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Exterior

Afilhado de Uribe, direitista Iván Duque é eleito presidente da Colômbia

SYLVIA COLOMBO

BOGOTÁ, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - O direitista Iván Duque, 41, venceu neste domingo (17) o segundo turno da eleição colombiana e assumirá em 7 de agosto como novo presidente do país, sucedendo Juan Manuel Santos (2010-18).

Afilhado político do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-10), Duque obteve 53,9% dos votos contra 41,8% de seu rival, o esquerdista, ex-prefeito de Bogotá e ex-guerrilheiro do M-19 Gustavo Petro, 58.

Esse era o placar da contagem do órgão eleitoral colombiano quando 98,2% das mesas já haviam sido contabilizadas; portanto, já considerado irreversível.

Assim que o anúncio foi feito, começaram a ser ouvidas buzinas na região de classe média alta de Chapinero, em Bogotá.

O comparecimento às urnas foi menor do que no primeiro turno, quando 52% das pessoas votaram, mas o número oficial ainda não foi divulgado.

A justificativa ouvida pela reportagem nos últimos dias da semana passada daqueles que não iriam votar no segundo turno era, essencialmente, a de que acreditavam que ambas as opções eram extremas.

"Eu considero que os dois são tragédias. Então voto em branco, porque assim não compactuo com nenhum dos dois desastres", disse o escritor antioqueño Hector Abad Faciolince.

Mesmo com Duque representando uma força política tradicional, o uribismo, vários analistas políticos chamaram a atenção para a renovação geracional que ele representa.

"É preciso entender que essa eleição foi histórica apesar desse segundo turno polarizado. Até a passada, era impossível pensar num espaço de centro com votação elevada. Pois tivemos, no primeiro turno, 4,6 milhões de votos para Sergio Fajardo. Também era impensável ter um esquerdista e ex-guerrilheiro tão bem votado no segundo turno, como foi Petro. São sinais de uma Colômbia em transformação, apesar da predominância do uribismo", disse o analista político e diretor do instituto Ipsos, Javier Restrepo.

Houve movimentação nos centros de votação logo cedo. Depois, Bogotá parecia deserta, pelo menos durante os jogos da Copa do Mundo entre México x Alemanha e Brasil x Suíça.

Quando esse último terminou, ainda faltava uma hora para que fechassem as portas dos centros de votação, e muitos foram correndo tentar sufragar.

No maior centro de votação da cidade, o Corferias, foram vistas filas de pessoas que acabaram ficando do lado de fora. Policiais continham os atrasados, e muitos ficaram com o nariz nas portas de vidro.

Ao votar, Duque afirmou: "Venho ratificar meu desejo de que a Colômbia seja governada por uma nova geração. Fizemos uma campanha de soluções, e não de agressões".

Já Petro apelou à superstição: "Se o México ganhou da Alemanha, é porque também é possível que nossa candidatura ganhe hoje", disse, bem-humorado.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, votou pela manhã em Bogotá e afirmou que essas eleições são históricas por serem as primeiras em muitas décadas em que se votou "com segurança, com transparência e com paz".

Prova disso, acrescentou, é que os dois finalistas, o direitista Iván Duque e o esquerdista Gustavo Petro, "sempre foram meus opositores, mas nunca tiveram um enfrentamento sério comigo ou com meu governo; meu governo sempre respeitou a oposição, e demos a ambos as garantias para que fossem candidatos com liberdade e segurança".

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