Mãe ou profissional, eis a questão!

06/01/14 às 00:00 Por Ronise Vilela - ronise@bemparana.com.br

A pergunta é antiga, mas são as respostas que variam de acordo com o tempo. Questionar maternidade e carreira parece obsoleto no século 21? Não, não é. O dilema ainda persiste diante de uma sociedade ainda não adaptada para a mulher multifuncional.

Contratar alguém para cuidar do filho não é apenas uma questão financeira. A decisão requer confiança, cuidados para não melindrar a babá e contar com a sorte para que a funcionária não adoeça ou tenha contratempos, pois em caso contrário, corra para o telefone ver se alguém pode ficar com seu filho, a avó está disponível ou recorra ao momento de compreensão de sua chefia.

E as escolas? Ainda funcionam no horário da década de 60, quando as mulheres tinham todo o tempo do mundo para buscar os filhos às 17h30. Vamos tentar raciocinar: qual trabalho termina expediente antes desse horário?
Por essas e outras questões, a decisão maternidade e carreira continua com seus contornos da dúvida, de um cronograma que tenta encaixar horários, pessoas e rotas de forma equalizada. Mas, nem todas as mulheres conseguem encontrar o ponto certo e tomam uma decisão única: ou a maternidade, ou a carreira.

Dá para conciliar?
“Não existe modelo ideal, existe a melhor escolha para você na sua situação de vida atual. É importante entender que cada mulher enxerga a maternidade de forma diferente. Conciliar em família com seu companheiro que estilo de vida terão após filhos e principalmente como será a vida financeira. Pausar ou empreender requererá uma revisão do orçamento doméstico”- analisa a coaching para mães Dani Salles.

Segundo a especialista, planejar é fundamental. “Reflita sobre os seus interesses pessoais, o que você gosta de fazer? O que me motiva? Seja inclusiva e não restritiva. Suas habilidades, o que você sabe fazer? Sou criativa, gosto de executar ou mais de planejar. Para um produto ser percebido com excelência pelo cliente é necessária a integração de 8 grandes habilidades de trabalho. Como seres humanos temos 3 ou 4 mais fortes, mais espontâneas e desenvolvidas, por isso saber formar uma equipe ou ter o sócio complementar é tão importante para ganhos e resultados. Sua rede de contatos, outro ponto importantíssimo, é movimentar seus relacionamentos, compartilhar as suas ideias. Circule, pesquise e esteja aberta a criar novas amizades, quando se busca com sinceridade conhecer os outros, florescem as melhores realizações humanas. Encontrar qualidades em outros é sabedoria”, orienta Dani.

Por enquanto, conciliando...
A jornalista Paula Zarth Padilha, de 31 anos, conseguiu encontrar um ponto de equilíbrio entre a carreira e a maternidade. Pelo menos enquanto a filha Carolina, de 1 ano e 1 mês está na escola de educação infantil, cujos horários são bem mais flexíveis. “Eu tive sorte, pois na empresa onde trabalho já é aplicada a extensão da licença-maternidade para 180 dias. Então quando eu tive que voltar a trabalhar, Carolina estava com sete meses. Já estava se alimentando com frutas, almoço e janta”, detalha Paula.

Ela também encontrou nas brechas nos intervalos para suas atividades pessoais e para ter um momento do dia com a filha, resolveu almoçar na escola com ela. “A diferença na rotina antes e depois da minha filha foi a necessidade de adaptação do transporte e nas tarefas do dia a dia. Eu não poderia mais fazer os trajetos de ônibus, como anteriormente. E tive que contratar uma diarista semanal. Agora tenho um carro para poder levar a Carolina onde for.
Escola, pediatra, vacina, passeios, mercado. A bagagem é demais: Carolina, bebê conforto, coberta, bolsa da Carolina, bolsa do serviço, chave de casa, chave do carro e, ocasionalmente, guarda-chuva. Para ser mãe de bebês precisamos de um pouco de tudo, mas a recompensa é infinita. O melhor abraço do mundo”, resume Paula.

Mãe 100%
Carla Meira Scheffer, 48 anos, fez uma escolha apedrejada pela sociedade pós século 20. É 100% mãe. Graduada em Comunicação Social, ela tem um casal de filhos adolescentes. “Quando me perguntam o que eu faço, digo que sou “casalinga”, que é dona de casa em italiano. Sou dona de casa, sem drama, sem complexo de culpa”, assim se define Carla. “Antes de me casar fui office-girl, baby-sitter, modelo, locutora, quando me formei em jornalismo, fui redatora, radialista, DJ, trabalhei com jingles. Quando decidi ser mãe, me bateu uma insegurança e resolvi em comum acordo com meu marido que não iria confiar as crianças com babá, nem empregada. Talvez seja trauma de infância. Na minha modesta opinião, a maternidade é o projeto mais ambicioso da vida de uma mulher.”, revela.

Eu, Ronise, já vivi todas as experiências. A de viver a carreira sem filho, a de ter filho trabalhando (em meio período com salário menor e tempo mais livre) e agora carreira em tempo integral. Qualquer decisão terá perdas e ganhos. Acredito que, se possível e viável, vale muito a reflexão de que modo se pretenda viver.

** Na última coluna Filhos & Família “Não é não, ou não?” leia-se 8 anos em vez de 18 anos, como foi publicado

Ronise Vilela é jornalista e mãe. Sugestões de pauta podem ser enviadas para ronise@bemparana.com.br

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