Curitiba tem a maior proporção de famílias endividadas do País

30/09/17 às 13:28 Redação Bem Paraná

Curitiba era em dezembro de 2016 a  capital brasileira com maior proporção de famílias endividadas: 87%. Os dados são da sétima edição da Radiografia do Crédito e do Endividamento das Famílias Brasileiras, elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O estudo avalia os principais aspectos e as dimensões da política de crédito no Brasil entre 2014 e 2016, período em que o País foi exposto a fortes instabilidades políticas e econômicas.

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De acordo com a pesquisa, Curitiba também tem a segunda maior dívida mensal média por família, de R$ 2.236, valor 2,1% menor do que em dezembro de 2014. Florianópolis, em Santa Catarina, permanece no segundo lugar do ranking, com 86% das famílias com algum tipo de dívida.

O alto endividamento constatado na Região Sul do País é um reflexo da renda de seus moradores, que está acima da média nacional. Curitiba tem o terceiro maior rendimento médio mensal por família no Brasil, de R$ 7.026, enquanto a média é de R$ 4.188 em todo o Brasil, e R$ 5.859 entre as capitais. Em Porto Alegre, a média é de R$ 6.704, e em Florianópolis, R$ 5.593.

Porto Alegre também se manteve acima da média nacional de endividamento em 2016, com 71% das famílias com dívidas. Diferentemente de Florianópolis – que vem diminuindo timidamente seu endividamento em 2014, 2015 e 2016, com taxas de 88%, 87% e 86%, respectivamente –, a capital gaúcha vem aumentando seu endividamento ao longo dos últimos três anos, registrando 53% (2014), 68% (2015) e 71% (2016).

Os três Estados da Região Sul são responsáveis por 15% do total das dívidas no Brasil. Apesar do grande número de famílias endividadas, estão pouco acima da média nacional quanto ao comprometimento da renda com dívidas: enquanto entre as capitais brasileiras o comprometimento médio é de 30%, em Porto Alegre é de 31,1%; em Curitiba, de 31,8%; e em Florianópolis, de 32,5%.

Dados nacionais

Oscilações da política monetária desde 2014 impactaram a percepção dos consumidores e balizaram suas decisões de compra, que se tornaram mais racionais. Afetadas pela crise – que encareceu o crédito e gerou desemprego –, mais de 280 mil famílias brasileiras ajustaram suas contas e deixaram de ter dívidas no período entre dezembro de 2014 e dezembro de 2016, nas 27 capitais brasileiras. Em dezembro de 2014, 9,149 milhões de famílias residentes nas capitais tinham algum tipo de dívida. Em dezembro de 2016, esse número caiu para 8,869 milhões.

A pesquisa constatou que, apesar de apresentar um crescimento de 59% para 61% entre 2014 e 2015, o porcentual de famílias brasileiras endividadas nas capitais brasileiras caiu para 57% em 2016 como resultado do forte ajuste no consumo de bens duráveis em função da perda da renda e do temor pelo desemprego.

Enquanto o número de famílias no País cresceu 1,6% no período, o total de rendimentos mensal delas, que era de R$ 256,9 bilhões em 2014, caiu para R$ 256,8 bilhões em dezembro de 2016, diferença de 135 milhões (ou -0,1%). No mesmo sentido, a renda média mensal familiar passou de R$ 4.256,63 em 2014 para R$ 4.187,78 no fim do ano passado, queda de 1,6% em termos reais. Diante dos efeitos negativos da crise sobre a renda, as famílias se tornaram mais racionais, evitando comprometer sua renda futura, o que resultou na diminuição do número de famílias endividadas. Esse comportamento fica evidente quando se observa a forte queda nas vendas de bens duráveis, dependentes de crédito para ampla maioria da população. Assim, o valor total mensal das dívidas também caiu 6%, o que representa R$ 1 bilhão em valores reais (diminuição de R$ 16,8 bilhões para R$ 15,8 bilhões). Essa queda tem relação direta com a alta na taxa de juros para pessoas físicas, que saltou de 49,3% em 2014 para 72,4% em 2016.

O valor da dívida média mensal das famílias também baixou de R$1.832 para R$1.777 no mesmo período, recuo real de 3%. O nível de comprometimento médio da renda com dívidas se mantém estável há seis anos, por volta de 30%, patamar considerado adequado.

O estudo feito pela FecomercioSP também detalha o nível de endividamento nas capitais brasileiras. Em São Paulo – que detém o maior número de dívidas por ter a maior população do País –, contrariando o movimento nacional, houve aumento da parcela de famílias endividadas: de 43% para 52%. A Região Sudeste detém 43% de participação na média total das dívidas.

 

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