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Polêmica

Tiago Nunes revela desgaste no Athletico e conta que chegou a pedir demissão

Tiago Nunes em entrevista coletiva, nessa quarta-feira
Tiago Nunes em entrevista coletiva, nessa quarta-feira (Foto: Valquir Aureliano)

O técnico Tiago Nunes concedeu entrevista coletiva nessa quarta-feira (dia 6) pela manhã, em um hotel em Curitiba. Ele falou sobre sua saída do Athletico Paranaense, confirmada na terça-feira (dia 5). Contou que não assinou contrato com nenhum clube e descartou que vá assumir o Corinthians em 2019. Disse que tem quatro propostas e que vai escolher uma delas a partir de hoje.

Na coletiva, Tiago Nunes revelou que teve desgastes dentro do Athletico nos últimos meses. E contou que chegou a pedir demissão em junho, devido à maneira como o clube tratou o caso de doping de Camacho e Thiago Heleno. Veja os temas abordados pelo treinador.

SAÍDA DO ATHLETICO
Da maneira que o treinador do Athletico é exigido, gera desgaste, gera embates, embates positivos. Quando você consegue passar por etapas, com conquistas, me senti completando um ciclo. A não permanência para 2020 passa por isso, pela busca de novos desafios,
pela busca de me provar. Sou um competidor. Nunca busco a zona de conforto, sempre busco novos desafios. O Athletico tem esse fim de ano maravilhoso, com o time no G6 e já campeão da Copa do Brasil. Me senti muito a vontade para não ficar para 2020. Me coloquei a disposição para o presidente Petraglia para ficar até 8 de dezembro, para ajudar na transição para 2020. Ele não aceitou. Entendo que no futebol atual não tem espaço para rivalidade entre o treinador que sai e o treinador que chega.

CORINTHIANS
Todas as especulações, contatos, têm chegado ao meu agente. Ele é que tem tomado a frente. Sempre evitei esse contato, não conversei com nenhum dirigente do Corinthians ou de clube algum. Sempre fiquei muito preocupado com a responsabilidade que eu tinha com o Athletico.
Meu vínculo com o Athletico sempre foi verbal, por mais que exista um contrato. Oportunidades vieram e sempre fui muito leal ao presidente Petraglia. Mas agora sinto que nesse momento se encerra um ciclo. O papel do treinador do Athletico se envolve com toda formação (categorias de base) e com o mercado. Isso provoca divergências. Normalmente concordo com algumas coisas e discordo de outras. Em 2020, algumas dessas discordâncias poderiam se potencializar.

REAÇÃO NEGATIVA DA TORCIDA
Compreendo totalmente as manifestações de insatisfação. Da minha parte sempre vai haver carinho. Minha história convergiu com esse momento de vitórias e conquistas do Athletico. A gente criou um laço muito forte. Essas reações são naturais, mas muito pelo processo como esse processo foi conduzido pelo clube. Se o clube tivesse entendido minhas razões, teríamos um final de ciclo mais equilibrado. O que foi construído pelos atletas e pela comissão técnica nunca será esquecido. Peço que o torcedor tenha muito carinho com o novo profissional que vai assumir aqui.

RELAÇÃO COM PETRAGLIA E PAULO ANDRÉ
Meu relacionamento com o presidente Petraglia sempre foi em altíssimo nível. A conversa de ontem foi em alto nível. O Paulo sempre foi um atleta questionador. Quando muda para gestor, ele percebe que as coisas não são simples quando você tem que pensar nos outros também. O Paulo sempre foi uma relação muito franca comigo. A insatisfação que eu tive com ele sempre falei diretamente para ele. Ele sabe disso.

SALÁRIOS
Financeiramente não foi o ponto mais forte. Tive quatro convites desde o ano passado e todos foram maiores que a proposta apresentada nesse momento. Em nenhum momento fiz contra-proposta ao Athletico. Sempre perguntei ao Athletico qual a melhor proposta que poderia fazer. Ponto. Nunca forcei para entrar em debate ou leilão. Não foi o que me moveu. O que me move é o desafio, de ser melhor do que eu já fui.

FINAL DE 2019
Agora é poder descansar com minha família. Não tenho nada acertado com nenhum clube.
O que acontecer a partir de agora vou conversar com o Luis Paulo (agente) e com a dona Fernanda (esposa).

CORINTHIANS É UM ‘TRAMPOLIM’ PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA
Meu foco, quando eu treinava o Bagé na terceira divisão do Gaúcho, era chegar na segunda divisão. Quando eu estava na segunda, era chegar na primeira. Minha busca sempre foi por melhorar, por qualificação. Não tem como estabelecer um limite para meus desafios.
Questão de visibilidade não é o que eu busco. Os patamares que eu tinha aqui no Athletico eram suficientes para que eu pudesse viver muito bem. O que eu busco não é visibilidade, é desafio.

INSATISFAÇÃO COM O ATHLETICO
Ano passado, em 2018, eu até o dia 28 de dezembro eu não sabia qual seria minha condição no Athletico. Passei todo dezembro após a conquista do Sul-Americana sem saber. Virei o ano sem saber se eu seria o treinador principal ou se seria interino, e qual minha condição de salário. Pensando também no bem do clube solicitei à direção qual seria minha condição para 2020. E foi me passado que o investimento seria o mesmo desse ano, com perda de jogadores importantes.

DOPING
Acabávamos de vencer o Boca por 3 a 0, daí perdemos jogadores importantes, como o Renan (Lodi), e daí o doping, tudo isso sem reposição. Aquela demissões (de integrantes da comissão técnica) foram injustas, vinculando o nome deles a esse caso (de doping). Falei isso para o presidente e para o Paulo André também. Foi um momento que eu quase deixei o clube também. Cheguei a solicitar minha saída.

NOTA OFICIAL DO ATHLETICO
Recebi a nota. Já esperava aquele tom. Já aconteceram dispensas anteriores. Então eu sei que aquilo não é um sentimento dos jogadores, dos colaboradores, da comissão técnica e da maior parte do torcedor. É um sentimento de insatisfação dos gestores do clube. Vai de encontro que eu tomei a decisão correta. Se existia tanto rancor, tanto sentimento de ódio, talvez não fosse para eu continuar mesmo.

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