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Acolhimento: uma atitude diante da depressão

A falta de informação pode ser a ponta do iceberg de algo chamado preconceito. Costumamos ter medo e julgamentos daquilo que não sabemos muito ou que nossa educação baseada em religião, bate-papos e opiniões equivocadas formam pontos e vista sobre determinadas doenças comportamentais. A depressão atinge 322 milhões de pessoas no planeta, e 5,8% dos brasileiros, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de agosto de 2018. Estima-se que 50% das pessoas nunca foram diagnosticadas já apresentaram, apresentam ou vão apresentar os sintomas. Aqui vamos tratar da doença na fase adulta.

Mas como podemos identificar uma simples tristeza, dias de baixo astral com a depressão propriamente dita? Conversei com a psicoterapeuta holística e hipnóloga Marina Fontoura, para esclarecer de forma clara e didática atitudes que podem num primeiro momento apontar um quadro de depressão. De acordo com ela, a doença pode ter gatilhos em estados de luto, rompimentos de relações afetivas (qualquer tipo), traumas de infância e sensações de não pertencimento diante das regras e modelos impostos pela sociedade.

Depressão Mascarada - “A depressão às vezes parece uma sombra, algo que vai envolvendo e crescente, mas você continua sua atividade social, porém não se encaixa. Ver todos felizes, menos você, o que é uma mentira. Todos usamos uma máscara para convivência social, ninguém quer ser chato ou inconveniente e muitas vezes com isso mascaramos a depressão”, explica Marina.

Em alguns casos, pessoas alegres e motivadas começam a entrar num quadro nebuloso e outras já com características mais introspectivas, questionei se é possível a auto-percepção ou isso somente pode ser visto de fora. “Os gatilhos vêm de diferentes formas, como perdas amorosas, de todas as instâncias, de situações vividas na infância. Acho perigoso quando falamos se é apenas químico ou comportamental, porque cada caso é particular. Recomendo investigações médicas, alterações hormonais e outros quadros neurológicos. Sou terapeuta holística, vejo o todo, não analiso de forma fragmentada. Então a situação clínica e comportamental estão associadas. Mas nos casos de influências químicas, é necessária uma investigação mais aprofundada, para saber da necessidade medicamentosa no processo”. Essa explicação ao meu ver, derruba o mito de que a terapia ignora o paciente em sua plenitude, porque somos mais do que pílulas, somos energia.

Acolhimento - Em vez de julgar, achar ainda que é apenas frescura ou mau-humor excessivo e até timidez, perceba se alguém que está ao seu lado, que você ama ou se preocupa está bem. Pergunte, acolha. “Acho que precisamos tratar esse acolhimento com mais compaixão e entre as mulheres com sororidade. É a dor alheia. A depressão está muito ligada a autoestima fragilizada, encoberta por essa sombra”, ilustra a psicoterapeuta. “ É importante entender que a depressão é uma energia e exerce uma força dentro do nosso contexto psicológico e isso acaba dominando a pessoa que se vê sozinha, então é importante ela ser acolhida e encaminhada para meios que possam ajudá-la. Remédio auxilia no sintoma, não na causa. Terapia é importante para recuperação”, finaliza.

Então gente, menos julgamento e mais olhar para nós e quem amamos? Abaixo pequenas dicas que podem ser sinais sutis de depressão: apatia, isolamento, pensamentos negativos e suicidas, choro sem motivo aparente, vontade de dormir sem querer levantar.

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