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Carreira & Cia.

Empreendedora dá dicas como conciliar a vida familiar e profissional

Silvana Piñeiro Nogueira Fundadora da Smartcom
Silvana Piñeiro Nogueira Fundadora da Smartcom (Foto: Divulgação)

Todos nós sabemos o quanto a conciliação entre vida familiar e profissional tem afastado profissionais dedicadas do sonhado crescimento na carreira. É por isso que muitas mulheres estão partindo para empreendimentos pessoais, formatados para sua realidade de horários e interesses. No entanto, o esforço é grande e os riscos também. Exige muita pesquisa e planejamento estratégico. As dificuldades são registradas, inclusive, em pesquisas do IBGE, que mostra, em sua última enquete feita em 2016, que as mulheres brasileiras dedicam aos cuidados de pessoas e/ou afazeres domésticos cerca de 73% a mais de horas do que os homens. Com dois filhos pequenos e os riscos inerentes ao inicio de qualquer negócio, além das turbulências na política, Silvana Piñeiro Nogueira transformou esses fatores em diferenciais para criar a Smartcom Inteligência em Comunicação. Nesta entrevista, ela compartilha algumas dicas que ajudaram na consolidação de sua empresa com atuação global em comunicação empresarial:

Como foi abrir empresa com filhos pequenos?
Depois de quase dez anos morando na Europa, onde eu já trabalhava como assessora de imprensa para empresas brasileiras e estrangeiras com interesses no Brasil, foi quase impossível conciliar o trabalho numa agência, de onde eu não conseguia sair no horário combinado nem evitar eventos noturnos – mesmo com um acordo especial de que buscaria meus filhos na escola, então com 3 anos e 7 meses. Após nove meses na loucura de conciliar a profissão com a maternidade, decidi sair. Já na entrevista de despedida, a minha chefe disse: “Certamente você está saindo para abrir a sua própria empresa”. Eu nem tinha pensado ainda no que faria, queria apenas ter mais tempo para os meus filhos. Mas parei para pensar e enxerguei uma oportunidade de trazer ao mercado brasileiro uma metodologia diferente de trabalho, além de resolver o meu impasse familiar. Decidi, então, dedicar os dois meses seguintes à construção de um planejamento estratégico de uma futura empresa. Entre idas e vindas para buscar as crianças na escola, levá-las ao médico e organizar a rotina da casa, passei a fazer muitas pesquisas, e percebi que abrir uma empresa era realmente o melhor caminho.
Iniciei em casa e, depois de alguns meses, chegou o primeiro cliente – na verdade uma cliente, que também estava se reinventando profissionalmente.

Naquele momento inicial, você sentiu preconceito por ser mulher empreendedora? Alguém tentou desestimulá-la?
Sempre há aqueles que não confiam em uma ideia empreendedora, mas eu estava tão focada que não havia comentário que tirasse a minha força. A primeira cliente chegou depois de oito meses de muita prospecção. Tratava-se de uma executiva de uma grande empresa que havia saído do seu trabalho para investir numa carreira que possibilitasse um equilíbrio maior entre vida pessoal e profissional. Ou seja, uma mulher que me contratou justamente por eu também ser mãe de filhos pequenos e trabalhar em casa. Depois, começaram a chegar empresas solicitando os meus serviços.Tudo que é feito com dedicação e trabalho dá certo! Isso quer dizer muitas noites acordada buscando soluções para os clientes, horas e horas de trabalho, mesmo depois que todos já foram dormir para dar conta das entregas, e muito estudo que me preparava para as reuniões com executivos do mercado B2B, o meu foco de atuação. Após um ano e meio, precisei decidir se permaneceria em home office ou se apostaria num crescimento ainda maior. Decidi apostar, aluguei um espaço e contratei uma pessoa. Hoje somos em nove profissionais e atendemos clientes de diversos segmentos, muitos eu demorei três, quatro anos para conquistar, mas que estão em nosso portfólio há vários anos. Isso dá satisfação e mostra que a iniciativa deu certo. No ano passado, assumi mais um desafio: levar a Smartcom para a Europa. Ou melhor, devolvê-la para lá, onde minha experiência começou. Desde então, estamos envolvidas em projetos de comunicação globais, que exigem organização, conhecimento de outras culturas, adequação de fuso horário e muitas viagens. A ideia é continuar a empreender!

Como planeja para expandir?
Para isso, voltaram as pesquisas e o bom e velho planejamento estratégico. Mas como fazer? Particularmente, eu gosto de me informar sobre o mercado em que quero atuar por meio de materiais de câmaras de comércio e órgãos oficiais, como APEX ou Federação das Indústrias. Leio muitas notícias e levo em consideração o que está sendo realizado em outros países para tentar encontrar uma tendência de atuação. Também falo com pessoas, priorizo as conversas por telefone para ter uma opinião prática sobre o que pretendo fazer. Depois checo tudo com uma pesquisa quantitativa entre as pessoas do meu networking pessoal e profissional. Passada essa fase, coloco as informações no papel e faço uma análise Swot: pontos fracos, pontos fortes, o que aprimorar e o que deixar definitivamente de lado. Assim, é possível ter uma visão clara sobre a viabilidade da ideia, se tem chances de vingar ou não e o que é preciso fazer para chegar ao sucesso esperado (definir essa meta também é muito importante!). Saber claramente e com realismo onde se pretende chegar é um dos segredos de um planejamento bem sucedido. A partir daí, é tirar as conclusões do papel e colocá-las em prática.

Como você lida com recrutamento e paridade salarial entre homens e mulheres?
No recrutamento, procuro empatia e afinidades, sobretudo qualidade, independentemente do gênero. O que acontece é que, no mercado de comunicação, há mais mulheres. Por coincidência, hoje, tenho um time exclusivamente feminino, mas já contratei vários homens. O diferencial é o horário de trabalho flexível, o que dá a oportunidade de o profissional conciliar os seus afazeres pessoais. Para mim, o que importa é a entrega bem feita, de qualidade e que dê retorno ao cliente.

Como você planeja a prospecção de novos clientes?
O meu planejamento estratégico já trazia o perfil de cliente na área B2B. Além de minha afinidade com a área, uma vantagem desse setor é que ele promove menos eventos noturnos do que áreas como a gastronômica ou a moda, por exemplo. Uma grande força para a prospecção é o networking e a divulgação de bons resultados de trabalho por meio do site e mídias sociais. Assim, o boca-a-boca é ativado. Outra fonte de novos contratos é a busca em sites oficiais de licitações e pregões. Hoje, esse setor ainda está em desenvolvimento.

Já sofreu algum tipo de assédio, preconceito ou desrespeito por ser mulher entre clientes ou fornecedores?
Em uma ocasião, um alto executivo vindo de um grande grupo tinha acabado de assumir a presidência da empresa para qual eu prestava serviços de comunicação e que, na época, era o meu maior cliente. Ele me solicitou que revisasse uma apresentação que tinha preparado para um evento comercial. No retorno das sugestões, expliquei gentilmente que seria interessante ele assumir o discurso de ‘nós’ naquela empresa e evitar citar o nome da companhia antiga. Isso daria mais segurança e geraria empatia entre os clientes presentes. Ele reagiu dizendo: ‘Quem é você para dizer o que tenho ou não que falar em uma apresentação?’ E eu respondi de maneira firme: ‘Sou a pessoa que você contratou para ajudar a empresa da qual é o presidente a ser reconhecida pelo mercado pela sua credibilidade e estabilidade’. Esse é um pequeno exemplo do que aprendi com a atividade de assessoria de imprensa: para ter respeito, precisamos nos dar o respeito pelo que somos como pessoa e pelo que aprendemos ao longo do percurso. O mais comum é ouvir comentários maliciosos em datas como o Dia da Mulher. Mas quando deixamos os limites claros, todo mundo entende. Uma vez fui a uma reunião em um cliente e fui recebida com um sonoro ‘Feliz Dia das Bruxas’. Em um primeiro momento não entendi, pois nem me toquei que se tratava de 8 de março. Depois, não achei graça e deixei isso bem claro ao cliente engraçadinho com um também sonoro ‘Respeito é bom e eu gosto! Podemos iniciar a reunião?”. Muita gente me pergunta sobre o “dress code”. A roupa tem que ser adequada para trabalho, seja homem ou mulher. O que não significa que precise parecer uma freira: a roupa tem que ter personalidade. Em eventos, uma roupa de festa adequada para o trabalho é o mais indicado. Mas a postura faz toda a diferença, é ela que precisa impor respeito. Aqui vale ressaltar que aceitar convites de clientes para encontros que não estão relacionados ao trabalho é suicídio profissional.

Pela sua experiência, a mulher ainda precisa "provar seu valor" para ocupar espaço no mercado?
Quando se tem segurança do assunto, não importa sua idade, de onde vem, sua raça ou tempo de carreira. Só conta a segurança e sua credibilidade. E isso só se conquista por meio de muito estudo, experiência prática e estar informado do que há de novo.

Que dicas você daria a jovens mulheres que desejam empreender?
A minha dica é: quando você ama o que faz, o mundo conspira a seu favor. Não existe ideia brilhante ou sorte no mundo do empreendedorismo. O que existe é muito estudo, trabalho árduo e a construção de um networking influenciador.
Outra boa iniciativa é planejar. Quando se abre um negócio, assumimos diversos riscos. Então, é bom ser realista, estudar o mercado, as possibilidades de crescimento e manter o foco em resultados. Se o trabalho é feito com qualidade e honestidade, o resultado chega. Pode demorar, mas chega!


Curtas:

* Em ação nos semáforos de Curitiba, voluntários arrecadam recursos para assistência de crianças. Um grupo de voluntários vai se reunir no dia 29/02, sábado, para o Água no Sinal, projeto desenvolvido pela Associação Cristã de Assistência Social - ACRIDAS para arrecadar fundos para atendimento de crianças em vulnerabilidade social e medidas protetivas. Além de apoiar a instituição, a intervenção contribui para o desenvolvimento de empatia da população e desperta atenção para a causa dos direitos da infância. Serão cerca de 25 voluntários com a meta de captar R$ 10 mil oriundos da doação espontânea a partir da distribuição de água mineral em cruzamentos.

* Empresas de Curitiba consideradas melhores para se trabalhar se reúnem em evento sobre boas práticas empresariais. O 2º MeetUp de RH da Pontomais entregará uma imersão no mundo Great Place To Work (GPTW). As profissionais de RH da Pontomais e da Agência Mirium, Silvana Fernandes e Nádia Sousa, serão as convidadas especiais do 2º Meetup de RH, que tem como apoiadora oficial a Great Place to Work (GPTW). O evento que acontecerá no dia 20 de fevereiro, em Curitiba, é uma realização da startup de tecnologia para recursos humanos Pontomais em parceria com a GPTW.

* Algumas oportunidades de empregos: Analista de Performance em Mídias Sociais. Grande rede de varejo de Curitiba que tem como missão proporcionar conforto, beleza e bem-estar aos seus clientes procura profissional de mineração e análise de dados para avaliação de campanhas online. O cargo exige alto nível de pesquisa e criação de relatórios baseados em dados do mercado (SEO, Google Analytics, Google Trends e outras ferramentas) Local: Curitiba. Analista de Promoção Comercial. Grande rede de varejo de Curitiba que tem como missão proporcionar conforto, beleza e bem-estar aos seus clientes procura pessoa que tenha experiência com criação de campanhas e promoções negociando com fornecedores os melhores produtos para oferecer aos clientes. Contatos com a Le War Pro-Talent Way. E-mail: lewarpro@lewarpro.com.br Facebook: facebook.com/lewarprotw.


Frase:

“Pessoas vencedoras são as que procuram as circunstâncias de que precisam e, quando não as encontram, as criam.

(George Bernard Shaw)


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