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Música

Adriana Calcanhotto analisa a influência do mar no processo artístico em nova turnê

Adriana Calcanhotto dirige a turnê de seu novo álbum.
Adriana Calcanhotto dirige a turnê de seu novo álbum. (Foto: Murilo Alvesso)

Lançado em junho, o novo álbum de Adriana Calcanhotto, intitulado ‘Margem’, gerou a nova turnê da cantora, que marca o seu retorno aos palcos curitibanos neste sábado (24), em única apresentação no Teatro Guaíra. Última parte de uma trilogia composta, ainda, por ‘Maritmo’ (1998) e ‘Maré’ (2008), a artista se aprofundou na literatura marítima para abordar a importância do processo artístico, em conjunto com a natureza.

A ideia de uma trilogia não foi estabelecida previamente. Por ter uma forte ligação com o mar, a cantora buscou se cercar de obras e temas relacionados ao assunto, e com isso, estudou a influência do sistema na composição artística, para poder formular o tipo de música que buscava. “Fiz o primeiro disco, ainda sem pensar em uma trilogia. Quando lancei o segundo, aí sim eu comecei a pensar em uma trilogia. Mas no começo eu achava que poderia ser uma trilogia incompleta, mas a questão é que quando lancei o segundo, o ‘Maré’, imediatamente no lançamento me veio o nome de ‘Margem’. E quando se tem um nome, se tem algo para juntar canções, para compor com um fim. Então este foi o processo criativo de ‘Margem’.

Seguindo o caminho oposto da indústria, a gravação do novo álbum foi realizada de maneira despretensiosa, sem obedecer a prazos. Com isso, Adriana teve a possibilidade de compor as músicas sem muita pressão. Com isso, ficou clara a diferença entre os métodos de produção dos álbuns da trilogia. “Desde o lançamento de ‘Maritmo’ fui investigando minha relação com o mar, de maneira profunda, e comecei a adentrar o mundo da literatura de mar, e assim eu entendi melhor essa relação com ele. Entendi que eu queria trabalhar com isso, comecei a ler os poemas, ler os livros, reler Moby Dick, uma série de coisas assim”.
E por ser uma artista interessada em novas possibilidades e ensinamentos, as experiências vividas por Adriana ao lecionar Letras na Universidade de Coimbra colaboraram com a criação do novo álbum. “Nossas vivências sempre se tornam inspirações, sem dúvida. Eu sou uma pessoa que o balanço do ônibus, o som deste balanço, já é uma inspiração para uma batida, para uma música. Então há influências com certeza”. A experiência como professora já tinha influenciado a turnê experimental “Mulher do Pau-Brasil”, realizada em 2018 e que marcou a última passagem de Adriana por Curitiba, também no Teatro Guaíra.

Cazuza, Maria Bethânia e a nova MPB
Além de grande compositora e cantora, Adriana se notabilizou por realizar releituras muito pessoais da obra de diversos artistas, como Cazuza, que marcou presença nos dois primeiros álbuns da trilogia, com as músicas ‘Mais Feliz’ e ‘Mulher Sem Razão’. Desta vez, Adriana fez o processo inverso: resgatou duas composições suas, gravadas anteriormente por Maria Bethânia (uma de suas artistas favoritas): ‘Tua’ e ‘Era Para Ser’. “Desta vez a escolha de repertório não contou com músicas do Cazuza. Já as músicas interpretadas por Maria Bethânia são de minha autoria e, mesmo sabendo que não há nenhum motivo para alguém gravar de novo, acho que no caso da pessoa ter escrito a canção ela tenha uma desculpa poética”.

No início do ano, artistas da nova geração da MPB, como Mahmundi, Illy, Johnny Hooker, Baco Exu do Blues e Duda Beat, participaram do álbum-tributo ‘Nada Ficou no Lugar’, em que recriaram canções do repertório de Adriana. Em tempos nos quais o alcance da música brasileira fica restrito a grupos específicos, Adriana não acredita no enfraquecimento da cultura musical do país. “Como sempre tivemos na história do Brasil, há muita oferta de música, para todos os estilos e gostos. Acho que sempre há talento. Alguns talentos se tornam conhecidos e outros são mais locais, mas a música brasileira sempre tem talento”.
Dirigindo a própria turnê, Adriana revela como se deu o processo de seleção das músicas para o espetáculo. “Para o show unimos as canções de ‘Margem’ com músicas dos outros dois álbuns. É um show que passeia pela trilogia, que tem como fio condutor o mar”.
E canções de outros álbuns, podem aparecer no show? Adriana garante que sim. “Me dei a liberdade de inserir uma ou outra música do meu repertório sim”. Há espaço até para momentos especiais, como o resgate de ‘Futuros Amantes’, música de Chico Buarque, de 1993, já gravada por Gal Costa, e que foi utilizada por Adriana como faixa exclusiva da versão japonesa de ‘Margem’.
Os ingressos ainda estão disponíveis, pelos quiosques ou site do Disk Ingressos. Na compra de 1 ingresso no valor de inteira, você ganha outro no mesmo setor.

Adriana Calcanhotto - ‘Margem’


Local: Teatro Guaíra Grande Auditório
Data: 24 de agosto/2019
Horário: 21h
Classificação: Livre
Preço único: R$ 240,00

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