Jorge Martins é candidato ao governo pelo nanico Partido Republicano Progressista (PRP). Sem nunca ter exercido um mandato, em 2004, concorreu a prefeitura de Curitiba. Com uma postura de oposição foi taxado de “laranja”. Nesta eleição manteve a postura de contestar o partido do poder , o que vem sendo questionada pelos partidos que apóiam governistas. Toda vez que aparece no programa eleitoral, sempre deixa golpes contra a política do governador licenciado, Roberto Requião (PMDB): são cobranças de promessas de campanha não cumpridas, da política agrícola e industrial no Paraná, do posicionamento nas questões sociais, do nepotismo descarado e da segurança pública. Sem receio de ser visto com um estranho no ninho, Martins acredita que veio para ficar na política paranaense. Mesmo com o perigo eminente do partido não conseguir os votos necessários para continuar existindo.
Jornal do Estado – Como você se envolveu com a política?
Jorge Martins – Em 1986, acompanhei o Enéas Faria para aquela famigerada campanha ao Senado. E ali comecei a ter o contato com a política eleitoral. Eu tinha 34 anos. Não me filiei em partido nenhum. Só observava. E já naquela época existiam as sacanagens. Só que diferente das de hoje. Atualmente é na base do dinheiro. Naquela época era na base da mentira, da hipocrisia. A imprensa era muito útil. As informações e contra informações eram usadas largamente. Mas eram eleições com mais inteligência. Depois daquilo, eu surgi no meio político, em 1998, quando fui representante do Partido Progressista Brasileiro na coligação que elegeu o Jaime Lerner. Em 1999, assumi o Ministério do Trabalho em Ponta Grossa. Em 2002, saí como candidato pelo PPB e fiquei na primeira suplência. Naquela eleição elegemos cinco deputados federais. Saí do Partido Progressista Brasileiro (PPB) e, em 2004, disputei a prefeitura de Curitiba.
JE – Qual a tendência do PRP? Direita, esquerda, centro?
Martins – Centro. Lutamos pela melhor distribuição de renda, aperfeiçoamento da máquina empresarial, na capacitação profissional, melhoramento da educação, entendimento com a sociedade, principalmente com o diálogo – o que não vemos no atual governo. Nele, você tem um modelo autocrático e não permite o diálogo entre as partes. Dá a nítida impressão de que o governador é um soberano e todos os demais setores são os seus vassalos. Não acredito em um governo feito desta forma.
JE – Você era ou é “laranja” de algum partido?
Martins – Nunca. Algumas pessoas pensam que faço essa campanha para criar o desconforto nos candidatos que estão no poder. Não é verdade. Faço uma campanha de questionamento. Evidentemente que o questionamento se dirige ao governante. Porque ele é que está na vitrine, não sou eu. O governador tem que responder. Por que ele não cumpriu as metas que pré-estabeleceu? O programa de governo anteriormente apresentado foi muito mal cumprido.
JE – Mal cumprido?
Martins – Nós perdemos o Banestado, e o Requião, na campanha de 2002, disse que iria montar a Caixa Econômica do Paraná aos moldes da Nossa Caixa de São Paulo. Não montou. Depois criou o caos para os aposentados do Estado. Minha mãe, por exemplo, tinha conta no Banco Itaú e a agência era perto da casa dela. Ao transferir o pagamento dos aposentados para a Caixa mandaram para uma agência no Mossunguê. Um absurdo. Presenciamos durante todo esse governo um carnaval de brigas.
“Sou contra o modelo que está aí”
JE – Na eleição para a prefeitura você bateu muito no PT.
Martins – Foi uma candidatura absolutamente oposicionista, ferrenha. Eu entendo que o Partido dos Trabalhadores enquanto partido de oposição é fantástico. Mas o PT na administração é um desastre. Basta olharmos a história do partido no Rio Grande do Sul e na cidade de São Paulo. Eu não queria que fossem instalados em Curitiba os sintomas da ineficiência e da ineficácia administrativa do PT. Foi uma campanha em que não pedi voto. Simplesmente fiz tudo o que fiz e fiquei com o cartão vermelho como histórico.
JE – Qual a diferença entre o Jorge Martins e os outros candidatos?
Martins – Sou contra o modelo que está aí. No meu governo, a sociedade organizada irá indicar os nomes que comporão o secretariado. Por que indicar? Por exemplo: aquele que for administrar o Porto de Paranaguá tem que ter vocação portuária e afinidade. Para que não aconteça o que vem acontecendo. Assim também nas outras áreas da administração estadual. É inadmissível que o secretário da Agricultura não tenha um vínculo com a área. Não há incentivo para o desenvolvimento da multicultura. Toda vez que você centraliza em um produto, fica refém da situação de mercado. Se despencar o preço da soja, o que vai acontecer com nossa agricultura? (FT)
Entrevistas
Entrevista