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Operação Piloto

Juiz sugere a Fux que mantenha 'ex-braço-direito' de Beto Richa na prisão

Deonilson: para juiz, libertação de ex-chefe de gabinete de Richa poderia ameaçar andamento de investigações
Deonilson: para juiz, libertação de ex-chefe de gabinete de Richa poderia ameaçar andamento de investigações (Foto: Franklin de Freitas)

O juiz Paulo Sergio Ribeiro, da 23.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, sugeriu ao ministro do Supremo Tribunal Federal, que não acolha o pedido de habeas corpus do ex-chefe de gabinete do ex-governador Beto Richa (PSDB), Deonilson Roldo, preso em setembro do ano passado na operação Piloto, 53ª fase da Lava Jato, que investiga um esquema de pagamento de propina pela Odebrecht ao grupo político do tucano em troca de favorecimento em uma licitação para obras de duplicação da PR 323 (região Norte), em 2014. No sábado, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, acatou pedido semelhante e determinou a soltura do empresário Jorge Atherino, preso na mesma operação, e apontado pelo Ministério Público Federal como o “operador financeiro” do esquema.

Em relação a Roldo, Toffoli encaminhou um pedido de informações ao juiz da 23.ª Vara Federal Criminal de Curitiba. E indicou que a decisão final seria de Fux, que assumiu interinamente a presidência do STF na última segunda-feira, com a responsabilidade de julgar esse tipo de pedido até o fim do recesso do Judiciário.

Na resposta ao Supremo, Ribeiro reitera as razões da prisão de Roldo e Atherino, afirmando que a suspensão da prisão preventiva do ex-chefe de gabinete do tucano poderia colocar em risco as investigações e o andamento do processo. “Os fundamentos das prisões preventivas de JORGE THEODOCIO ATHERINO e DEONILSON ROLDO não estão restritos aos delitos objeto da denúncia da ação penal n° 5039163-69.2018.4.04.7000. Abordam também outros elementos de informação colhidos no curso da investigação, em especial a intensa atividade financeira suspeita por parte dos investigados, a indicar fundado risco concreto de reiteração da prática de crimes de lavagem de dinheiro”, alega o juiz.

Em relação à Roldo, Ribeiro alega que a prisão “foi decretada na para a garantia da ordem pública, para afastar os riscos de renovação de crimes de corrupção e de lavagem, além de necessária pela elevada gravidade em concreto dos crimes em apuração”.

Campanha - Roldo e Atherino foram presos sob a acusação de participarem de um esquema que teria recebido pelo menos R$ 3,5 milhões da Odebrecht em 2014, para favorecer a empreiteira na licitação para obras da PR 323. O dinheiro seria destinado ao caixa dois de campanha de Richa, que disputou a reeleição para o governo naquele ano.

Entre as provas apresentadas estão a gravação de uma conversa entre o ex-chefe de gabinete, em fevereiro de 2014, no qual Deonilson Roldo sugere ao empresário Pedro Rache, do grupo Bertin, e controlador da empresa Contern, planejava participar da concorrência. Na conversa, Deonilson afirma que o grupo de Richa tinha “compromissos” com a Odebrecht, e pede que a Contern se afaste da disputa em troca da participação em negócios com a Copel.

O juiz lembra ainda que segundo a denúncia do MPF, Roldo estava trabalhando na coordenação da campanha de Beto Richa ao Senado nas eleições de 2018. O ex-governador não conseguiu se eleger. Ribeiro destaca também que, segundo o MPF, haveriam ainda indícios de o ex-chefe de gabinete e Atherino continuariam tendo movimentações financeiras suspeitas.

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