Câmara Federal

Novo líder do governo Bolsonaro, Barros defende distribuição de cargos e 'enfrentar servidores'

Barros (PP): deputado afirmou que "é absolutamente justo" que os partidos que deem governabilidade ao presidente têm participação no governo
Barros (PP): deputado afirmou que "é absolutamente justo" que os partidos que deem governabilidade ao presidente têm participação no governo (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Novo líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal, o deputado federal paranaense Ricardo Barros (Progressistas) defendeu, em entrevista à rádio Eldorado, a distribuição de cargas no governo para fortalecer a articulação no Congresso. Barros disse ainda que é preciso "enfrentar uma corporação dos servidores públicos" para aprovar a reforma administrativa.

O paranaense assumiu o lugar do deputado Major Vitor Hugo (PSL/GO), em uma tentativa de Bolsonaro de consolidar a aliança com o Centrão . O cargo de líder do governo na Câmara dos é importante para ser uma ponte entre o Palácio do Planalto e os parlamentares. A nomeação seria ainda uma forma de reforçar a base do governo para barrar eventuais pedidos de impeachment do presidente.

Ex-ministro da Saúde do governo Temer, Barros afirmou que "é absolutamente justo" que os partidos que deem governabilidade ao presidente têm participação programática no governo. Questionado se uma negociação passaria for cargos, o deputado afirmou que a articulação inclui um "coalizão de governo", uma vez que o presidente e seu partido têm apenas uma parcela de representantes no Congresso, precisando formar maiorias simples e qualificada para a aprovação de suas tema de interesse.

"A nossa Constituição tem o presidencialismo de coalizão e é absolutamente justo que os partidos que vão dar governabilidade, que vão permitir o aprovação aprovar que ele prometeu na campanha, têm elementos de seu partido no governo, fazendo o programa de cada partido, é assim que funciona o Brasil ", alegou.

Inicialmente, segundo Barros, Bolsonaro tentou negociar diretamente com os frentes parlamentares. "Neste ano, desde fevereiro, inicia uma tratativa com partidos políticos, com presidentes e líderes de partidos políticos, porque isso como frentes parlamentares não tinha uma condição de entregar a aprovação das matérias que o Brasil precisa”, defendeu.

O novo líder assume com o desafio de melhorar a comunicação o Planalto e o Congresso, em um momento em que as negociações para as principais reformas - a administrativa e a tributária - estão paradas. Segundo o deputado, para a reforma administrativa, o principal desafio será enfrentar os servidores de carreira.

"Claro que há sim uma grande resistência da corporação de servidores públicos que abduziu o Orçamento da União. Mas vamos enfrentar essa corporação, vamos enfrentar as dificuldades que aparecerem para que os brasileiros, em especial os contribuintes e aqueles que precisam do auxílio do Estado, sejam a prioridade, e não a corporação dos servidores que levaram a grande vantagem nas orçamentárias”, disse.

De acordo com Barros, a estratégia será direcionar a reforma administrativa para os servidores futuros, retirando os efeitos dos que já estão nomeados e são utilizados para os procedimentos nas Casas Legislativas. "Quem vincula o documento para ser entregue ao Congresso? Servidores públicos. Nenhum papel tramita no governo sem o parecer técnico de um funcionário de carreira e sem o parecer jurídico de um funcionário de carreira. Os cargos comissionados não podem emitir esses pareceres. Então é natural que haja resistência aos seus funcionários em escrever algo que vai de encontro aos seus interesses ", disse.

Barros também foi questionado sobre o interino na pasta, Eduardo Pazuello , e o gerenciamento da pandemia. O líder do governo elogiou o trabalho do general e crítico dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich , que deixaram o governo após divergências com Bolsonaro, entre outros pontos, sobre o uso da cloroquina no tratamento da covid-19.

"O Pazzuelo geral tem sido eficientíssimo no ministério, tem trabalhado muito e tem feito como entregas necessárias: tem os respiradores, tem os equipamentos de proteção individual, que o ministro Mandetta não comprou nenhum, e nem o Teich. E, especialmente, temos um comando novo: aos primeiros sintomas, procure um médico. E não 'fique em casa até ter falta de ar'. Esse novo comando de tratar a partir dos primeiros sintomas vai salvar muitas vidas ", disse.

Alinhado ao que defende Bolsonaro, Barros também criticou o isolamento horizontal, afirmando que a pandemia já teria sido superada se o País tivesse optado pela imunidade de rebanho anteriormente. "Só o Brasil tem o SUS. Só o Brasil tem 50 mil postos de atendimento gratuito para a população. O Brasil não precisava ter feito isolamento horizontal. Poderia ter feito isolamento vertical e já teríamos adquirido imunidade de rebanho e superado essa epidemia”, afirmou.