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À tona

Em 13 anos, casos de violência contra a criança crescem 151% em Curitiba

Em 2017, Hospital Pequeno Príncipe atendeu 607 ocorrências. Crise do País colabora com o problema, diz especialista

Os casos de violência contra a criança estão em alta em Curitiba. Prova disso é que o Hospital Pequeno Príncipe (HPP), referência no atendimento pediátrico e integrante da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente na Capital, registrou desde 2004 um crescimento de 151% nas notificações, alcançando um nível recorde no ano passado.
Só em 2017 chegaram para atendimento ao Pequeno Príncipe 607 crianças e adolescentes por suspeita de violência, uma média de cinco casos a cada três dias. O número é bem maior do que o registrado em 2004, quando haviam sido 241 casos notificados, e aponta ainda uma alta de 13,9% na comparação com 2016, quando o hospital havia atendido 533 jovens em situação com suspeita de violência.
De acordo com Daniela Prestes, psicóloga responsável pelos atendimentos no Hospital Pequeno Príncipe, os números indicam não apenas uma redução na subnotificação (ou seja, no número de casos que não são denunciados ou descobertos). Segundo ela, o momento de crise que o país atravessa acaba impactando nas estatísticas, elevando não apenas os casos de violência contra a criança.
“Infelizmente, temos visto do ano passado para cá o aumento da violência como um todo, não apenas da violência contra a criança. E o que observamos é que pode ser realmente um problema social, porque toda essa questão socioeconômica e cultural também interfere na alteração dos ânimos”, aponta a especialista.
Do total de casos de 2017, 66,4% das vítimas eram meninas e 30% das crianças tinham até dois anos de idade. Sobre os tipos de violência, 52,2% dos casos eram de agressão sexual; 28,3%, negligência; e 13,3%, física. Em 28,8% dos casos, não era a primeira vez que o paciente sofria violência e 142 crianças precisaram de internamento hospitalar. Mas o que mais chama a atenção é o fato de em 72% das vezes a violência ser praticada por alguém da própria família (em 21,8% dos casos, o próprio pai ou a mãe).  
“Não há uma explicação única definida para essas situações, são muitas possibilidades. O que levantamos é que a relação de violência é uma relação de poder, onde uma pessoa toma outra e não coloca aquele que é agredido num lugar de sujeito. Ele é um objeto, como se fosse uma coisa para satisfazer as suas vontades”, afirma a psicóloga, destacando ainda que a sociedade como um todo deve se unir para enfrentar a questão. “É responsabilidade de toda sociedade proteger estas crianças e adolescentes.” 

Casos de violência contra a criança
2017    607
2016    533
2015    415
2014    378
2013    373
2012    315
2011    374
2010    333
2009    278
2008    354
2007    305
2006    282
2005    286
2004    241


Fonte: Hospital Pequeno Príncipe

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