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Polêmica

PT acusa Condor de 'racismo' por nota sobre boicote à Globo em defesa de Bolsonaro

Chiorato: "Ao usar  o termo 'era negra', em nota onde afirma que não vai mais realizar anúncios na TV Globo, Condor revela racismo e preconceito por parte do grupo empresarial”
Chiorato: "Ao usar o termo 'era negra', em nota onde afirma que não vai mais realizar anúncios na TV Globo, Condor revela racismo e preconceito por parte do grupo empresarial” (Foto: Dálie Felberg/Alep)

O presidente eleito do PT do Paraná, deputado estadual Arilson Chiorato, acusou a direção da rede de supermercados Condor de prática de “racismo”, em razão da nota que anunciou o boicote do grupo à Rede Globo de TV em protesto contra a cobertura jornalística da empresa sobre o governo Jair Bolsonaro (PSL). Na nota, a direção do Condor informou que não vai mais anunciar na emissora por não concordar com a linha editorial adotada pelos programas jornalísticos da emissora em relação ao atual governo.

No texto, a empresa se refere aos governos do PT anteriores à administração Bolsonaro como “era negra em que vivemos sob a administração petista”, alegando que nessa época, “a emissora não agia da mesma forma”.

Para o presidente do PT paranaense, não há nada de errado em escolher em que veículo anunciar. O problema, segundo Chiorato, foi o fato de que a nota do Condor atacou o governo do PT, chamando o período governado pelo partido de “era negra” e de desemprego. Para ele, o Condor agiu de forma racista e preconceituosa.

“Declaro total repúdio ao Grupo Condor, que ao usar o termo 'era negra', em nota onde afirma que não vai mais realizar anúncios na TV Globo, revela racismo e preconceito por parte do grupo empresarial”, criticou. “É inadmissível que ainda nos dias de hoje, com o avanço nas políticas afirmativas para o povo negro, com a inserção do ensino afro-brasileiro nas escolas, as pessoas ainda empreguem as palavras de forma a insultar toda uma população”, afirmou Chiorato.

O deputado apontou ainda que ao contrário do que o Condor afirmou na nota, a era petista ficou conhecida como “década mágica” pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), resultado do pleno emprego e do aumento do poder de compra. “Nesse ciclo a população foi tomada por um estado de confiança, otimismo e euforia, que a fez aumentar o consumo, em boa parte alavancado pelo volume de crédito livre destinado a pessoas físicas no Brasil”, argumenta ele.

O petista lembrou ainda que o Condor se beneficiou desse cenário, pois em 2004, com Lula na Presidência, a rede teria crescido 22%. Já no período de 2002 a 2015, o faturamento saltou de algo em torno de R$ 471 milhões para R$ 3,8 bilhões em 2015, um aumento astronômico de 710%, afirma o partido.

A assessoria do Condor afirma que a empresa não vai se manifestar sobre acusação de racismo.  

Campanha - A direção do PT destacou ainda que nas eleições de 2018, o Condor foi alvo de investigações do Ministério Público Eleitoral e do Ministério Público do Trabalho, depois que o empresário Pedro Joanir Zonta, dono da rede, divulgou carta aos funcionários pedindo o voto deles em Bolsonaro, comprometendo-se a não cortar o 13º salário e férias caso seu candidato fosse eleito. Os promotores acusaram Zonta de coagir os funcionários, e para evitar uma multa de R$ 100 mil, o empresário fez um acordo com o MP, divulgando nova carta aos trabalhadores, desta vez afirmando que a sua rede “respeita as leis trabalhistas e os tratados de direitos humanos, e que não tolera a imposição ou direcionamento nas escolhas políticas dos empregados durante o processo eleitoral".

Entenda o caso - Na semana passada, o supermercados Condor e a imobiliária Habitec Imóveis divulgarm a decisão de suspender a veiculação de anúncios nas emissoras da Rede Globo. “Em vista do posicionamento duvidoso da Rede Globo em relação à pessoa do nosso Presidente da República, comunico que hoje tomamos a decisão em nossa empresa de cancelar nossas inserções em todo o jornalismo nacional da emissora, isto é, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje e Jornal Nacional, bem como de programas que vão contra os princípios e valores familiares”, afirmou a nota da direção do Condor.

“Entendemos que em vista da franca recuperação econômica do nosso país, a emissora não deve ser somente imparcial, mas também não deve dar publicidade a notícias sensacionalistas, que só servem de especulação e municiam os que se opõem ao progresso do nosso Brasil ou que deponham contra a instituição familiar”, alega a empresa, que diz ainda pretender manter essa posição “até que a emissora assuma uma postura mais justa, de acordo com a vontade da maioria da população, que elegeu o nosso atual presidente”.

Já a Habitec encaminhou na última sexta-feira (01) à direção local da RPC, que representa a Rede Globo no Estado, carta onde formaliza a decisão de não renovar contrato de veiculação com a emissora. “Não podemos compactuar com a posição que a Rede Globo vem tomando em diversos episódios de seu jornalismo”, afirma a empresa no texto assinado por Rodrigo Viana. “Não temos visão político partidária, mas sentimos que o momento exige de todos nós um compromisso maior com o país. E infelizmente o que temos visto é um desserviço à nação com uma posição da Rede Globo, a quem vocês são filiados, que não soma em nada para que, juntos,saiamos da crise em que nos encontramos”, alega a empresa na nota.

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