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Oportunidade

Crise econômica ajuda a impulsionar mercado de produtos usados

Adriano Viana, da Caçadores  de Relíquias
Adriano Viana, da Caçadores de Relíquias (Foto: Franklin de Freitas)

Nos últimos anos, em decorrência da crise econômica que o Brasil atravessa, o poder de compra da população brasileira acabou caindo. Para o comércio como um todo, isso é uma péssima notícia. Mas há segmentos que conseguem transformar esse mau momento em oportunidade. E um deles é o setor de produtos usados que inclui brechós, sebos, lojas de relíquias e também os anúncios em plataformas online.

No Brasil, estima-se que exista cerca de 30 mil lojas virtuais voltadas para a venda de produtos usados ou seminovos, segundo levantamento da Loja Integrada (www.lojaintegrada.com.br). Além desse tipo de comércio evitar o descarte desnecessário de itens em bom estado que ainda podem ser úteis para outras pessoas, também garantem uma economia considerável: comprar um celular usado pode gerar economia de 50% a 70%, se comparado com o mesmo produto novo. Games (61%), Informática, (20%) e Moda e acessórios (7%) são outros segmentos que se destacam.

Em Curitiba, uma das empresas que se destacam nesse de produtos usados é o Brechó Casarão. Fundada há dois anos, a empresa é gerida por Edna Nonato Ribeiro Elias, que há 26 anos está no ramo dos brechós. Segundo ela, esse momento de crise econômica acaba sendo uma oportunidade para se conquistar novos clientes.

“Muita gente acha que com a crise o pessoal vem comprar mais nos brechós, mas se engana. O poder aquisitivo fica menor. Então se a pessoa antes compraria R$ 500 no cartão de crédito, agora vai gastar R$ 100”, explica ela.

“O que acontece é que mais pessoas começam a frequentar. Então tem de ser bem criativo, competente, porque é uma oportunidade para se conquistar novos clientes. A pessoa está desempregada, precisa de roupas novas para conseguir um emprego, e é bem mais em conta aqui. Produto bom com preço muito bom”, complementa.

Outra empresa que se destaca no segmento de produtos usados é a Caçadores de Relíquias, localizada no Campo Comprido e que vende praticamente de tudo: vinis, mobiliária, itens decorativos, games, livros, jornais... Fundada há seis anos (a loja física, uma vez que a virtual já existe há oito), a empresa se encaixa, segundo seu fundador, Adriano Viana, numa tendência mundial de sustentabilidade.

“É uma tendência mundial, porque é uma reciclagem. Os produtos não têm que ter descarte de lixo, têm de ser recomercializados”, aponta Viana. “Quem me vende geralmente é pessoal com um pouco mais de idade. Já quem vem comprar é pessoal a partir dos 16 anos até uns 40 e poucos anos. É um pessoal que gosta dessa cultura mais antiga, essas coisas que viam na infância. Ou até mesmo que não viveram, mas gostam duma coisa mais vintage.”

Desafio é achar o produto certo por preço bom

Adriano Viana, dono do Caçadores de Relíquias, comenta que recentemente seu negócio tem conseguido um maior fôlego devido à menor concorrência, já que desde que ele abriu a loja, há seis anos, muitos concorrentes acabaram tendo de fechar as portas. A maior dificuldade, explica ele, não é nem conseguir clientes, mas encontrar os produtos que irão atrair mais interessados.

“Logo depois que abri minha loja teve um boom, várias lojas abriram. Mas muitos não conseguiram se manter no mercado, que acabou ficando mais tranquilo, menos competitivo. Só que também tem menos produto para comprar. O problema no ramo às vezes não é falta de cliente, mas a falta de produto. Achar o produto até não é o problema, mas achar produto bom com preço bom para você comprar e revender”, diz o empresário.

Quantidade e qualidade das peças em alta

Proprietária do Brechó Casarão, Edna Nonato Ribeiro Elias comenta ainda que momentos como o atual, de crise econômica, acabam sendo, para os brechós, uma ótima oportunidade para se adquirir uma grande variedade de produtos bons, garantindo uma melhor oferta de produtos aos clientes. “Compramos o dia inteiro. Eu olho roupa e seleciono o dia inteiro. Há várias razões para venda. Gente com dinheiro demais, dinheiro de menos, gente que não repete coleção... São vários estilos. Mas a quantidade de peças, qualidade das mercadorias aumenta com a crise”, afirma a empresária.

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