Publicidade
Abuso

Jornalistas denunciam truculência da PM em Curitiba; entidades repudiam ação

Um grupo de jornalistas criticou publicamente a abordagem de policiais militares. A ação da PM ocorreu na quinta-feira (dia 28) à noite, em um bar no Largo da Ordem, na região central de Curitiba. O episódio foi relatado pelo jornalista Adriano Rattmann, que trabalha como assessor de imprensa. Ele estava com a esposa, a jornalista Simone Bello, também assessora de imprensa, e outros amigos. 

“Tá vendo esse bando de jornalistas? Foi retirado de dentro de um bar agora a pouco no Largo da Ordem e levou uma geral cinematográfica da polícia militar. O pior é ouvir frases de policiais como: 'Se vocês estivessem em casa não estariam passando por isso'”, contou Rattmann, em texto na sua página no Facebook. O grupo estava reunido com a jornalista Nana Martis, do Rio do Janeiro, que é produtora do Festival de Teatro de Curitiba. "Viemos encontrar a Nana Martins, amiga que veio do Rio para trabalhar Festival de Teatro", contou Rattmann. 

“Quer mais uma frase de um policial? 'Odeio jornalistas'. Pessoal, falta inteligência pra polícia. Meia hora de um policial a paisana identificaria facilmente o perfil de quem está confraternizando e de quem está traficando na regiao, muito fácil. Um absurdo sem limites o que vivenciamos. Não podíamos falar, argumentar, logo mandavam ficar quieto com as mãos pra cima. Constrangedor”, criticou o jornalista.

Rattmann reclamou da falta de preparo dos policiais. “Não foi uma geral qualquer, foi mão no saco, mão dos peitos das meninas, grosserias das grandes. Quando olhei por mais de dois segundos a policial com as mãos no peito de uma amiga, os policiais me ameaçaram. Diziam que eu estava desrespeitando o trabalho deles. Infelizmente minha constatação é a falta de preparo de quem comandou essa operação”, disse. “Estávamos entre amigos, pais e mães de família e passamos por um momento como esse. Triste. Lamentável. Foi um absurdo sem tamanho. Fomos tratados como bandidos. Espero que o comando da Polícia Militar reveja esse tipo de abordagem e invista mais em inteligência policial e não em truculência policial!”, afirmou.

A esposa de Rattmann, a jornalista Simone Bello também estava presente no incidente e fez seu relato. “Em fevereiro de 2017 fui assaltada em frente de casa com uma arma apontada pra mim..uma sensação absurda de impotência! Ontem vi novamente uma arma apontada pra mim e dessa vez não era por um 'bandido' era pela polícia militar do PR. Uma sensação muito pior do que 2017. Porque o bandido veio pra me roubar, era fato...os policiais que eu deveria me sentir protegida não tinham motivo algum pra nos apontar uma arma e muito menos serem violento conosco. Afinal, estávamos em um estabelecimento privado com alguns amigos”, contou ela, em sua página no Facebook.

Simone conta que já trabalhou no setor de comunicação da Polícia Militar. “Já fiz estágio na assessoria de imprensa da PM, tenho o maior respeito pelo trabalho deles e não sou contra as operações policiais, sou contra pela forma como aconteceu, pela violência como eles agiram... e saibam não adiantava você tentar conversar, você corria o risco de levar um tiro ou ser presa por desacato a autoridade (fato que ameaçaram várias vezes). E a policial feminina então.. Meuuu Deus dona de um despreparo total... Ficamos 20 minutos no frio com as mãos na cabeça porque fomos obrigados a sair do local pelos policiais para uma 'revista' policial e ali fomos tratados igual bandidos. Triste realidade que vivemos ontem, peço a Deus nunca mais ver uma arma apontada pra mim, só quem viveu isso sabe do trauma. Espero que nossos filhos nunca passem por isso e que Deus nos proteja sempre (porque pra mim ele é o único que pode nos proteger de um mundo tão doente e violento que estamos vivendo)”, desabafou.

O Bem Paraná entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar para publicar a versão dos policiais e recebeu a seguinte nota também publicada no portal da Polícia Militar: 

"A PM também informou sobre uma operação na reginal central de Curitiba, desencadeada com base em denúncias anônimas e informações sobre a atividade de tráfico de drogas na região central de Curitiba, especificamente nas ruas Trajano Reis e Paula Gomes, levaram as equipes do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM), pertencente ao 1º Comando Regional da PM (1º CRPM), a desencadear a operação na noite de quinta-feira que resultou em quatro encaminhamentos e porções de crack, maconha e cocaína apreendidos.

Durante a operação, 125 pessoas foram abordadas e 15 automóveis vistoriados. Também houve a fiscalização de seis estabelecimentos comerciais e a apreensão de 156,5 gramas de maconha, 25,2 gramas de cocaína, 17 comprimidos de ecstasy e 56 pontos de LSD. As abordagens resultaram ainda na lavratura de cinco Termos Circunstanciados".

Por fim, a matéria informa que "A PM abordou diversas pessoas que estavam nas imediações para checar a identificação e também se havia indícios criminosos. O procedimento é padrão e tem caráter preventivo. Em casos de reclamações das ações, o cidadão pode formalizar a denúncia na Corregedoria-Geral da Polícia Militar, para que o fato seja apurado".

RepúdioA Federação das Empresas de Hospedagem, Gastronomia, Entretenimento, Lazer e Similares do Estado do Paraná (Feturismo) e o Sindicato das Empresas de Gastronomia, Entretenimento e Similares de Curitiba (Sindiabrabar) divulgou nota hoje manifestando "repúdio" aos excessos praticados por policiais militares contra clientes, funcionários e proprietários de bares de Curitiba. Os estabelecimentos afirmam que têm sido alvo de fiscalizações agressivas e as famosas "carteiradas" de autoridades que deveriam proteger a população.

De acordo com a nota, as ações têm como alvo bares localizados nas regiões centrais e centro histórico de Curitiba. Na última semana, policiais se recusaram a pagar a taxa para ingresso em um estabelecimento, o que acabou gerando revolta dos proprietários, diz o texto. 

As entidades de classe repudiam com veemência este tipo de atitude, que já está sendo comunicada ao comando da Polícia Militar e a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). "São investidas desproporcionais de policiais ou operações da segurança pública contra o nosso setor", ressalta Fábio Aguayo, presidente do SindiAbrabar/Abrabar e vice-presidente da Feturismo.

As entidades defendem fiscalizações, abordagens e um trabalho mais ostensivo e de inteligência nas áreas críticas e de crescimento de violência e tráfico da Capital e nas cidades pólos do Estado. É necessário estabelecer, de acordo com Aguayo, vínculos com os pólos gastronômicos com modelos móveis ou fixos, em regiões de concentração e aglomeração de pessoas.

"Assim, incentivando a integração da vigilância/segurança da mão de obra privada com o poder público", afirma o representante das entidades. "Entendemos que a Sesp precisa agir preventivamente, mas, também, precisa melhorar a orientação das forças policiais para separar o joio do trigo e evitar abuso de autoridade e excessos fora do padrão".

"É o apelo de nossa categoria em respeito aos nossos verdadeiros clientes e turistas, que estão visitando as cidades de nosso Estado", destacou Aguayo. "Uma das principais bandeiras do governador Ratinho Júnior, é a valorização do turismo e os seus 52 segmentos que compõe o trade. Queremos e precisamos de respeito para produzir, trabalhar em paz para poder gerar emprego, renda e tributos ao erário", concluiu.

Publicidade

Plantão de Notícias

Mais notícias

DESTAQUES DOS EDITORES