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Fogo amigo

'A gente foi tratado que nem cachorro', diz Francischini sobre Bolsonaro; ouça

Felipe Francischini (PSL): "Ele (Bolsonaro) que começou a fazer a putaria toda dizendo que todo mundo é corrupto"
Felipe Francischini (PSL): "Ele (Bolsonaro) que começou a fazer a putaria toda dizendo que todo mundo é corrupto" (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

O áudio da mesma gravação em que o líder do PSL na Câmara Federal, delegado Waldir (GO) aparece afirmando que vai “implodir” Jair Bolsonaro traz também declarações do deputado federal paranaense Felipe Francischini (PSL) reclamando do tratamento que o presidente dá aos parlamentares do partido, e defendendo “jogo pesado” contra o Palácio do Planaldo. Na reunião, Francischini – que preside a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara – relata encontro com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM) que teria discutido a fusão do PSL com o DEM.

“Ele que começou a fazer a putaria toda dizendo que todo mundo é corrupto, daí ele agora quer tomar a liderança do partido que ele só fala mal?. Se é jogo pesado...”, diz o paranaense. “A gente foi tratado que nem cachorro desde ele ganhou a eleição, nunca atendeu a gente em porra nenhuma”, reclamou Francischini. “Explode a bancada, fode todo mundo. (...) Daí a gente vai assinar a liderança pra ele e achar que tá tudo bem? Porra. O que que ele tá oferecendo? Ele só liga na hora que tá precisando de favor para foder com alguém”, cobra o parlamentar.

Na conversa, o deputado também diz ser contra a fusão com o DEM. “Eles estão loucos esperando para fazer a fusão do Democratas com o PSL. Eu estou tentando segurar essa porra porque eu não quero que aconteça. Se a bancada passar o recado que não está com o partido eles vão fazer a fusão e vão liberar todo mundo aqui sem levar fundo, sem levar porra nenhuma e o Democratas vai ficar com o dinheiro de todos vocês aqui”, disse.

Pressão - Na reunião, ocorrida no fim da tarde no gabinete da liderança do PSL na Câmara, deputados contaram que estavam sendo pressionados por Bolsonaro a assinar uma lista para tirar Waldir do cargo e apoiar a indicação de Eduardo Bolsonaro (PSL/SP), filho do presidente, para o posto.

Dois parlamentares afirmaram ter recebido os pedidos em reunião com o próprio presidente no Palácio do Planalto. “Os meninos chegaram lá e o presidente disse: assino se não é meu inimigo”, diz uma das presentes. “Eu não consegui não assinar”, alegou o deputado Luiz Lima (PSL/RJ). O deputado Loester Trutis (PSL/MS) também afirmou ter sido pressionado.

Bolsonaro foi gravado por alguns parlamentares pedindo apoio ao nome do filho. Na manhã desta quinta-feira, 17, uma "desonestidade" a divulgação da conversa e sugeriu ter sido "grampeado". "Eu não trato publicamente deste assunto. Converso individualmente. Se alguém grampeou telefone, primeiro é uma desonestidade", afirmou. "Eu falei com alguns parlamentares. Me gravaram? Deram uma de jornalista? Eu converso com os deputados", alegou o presidente.

Apesar do grupo ligado a Bolsonaro ter apresentado uma lista com 27 nomes para remover o delegado Waldir do cargo, a Câmara não corroborou todas as assinaturas e o manteve na liderança. No áudio, o deputado diz que pretende expulsar “um por um” dos que assinaram o documento contra ele. “Nós vamos expulsar, e aqueles que fizerem nós vamos expulsar um por um do partido, ok? A situação é essa. Nós vamos expulsar um por um do partido”, ameaça ele.

"Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Não tem conversa. Eu implodo ele. Eu sou o cara mais fiel. Acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu andei no sol em mais de 246 cidades para defender o nome desse vagabundo”, afirma Waldir. A frase pode ser ouvida a partiro dos 2 minutos e 40 segundos do áudio divulgado pelo Estadão. 

Ouça abaixo o áudio:

 

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