Abusadores

20/12/17 às 21:17
(foto: Franklin de Freitas)

Coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol criticou ontem a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de proibir as “conduções coercitivas”, muito utilizadas pela operação para ouvir pessoas suspeitas de envolvimento com corrupção e outros crimes. “O ministro Gilmar impôs a todas as investigações do país sua visão como se fosse a única admissível. Nas entrelinhas, chama milhares de juízes, delegados e promotores de abusadores. Alega suposta urgência, mas as conduções coercitivas são admitidas há décadas nos tribunais”, reclamou Dallagnol.

Anulação
“A visão do ministro Gilmar sobre delações e conduções coercitivas mina bases sobre que a LavaJato se desenvolveu. Decisão de hoje sobre conduções exclui interpretação divergente, qu é razoável e acolhida historicamente nos Tribunais, e pavimenta o caminho para a anulação de provas”, avaliou o procurador.

Tiroteio
A vereadora Noemia Rocha (PMDB) e o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, Serginho do Posto (PSDB), protagonizaram um bate-boca na sessão de ontem da Casa. O motivo foi um requerimento de Noemia propondo um “voto de louvor” à Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Jardim Natália, que completou 50 anos de fundação. Noemia acabou pedindo a retirada de pauta do requerimento, , após vários vereadores reclamarem por ela ter acusado o tucano de avançar sobre sua base. É que na véspera, pedido semelhante dele foi aprovado em plenário.

Conversão
Noemia chegou a brincar sobre Serginho do Posto se converter à religião dela, e perguntou a vereadores de outras denominações se era comum eles frequentarem cultos de outras igrejas somente em busca de iluminação espiritual. “Vamos parar de hipocrisia”, disse a vereadora “pois se um vereador fizer um voto (de louvor) para a sua comunidade, você vai estranhar”. No final, ela pediu desculpas.

Preconceito
Serginho do Posto foi duro ao dizer que os comentários da vereadora foram sinal de preconceito religioso e que ele conhece várias pessoas dessa igreja da Assembleia de Deus, “que fica a uma quadra da minha casa, na qual eu tenho vários amigos, que me pediram essa homenagem”. “Eu sou católico praticante, e tenho muito respeito pela comunidade evangélica, então acho que não há mais espaço para esse preconceito de credo”, devolveu o presidente da Câmara.

Delegacias
A Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (ADEPOL) protocolou uma carta-denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre o problema da superlotação das carceiragens das delegacias do Estado. Na carta, a entidade relata o que chama de “quadro caótico de violação à Direitos Humanos decorrentes da custódia ilegal de presos em delegacias de polícia” no Paraná. O documento busca dar início ao procedimento previsto no art. 41 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.
Violações
“Nossa expectativa agora é que a Carta-Denúncia seja aceita e que já na próxima reunião da Comissão possamos iniciar o procedimento previsto no art. 41 da Convenção, sendo o Estado Brasileiro chamado a dar explicações sobre as graves violações de Direitos Humanos que estão ocorrendo no Paraná, face a omissão e a incompetência do Governo do Estado em resolver essa problemática”, diz o diretor jurídico da ADEPOL, Pedro Filipe de Andrade.

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