Arquivos da categoria: Geral

Casa Cruz

3 maio, 2010 às 17:15  |  por Jussara Voss

Se você quer badalação em Buenos Aires, esse é um dos endereços a ser visitado. Sem identificação na porta, o local mais parece um clube, existe há cinco anos em Palermo e sempre está lotado. Imponente, pé-direito alto, cortinas vermelhas, tapete de oncinha, bar oval na entrada, que se impõe depois de cruzar uma grande porta dourada, pesadas cortinas vermelhas, enorme adega entre o salão e a cozinha, pouca luz e boa música. Algo teatral demais. Os superconfortáveis sofás, em veludo, se não me engano, grande arranjos e coquetéis variadíssimos impressionam, junto com o restante da decoração. Mas, eu iria só para um aperitivo no começo da noite, um “arranca”. As ostras e o steak tartare estavam divinos. Já o prato principal ficou quase intocado, uma roubada. É a segunda casa do chef  Germán Martitegui, que já tem cinco anos, a primeira é o Olsen, de cozinha escandinava, com oito anos. O Tegui é o último, com pouco mais de um ano de funcionamento, talvez, por isso, o melhor, comparando com o Casa Cruz que conheci, não visitei o Olsen, que dizem ser muito bom. Na hora de escrever o post fui pesquisar novamente nos meus blogs de referênci e vi que os comentários, todos positivos, eram de 2007 e 2008, acho que alguma coisa mudou…

TOMO I

3 maio, 2010 às 17:00  |  por Jussara Voss

A propaganda foi tão grande que a expectativa era enorme. Talvez o erro foi não ter pedido o menu-degustação, mas as opções, incluindo frango e outros ingredientes sem expressão, entre as três entradas, três pratos e três sobremesas com taças de vinho, 200 pesos, não inspiraram. Além do cardápio que é grande, ainda tinha um seleção especial, que foi o que atraiu a atenção. Correto, com alguns pratos se sobressaindo, entre eles a sobremesa. A pequena casa bem decorada das irmãs Ada and Ebe Concaro, instalada no mezanino do hotel Panamericano, em Buenos Aires, na minha modesta opinião, comparando com restaurantes com estrelas Michelin, é uma pedida bacana, só isso.  Lendo a apresentação do cardápio, eu esperava algo diferente.


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Casa Sur Hotel: indico

3 maio, 2010 às 16:38  |  por Jussara Voss

Em Buenos Aires, indico o Casa Sur Hotel, na Recoleta. Charmoso “hotel-butique”, pequeno, com atendimento excelente e bem localizado. O quarto era enorme, com dois banheiros, mas acho que não são todos assim. Na Recoleta. Bem minha cara. Li comentários positivos sobre o restaurante do hotel, não provei, mas estava sempre bem frequentado.

Buenos Aires

3 maio, 2010 às 00:00  |  por Jussara Voss

Com pouco tempo em Buenos Aires, consegui conhecer o clássico TOMO I, o bacana “demais” Casa Cruz e o vanguardista Tegui. Experimentei os sorvetes cremooosos do Un’Altra Volta e Persicco, dulce de leche, é claro, na “melhor esquina de Buenos Aires” (Cabello y Salguero), que deixam saudades, faltou os do Freddo, com várias lojas espalhadas na cidade,  e encontrei, finalmente, os chás incomparáveis da Ines Breton. Na escondida galeria Promenade ao lado do Hotel Alvear, perco a respiração, emocionada, paro a vida e entro na loja dela que já preparou chá até para Dalai Lama e trata a bebida com o devido respeito. Um lugar para se visitar sempre. Além de chás, volto com um livro e um “coladore” de bambú.  Nessa estada, andei por Palermo Viejo, que inclui Palermo Hollywood e Palermo Soho. Conto tudo amanhã, com fotos, prometo. Um  chá, uma comida, um vinho, quando bem preparados, fazem com que eu conheça outros mundos e viva outra vida. Por isso, sigo viajando em busca da harmonia, aqui ou em qualquer lugar, devo achar um sentido e, um dia, “partir flotando”…

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O dia em que o ovo poché não deu certo

2 maio, 2010 às 20:17  |  por Jussara Voss

Depois de acordar disposta a por em dia alguns assuntos, precisei dormir meia hora, tenho que comentar o fiasco que foi eu fazendo ovo poché no jantar para amigos. Não é fácil, mas não tenho como explicar minha desastrada performance: porque eu sei fazer ovo poché! Meu desespero maior foi constatar que a minha amiga, sem prática nessa técnica, não errava um. E a intensão era fazer só a gema caipira “encapsulada”, e não um ovo inteiro, com quinua, uma especialidade da chef Roberta Sudbrack, que eu já fiz. Agora não adianta reclamar, cozinha não é treino constante? Sem fotos, nem do “coq au vin”, porque depois de horas de cozimento é melhor não mostrar a cara do frango, meu nível de exigência é alto, eu sei, e não fiquei tão satisfeita com o resultado. Por que eu continuo duvidando de mim, eu não sei responder. Mas mudar o nome do blog para “o dia em que o ovo poché não deu certo” não, ah, isso não…

Slow Food, coq au vin, tiramisú e amigos

1 maio, 2010 às 13:23  |  por Jussara Voss

Entretida com a preparação de um “coq au vin”, que precisa marinar um dia inteiro, para um jantar confirmado na última hora, não consegui atualizar o blog nos últimos dias. Não tenho prática de cozinhar para muita gente, por isso, é impossível não ficar atrapalhada e lá se foi algum tempo, bom tempo, é claro, pois o aroma do preparo da velha receita da pequena localidade francesa de Auvergne que ficou famosa na Borgonha, e leva vinho Beaujolais, da uva Gamay, ou a substituta Pinot Noir, e o prazer de “comer junto” com amigos deixa lembranças. Antes de sair para finalizar o prato, fui conhecer a quantas anda o Movimento Slow Food, que agora tem um representante atuante no Paraná desde outubro de 2009. O ex-reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Roberto Antunes dos Santos (foto), é o líder do movimento aqui.

Muito além de “comer devagar”, o movimento “slow food” surgiu em 1986 na Itália e transformou-se em instituição sem fins lucrativos em 1989 em resposta ao “fast food”, ao gosto pasteurizado, a cozinha industrializada, ao ritmo acelerado, em como isso afeta o mundo etc. Hoje, tem mais de 120 mil membros e está em mais de 150 países, e em alguns estados brasileiros, aqui instalado como Convívio Província do Paraná. Qualquer pessoa pode participar, é só se cadastrar no site e pagar uma taxa anual de R$ 15,00 e ajudar a espalhar bons hábitos. Voltar a “comer junto”, respeitar o prato e o planeta, divulgar a educação do gosto e ensinar que os alimentos têm história, é assim a filosofia do movimento fundamentado em três pilares: “bom, limpo e justo”, e que mostra seu trabalho por meio de ações em escolas públicas, por exemplo, provando que é possível ter alternativas para se viver mais e melhor, com prazer.

Nesse dia fiquei surpresa em conhecer o trabalho da Prefeitura Municipal de Curitiba, por meio do Departamento de Educação Alimentar, da Secretaria Municipal de Abastecimento, que promove cursos no nosso Mercado Municipal e, em 2009, ensinou 26 mil pessoas a, resumidamente, comer melhor. Desconhecia. “Cada um fazendo a sua parte seremos um povo mais saudável”, disse o diretor do departamento. Opa! Acho que esse caracol, símbolo do movimento Slow Food ainda vai dar o que falar, “porque tudo começa em casa”, escutei lá. Então, fui fazer a minha parte, corri para encontrar os meus frangos caipiras, que viveram felizes, soltos e bem alimentados, e uma grande panela de ferro. Assim passei as minhas últimas horas: cozinhando, comendo, bebendo. Compartilhando.

Meu tempo ainda teve o recheio de alegria de encontrar um tiramisú, não um qualquer, mas o publicado na última edição da revista Gosto. Eu e a minha amiga tentamos fazer o doce em outro jantar sem muito sucesso, mas vendo a receita do chef Roberto Ravioli, que vende 1.200 porções por mês nos seus restaurantes, sabia que não erraríamos. Sem dúvidas, acertamos. E já estou com vontade de repetir. Não posso deixar de agradecer o empenho da anfitriã, incansável em achar ingredientes de qualidade para a noite em torno da amizade, boa comida e bebidas. A história do doce italiano da região do Vêneto servido pelas cafetinas aos seus clientes nos bordéis foi a “gota cultural do ágape – a refeição de confraternização -”  e responsável por muitas risadas, das muitas da noite. Quer as receitas? Acho que tem que comprar a revista que traz um passo a passo perfeito, ou escreva que eu envio. Só achei o twitter da publicação. Será que alguém quer comentar os vinhos?

Feijão do João

1 maio, 2010 às 11:16  |  por Jussara Voss

João Guilherme Leprevost volta com o seu “feijão do João”. É neste sábado e a renda do almoço vai para a Fundação Pró-Renal Brasil. Ãs 12h, no Bar Brahma.

Vinho Madeira

28 abril, 2010 às 17:47  |  por Jussara Voss

Saindo de uma consulta, olhei para o relógio, telefonei para saber se não atrasaria o início da degustação e dei meia-volta no caminho de casa, deixando o cansaço e uma pilha de posts me esperando, afinal, a Ilha da Madeira tinha aparecido nas fotos de uma viagem recente de amigos e ganhado a minha atenção, pois é, simplesmente, não consegui ignorar a prova de alguns vinhos desse lugar paradisíaco, que pouco sabia a respeito. Sorte minha.

Lá onde o céu é perfeito, a ilha não tem poluição, o solo é vulcânico e sem nutrientes, a natureza nos presenteia com uma bebida especial. O pH  muito baixo do solo dá a estrutura e acidez características do vinho fortificado que ganhou o mundo e fama há muito tempo. O diretor comercial da vinícola, Júlio Fernandes, contou tudo sobre os vinhos da Justino’s para uma plateia de interessados.

Além dos detalhes da produção, Fernandes contou que o vinho da Madeira existe graças aos ingleses que o descobriram e lideraram o comércio da bebida. Na história contada, por acaso, acho que descobri a origem de uma brincadeira da infância. A caminho da praia, as crianças sempre ficavam ansiosas para saber quem gritaria: “primeiro a ver o mar”. Imagino que a origem está no fato de que os portugueses ficavam nas varandas altas das casas dos ingleses esperando para  avistar os navios na costa, porque quem gritasse, “primeiro a ver o navio”, ganhava parte no negócio. Diferentemente do seu primo vinho do Porto, o Madeira não recebe aguardente e tem uma aceleração rápida, com mais tempo de fermentação, passa por uma espécie de “banho-Maria”. A grande riqueza das empresas da ilha é poder guardar “pras  calendas”, contou Fernandes. O vinho fica esperando a demanda em toneis para só então ser engarrafado e fica cada vez melhor com o tempo. Até pode oxidar, explicou o diretor. “O oxigênio só melhora o vinho”, no caso do Madeira, que precisa de 10 a 15 anos para ganhar qualidade. “Quanto mais velho melhor e a garrafa pode ficar na vertical. Só é preciso paciência”, sentenciou. Outro detalhe: pode ficar um a dois anos aberto, o que é uma grande vantagem. Como outros países fazem vinho Madeira? “É um crime. Vinho Madeira é só da Ilha da Madeira”. Claro. Para acompanhar sobremesas, queijos, ou aperitivo é ideal. Vinho jovem, de três anos, é para cozinhar. “Quer usar outro similar, ‘um falso’? “Cada um usa o que quer, eu gosto de ter qualidade”, declara abertamente. Eu também.

Eu elegi o Justino’s 1995 como meu preferido da noite. Quando senti o aroma de figo seco entrei em alfa. É, quanto mais tempo melhor. A degustação dos vinhos da Justino’s aconteceu no hotel escola do Centro Europeu, num evento realizado em parceria com a importadora Porto a Porto.