Educação

Alfabetização na pandemia: conheça os desafios e dicas de especialistas

(Foto: Agência Brasil)

Uma das grandes preocupações dos pais com o ensino remoto nesta pandemia tem sido com a alfabetização no “tempo certo”, para que elas não se atrasem nos estudos. Mas as especialistas no assunto Carla Wisniewski Tedesco e Alana Macedo, professoras do Peixinho Dourado Berçário e Educação Infantil  tranquilizam as famílias com informações sobre o percurso do aprendizado.

“Vai dar tudo certo! As crianças aprendem como esponjas: desde bebê são curiosas, e têm o desejo de aprender, ler e escrever, pois isso já nasce com elas. O importante é deixar que tudo ocorra no momento certo, quando elas demonstram interesse. Por isso, não acredito que o período remoto trará dificuldades de longo prazo”, explica Carla. “No começo eu acreditava que fosse impossível alfabetizar de maneira remota – mas não é! Porque as crianças estão tão envolvidas com o processo, cada uma no seu nível, que conseguimos perceber a evolução delas claramente.”

O que pode acalmar os pais é saber que a alfabetização ocorre num processo, desde os primeiros anos até por volta do 3º ano do Ensino Fundamental. “A aquisição da escrita e da leitura vai além de decifrar códigos”, salienta a professora Alana. “Por isso é fundamental que as famílias valorizem desde cedo o momento de contar histórias, e deixem que a criança manuseie o livro, que ele faça parte do cotidiano e ela possa interpretar imagens e depois ler essa história.”

Como estimular seu filho

Para ajudar, é importante que cada família proponha estímulos de acordo com sua realidade: observar as placas no caminho de casa e associar os sons a palavras do cotidiano são algumas dicas. Por exemplo: “banana” começa com “ba”...o que mais começa com “ba”? “Barco! Baleia…”

Outra sugestão é propor tentativas de escrita a partir de eventos de que a criança participou – um passeio, uma viagem etc. “Muitos pais se questionam se devem ensinar da mesma forma como aprenderam, ou seja, pelo método silábico (por exemplo, B+A=BA). Mas o mais importante é dar um significado maior a essa aprendizagem, e entender que ela acontece de forma natural. Os contextos em que a criança começa a escrever podem ser diversos: o nome dos avós, as atividades da rotina, de acordo com sua realidade”, explica Carla.

“O processo de alfabetização tem que ser constante – e a escola precisa ser um ambiente provocador, que possibilita o contato com as letras, que estimula a curiosidade e a pesquisa, o que se estende para a casa, com livros, revistas, listas de compras... A criança então passa do desejo de desenhar o mundo para a escrita do mundo.”

“O momento correto não existe”, salienta a professora Alana. “Ele é construído desde que a criança entra na educação infantil”. “‘Que método eu devo usar’ é a pergunta errada, concorda a especialista em alfabetização e autora de livros como “Alfaletrar” e “Alfabetização e letramento” Magda Soares. “A pergunta certa é: ‘Como a criança aprende?’ e saber orientar esse processo.”