar porque não saberia viver de outra forma a não ser ali, engaioladao entre, ou como, nós.

    O prólogo tinha uma função quase didática, determinista, talvez, compreenderíamos todos os 50 participantes depois: se não é possível viver “naquele” mundo, porque não viver neste? Com o perdão da comparação, mais ou menos como música dos Novos Baianos, “Besta é Tu”: “Por que não viver neste mundo/ se não há outro mundo.”

    Isso porque a performance se tornou várias ao mesmo tempo. Em todas as nuances, físicas e filosóficas, tratou do conceito de liberdade, ou, na verdade, das nossas próprias mordaças antilibertárias. A detenção pela Polícia Militar pode ter sido um incentivo.

    Já em meio àquela fumaça claustrofóbica, em que não viamos nada a mais de meio palmo de distância, Maikon pediu para que uma moça ligasse para a polícia. Depois de várias tentativas (é sempre assim?), alguém atendeu:

    - Estou morrendo. Preciso de ajuda, disse Maikon.

    - Senhor, é melhor chamar o SAMU. E a ligação foi encerrada. Que tipo de polícia não se preocupa com a vida?, pensei.

    Houve um momento interrogatório, em que Maikon perguntava se o que queríamos era “realidade ou ficção”. Depois, trocou de roupas com uma das participantes. “Eu nunca usei sutiã. Mas não disse isso para que você mostre seus peitos.”

    Em seu epílogo, “Neblina Canibal” se transformou numa festa ao mesmo tempo sem limites e limitada por sua própria improbabilidade de existência. Dançamos invisíveis no meio de uma névoa sem fim, ao som de uma música eletrizante permeada por gritos guturais e improvisos vocais. Como se fôssemos vários pombos recém-libertos aprendendo na prática a essência de ser livre.

    Desde a metáfora inicial até o fim arrebatador (as janelas foram abertas e toda aquela fumaça se dissipou para a continuidade da noite), Maikon K. construiu uma espécie de estudo sobre a arquitetura da liberdade.

    “Neblina Canibal” faz parte da Mostra Novos Repertórios, que continua até o dia 26 de agosto, em vários espaços de Curitiba, gratuitamente.

  • 17/08/2018

    Tuyo anuncia novo clipe; assista ao making of

    Tuyo anuncia novo clipe; assista ao making of
    Foto: Haistudio

    Em fase de produção do álbum “Pra Curar”, a banda Tuyo lança neste mês o clipe de “Conselho do Bom Senso”, faixa do primeiro EP do trio, “Pra Doer” (2017). Dirigido por Janaina da Veiga e Xan, da Hyena Tapes, o clipe propõe um olhar para o universo próprio da Tuyo e de suas subjetividades.

    O making of, que você assiste abaixo, registra o processo de gravação, com cenas de bastidores, relatos da equipe técnica e dos próprios músicos – Jean Machado, e as irmãs Lio e Lay Soares.

    “Pensamos numa progressão. Começar mais robótico e ter esse avanço para quem a Tuyo realmente é: algo solto, um conceito orgânico e com movimento. Essa mudança estética presente no vídeo conta muito sobre a história do trio”, comenta a diretora Janaina. Este é o segundo clipe da Tuyo, que chega após “Amadurece e Apodrece”, lançado em novembro de 2017 com direção de Leticiah Futata, da HAI Studio.

    Com lançamento previsto para 24 de agosto, o vídeo foi gravado no atelier Reptilia, marca que também assina o figurino da Tuyo em “Conselho do Bom Senso”. Além da prévia de imagens reveladas no making of, o clipe terá animações 2D e 3D. “Vários parceiros fizeram esse clipe se tornar uma coisa muito mais colorida e abrangente do que só na ideia da nossa cabeça”, observa Xan.

    Sobre a Tuyo

    Tuyo é um trio de “folk futurista” que cria uma fusão entre o orgânico e o sintético num labirinto de voz, violão e beat. Com um som flutuante, letras existenciais e elementos lo-fi, a trinca de compositores paranaenses mescla o violão denso de Jean Machado com o trabalho vocal audacioso das irmãs Lio e Lay Soares.

    Sem medo de sair da superfície, Lio, Lay e Jean dialogam ora com a poesia da América Latina, ora com a ferocidade irônica que a vida exige. Apresentando um show repleto de força e sensibilidade, a Tuyo é um desses acontecimentos que despertam a habilidade de sentir e de se emocionar. Uma simbiose mística entre o belo, o triste e o visceral.

  • 15/08/2018

    Mostra Novos Repertórios: resistência artística e ousadia

    Mostra Novos Repertórios: resistência artística e ousadia
    Foto: Haistudio

    Produções artísticas ousadas e expressivas do teatro, da dança e da performance integram a 11ª edição da Mostra Novos Repertórios, que acontece gratuitamente em Curitiba entre os dias 17 e 26 de agosto (veja [a gigante] programação abaixo).

    A programação deste ano se concentra na multiplicidade de linguagens artísticas, e vai ocupar os palcos dos teatros Guairinha, Miniauditório do Teatro Guaíra e Teatro Novelas Curitibanas. Apresentações em praças e terminais de ônibus e em sedes das companhias locais também estão previstas.

    Entre os destaques está a estreia do novo trabalho do paranaense Maikon K., “Neblina Canibal”. Em 2017, durante apresentação de “DNA de Dan”, sua performance anterior, em frente ao Museu da República, em Brasília, Maikon foi preso pela Polícia Militar do Distrito Federal.

    “O evento simboliza também uma tentativa de resistência artística, de unir forças de pensadores da arte e da sociedade e nos darmos um momento para olharmos para nossa criação”, diz a atriz, produtora e tradutora Giovana Soar, da Companhia Brasileira de Teatro, responsável pela direção artística da Mostra.

    De forma geral, propor a discussão do fazer artístico e dos caminhos que o futuro aponta para as artes cênicas é também um dos propósitos da Mostra Novos Repertórios, que propõe também encontros, conversas e debates para promover trocas e reflexões entre artistas locais, artistas convidados de outras cidades, críticos, pensadores, criadores, programadores de festivais e público.

    PROGRAMAÇÃO:
     

    “Primavera Leste” – Minha Nossa Companhia De Teatro
    Texto/Dramaturgia: Vito Konigsberg, a partir da dramaturgia de Diogo Liberano.
    Direção: Dimis Jean Sores
    Elenco: Fernanda Perondi, Geisa Costa, Jeff Bastos, Léo Moita, Moira Albuquerque, Sávio Malheiros e Val Salles.
    Gênero: Comédia Musical
    Classificação: 12 anos
    Duração: 70 minutos
    Local: Guairinha (17/08 – 21h)
    Sinopse: O escritor “mundialmente famoso na Itália” Vito Konigsberg apresenta seu novo livro, “Primavera Leste”, fruto de uma pesquisa de cinco anos em que o italiano se aventurou pelo Brasil em busca de respostas sobre o sequestro de uma professora do Departamento de História da UFRJ.

    “Lady Incentivo e as Contrapartidas” – Ave Lola Espaço De Criação
    Direção: Criação Coletiva
    Elenco: Arthur de Lima Jaime, Breno Monte Serrat, Helena Tezza, Kauê Persona, Larissa de Lima, Laura Tezza, Dara van Doorn, Renet Lyon, Carolina Meinerz, Zá Carneiro, Taciane Vieira, Pedro Inoue, Michele Bittencourt.
    Gênero: Música
    Classificação: Livre
    Duração: 40 minutos
    Local: Sede da Ave Lola (17/08 – 23h)
    Sinopse: Lady Incentivo e as Contrapartidas é uma banda formada por atores, músicos e produtoras de teatro de Curitiba. A banda nasceu em dezembro de 2017 e brinca com um repertório de músicas ecléticas e inesperadas combinadas no formato de mashup.

    “Rádio Atalalaia” - Filhas da Fruta e Catarina
    Direção e Dramaturgia: Camila Jorge e Má Ribeiro
    Elenco: Camila Jorge, Má Ribeiro e as frutas da época
    Gênero: Livre
    Classificação: Livre
    Duração: 60 minutos
    Local: Passeio Público (18/08 – 12h)
    Sinopse: A Rádio Atalalaia é um programa de rádio cênico-musical com fundamento na arte do improviso e frequências abertas para os acontecimentos do momento. Notícias, horóscopos, músicas, telefonemas, previsão do tempo, histórias de amor, (des)comerciais... 

    “Neblina Canibal” – Maikon K
    Direção e Dramaturgia: Maikon K
    Elenco: Maikon K e Hologramm
    Gênero: Performance
    Classificação: 14 anos
    Duração: 60 minutos
    Local: Sede da Companhia Brasileira de Teatro (18/08 – 19h)
    Sinopse: Performance e música eletrônica com Maikon K e Hologramm. Neblina Canibal é uma experiência gerada no atrito corpo-palavra-público. Como acionar a linguagem, o léxico, de outras maneiras, criando novos sentidos para aquilo que tenta nos definir e apreender. Como desestabilizar o mundo através da fala, da voz, do som. Como o corpo deforma as palavras e o espaço, como as palavras transformam o corpo. Uma droga que sai pela boca e entra pelos ouvidos.

    “P... de Palhaço” - Equipe Cena Hum
    Direção: Célio Savi
    Elenco: Everson Silva, Vitor Dias, Mayara Nassar, Luciano Maccio, Jose Lucas Ribeiro e Steffanie Soares.
    Gênero: Comédia Musical
    Classificação: 14 anos
    Duração: 60 minutos
    Local: Guairinha (18/08 – 21h)
    Sinopse: Imagine uma nação comandada por palhaços! Um musical não linear, sensível e político que traz à cena uma forma simples e poética de reviver o palhaço bufão. Esse universo paralelo comandado por esses seis personagens que discutem e criam novas leis e regras de convivência social.

    “Cabaré Voltei” - Selvática Ações Artísticas e o Estábulo de Luxo
    Direção/Concepção Artística: Gabriel Machado, Marina Viana e Ricardo Nolasco
    Artistas residentes: Elisa Nunes (Belo Horizonte), Nadia Granados (Colômbia), Montserrat Ángeles Peralta (México), Maria Tuti Luisão (Salvador), Patricio Ruiz (Argentina), Rubia Romani, Cesar Almeida e Vinicius Sopes (Curitiba).
    Artistas interlocutores Casa Selvática: Amira Massabki, Cali Ossani, Francisco Mallmann, Gabriel Machado, Jo Mistinguett, Leonarda Glück, Leo Bardo, Matheus Henrique, Nina Ribas, Patricia Cipriano, Patricia Saravy, Renata Cunali, Ricardo Nolasco, Semy Monastier, Stéfano Belo, Simone Magalhães e Victor Hugo.
    Artista interlocutora: Marina Arthuzzi.
    Gênero: Cabaré/Variedades
    Classificação: 18 anos
    Duração: 120 minutos
    Local: Guairinha (19/08 – 17h)
    Sinopse: O cabaré se reinventa sempre que é feito porque “hackeia” aquilo que toca. Filho bastardo das vanguardas históricas é hoje um dos formatos que propicia uma arte de resistência em diferentes contextos ao redor do mundo. Durante 20 dias artistas de cabaré do Brasil, México, Argentina e  colômbia dividiram/ocuparam o espaço da Casa Selvática em busca da Reinvenção do Cabaré. Um reality show de vedetes latino-americanas compartilhando seus processos e criando juntas.

    “Projeto Queer” - Rainha De 2 Cabeças
    Direção e Dramaturgia: Cesar Almeida
    Elenco: Cesar Almeida, Claudio Fontan e Gabriel Moreira
    Gênero: Performance Teatral
    Classificação: 16 anos
    Duração: 60 minutos
    *Local: Mini Guaíra (20/08 – 19h)
    Sinopse: Essa nova produção da Rainha de 2 Cabeças tenta fugir dos cânones teatrais e se apresenta como uma grande performance sobre gênero. Inspirado na teoria queer e no livro “O Corpo da Roupa”, da transexual Letícia Lanz (psicanalista curitibana), fazemos nossa perfomance-manifesto teatral-baile funk para trazer um pouco à baila um assunto que tem movimentado calorosos debates facebookianos sobre o poder da arte transformar indefesas criancinhas heterossexuais em gays degenerados.

    “Pão Com Linguiça” - Entretantas Conexão Em Dança
    Direção e Dramaturgia: Gladis Tridapalli e Ronie Rodrigues
    Elenco: Claudinho Castro, Gladis Tridapalli, Ronie Rodrigues, Erica Mityco e Gustavo Bittencourt.
    Gênero: Dança
    Classificação: 16 anos
    Duração: 50 minutos
    Local: Guairinha (20/08 – 21h)
    Sinopse: Em abril do ano de 2016, 367 deputados votaram a favor do impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Votaram em nome de deus, de suas famílias, carros, amigos, pátria, igreja, moral. Assistimos por horas a um verdadeiro circo de horrores. Estivemos exilados. Pão e circo. Pão com linguiça não trata desse golpe de estado, pois o golpe ainda está em curso. O golpe está nos nossos corpos, nos nossos dias. O golpe está dado. Pão com linguiça não é só uma festa, um churrasco, não é só laje e nem é só teatro. Ele é estranho. É Brasil. Um pássaro cego, de olhos furados, que tenta cantar melhor.

    “Billie” - Dezoito Zero Um Cia De Teatro
    Direção e Dramaturgia: Alexandre França
    Elenco: Cassia Damasceno, Otavio Linhares e Diego Fortes
    Gênero: Drama
    Classificação: 12 anos
    Duração: 40 minutos
    Local: Mini Guaíra (21/08 – 19h)
    Sinopse: Espetáculo com ponto de partida na vida e na arte da cantora Billie Holiday. Utilizando várias camadas de memória, como as biografias, o ambiente da época e a impressão que o público hoje tem deste ícone da música americana.

    “Levante!” – Fernando de Proença e Renata Roel
    Direção/Colaboração e Acompanhamento Artístico: Cinthia Kunifas e Sofia Neuparth
    Dramaturgia: Cândida Monte
    Elenco/Concepção e Performance: Renata Roel e Fernando de Proença
    Gênero: Dança/Performance
    Classificação: Livre
    Duração: 40 minutos
    Local: Guairinha (21/08 – 21h)
    Sinopse: Em LEVANTE! os artistas Fernando de Proença e Renata Roel empilham cadeiras, montam e desmontam a cena enquanto ela acontece – fazem analogias ao micro e ao macro do corpo em relação ao espaço. É sobre empilhar, atravessar, derrubar, escapar, sentar e levantar. Pulsam no risco do que pode desabar a qualquer momento e na urgência de deslocar-se com quem está junto. Valendo-se da etimologia da palavra LEVANTE!, além de ser referência direta à imagem de um corpo “em pé”, caracteriza-se pela capacidade das pessoas se organizarem para levantar outro sistema econômico, social e político.

    “Agora Você Ouvirá” – Henrique Saidel
    Direção: Henrique Saidel
    Texto/Dramaturgia: Ana Wegner, Ciliane Vendruscolo, Cleydson Nascimento, Giorgia Conceição, Henrique Saidel, Luana Navarro e Rafaella Marques 
    Elenco: Ana Wegner, Ciliane Vendruscolo, Cleydson Nascimento, Giorgia Conceição, Luana Navarro e Rafaella Marques.
    Gênero: Intervenção Urbana
    Classificação: Livre
    Duração: 4 horas
    Local: Mercado das Flores (22/08 – 12h)
    Sinopse: Adentrando o mundo das telecomunicações, eis que ressurge “Agora Você Ouvirá!”. Performance da palavra, do som e do silêncio, na qual apenas um artista e um espectador se comunicam por vez. Disque teatro e ouça com atenção. Teatro por telefone, tele-teatro, teatrofone. Cinco orelhões simultâneos, no centro de Curitiba: em quatro deles, atrizes atendem as ligações do público. No outro, o espectador atende a chamada das atrizes, que ligam de Paris e Berlim. Disk-teatro: 10 minutos por ligação. Low-tech: o bom e velho orelhão, sobrevivente em meio ao turbilhão de novos aparelhos e plataformas. E a pergunta: em tempos de golpes, retrocessos, resistências e desafios, o que pode ser dito ao telefone?

    “Entre Caboclos e Baianas” – Leo Cruz 
    Direção e Dramaturgia: Leo Cruz
    Elenco: Leo Cruz
    Gênero: Dança Contemporânea
    Classificação: Livre
    Duração: 34 minutos
    Local: Teatro Novelas Curitibanas (22 e 23/08 – 19h)
    Sinopse: Trata-se de um solo contemporâneo, que busca em memórias aquilombadas em re-existências, percepções e partituras de movimento a serem irrigadas por elementos presentes nas danças da diáspora africana no Brasil. Compondo um mosaico de diversidade que são nossos modos de mover e comunicar, busca-se outros possíveis desdobramentos para expressões corpóreo-vocais menos colonizadas na arte contemporânea.

    “Cabaré das Divinas Divas - Ruído Companhia De Teatro”
    Direção: DanieI VaIenzueIa
    Elenco: Juana Profunda, DaIvinha Brandão, Rita Lina e grande elenco.
    Gênero: Cabaré
    Classificação: 16 anos
    Duração: 80 minutos
    Local: Guairinha (22/08 – 21h)
    Sinopse: Conduzido pelas Drag Queens curitibanas Juana Profunda e Dalvinha Brandão, "O Maravilhoso Cabaré das Divinas Divas" combina performances de dublagem, dança, música, humor, além de entrevistas e bate-papo com as artistas da noite e convidadas especiais. Com proposta cênica aberta e descontraída, busca aproximar novos púbIicos e engajá-los na experiência cênica, além de abordar as temáticas LGBT com respeito e ousadia.

    “Escrevedor de Histórias” - Marcel Szymanski 
    Direção: Marcel Szymanski e Rafael Camargo
    Dramaturgia: Marcel Szymanski
    Elenco: Marcel Szymanski
    Gênero: Performance
    Classificação: Livre
    Duração: 3 horas
    Local: Praça Rui Barbosa (23 e 24/08 – 12h)
    Sinopse: Escrevedor de Histórias pretende ouvir o transeunte e suas histórias, afim de registrá-las. É possível, por exemplo, datilografar cartas para enviar ou não. A Performance sugere um tempo em que talvez não haja computador, tão pouco internet. Sempre acompanhado de sua máquina de escrever, o ator busca o olhar nostálgico daqueles que comunicam suas lembranças em torno da datilografia, para contrastar com a novidade no olhar dos que veem, com olhar inédito, um objeto que parece não ter mais utilidade, mas que imediatamente os convida para uma experimentação de como as palavras tomam forma através das batidas e da sonoridade das teclas.

    “corpATROZ.EXE” - CIA CORPA 
    Direção: Karina Rozek
    Dramaturgia/Texto: Cia Corpa, Natasha Felix
    Elenco: Brenda Sodré, Karina Rozek, Patricia Cipriano
    Gênero: Experimental
    Classificação: 18 anos
    Duração: 60 minutos
    Local: Teatro Novelas Curitibanas (24 e 25/08 – 19h)
    Sinopse: corpATROZ.exe é um espetáculo teatral que aborda temas que perpassam a violência de gênero, através de uma ficção científica que elenca de maneira provocativa a demanda de novos modos de existência. A criação artística é concebida a partir de conceitos desenvolvidos pela companhia, como hackeamento, invasão, soft-ware, hard-ware e corpa.

    “Os Pálidos” - Ciasenhas De Teatro
    Direção e Dramaturgia: Sueli Araújo
    Elenco: Anne Celli, Ciliane Vendruscolo, Greice Barros, Luiz Bertazzo, Rafael Di Lari e Sueli Araújo.
    Gênero: Contemporâneo
    Classificação: 12 anos
    Duração: 90 minutos
    Local: Sede da CiaSenhas de Teatro (24 e 25/08 – 21h)
    Sinopse: Na encenação de Os Pálidos o público é partícipe de situações e experiências cênicas. O texto cria mundos na fronteira entre realidade e ficção e é movido por fragmentos de pensamentos, imagens e duelos verbais. Os personagens pressentem perturbações na sociedade e vivenciam o desmoronamento de suas capacidades de agir no ambiente sociopolítico por medo de restrições aos seus históricos privilégios sociais. Sob confinamento e decadência física e psíquica, eles procuram a frase e o gesto que ordenará o mundo (deles).

     

  • 06/08/2018

    "Preto" provoca a partir da indignação desconstruída

    Foto: Haistudio

    Provocação, reflexão e estranhamento pipocam no meio de uma entrevista, de uma performance, antes e depois da dança e da música, da violência e do beijo, entre um monólogo incendiário e a contagem dos dias desde o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. A peça “Preto”, da Companhia Brasileira de Teatro, de Curitiba, utiliza o teatro como campo de jogo e invenção para promover o acesso tanto ao “desconhecido” quanto ao bárbaro, em que a questão racial é tema principal, embora relativizada sob a profundidade do como e não do que.

    Sucesso de público e crítica no Festival de Curitiba deste ano, “Preto” tem direção de Marcio Abreu e atuações finamente sintonizadas de Renata Sorrah, Gracê Passô, Nadja Naira, Cássia Damasceno, Felipe Soares e Rodrigo Bolzan. Em cartaz novamente em Curitiba (veja serviço abaixo), o espetáculo, difuso, potente e multiforme, é uma espécie de continuação da pesquisa do grupo sobre uma ideia de identidade brasileira atual, iniciada com a peça “PROJETO bRASIL”, de 2015.

    Todas as cenas apontam para várias direções e se reverberam automaticamente, criando um clima intenso e inescapável. Baseada também em livros de teóricos e estudiosos da “diferença” e de seu reconhecimento – o camaronês Achille Mbembe, autor participante do volume “Direitos Humanos e Cultura” é um deles - “Preto” invoca um estudo de identidade (com ar de denúncia anticlichê) muito próprio, baseado na relação entre imagem e corpo.

    Cenas marcantes e altamente simbólicas ajudam a compreender esse contexto. Na metade do espetáculo, uma das atrizes segura o corpo de outro ator, preto, nu e potencialmente morto, como se uma mãe segurasse o filho abatido a tiros - “bala bala bala, tiro tiro tiro na cara bala bala bala”, metralha Gracê Passô com indignação genuína.

    Outra reflexão mais profunda é quando uma mulher negra diz que vai “sambar” para o público. Recolhida em sua própria insignificância plastificada e midiatizada, acaba sozinha no palco, em silêncio, cercada por inúmeros microfones.

    “Preto”, assim, promove também a ressignificação de sentidos, a ativação da escuta e a tentativa de diálogos sobre as dimensões do racismo e das nossas próprias percepções que, numa essência mais ampla, nos definem como atores sociais.

     

    Serviço
    Preto – Companhia Brasileira de Teatro
    Teatro José Maria Santos (R. Treze de Maio, 655)
    De 2 a 12 de agosto
    Quinta a sábado às 20h; domingo às 19h
    Classificação etária: 14 anos
    Ingressos: R$20 (meia-entrada) e R$40 (inteira)
    Onde comprar: Bilheterias dos teatros Guaíra e Positivo, e Disk Ingressos (quiosques, loja e site)

  • 11/07/2018

    Tuyo lança "Nude", minidoc sobre a "beleza"

    Tuyo lança
    Foto: Haistudio

    O trio de “folk futurista” (?) Tuyo, em parceria com a Hyena Tapes. lançou há alguns dias um minidocumentário sobre a concepção, ou a origem, da beleza. Com 16 entrevistados, “Nude” discute representatividade, aceitação e autoestima. O elenco é o mesmo do ótimo clipe “Amadurece e Apodrece”, lançado no ano passado.

    “A intenção é mostrar outro padrão possível, diferente do qual a gente é exposto e está acostumado”, diz o diretor Alexandre Spiacci. O vídeo ainda coloca em debate os estereótipos de beleza social e comercialmente aceitos – sobre isso, aliás, há o estudo “TODxS – Uma análise da representatividade na publicidade brasileira”., que serviu de referência para o trabalho.

    “É sobre se enxergar mais nos lugares, nos espaços e no outro. Quanto mais parecido você é com aquela pessoa que vê, mais bonito você se acha”, explica Lio, uma das integrantes da banda Tuyo, ao lado da irmã Lay e de Jean Machado.

    “Nude” tem direção de Leticiah Futata e coreografia assinada por Milena Stemberg. Para este ano, a banda prepara o álbum "Pra Curar", além de um single em parceria com a cantora e compositora Bruna Mendez e com o Cafofo Estúdio, de Goiânia (GO).

     

  • 29/06/2018

    "Não seremos caladas, não mais"

    Foto: Haistudio

    Foi em 2011, em meio a calorosos debates sobre a utilização do espaço público da USP e durante a greve de trabalhadoras terceirizadas, que Raquel Virgínia e Assucena Assucena se encontraram. Temas políticos foram catalisadores da música que logo fariam. A transexualidade e a luta contra o preconceito também são fatores que contribuem para que a banda As Bahias e a Cozinha Mineira, que se apresenta neste fim de semana na Caixa Cultural Curitiba (veja serviço abaixo), seja uma das mais relevantes do nichado cenário musical brasileiro. Completa a formação do grupo o mineiro Rafael Arcebi, que encontrou a dupla na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

    Há uma bagagem cultural e ideológica consistente e importante, mas que surpreendentemente não define completamente o som da banda. Com seus dois discos, “Mulher” (2015) e “Bixa” (2017), o trio embaça as fronteiras entre a música romântica e a de protesto, com influência direta de Gal Costa, “uma esteta genial”. A entrevista a seguir foi realizada por e-mail com Assucena Assucena.

    Qual foi a última música que você ouviu?
    “Joana Dark”, de Ava Rocha. Ava mais uma vez foi arrojada, imprevisível e genial.

    A história de vocês começa num curso de história (rs). Encontros universitários que geram bandas estão aí aos montes, mas o de vocês parece ter sido especial. Pode nos contar um pouco mais sobre isso?
    Tivemos a sorte de nos encontrar num período de luta dentro da universidade(a greve das trabalhadoras terceirizadas em 2011) e de conhecer colegas que consumiam todo tipo de arte e problematizavam o Brasil e os desdobramentos da arte em nosso tempo. Fizemos saraus e semanas de discussão artística. Nossa primeira experiência de palco foi para homenagear Amy Winehouse. A energia foi intensa e linda. A partir daí não paramos mais.

    A carreira de vocês talvez já tenha atingido um patamar muito profissional, que dribla ou não esbarra tanto em questões de preconceito ou estereótipos. Mas foi difícil, num país tão hostil, construir isso, aliar música e atitude social?
    Ainda esbarra e vai continuar esbarrando enquanto houver machismo, enquanto houver misoginia e transfobia. Nossa meta é acabar com esse estado permanente de abusos a dignidade de quem quer que seja. Por todos esses preconceitos o nosso trabalho é transpassado por boicotes. Eu prefiro encará-los como desafios, pois vamos passar por cima de todos eles. Agora temos movimentos organizados, os quais nos fundamentam ideologicamente e com táticas de luta. Não seremos caladas, não mais.

    Linn, Gloria Groove, Liniker, Johnny Hooker, Pablo Vittar, vocês. A sexualidade não ortodoxa (ou a transexualidade) conseguiu mais visibilidade artística por esses dias? A que custo?
    Conseguiu sim. Não o suficiente ainda, mas conseguiu a custo de muito sangue, a custo de nossa sanidade e de nossa chacota. O espaço LGBT na TV era o espaço da opressão por via das piadas e de estereótipos caricaturais.

    Falando sobre os shows em Curitiba. O que vão apresentar para nós?
    A narrativa de nossos dois álbuns: “Mulher” e “Bixa”. Fizemos uma adaptação especial para Caixa Cultural.

    Pode nos contar um pouco sobre as influências musicais, principalmente do álbum “Bixa”? Há tango, bolero. Gal Costa parece ser uma marca importante de diversas formas.
    Gal é sempre importante pra nós. Uma estrela-guia. Ela é uma esteta genial. “Bixa” carrega consigo nossos mestres: Elza, Amy, Bethânia, Alcione, Rita Lee, Milton Nascimento, Gil e Caetano, de quem veio o nome Bixa.

    E Caetano Veloso? A referência com o álbum “Bicho" (1977)...
    Com certeza. “Bicho” evoca a natureza e sua infinidade de signos, evoca a tigresa, o leãozinho, a borboleta, o som, a beleza, evoca quem é gente e gente nada mais é que bicho. É sempre bom lembrar que somos natureza, apesar de toda artificialidade possível que criamos para nos afastar dela e sermos alheios ao que somos; e somos bichos, metaforicamente ou não. O tempo passa e com ela a linguagem de tão viva se TRANSforma. Por isso é sempre bom lembrar que somos todas Bixas, metaforicamente ou não. Bons entendedores entenderão.

    SERVIÇO
    As Bahias e a Cozinha Mineira
    29 e 30 de junho e 1º de julho
    Sexta e sábado às 20h; domingo às 19h
    Caixa Cultural - Rua Conselheiro Laurindo, 280
    R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
    www.caixacultural.com.br
    Informações: (41) 2118-5111
    Classificação: 12 anos

  • 21/06/2018

    Entrevista - Soema Montenegro: "as escolas de música são um espaço traçado pela visão ocidental europeia"

    Entrevista - Soema Montenegro:
    Foto: Haistudio

    Uma poeta surrealista, talvez, um arquétipo em desenvolvimento, uma força xamânica ao mesmo tempo bruta e delicada da natureza sul-americana. A cantora e musicista argentina argentina Soema Montenegro está em Curitiba desde a semana passada. Soema se inspira nas tradições e na natureza indígenas, mesclando isso com as diferentes latitudes musicais, como o folclore latino-americano, o fado português, a música afro-americana, as milongas e as valsas do Rio de La Plata. Como afirma na entrevista, sua música traz lembranças do universo sonoro da infância, composto por vozes estrangeiras, idiomas fronteiriços e relatos orais de memórias "do monte" e "da selva". Ela tem três discos lançados. Interessada tanto pelo realismo mágico de Gabo quanto pelo Tarot, sua personalidade é múltipla e muito receptiva. No último dia 16, ela dividiu o palco com a banda Ímã. Nesta quinta-feira (21) às 20h30, canta com Thaïs Morell no Palco dos Cinco Sentidos (R. Barão do Rio Branco, 438). Às 18h40 de sexta (22), apresenta showcase na Feira Internacional da Música do Sul (FIMS), que está rolando no Portão Cultural. Logo depois, às 21h, canta na Caiçara (R. Claudino dos Santos, 90), como parte do circuito off do evento. E finalmente no sábado (23), a partir das 14h, ministra oficina na Cia. Senhas de Teatro (R. Paula Gomes, 381). Abaixo, entrevista com Soema Montenegro, uma latina em estado puro. "Minha maior escola foi me reconhecer guarani, latino-americana, e não querer me parecer com outro modelo que não fosse minha própria raiz para soar tudo o que eu sou."    

    Sempre começo entrevistas assim com a seguinte pergunta: qual foi a última música que você ouviu?
    Faz algumas semanas que estou conectada com a música brasileira, sobretudo desta região. Tuyo, Bernardo Bravo, Mulamba, Imã, Luciano Faccini, Thaïs Morell. Me interessa muito a música com identidade, os compositores que conseguem manifestar sua realidade atual com as raízes, a síntese que se produz desde a identidade e a geografia física e social que habitamos.

    O que espera de sua passagem pelo Brasil, por Curitiba? O que irá nos trazer?
    O primeiro impulso que me trouxe a Curitiba foi o convite da FIMS para participar da feira e compartilhar minha música, e a música argentina aqui com todos vocês me parece muito importante. Esta feira agrupa aos artistas do sul, e a Argentina também é parte desta região e há muitos ritmos e sons que compartilhamos. Minha família é do litoral argentino, perto do Brasil e Paraguai, e neste sentido muito mais perto do que as fronteiras que pensamos que existem. Confio na música e sua própria natureza expansiva, me sinto muito bem aqui, com as pessoas, com a comida, com suas expressões artísticas. Sinto que os laços que vou fazendo crescem e no futuro vão dar seus frutos. Meu desejo é continuar vindo ao Brasil e seguir crescendo, aprendendo de sua cultura, sua música e criar intercâmbios com os músicos e artistas da região.

    Participação de Soema no projeto La Blogotèque:

    Você nasceu e cresceu na periferia de Buenos Aires, uma região com muitos imigrantes latinos, com sotaques diversos. Sua “investigação musical” passa por isso também. Esse encontro te influenciou de alguma forma?
    Cresci na periferia, e creio que inconscientemente desde a infância todos esses sons foram impregnando-se em meu mundo criativo, foram se instalando dentro de mim como sementes, minhas tias e avós contando histórias do monte e da selva, as viagens ao litoral argentino, logo veio o estudo formal na escola de música, e ali entendi que devia liberar meu canto e comecei a buscar mestres da voz que pudessem me acompanhar nestes processos e assim poder encontrar meus próprios sons e identidade. Essa foi minha maior escola, me reconhecer guarani, latino-americana, e não querer me parecer com outro modelo que não fosse minha própria raiz e soar tudo o que sou. Foi ali quando a semente da minha infância deu a luz todos os sons que habitavam em mim, e continuam sendo o portal de novas formas e criações. Agora conscientemente faço investigações pelos lugares que viajo na América Latina. É muito importante para mim compartilhar a música e apreender de seus sons.

    É grande seu interesse pela “magia” latino-americana, pelas lendas e causos, talvez melhor exemplificada na literatura de Gabriel García Márquez. De que forma esse mergulho na essência invisível do continente influencia na sua música?
    Amo o realismo mágico, creio que vivo com um pé neste mundo e o outro no mundo mágico também graças a possibilidade de subir no palco e abrir o universo das canções ali. Essa realidade foi uma parte minha desde a infância de uma forma muito natural, somado ao fato de que o mundo imaginário das crianças não tem limites, uma conjunção perfeita. Minhas composições, música e poesia continuam conectadas com esses espaços que também penso que são as vozes que podemos encontrar mergulhando na profundidade da nossa América Latina, na selva, nos montes, nos rios, na montanha, tudo está ali nos contando histórias, e os povos e sua gente são os porta-vozes dessa paisagem imensa, isso é maravilhoso e nossa tarefa, como os jograres [trovadores medievais que difundiam a música e a poesia], é escutar com profundidade essas vozes e deixar que ecoem em nós para que floresçam em música. Este é para mim o processo criativo e estou atenta a estes movimentos desde a composição.

    Apesar dessa relação com nosso passado folclórico, você estudou numa academia tradicional, o Conservatório de Música Alberto Ginastera. Houve algum tipo de conflito, como conseguiu concílio?
    Estudei no Conservatório de Música, e foi um bom momento para compreender a música que eu queria fazer, e encontrar minha identidade musical. Primeiro estudei violão por 4 anos, e entendi que minha natureza era compor música, então comecei a estudar composição musical, e ao mesmo tempo estudava com mestres maravilhosos da voz que me ensinaram a integridade do som, voz, corpo, movimento e emocionalidade, todos processos muito lentos, fortes e poderosos. Creio que o conflito em seu primeiro momento foi entender que as escolas de música só representam um espaço do mundo musical e justamente este espaço está traçado pela visão ocidental europeia, nisso se baseia no meu entender o conflito, e compreender que a realidade ocidental latino-americana está traçada por outras realidades foi o conflito maior e a visão dessa contradição me ajudou a entender a música que eu queria fazer. Mergulhar nessas buscas e dar espaço a experimentação, que neste caso tem a ver com o reencontro com nós mesmos.

    "Habanera de los Bichos", faixa do disco "Ave del Cielo" (2014)

    Você é reconhecida por interpretações viscerais e “naturalistas”. De que maneira isso se tornou natural e qual a importância do improviso na sua música?
    A improvisação sempre está presente nas composições porque para mim representam o espaço vivo do momento, as energias que são únicas em cada interpretação. Isso me é natural porque em nisso se baseia a investigação e a busca, e porque também acredito que o palco é um espaço ritual, político e único, então a improvisação vista desde a visão ocidental europeia não tem muito sentido aqui, porque não é repetir formas estabelecidas, mas uma energia, um estado ritual que revela os sons que são importantes em cada encontro com o público, que também é único e irrepetível como a própria vida.

    É uma pergunta um pouco abrangente, mas de que forma você vê a relação do Brasil, e da música do Brasil, com os outros países da América Latina? Parece-me que está melhorando. Estamos mais dispostos a ouvi-los?
    Na Argentina a música brasileira é muito conhecida, os músicos querem aprender a tocar bossa nova e outras músicas maravilhosas daqui. Para mim é bastante natural esta relação. Mas estando aqui, muitos músicos me disseram da necessidade de escutar e aprender mais de outras músicas latino-americanas, o que já é uma boa semente. Acredito que está começando a surgir bastantes projetos de intercâmbio cultural entre artistas brasileiros com outros artistas da América Latina, e que dessa forma Brasil está abrindo mais espaço para a música latino-americana.

    Você também utiliza muitos vocalizes em suas apresentações. O idioma, então, não é uma grande preocupação?
    O idioma não é uma limitação, fiz shows em muitos lugares do mundo, nos Estados Unidos, Austrália, Marrocos, Coréia do Sul, Europa, e graças a estas experiências compreendi que a música tem sua própria forma de comunicação que não tem nada a ver com o idioma, a música se expressa e traça seus caminhos invisíveis, mas muito concretos no coração de todos que queiram recebê-la.

    Atualmente você trabalha em seu quarto disco, "Camino a la Templanza", inspirado nas culturas xamânicas e nos arquétipos do Tarot. Pode nos contar um pouco mais sobre o trabalho, e quando poderemos ouvi-lo?
    As composições deste álbum são uma viagem que representam encontros com diferentes forças, espíritos, que como os pontos cardinais no céu guiam aos viajantes em seus caminhos. Uma viagem de um estado da vida a outro, a transformação que nos vai chegando, o desejo de poder despojar-nos de nós mesmos para começar a habitar o que realmente somos. Foi composto em um momento da minha vida em que me sentia em um rito de passagem para uma nova vida. A temperança simboliza a fluidez entre o passado, o presente e o futuro, e isso se expressa na sonoridade deste novo disco que transita pela música ancestral até a música eletrônica. Há uma forte influência das culturas xamânicas nele pois está dividido em quatro partes relacionadas, cada um com um ponto cardinal, um animal e um elemento, e além disso é inspirado também nas viagens xamânicas e nos ritos de passagem, e é também inspirado em algumas cartas do tarot como a temperança, a morte, os enamorados. Este disco é um encontro com seres mitológicos de diferentes culturas latino-americanas e especialmente da cosmovisão andina, arquétipos que formam parte das viagens que a humanidade passou e que ainda convivem com nós como fantasmas, espíritos que nos recordam como atravessar o caminho. Ainda estamos pensando em como lançá-lo, mas provavelmente lançaremos no final de novembro.

  • 20/06/2018

    Maglore apresenta seu pop otimista em show no Paiol

    Maglore apresenta seu pop otimista em show no Paiol
    Foto: Duane Carvalho

    Há um otimismo candente no som da banda Maglore. E também um discurso eficaz, não político no sentido de mudar as coisas por completo, mas pessoal e intransferível: a partir de angústias pessoais, o vislumbramento de um futuro mais, digamos, despreocupado.

    Formada em Salvador em 2009, então com Carlos Nery (baixo) e Lelo Brandão (guitarra e teclado), e atualmente radicada em São Paulo, a Maglore lançou os CDs independentes “Veroz” (2011), “Vamos Pra Rua” (2013) — com participações de Carlinhos Brown e Wado – e “III” (2015), este considerado um dos melhores discos daquele ano por Rolling Stone Brasil, Billboard e MTV.

    No show que faz às 7 da noite do dia 8 de julho no Teatro do Paiol, em Curitiba, a banda apresenta o disco “Todas as Bandeiras”, lançado em 2017 e também pinçado como um dos álbuns mais interessantes por portais como o Scream & Yell. As influências, como o próprio grupo afirma, vão de Caetano Veloso a Wilco. É um pop elegante em sua simplicidade, com letras simples e eficazes. Atualmente, a Maglore é formada por hoje formado por Teago Oliveira, Lelo Brandão, Felipe Dieder e Lucas Oliveira. O show é uma produção da Camará e da Bambaê.

    SERVIÇO

    Maglore

    Teatro do Paiol

    8 de julho (domingo), às 19h

    Ingressos antecipados à venda em http://bit.ly/maglorepaiol
    Meia-entrada: R$ 15
    Inteira: R$ 30

    No dia do show
    Meia-entrada: R$ 20
    Inteira: R$ 40

     

     

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