E-book: oportunidade para reinvenção de editoras

Consultores apostam em mudanças de hábito dos leitores e migração do impresso para o digital

12/08/10 às 00:00 - Atualizado às 20:54 Carla Peralva- Agência Estado
Para criador do Digg, leitura pode se tornar uma experiência
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O livro digital é como o gás encanado. O produto é idêntico ao que chega pelo botijão — mas você só precisa abrir o registro para usá-lo. A comparação é de Zeca Fonseca, autor que publicou eletronicamente seu primeiro livro, “O Adorador”, e só depois recorreu ao papel para divulgar sua obra. Para ele, os e-books vieram para difundir todo o conhecimento criado pelas pessoas, mas de forma mais rápida.
Mike Shatzkin, fundador e CEO da The Idea Logical Company, que presta serviços de consultoria sobre toda a cadeia produtiva do livro, acredita em uma mudança de hábitos dos leitores e prevê que os livros digitais superarão em poucas décadas, em quantidade e em preferência, seus primos impressos. Ele falou, nesta semana, sobre o futuro do livro no Fórum Internacional do Livro Digital, evento apresentado antes do início da Bienal do Livro de São Paulo (que acontece entre os dias 12 e 22 no Anhembi).


Só nos EUA, o mercado editorial eletrônico mais que duplica a cada ano. A Amazon, por exemplo, já experimenta os efeitos dessa migração: em um ano, a venda dos mais de 630 mil títulos de e-books representaram um crescimento de 200%, superando a de livros de papel.
Pessimistas preveem o fim das editoras, mas a maioria dos especialistas acha que esse é o momento certo para elas se reinventarem. O americano Mark Coker aposta em um modelo de publicação digital baseado na autonomia dos autores e na interatividade entre leitores. Em 2009, criou a plataforma Smashwords, que hoje já conta com mais de 6.500 autores profissionais e centenas de independentes.
Funciona assim: o autor formata seu livro de acordo com um manual disponível no site e sobe o arquivo de Word no Smashwords. O site converte-o para o formato certo dos livros digitais e disponibiliza nas maiores lojas de e-books, como Kindle Store, iBooks, Sony Reader Store e Barnes & Noble. Quem determina o preço é o próprio autor, que fica com 85% da receita gerada pelas vendas (menos as taxas cobradas pelo serviço de pagamento online), contra o máximo de 25% pagos pelas grandes editoras americanas.


Esse é um modelo em que autores independentes têm mais facilidade para lançar seus livros no mercado, sem que precisem passar pelo crivo das editoras. Coker diz que não considera justo um editor julgar a obra de alguém e decidir quanto ela vale levando em conta seu potencial de venda. Para ele, o autor deve ter o direito de decidir como seu livro será oferecido aos leitores. “Todos têm o direito de publicar um livro, de fazer parte da literatura”, diz.
O risco da pirataria é superestimado, segundo Coker. Sim, no ambiente digital é mais fácil copiar livros e deixar de pagar direitos autorais. Mas o criador do Smashwords crê que os leitores estão dispostos a pagar para ler eletronicamente e que travar um arquivo — como faz a maioria das revendedoras de e-books, com o DRM — é tratar o leitor como um criminoso.

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