Publicidade
Bolsa sobe e dólar cai

Fala de Guedes sobre Previdência e desvinculação do Orçamento anima mercado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira opera em forte alta nesta segunda-feira (11) com investidores animados em relação à reforma da Previdência e proposta do governo para uma ampla desvinculação orçamentária.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, avançava 2,18% às 13h (horário de Brasília), a 97.444,06 pontos. O dólar comercial recuava 0,64%, cotado a R$ 3,847, impulsionado também um um exterior menos avesso ao risco.

O mercado local gostou do tom otimista do ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo deste domingo (10). 

Guedes afirmou que as mudanças nas regras para aposentadoria serão aprovadas. Ele admitiu que negociações no texto são possíveis, mas reforçou que o piso da economia a ser gerada é de R$ 1 trilhão.

O ministro disse ainda que o governo não vai aguardar o encerramento da tramitação da reforma da Previdência para enviar ao Congresso proposta que prevê ampla desvinculação do Orçamento.

Em discurso de posse, em janeiro, Guedes chegou a tratar a ideia como um plano B para o caso de não aprovar a reforma da Previdência. 

Na entrevista deste domingo, entretanto, ele afirmou que o texto ganhou vida própria diante do rombo nas contas dos estados e municípios.

"O assunto vinha no sentido de que seria um plano B, mas ele deixou claro que não, que será levado adiante. É necessário, 93% dos gastos do governo são rígidos. Mesmo com a reforma da Previdência, em dez anos cairia para algo em torno de 87%, é um Orçamento muito rígido", afirma Victor Candido, economista-chefe da Guide Investimentos. 

Guedes disse que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da desvinculação orçamentária será entregue para tramitação inicial no Senado "o mais rápido possível". A proposta de reforma na Previdência, por sua vez, tem análise que se inicia na Câmara dos Deputados.

Segundo Vicente Matheus Zuffo, gestor de fundos da SRM, o mercado teve um "choque de otimismo" no curto prazo também após encontro de Jair Bolsonaro com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A expectativa é que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que vai analisar o texto da Previdência seja instalada nesta quarta-feira (13). O governo espera com ansiedade o início dos trabalhos da comissão, já que é por ela que passará primeiro a proposta de emenda constitucional.

Os líderes partidários devem começar a indicar os nomes para o colegiado nesta segunda. Como informou a Folha de S.Paulo, o grupo da articulação política do Planalto diz que espera contar com a ajuda de Maia para convencê-los a indicar deputados que "tenham carinho" pela reforma.

"A negociação com os partidos para aprovação da reforma começa nessa semana e tudo indica que vai ter um bom andamento", disse Zuffo.

No exterior, novas promessas de estímulos na China favoreceram ganhos nas principais bolsas da Ásia, viés mantido pelos pregões europeus e por Wall Street.

O Dow Jones, principal índice americano, subia 0,39%, num avanço contigo pelas ações da Boeing, que chegaram a afundar 13% após acidente com o Boeing 737 MAX 8 operado pela Ethiopian Airlines matar 157 pessoas.

No Ibovespa, destaque para as ações da Petrobras, que sobem mais de 3%, e para os papéis do setor financeiro. 

A Azul, terceira maior companhia aérea do Brasil, avança 5,85% após anunciar acordo para a compra da Avianca Brasil, que está em recuperação judicial, por US$ 105 milhões (R$ 406 milhões). 

Já a Gol recuava 2,21%, na esteira do acidente com o Boeing 737 MAX 8. Versão atualizada do avião comercial mais vendido da história, o modelo é a espinha dorsal da recente expansão internacional da Gol.

Esse foi o segundo acidente com uma aeronave do tipo em cinco meses: em outubro, um modelo semelhante operado pela indonésia Lion Air caiu no mar 13 minutos após decolar, deixando 189 mortos.

Autoridades da China e da Indonésia ordenaram nesta segunda-feira que as companhias aéreas de seus países suspendam suas operações com o Boeing 737 MAX 8.

Publicidade

Plantão de Notícias

Mais notícias

DESTAQUES DOS EDITORES