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Frente republicana na Câmara deve frear ação de Obama

Em janeiro, tomarão posse os 435 novos deputados e 33 senadores eleitos ontem

03/11/10 às 00:00   |  Agência Estado

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se verá em difícil situação para seguir com sua agenda de "mudança" a partir de janeiro, quando tomarão posse os 435 novos deputados e 33 senadores eleitos ontem. A nova composição do Congresso deve dificultar a tramitação de projetos da Casa Branca e tornar a agenda interna e externa do país mais conservadora, iniciando um período de intenso conflito entre republicanos e o governo.

A reconquista da maior parte das cadeiras da Câmara dos Representantes pelo Partido Republicano e a redução da maioria democrata no Senado foram confirmadas hoje. Os resultados começavam a ser apurados na Costa Leste - ontem à noite, no horário de Brasília. As urnas da Costa Oeste, do Alasca e do Havaí ainda estavam abertas. O instituto independente The Cook Political Report estimava que 50 a 60 cadeiras da Câmara passariam do controle democrata para o republicano.

Segundo Robert Pastor, diretor do Centro para Democracia e Administração Eleitoral da American University, por mais que o presidente Obama mostre-se aberto ao diálogo com a oposição sobre suas futuras iniciativas, o Partido Republicano se mostrará inflexível. Esse comportamento foi observado nos 22 meses de gestão de Obama.

Os projetos ambiciosos da Casa Branca, como as reformas dos planos de saúde e do sistema financeiro, o pacote econômico de US$ 700 bilhões e a ajuda a bancos e grandes empresas, somente foram aprovados porque os democratas detinham a maioria nas duas Casas nesse período. Ainda assim, foi necessário um tremendo esforço de negociação com a base.

A Câmara deverá ser presidida, a partir de janeiro, pelo deputado republicano John Boehner, de Ohio. Sua agenda trará como principal desafio o bloqueio à política da Casa Branca de fomento da economia a partir de dedução de impostos para a classe média e a pequena e média empresas. Boehner insistirá no corte de gastos públicos como meio de reduzir o déficit fiscal, de US$ 1,3 trilhão, o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) americano.

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