Poirot é redescoberto e desvenda o ‘Assassinato no Expresso do Oriente’

29 novembro, 2017 às 20:54  |  por Lycio Vellozo Ribas

Em tempos recentes, o cinema deu roupagens novas para Sherlock Holmes, Tarzan e Drácula, personagens clássicos da literatura do fim do século 19 e começo do século 20. Dito isso, até que demorou para os produtores tirarem o detetive Hercule Poirot do limbo. Poirot é um dos principais personagens criados pela escritora Agatha Christie – a outra é a detetive Miss Marple – para seus contos de investigação policial. Há tempos Poirot não aparecia no cinema, mas ele volta, com bigodão e tudo, à telona.

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E quem o interpreta é Kenneth Branagh, na refilmagem de ‘Assassinato no Expresso do Oriente’, uma das principais obras de Agatha Christie e que teve uma consagrada adaptação para o cinema em 1974. Agatha talvez reclamasse da releitura de Poirot, que agora sai mais para a ação e até luta no corpo a corpo – uma demanda para os filmes de hoje, mas incompatível com o que a escritora concebeu; o detetive usa apenas o cérebro para resolver problemas.

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Branagh não apenas interpreta Poirot, mas também dirige o filme. E isso significa dirigir um grande elenco, incluindo Michelle Pfeiffer (a ainda elegante madame Hubbard), Judi Dench (a esnobe Princesa Dragomiroff), Olivia Colman (Hildegarde Schmidt, a serviçal da princesa), Willem Dafoe (o professor Gerhard Hardman), Johnny Depp (o escroque Ratchett), Derek Jacobi (o mordomo Edward Masterman), Penélope Cruz (a missionária Greta Ohlsson), Daisy Ridley (a jovem Mary Debenham) e outros menos cotados, como Tom Bateman (o bom vivant M. Bouc), Lucy Boynton (a Condessa Andrenyi), Sergei Polunin (o Conde Andrenyi), Josh Gad (o contador Hector MacQueen), Manuel Garcia-Rulfo (o latino Marquez), Marwan Kenzari (o condutor Pierre Michel) e Leslie Odom Jr. (o médico Arbuthnot).

Na trama, Poirot entra de última hora no Expresso Oriente, saindo do Oriente Médio rumo a Londres, passando por vários países da Europa dos anos 30. O trem carrega uma diversidade de personagens, sendo um deles bastante peculiar: Ratchett. Ele acaba assassinado dentro do trem. Para azar do assassino, o trem acaba parando após uma avalanche, o que dá tempo para Poirot investigar. Nisso, o detetive descobre que Ratchett não é quem diz ser e que todos ali no trem tinham um motivo para matá-lo.

Algumas peças do quebra-cabeças da investigação podem soar como soluções canhestras, principalmente quando se compara Poirot com outro detetive famoso, Sherlock Holmes. Uma questão de estilo. Enquanto sir Arthur Conan Doyle faz do raciocínio de Holmes a mola-mestra para suas histórias, Agatha Christie tem como ponto forte a construção dos personagens. A ponto de suas histórias sempre terem uma aristocrata, um indiano (ou alguém que esteve na Índia) e uma referência a veneno. Branagh respeita e reverencia isso no filme. Mas também acrescenta elementos próprios, como o grand-finale que lembra a santa ceia de Jesus Cristo. Isso o credencia a, eventualmente, comandar uma nova aventura de Poirot – ‘Assassinato no Expresso do Oriente’ contém uma referência a ‘Morte sobre o Nilo’, outro dos grandes sucessos de Agatha Christie. Poirot, até que demorou, foi redescoberto como  potencial protagonista de uma franquia para o cinema.

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