Château Reynon
Entrei em Bordeaux com estilo. Afinal, ser recebida por um grande especialista numa das regiões produtoras de vinhos mais famosas do mundo não é pouca coisa. Foi assim que iniciei a viagem por terras bordalesas. Segundo dia na França, fiz o meu “debut” no tapete vermelho estendido por ninguém menos que um dos mais respeitados produtores da região: Denis Dubourdieu, da terceira geração de uma tradicional família de viticultores.
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Com ele – agrônomo, professor de enologia na Universidade de Bordeaux, enólogo e reconhecido especialista, autoridade em vinhos brancos, acabo de descobrir que foi consultor na modernização dos famosos e cobiçados Sauternes do Château D´Yquem – eu e meus companheiros de viagem tivemos uma aula magna. Uma oportunidade para poucos.
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Subimos até o topo da colina ao lado do château principal, andamos entre os parreirais e finalmente pudemos provar as uvas – parte da paisagem que acompanha os visitantes o tempo todo numa das mais veneradas regiões produtoras de vinhos do planeta. Não ficamos somente nas uvas, provamos os vinhos também e compartilhamos da simpatia e generosidade do produtor.
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Gostaria de ter publicado este post assim que sai de lá para não perder nada do que tinha experimentado e poder transmitir as sensações e os sabores revelados, não consegui e quase um mês já se passou. Mas sabe de uma coisa? Não me esqueci de nada. Ainda recordo muito bem aquela tarde, a degustação, o passeio pelos vinhedos, o silêncio, a música erudita de fundo musical e nós um tanto calados, um pouco cansados da viagem, um pouco embasbacados com tudo o que víamos. Meio desbravadora de um novo capítulo, foi como me senti, conheci um pouco da cultura vinícola de Bourdeaux, cidade classificada como patrimônio histórico da humanidade pela Unesco.
A 35 km ao Sudoeste de Bordeaux, as propriedades da família estão localizadas entre dos dois lados do rio Garonne. Lá a poda e a colheita são manuais e os solos não recebem herbicidas, demonstrando todo o respeito pela qualidade do produto. Ficamos impressionados com a limpeza dos parreirais localizados em um excelente terroir e com uma ótima relação de qualidade e preço dos vinhos. Mas como produzir bons vinhos? “Não é uma tarefa fácil, não somos como uma indústria, aqui não tem precisão, são processos naturais e exigem muito trabalho e envolvimento em todas as etapas”, ensina Dubourdieu.
A família tem cinco propriedades, com uma área total de 120 hectares: Château Doisy-Daëne: Barsac Sauternes e Bordeaux Blanc Sec; Château Cantegril: Sauternes; Château Reynon: Premières Côtes de Bordeaux, Bordeaux Blanc Sec e Cadillac; Clos Floridene: Graves Rouge e Graves Blanc; Château Haura: Graves Rouge e Cérons.
Na visita, degustamos nove dos 14 vinhos produzidos, uma bela amostra. Château Reynon (82% Merlot, 13% Cabernet Sauvignon, 2% Cabernet Franc e 4% Petit Verdot). Frutado e com toque floral, o vinho produzido desde 1958 é muito agradável. Agradou bastante.
O Château Haura (61% Cabernet e 39% Merlot) produzido desde 2002 em terras férteis na região de Graves é aveludado, com toque defumado e floral, elegante e equilibrado.
Clos Floridene Graves (44% Sémilliom, 55% Sauvignon e 1% Muscadelle). Eles também usam a combinação de nomes, aqui, Denis com Florence Dubordieu, Floridene – um vinho complexo produzido em Graves desde 1982 pelo casal. É um bom acompanhamento para carnes.
Le Rosé de Floridene (Cabernet Sauvignon e Merlot) é uma agradável surpresa de cor forte coral, com aromas florais marcantes. Ótimo acompanhante para comidas leves e frutos do mar, ideal para um aperitivo também. Seco e harmonioso. Foi escolhido o “rosé” do ano pela revista Gula em 2008.
Château Reynon Sauvignon Blanc (100% Sauvignon Blanc) produzido em pequena escala e em excelente terroir são responsáveis por um vinho elegante e com aromas de frutas cítricas ótimo para acompanhar frutos do mar e pratos mais elaborados.
Château Doisy-Daëne (100% Sauvignon Blanc) é muito aromático, com notas florais e de pêssegos. Bem fresco e muito bom.
Clos Floridene Graves (55% Sémillon, 44% Sauvignon Blanc, 1% Muscadelle) tem aroma intenso de frutas cítricas e notas minerais, é um vinho de cor dourada, fresco e gastronômico. Pode ser degustado agora, mas, de acordo do Dubourdieu, pode ser guardado até 10 anos.
Château Cantegril (70% Semillon e 30% Sauvignon Blanc) é um Sauternes, um vinho de sobremesa aromático e nada enjoativo. Um representante digno da região de Barsac. Acompanha bem foie gras e os queijos “azuis”.
Château Doisy-Daëne (70% Semillon e 30% Sauvignon Blanc) é um vinho sofisticado, delicado e complexo. Especial e de sabor intenso. Um grande Sauternes. Claro, estamos diante de uma joia.
Dificuldade em como definir tantos sabores, sigo o professor que nos ensinou: “tome o vinho que gostar sem preocupações”. Com certeza, para quem estava lá, foi uma grande aula. Visite o site http://www.denisdubourdieu.com/ e conheça mais detalhes sobre esses artesões do prazer. No Brasil, você encontra os vinhos da família Dubourdieu na importadora Porto a Porto e Casa Flora.


