Mercado da bola

Marlos é apresentado pelo Athletico e afirma: 'sinto como se estivesse na Europa'

Marlos no Athletico
Marlos no Athletico (Foto: Divulgação/Athletico.com.br/José Tramontin)

O Athletico Paranaense confirmou nessa terça-feira (dia 1º) à noite a contratação do meia/ponta Marlos, que chega com vínculo definitivo, válido inicialmente até o fim da temporada de 2022. Aprovado nas avaliações médicas e físicas, o atleta já firmou vínculo com o clube.

“Sempre deixei muito claro que meu sonho era jogar no Athletico Paranaense”, afirma Marlos, para o site oficial do clube. “E fico muito feliz por ter sido bem recebido aqui por todos que fazem parte desse projeto do clube, por estar ao lado de profissionais qualificados e reconhecidos no futebol. O Athletico é sensacional. Tem uma grande estrutura. Até sinto como se estivesse na Europa ainda. Acredito que em nenhum outro clube do Brasil eu viveria o que estou vivendo hoje aqui. Então, agora cabe a mim, cabe à minha dedicação e ao meu empenho para corresponder às expectativas do clube”, destaca.

Marlos será o novo camisa 10 do time principal do Athletico. O número da camisa pertencia Nikão, que deixou o clube e foi para o São Paulo neste ano.

O amor pelo Athletico Paranaense
Marlos Romero Bonfim nasceu em 7 de junho de 1988, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. É filho de família athleticana. É torcedor do Furacão desde a infância.

“Torcer pelo Athletico Paranaense é um amor que recebi de família”, explica Marlos. “Meu irmão e dois primos jogaram nas equipes de base do Athletico. Eu ia às partidas vê-los jogar. E jogar no Athletico era visto lá em casa como um sonho de família. E quando você vê os pilares da sua família terem esse sonho, você também passa a querer realizá-lo. E esse sentimento não mudou, mesmo quando fiquei mais velho. É também um dos motivos que me deixam extremamente feliz por estar aqui no Athletico hoje”, conta.

A emoção agora é em vestir rubro-negro
Marlos não esconde a empolgação em vestir a camisa do Athletico Paranaense. Isso fica bem nítido já nas primeiras fotos e vídeos de apresentação que fez no clube, no CAT Caju. Ele vai usar a camisa 10, que lhe caiu muito bem por sinal.

“Agora, posso dizer que todos os sonhos que tive quando criança estão sendo realizados”, afirma Marlos, vestido com o manto athleticano. “Fico feliz por fazer parte deste grande projeto do Athletico Paranaense. E espero fazer grandes coisas por este clube. Espero dar orgulho para a minha família, que sei que vai torcer por mim e que torce por este clube faz anos. E que um dia possam colocar também um quadro meu aqui, junto aos dos demais ídolos do clube. Será um dos maiores orgulhos da minha carreira”, completa.

Como Marlos chega ao Furacão

Marlos chega ao Athletico Paranaense como um dos melhores jogadores brasileiros do futebol europeu. Em dezembro do ano passado, era titular da sua antiga equipe na Liga dos Campeões da Europa.

Marlos desembarca no Rubro-Negro com a experiência de quem já atuou em 635 jogos na carreira e anotou 109 gols. E quase tudo isso em campeonatos internacionais e nacionais de primeiro escalão. E não foram poucos torneios. Em 16 anos de carreira como profissional, já disputou 15 competições diferentes.

“Acredito que hoje eu não tenha mais uma posição fixa”, resume Marlos quanto à função que realiza em campo. “Gosto de jogar mais na direta, que foi onde eu sempre joguei. Mas houve temporadas no Shakhtar, por exemplo, em que eu jogava um pouco mais recuado. Agora, no final da minha passagem por lá, estava jogando mais no meio de campo. Na Seleção da Ucrânia, também já atuei mais pela esquerda”, explica.

“Gosto muito de me lembrar do que uma vez o Shevchenko me disse”, conta Marlos. “Ele me disse que, quando um jogador tem qualidade, ele não tem posição. Ele tem que estar no time. Pode ser na esquerda. Pode ser na direita. Pode ser na frente. Foi uma frase que mexeu muito comigo e me ajudou a evoluir na carreira. Então, a partir da posição em que eu possa ser benéfico à equipe, estou à disposição para sempre colaborar”, completa.

O início da carreira de Marlos
O começo de Marlos no futebol foi muito cedo: aos 5 anos de idade. Sim, aos 5 anos de idade ele já era atleta de futsal da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) aqui de Curitiba. E dono de grande talento com a perna esquerda, logo foi indicado a se apresentar às equipes de iniciação do Coritiba.

Durante muitos anos, Marlos conciliou o futsal com o futebol de campo. Período bem puxado, aliás. Estudava de manhã e treinava à tarde. Depois, encontrava-se com o pai no Terminal do Guadalupe, região central de Curitiba. O pai vinha do trabalho, em São José dos Pinhais. E dali os dois iam juntos para o treino do filho, no bairro Tarumã.

Uma rotina diária, que começava com a saída dos dois de casa já nas primeiras horas da manhã. Terminava já tarde da noite, quando pai e filho voltavam juntos ao lar da família Romero Bonfim. Mas valeu a pena. Afinal, foi com o apoio incondicional de Sr. Izaías e de todos da família que Marlos conseguiu se tornar atleta profissional.

“Meu pai é uma pessoa extremamente importante na minha vida. Tudo que tenho hoje foi graças ao apoio que ele me deu”, agradece Marlos. “Foi um momento muito difícil. Era cansativo para nós. E muitas vezes eu dormia no colo dele, dentro do ônibus mesmo, que muitas vezes estava lotado. Mas era também o momento que sobrava para ficar próximo ao meu pai. E poucos pais fazem por um filho o que ele fez por mim. Então só tenho a agradecer por tudo que ele fez por mim e pela nossa família”, reconhece.

E por que Marlos não começou no Athletico?
Marlos conta que até houve um convite do Athletico Paranaense para que ele viesse fazer parte da Categoria de Formação do Furacão à época, lá nos anos 2000. Proposta que inclusive foi apresentada ao pai, que é tão ou ainda mais athleticano do que o filho.

Mas embora o amor pelo Rubro-Negro falasse mais alto, Sr. Izaías sempre foi um homem de palavra. Preferiu seguir com o que já havia apalavrado ao Coritiba. E assim, mesmo com o coração athleticano apertado por não ver o filho em campo com a camisa rubro-negra, manteve Marlos na equipe rival.

A profissionalização
Marlos então fez toda a formação no Coritiba. Foi promovido ao elenco principal em 2006, logo após a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Dessa época, Marlos lembra que, nas primeiras concentrações com a equipe principal do Coritiba, dividia quarto com o experiente Paulo Miranda. O ex-jogador, que também jogou e conquistou títulos no Furacão como atleta, hoje é gestor técnico do Rubro-Negro. Marlos e Paulo Miranda são amigos até hoje.

“Naquela época, eu havia acabado de subir para o time principal do Coritiba. E o Paulo Miranda já estava nos últimos anos da carreira dele. Foi uma pessoa que me ajudou muito naquele momento também”, lembra Marlos. “E sempre nas conversas que tivemos, eu deixava claro para ele que um dia meu sonho era também jogar pelo Athletico Paranaense. Tanto que ele foi um dos que contribuíram para que eu viesse para cá agora”, conta.

A estreia profissional de Marlos foi em 13 de maio de 2006, durante uma partida do Coritiba contra o Sport, pelo Campeonato Brasileiro da Série B daquele ano.

Ídolo na Ucrânia
Marlos ficou no Coritiba até 2009. E depois de três temporadas no São Paulo, chegou pela primeira vez à Ucrânia em janeiro de 2012. A partir dali, foram três anos em Cracóvia defendendo o FC Metalist. Mudou-se para Donetsk em abril de 2014, para se tornar ídolo no Shakhtar Donetsk.

Em oito temporadas, disputou quase 300 jogos pelo Shakhtar. Levantou 12 taças. Identificado com o clube e com a cidade, criou os dois filhos na Ucrânia. Fala hoje com a fluência de um nativo o idioma local. Virou cidadão ucraniano. Tornou-se bastante querido no país do Leste Europeu. É quase uma unanimidade nacional por lá.

Tamanho o respeito e carinho que conquistou que valeram a ele um convite do técnico Shevchenko – sim, ele mesmo: raque do Chelsea, da Inglaterra, e do Milan, da Itália, nos anos 2000. O convite de Shevchenko era para que Marlos defendesse a Seleção da Ucrânia. E Marlos assim o fez, com 27 partidas pelos Amarelos-Azuis entre 2017 e 2021.

“Defender a Seleção da Ucrânia foi algo que fiz de coração aberto”, relembra Marlos. “Tenho um carinho muito grande pelo povo ucraniano. Um carinho pela torcida, pelos jogadores e pelas pessoas com quem trabalhei e convivi. Jogar pela Seleção da Ucrânia foi uma forma de retribuir todo esse carinho deles por mim. De poder estar em campo representando cada um deles. De brigar por eles. Aprendi muitas coisas com os ucranianos. Estar lá foi algo fantástico que aconteceu na minha vida”, agradece.

O que fez Marlos sair do Shakhtar?
Marlos foi quem optou em não renovar com o Shakhtar Donetsk, que até ofereceu um novo vínculo ao atleta para 2022. O último contrato terminou no fim do ano passado. Mas o meio-campista tinha um novo objetivo na carreira. Talvez o único que fizesse considerar deixar um país onde sempre foi bastante querido e bem-sucedido. E sim, vestir a camisa do Athletico era o único objetivo que poderia ser capaz de tirá-lo da Europa.

O Shakhtar Donetsk entendeu e respeitou a decisão do jogador. Aliás, mais do que isso. Preparou uma grande surpresa no adeus do ídolo.

Na saída de Marlos da antiga casa dele para o aeroporto rumo ao Brasil, o ônibus oficial do clube estava estacionado na rua, em plena madrugada ucraniana, na frente de casa.

Em princípio, Marlos e a família se espantaram. Mas subiram a bordo. E lá dentro, estavam todos os jogadores, companheiros de time de Marlos no Shakhtar, que levaram o paranaense de carona até a plataforma de embarque. Um momento bastante emocionante, que ficará para sempre na memória e no coração do brasileiro.


MARLOS
Posição: Meia-atacante
Número da camisa: 10
Nome completo: Marlos Romero Bonfim
Data de nascimento: 7 de junho de 1988 (33 anos)
Cidade em que nasceu: São José dos Pinhais (PR)
Altura: 1,74m
Dominância: Canhoto

Equipes como profissional:
2022: Athletico Paranaense
2014-2021: Shakhtar Donetsk (Ucrânia)
2012-2014: Metalist (Ucrânia)
2009-2011: São Paulo
2006-2009: Coritiba