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Cuidados

Os desafios do tratamento contínuo da tuberculose

A tuberculose é considerada uma das 10 principais causas de morte no mundo. No Brasil são registradas por ano cerca de 4,5 mil mortes pela doença. Apesar de ter cura, o abandono do tratamento é o principal motivo para a tuberculose ainda continuar provocando mortes. O tratamento é gratuito, ofertado no Sistema Único de Saúde (SUS) e dura, em média, seis meses. Apesar da melhora dos sintomas já nas primeiras semanas após início, a cura só é garantida ao final do esquema terapêutico.

“A melhora a partir do início do tratamento não é sinônimo de cura. A cura só vem com o tempo de tratamento, que precisa ser seguido até o final, e a confirmação por exame laboratorial”, afirma a coordenadora do Departamento de Vigilância das Doenças de Transmissão Respiratória de Condições Crônicas do Ministério da Saúde, Denise Arakaki.
No Brasil, de cada 10 pessoas que iniciam o tratamento, pelo menos uma abandona o uso dos medicamentos. A interrupção do tratamento antes da conclusão pode levar o paciente à resistência aos antibióticos ou mesmo a complicações que podem levar a óbito. Além disso, pode aumentar o risco de transmissão da doença para outras pessoas. Por isso, o tratamento diário e contínuo é fundamental para a cura da doença, que teve 75 mil novos casos registrados no ano passado no país.

Em 2009, o aposentado Ronaldo Gonçalves Ferreira sentia fortes dores na coluna e procurou atendimento médico para investigar a causa. Depois de vários exames e falsos diagnósticos, ele começou o tratamento contra a tuberculose óssea, por indicação médica.
“Eu cheguei a ficar sem andar, fiquei em cadeiras de roda, perdi o movimento da perna esquerda, doía muito e tinha dificuldade grande de locomoção. Os médicos pensavam ser uma hérnia, até que o neurologista pediu um exame específico. E em 20 dias depois de iniciar o tratamento contra a tuberculose, eu já tive uma melhora bem considerável”, lembra.

Ronaldo enfrentou o que, para o Ministério da Saúde, ainda é um problema preocupante de saúde pública. A tuberculose acomete principalmente os pulmões, mas pode afetar outros órgãos, como foi o caso do Ronaldo. Ela é transmitida a partir do espirro, da tosse ou da fala de uma pessoa que esteja com a tuberculose pulmonar. Somente a forma pulmonar é contagiosa.
Após inalar o bacilo da tuberculose, ele pode ficar alojado no corpo durante vários anos e se manifestar quando há um comprometimento do sistema imunológico. As situações mais comuns são: infecção pelo HIV, diabetes e uso prolongado de corticosteroides.

A coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde, Denise Arakaki, explica que é complexo o controle da tuberculose. “Eu posso inalar o bacilo, o sistema de defesa do corpo faz ele dormir por muitos anos e quando o sistema imunológico se deprime, por conta do envelhecimento ou de outra doença, o bacilo da tuberculose se desperta. Então, por isso é difícil acabar com essa doença na história da humanidade. Por isso ela é de difícil controle”, explica.


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Tuberculose
A tuberculose pulmonar é a mais comum em todo o mundo. Entre os sintomas, o principal é a tosse persistente, com ou sem catarro. Mas, é preciso reparar no emagrecimento sem causa aparente, na febre baixa no final do dia e no suor excessivo durante a noite. Também pode haver cansaço intenso e a falta de vontade para atividades cotidianas. “Apesar da forma mais comum ser a pulmonar, outros órgãos podem ser afetados pela doença. Os sintomas variam de acordo com o órgão acometido”, esclarece Arakaki.

Diagnóstico e tratamento

  • No Brasil, tanto o diagnóstico quanto o tratamento da tuberculose estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Os medicamentos para tratar a doença não podem ser encontrados à venda, em farmácias. “O tratamento das formas sensíveis da tuberculose dura no mínimo seis meses, com medicação diária. E o das formas resistentes é feito em unidades de referência, e duram de 18 a 24 meses. Tuberculose tem cura, mas o tratamento deve ser feito até o final”, ressalta a coordenara.
  • A vacina BCG, prevista no Calendário Nacional de Vacinação e aplicada em crianças ao nascer (ou até os 4 anos, se nunca tiver sido vacinada), previne as formas graves da doença. “Além da vacina BCG, outra forma de prevenir o adoecimento é avaliar as pessoas que tiveram contato com pessoas com tuberculose pulmonar. Os contatos que foram infectadas pelo bacilo podem receber medicamento para prevenir a evolução para doença. Pessoas vivendo com HIV devem ser avaliadas anualmente para ver se estão infectadas pelo bacilo da tuberculose e também devem receber o medicamento para prevenção”, explica a coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose.
  • Em geral, após 15 dias de tratamento, as pessoas infectadas já não transmitem mais a doença.


Novo enfrentamento

  • No caso de Ronaldo, infelizmente, em 2017, a doença voltou. Ao sentir dores, ele novamente buscou atendimento médico e foi comprovado o novo diagnóstico da doença. O tratamento foi retomado com medicamentos e agora ele foi considerado curado. “Hoje eu sinto dor, porque ficam sequelas. Mas é algo suportável. Eu consigo pegar um carro, consigo sair, consigo fazer uma caminhada. Já no auge da tuberculose, eu não conseguia fazer nada, passava o dia inteiro deitado, com dor, ânsia de vômito, náuseas e perdi peso. É horrível”, destaca.
    SUS garante o tratamento
  • O diagnóstico e o tratamento da tuberculose estão disponíveis no SUS. O tratamento das formas sensíveis da tuberculose dura no mínimo seis meses, com medicação diária. E o das formas resistentes é feito em unidades de referência, e duram de 18 a 24 meses.
    Como acontece a transmissão?
    No nosso podcast, Denise Arakaki explica tudo o que você precisa saber sobre a tuberculose. A doença é infecciosa e transmissível de pessoa para pessoa. Afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos e/ou sistemas.
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