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Paleontólogos criam bonecos de dinos brasileiros cientificamente corretos

SÃO CARLOS, SP (FOLHAPRESS) - Cansado de ver tiranossauros e brontossauros genéricos e malfeitos infestando as lojas de brinquedos do país, um time de paleontólogos resolveu produzir suas próprias réplicas de dinos, com design cientificamente correto e retratando espécies típicas do Brasil pré-histórico.

O primeiro representante genuinamente tupiniquim da Era dos Dinossauros, o superpredador Carcharodontosaurus, deve começar a chegar às mãos dos compradores em setembro, diz o pernambucano Tito Aureliano, mestrando em geociências pela Unicamp e um dos coordenadores do projeto, batizado de Dino Hazard Brinquedos Colecionáveis.

Aureliano e mais dois colegas, Aline Ghilardi, pesquisadora de pós-doutorado na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), e Rafael Delcourt, que também realiza pesquisas de pós-doutorado na Unicamp, são os responsáveis pelo selo de qualidade científica dos bonecos.

Os pequenos monstros de plástico idealizados pelo trio e pelo paleoartista Hugo Cafasso já ultrapassaram a meta de R$ 22 mil estabelecida em seu site de financiamento coletivo, o que significa que a produção dos primeiros dinossauros (cerca de 1.000 unidades) já está garantida.

"A gente quer exportar a nossa ciência de um jeito diferente, na forma de um produto", resume Aureliano. Com efeito, é quase impossível achar brinquedos inspirados na fauna extinta do Brasil, e são igualmente raros os bonecos que sejam representações fiéis de qualquer tipo de dinossauro.

"Como a paleontologia de dinossauro tem avançado a passos largos, a gente quer refletir esse conhecimento mais recente nas réplicas", diz o pesquisador. Detalhes como a textura da pele, as nervuras perto do focinho e pequenas áreas recobertas com formas primitivas de penas estão entre as características refinadas pelo trabalho do grupo.

Além disso, o parentesco entre dinos e aves (elas, no fundo, não passam de dinossauros bípedes de pequeno porte) transparece no aspecto de "frango" do boneco. "Ele parece um pouco inchado, mas não é gordura, é a presença de sacos de ar, como nas aves."

Com cerca de 100 milhões de anos, o Carcharodontosaurus é um dos maiores carnívoros de todos os tempos. O bicho podia ultrapassar os 13 m de comprimento e chegar às 15 toneladas. Seus fósseis -- em geral bastante fragmentados -- aparecem tanto no norte da África quanto no Maranhão (é preciso lembrar que, na época, o Atlântico ainda estava se abrindo, depois de dezenas de milhões de anos nos quais África e América do Sul faziam parte do mesmo supercontinente).

Depois do megapredador, está nos planos da equipe produzir bonecos de dois grandes herbívoros quadrúpedes e pescoçudos, o Amazonsaurus e o Tapuiasaurus (ambos com cerca de 12 m); um caçador de porte modesto aparentado aos tiranossauros, o Santanaraptor (na forma adulta, poderia chegar aos 3 m); e o Irritator, um bicho semiaquático que devorava peixes (na reconstrução, ele terá um pequeno papo, lembrando o dos pelicanos).

Há ainda os pterossauros, répteis voadores cujos fósseis costumam ser encontrados em excelente estado de preservação na chapada do Araripe, no sertão cearense, mas o caso desses bichos é mais complicado do ponto de vista industrial por causa da técnica necessária para reproduzir a membrana fina de suas asas, explica o paleontólogo.

Ambição, de qualquer modo, não falta à equipe. Além de ampliar a coleção de bonecos de espécies brasileiras, Aureliano está trabalhando em dois livros de ficção científica ligados a esse universo (a primeira parte da trilogia, Realidade Oculta, saiu em 2016 e está sendo publicada em espanhol e inglês). Também estão sendo preparadas versões em quadrinhos, produzidas pelo artista Márcio Castro, e videogames inspirados na saga "" segundo o paleontólogo, esses últimos terão visual nostálgico, que remete aos jogos de computador dos anos 1990.

Interessados em contribuir com o projeto vão receber, como recompensa pelo apoio, cópias do dinossauro brasileiro. Quem contribui com R$ 80 recebe versões em cores sólidas, como laranja e verde; a contribuição de R$ 480 dá direito a uma peça com qualidade de museu. Também há versões intermediárias.

É possível contribuir pelo site https://www.kickante.com.br/campanhas/dinohazard-collectibles.

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