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Defensoria no Rio vai apurar denúncia de abusos e violação de direitos durante operação da PM

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Defensoria Pública enviará nesta quarta-feira (12) um ofício ao comando do COE (Centro de Operações Especiais) da Polícia Militar, pedindo informações sobre relatos de violações de direitos humanos durante operações realizadas no Complexo da Maré, zona norte do Rio, desde segunda-feira (10).

Como noticiou o jornal Folha de S.Paulo, moradores relataram invasão de domicílios sem mandado judicial, apreensão indevida de celulares e roubos. Uma pessoa confirmou à reportagem que R$ 2.000 sumiram após a polícia invadir sua casa durante sua ausência.

Segundo relatos, os agentes não carregavam identificação e utilizavam toucas ninja. Nesta quarta (12), no terceiro dia de operação, moradores narram intenso tiroteio na região da Vila do Pinheiro. 

Uma mulher morreu e ao menos quatro pessoas foram feridas e levadas para hospitais estaduais

Além de questionar o COE sobre as supostas violações, a Defensoria perguntará se a corporação está observando a decisão judicial que determinou a criação de um plano de redução de danos para a comunidade, a partir de ação civil pública ajuizada pelo órgão em parceria com o grupo Redes da Maré. Entre os protocolos, está a obrigatoriedade de ambulâncias nas ações policiais. 

Em nota, a Polícia Militar afirmou que pune com o máximo rigor qualquer desvio de conduta de seus agentes. O texto diz que a Corregedoria disponibiliza canais para receber denúncias de ações ilícitas envolvendo policiais, garantindo o anonimato da fonte.

Questionada se a corporação investigará o caso ou se nega os relatos, a assessoria da PM disse pelo telefone que, para haver apuração, é necessário que os moradores se manifestem formalmente à Corregedoria da polícia, o que ainda não ocorreu.

Segundo o defensor Daniel Lozoya, do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos, a questão não é investigar eventuais desvios de conduta, mas sim dezenas de relatos de violações. Ele diz que é preciso cobrar responsabilidade das pessoas que estão no alto da cadeia de comando.

"A questão são quais mecanismos de controle interno a polícia tem para controlar essas ações. O Estado não oferece nenhuma proteção para quem vai denunciar. Quem se atreve a denunciar alguma coisa?", questiona.

Em nota, a Polícia Militar relatou que policiais do Bope patrulhavam a Vila dos Pinheiros quando foram recebidos a tiros por criminosos nesta quarta (12). 

A corporação disse que encontrou ferido o criminoso Paulo Roberto Taveira, conhecido como "Cara Preta". Segundo a PM, ele carregava uma pistola e foi socorrido ao Hospital Geral de Bonsucesso. Os agentes recolheram armas, munições e drogas durante a operação.

Na ação de terça (11), a polícia recuperou seis patinetes elétricas e 24 carros, além de drogas e uma granada. 

Relatos de violações de direitos humanos têm sido frequentes em operações na Maré, assim como em outras favelas do Rio.

No mês passado, moradores denunciaram à Defensoria o uso de helicópteros como plataforma de tiros em operação da Polícia Civil que matou oito pessoas na Maré.

Na ocasião, eles também relataram que domicílios foram invadidos e que pessoas foram mortas mesmo depois de terem sido rendidas pelos agentes. 

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