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Partidos tradicionais perdem espaço para 'nanicos' e siglas novas no Paraná

(Foto: Roberto Jayme / TSE / Divulgação)

Os partidos tradicionais estão perdendo espaço no cenário político paranaense por conta do desgaste provocado por seguidos escândalos de corrupção e o surgimento de novas siglas – desde 2002, o número de partidos ativos no país cresceu 34,6%, saltando de 26 para 35 neste ano.

De acordo com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compiladas pelo Bem Paraná, em 2002 os sete maiores partidos do Paraná (PFL, PMDB, PDT, PP, PSDB, PT e PTB) somavam juntos 77,182% dos filiados no Paraná – o que representava 602.950 de um total de 6,66 milhões de eleitores.

Hoje, esses mesmos partidos (considerando que o PFL e o PMDB simplemente mudaram de nome, chamando-se hoje DEM e MDB) somam 65,412% dos filiados, com 682.019 de um total de 7,97 milhões eleitores.

'Nanicos' e siglas novas em crescimento

O espaço perdido pelos partidos tradicionais tem sido ocupado, em grande medida, por siglas criadas em anos recentes, como PRB (criado em 2006), PSD (em 2011), PSOL (em 2004), PROS (em 2013) e Solidariedade (em 2013). Hoje, as cinco siglas somam 5,253% do total de filiados, com 54.800 eleitores.

Com exceção ao PSOL, todas as demais legendas citadas no parágrafo acima integram o chamado “centrão”, um bloco fisiológico considerado fundamental para a famigerada governabilidade – em suma, qualquer postulante ao Palácio do Planalto precisará do apoio dessas legendas para conseguir governar.

Recentemente, inclusive, o Centrão já deu demonstrações de sua força na Câmara dos Deputados ao apoiar a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Casa, em 2015, e ao barrar o andamento das duas denúncias que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou contra o presidente Michel Temer no ano passado, a primeira por corrupção passiva e a segunda por obstrução da Justiça e organização criminosa.

Além dos novos partidas, siglas até então com menor expressividade também começaram a “encorpar” mais recentemente. Os casos de maior destaque no Paraná são o do PV e o do PSC. Há 16 anos, o Partido Verde tinha 1,096% dos filiados (8.559 eleitores). Hoje, já soma 2,75% (28.668). Já o Partido Social Cristão, que em 2002 somava 2,843% (22.207), hoje conta com 4,371% dos filiados (45.598).

Fragmentação atinge também a Alep e a Câmara dos Deputados

Essa maior fragmentação do eleitorado também se refletiu na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Nas eleições gerais de 2002, 23 dos 30 deputados federais eleitos pelo Paraná (76,7% do total) pertenciam aos sete maiores partidos políticos do estado. Já em 2014, nas últimas eleições gerais, apenas 16 dos eleitos (53,3% do total) estavam filiados a alguma dessas siglas.

Entre os deputados estaduais, há 16 anos as sete maiores siglas do estado ocupavam 38 das 54 cadeiras na Alep, o equivalente a 70,4% do total. Nas últimas eleições, esse número já havia caído para 29 (53,7%).

Filiados aos partidos tradicionais
(dados de junho de cada ano)

DEM
2018: 6,889% (71.550 filiados)

2002: 8,617% (67.313 filiados)

MDB
2018: 18,023% (188.007 filiados)
2002: 21,085% (164.715 filiados)

PDT
2018: 7,278% (75.914 filiados)
2002: 8,056% (62.934 filiados)

PP
2018: 10,794% (112.597 filiados)
2002: 14,621% (114.219 filiados)

PSDB
2018: 8,399% (87.612 filiados)
2002: 8,850% (69.137 filiados)

PT
2018: 7,419% (77.385 filiados)
2002: 7,742% (60.484 filiados)

PTB
2018: 6,610% (68.954 filiados)
2002: 8,211% (64.148 filiados)

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