A arquitetura da madeira

13/04/10 às 00:00 nikp@uol.com.br
Capa do livro de Nego Miranda quatoriano Oswaldo (foto: Divulgação/Cultural Office)

O Cultural Office e a Caixa Econômica Federal convidam para a abertura hoje, terça-feira, às 19h30, da exposição “Igrejas de Madeira do Paraná”, na Galeria da CAIXA Cultural Curitiba (Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Mezanino Informações 41 2118-5114). Está prevista também uma visita guiada por Nego Miranda às 19h, no mesmo dia e local.O projeto “Igrejas de Madeira do Paraná” do Cultural Office foi selecionado pelo edital de “Ocupação dos Espaços da CAIXA Cultural”, para 2010.  Fundamentada em um segundo livro com a mesma denominação, a mostra apresenta fotografias de Nego Miranda, resultado de um amplo e longo trabalho de pesquisa realizado pelo fotógrafo e pela arquiteta Maria Cristina Wolf de Carvalho.  Assim, a exposição tem como objetivo principal revelar aos brasileiros os marcos mais expressivos de uma arquitetura que povoou o sul do Paraná no final do século 19 e boa parte do século 20. Sua principal característica era o uso da madeira em suas diversas construções, principalmente nas igrejas, o que vem a revelar a presença de ucranianos, poloneses, italianos e alemães no Paraná. Também é necessário destacar que, além de ser a matéria prima mais acessível aos habitantes do interior do estado, a abundância de madeiras de qualidade ou de lei nas matas paranaenses – não esquecer do pinheiro – propiciava a melhor forma de sobrevivência destas construções. E é exatamente este aspecto que possibilita – tanto tempo depois – o registro pela fotografia dos mais diversos exemplares conservados de construções típicas. Revelando suas origens etnográficas através da disposição e do uso das madeiras, estes povos europeus nos legaram uma herança notável tanto na forma como no efeito alcançado pela disposição muitas vezes artística das tábuas e pormenores de madeira. Este tipo de trabalho não existe mais e nem pode ser reproduzido, pois é devido às artes especializadas dos marceneiros e construtores daquela época. Por outro lado, o extenso trabalho realizado pela dupla pesquisadora-fotógrafo, se constitui como um verdadeiro garimpo na procura das jóias arquitetônicas espalhadas pelos quase 200 mil quilômetros quadrados de nosso Estado. Este esforço no registro fotográfico garantiu não somente o seu mais alto nível, uma vez que são fotos de Nego Miranda, quanto o resgate e a guarda para a posteridade das imagens de construções passíveis de desaparecimento, seja por fatores climáticos, ambientais, de conservação ou até mesmo pelo próprio decorrer do tempo. No início de sua carreira, ou mais precisamente em 1969, Nego Miranda demonstrou primeiramente um grande interesse pela arte cinematográfica e foi para o Rio de Janeiro, onde freqüentou um curso de cinema no Museu de Arte Moderna. Daí passou a trabalhar na Abracan Filmes e foi assistente de Pedro Paulo Lazzarini até 1975. Retornando a Curitiba, estuda filosofia e inicia seus trabalhos com fotografia na publicidade. Com grande preocupação social, o fotógrafo registra o cultivo da erva mate com a série Os homens verdes; apresenta na Funarte do Rio de Janeiro a exposição O Trabalho, registra as indústrias madeireiras, a arquitetura tradicional de madeira do Paraná, o tabaco em Havana e faz ensaios sobre o nu. É interessante notar que pelo fato de Miranda gostar de cinema e ter realizado o curso no MAM do Rio de Janeiro, em sua linguagem fotográfica permaneceu um modo narrativo. Qualquer foto de Miranda, num certo sentido, conta uma história. Suas fotografias não se resumem ao flagrante registrado por outros fotógrafos e nelas se percebe claramente um recorte que não é somente o registro do instantâneo. É muito mais um tempo congelado pelo clic que capta um momento de uma seqüência de ações, momento este que supõe o passo anterior e sugere a sua continuidade. Assim, suas fotografias não somente tratam da ação retratada per si como conseguem ser inseridas numa espécie de seqüência perceptível que prevê a ação seguinte. Mesmo que a foto não venha a comprovar sua continuidade, o que é claro, uma foto é restrita na bidimensionalidade do papel, ela atravessa as fronteiras usuais da fotografia e se inclui numa poética lírica que provoca outras imagens que podem vir a lhe dar a continuidade. Então, suas fotos criam seqüências no pensamento, o que se pode comprovar nesta exposição, cujo motivo revela a sua preocupação com o registro do tempo e do espaço. Nego Miranda teve publicados os seguintes livros: A História do Mate. Rio de Janeiro: Editora Salamandra, 1998; Engenhos e Barbaquás. Curitiba: Edição dos autores, 1998 e Igrejas de Madeira do Paraná. Curitiba, pela Cultural Office, 2005 e com design gráfico por Guilherme Zamoner.  A exposição “Igrejas de Madeira do Paraná” permanece aberta na Galeria da CAIXA até 16 de maio, de terça a sábado, das 10h às 21h e nos domingos, das 10h às 19h.

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