Por segurança, motoristas de aplicativos de Curitiba criam ‘botão do pânico’

Dispositivo ajuda no trabalho dos mais de 3 mil profissionais que participam de grupo

11/01/18 às 23:00 - Atualizado às 16:10 Rodolfo Luis Kowalski
Emblema do grupo de motoristas que se uniu pela segurança: respeito (foto: Ernani Ogata)

A máxima “a união faz a força” está sendo levada ao pé da letra por motoristas de aplicativos de Curitiba. Para sobreviverem à violência das ruas, eles se reuniram em pelo menos seis grupos diferentes que contam com uma espécie de ‘botão do pânico’ que pode ser acionado em situações de risco, alertando os demais motoristas que o colega precisa de apoio.
Em Curitiba, o maior desses grupos é o Driver Elite Club (DEC), que conta com cerca de 3,1 mil cadastrados. Não é cobrado nenhum tipo de taxa dos motoristas que se cadastram, sendo exigido apenas que eles se dirijam até a sede do clube, na
Rua Domingas Scroccaro Marochi, 403, no bairro Umbará, para começarem a participar.
Embora não dê maiores detalhes sobre como funciona o sistema por uma questão de segurança, Marielen Salvaia, diretora disciplinar do D.E.C., explica que se trata de uma série de aplicativos utilizados em conjuntos que permitem aos motoristas avisarem os colegas quando estão passando por alguma situação de risco, como um roubo, ou mesmo quando estão indo para algum lugar mais perigoso.
“Os aplicativos não nos oferecem nada de segurança e também não adianta a gente exigir da Segurança Pública, que é falha. Então ele (botão do pânico) surgiu por conta da necessidade de proteção maior, principalmente a noite”, explica Marielen. “Toda a nossa turma tem o sistema e são monitorados. Cuidamos uns dos outros, desde uma pane no carro até um passageiro incomodando”, explica.
Desde a criação do sistema de segurança, as ocorrências envolvendo motoristas do grupo que chegam às delegacias foram reduzidadas a praticamente zero, afirma Wanderson José, conhecido como Catra, fundador do DEC. “A bandidagem, inclusive, já está ligada. Quando os caras vão para a maldade, já ficam de olho se o carro tem nosso adesivo, perguntam se é caveira”.

Ocorrência
Um exemplo foi uma ocorrência registrada no final do ano passado, na Vila Zumbi, em Colombo. Na ocasião, duas pessoas solicitaram uma corrida até um McDonald's na região, onde pediram dois milk shakes. O motorista logo estranhou a situação, uma vez que apenas o valor da corrida já seria superior ao dos produtos comprados.
“Eles fizeram o motorista voltar para a Vila e começar a rodar, mas o cara acionou o botão de alerta. Vimos a localização dele e dois veículos que estavam próximos começaram a seguir. Os meliantes perceberam, pediram para o driver parar e saíram correndo do carro”, conta Catra.

‘Não fazemos abordagem, só acompanhamento’
De acordo com Marielen Salvaia, diretora disciplinar do D.E.C., os dias e horários que concentram mais ocorrências são os finais de semana, de quinta-feira a domingo, principalmente no período da madrugada. Ela conta ainda que os motoristas parceiros já tiveram de lidar de tudo, desde sequestros, motoristas tendo de fazer de aviãozinho para traticante até passageiros armados querendo roubar o veículo.
Ao atenderem uma ocorrência, contudo, jamais fazem a abordagem do veículo cujo motorista está em risco, apenas acompanhamento. Quando necessário, acionam as autoridades. “Se largarem o motorista em algum lugar, resgatamos ele e levamos para o nosso QG ou para a delegacia. Já se o motorista for mantido no carro, seguimos até o fim e acionamos as autoridades”, expolica Marielen.
Agilidade
Os participantes do Driver Elite Club, inclusive, garantem: sempre que há uma ocorrência envolvendo um parceiro, chegam ao local antes da Polícia Militar. Um dos fatores é o grande número de motoristas de aplicativos espalhados pela cidade. Outro – e que explica a exigência de o cadastro ser feito pessoalmente – é a gama de informações que o sistema de segurança disponibiliza em caso de emergência.
“A gente sempre chega mais rápido que a polícia e até damos um apoio para eles, porque temos todas as informações na mão – placa do veículo, localização do automóvel, telefones para contato, foto do motorista. Isso tudo acaba facilitando muito para eles”, conta Wanderson José, o Catra. Mas, segundo o grupo, sempre que há uma situação grave, a polícia é chamada, porque só ela pode fazer esse tipo de abordagem, especialmente em casos de assalto.

1 Comentário

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Raquel Cardoso
As funcionalidades do botão de pânico são muitas. O botão de pânico também oferece segurança aos idosos, um exemplo de botão de pânico feito para esse fim é o Click Help. No site explica detalhadamente como ele funciona. www.clickhelp.com.br
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