Crise do Coronavírus

Com hospitais perto da capacidade máxima, pacientes da RMC já são transferidos para outras regiões

(Foto: Ari Dias/ ANPR )

Com o aumento significativo no número de novos casos de Covid-19 e a alta na demanda por internações, a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) vê seu sistema de saúde se aproximar da capacidade máxima de atendimento. O cenário atual, conforme confirmou ao Bem Paraná o diretor de gestão em vigilância da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Vinicius Filipak, já tem obrigado a transferência de pacientes que moram na RMC para outras regiões do estado.

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Segundo Filipak, essa transferência de pacientes ocorre de forma corriqueira nos hospitais do estado. Por outro lado, ele admite que, no caso de Curitiba e região, até então não vinha sendo necessário realizar a transferência de pacientes, o que mudou nos últimos dias, quando pessoas com sintomas de Covid-19 que moram na RMC precisaram de atendimento e tiveram de ser transferidos para hospitais de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná, e de Guarapuava e Telêmaco Borba, na região Central do estado.

“Não tenho a quantidade [de pacientes transferidos], mas digo que, independente da Covid, essa movimentação de pacientes é frequente, usual”, declarou o diretor da Sesa. “Uma parcela muito pequena tem sido atendida fora das suas macrorregiões de residência. No caso de Curitiba e região, não vinha sendo necessário até então. Mas é importante salientar que as pessoas em demanda de internamento não estão desassistidas, elas estão recebendo cuidados. Claro que leito UTI e enfermaria é mais qualificado, mas não significa que essas pessoas estão abandonadas à própria sorte”, destacou ainda Filipak.

Questionado sobre o panorama atual dos leitos para pacientes com Covid ou com suspeita de contaminação, o especialista ainda ressaltou que nas últimas semanas houve uma evolução muito rápida, com grande quantidade de casas, o que provocou a superlotação dos hospitais. Hoje, o cenário é de ocupação elevadíssima dos leitos Covid. “E se continuar crescendo o número de casos novos, poderá se configurar a falta de leitos para receber esses pacientes. Toda a rede de saúde está em alerta”.

Novos leitos à vista, mas capacidade está perto do limite

Nas próximas semanas, informou ainda Filipak, mais 90 leitos UTI e outros 200 leitos enfermaria para pacientes com Covid-19 ou suspeita de contaminação devem ser inaugurados no estado. O grande problema, contudo, é a carência de profissionais, sendo que grande parte daqueles que atuam na área da saúde já estão esgotados após nove meses de pandemia e sobrecarga no trabalho.

“Do ponto de vista da assistência, tentamos ampliar a capacidade do sistema de saúde, mas isso está perto do esgotamento”, disse o diretor de gestão em vigilância da Sesa, explicando ainda que em poucos dias podemos ter o colapso do sistema de saúde no estado. “Não podemos fazer essa estimativa [de quanto tempo o sistema ainda pode suportar], porque depende da evolução de alta e outros fatores. Mas estamos muito perto do limite máximo de capacidade do sistema e em poucos dias podemos ter incapacidade de receber pacientes novos”.

“Em alguns dias, 400 a 500 pacientes irão a óbito e não podemos fazer nada”

Apelando à consciência das pessoas, Vinicius Filipak comenta ainda que é importante a sociedade entender que, apesar de boa parte dos pacientes não ter sintomas, a evolução do quadro infeccioso provocado pelo coronavírus é imprevisível.

“Um dado importante: mesmo que a gente tivesse capacidade infinita para tratar todos os pacientes, tivesse como internar todos os paranaenses, mesmo assim entre 20 e 25% dos pacientes que internam vão à óbito. Não é uma situação boa pegar Covid, não sabemos quem vai ter complicação e quem vai passar com tranquilidade”, afirma.

Atualmente, inclusive, cerca de 2,4 mil paranaenses com Covid-19 ou suspeita de contaminação estão internados em hospitais que atendem a rede SUS. “Pelo menos 20% evoluíra à óbito nos próximos dias ou horas. Infelizmente, em alguns dias 400 a 500 pacientes a mais irão à óbito e não podemos fazer nada”.