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Governador derrota atriz de 'Sex and the City' em primárias democratas de NY

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - O atual governador de Nova York, Andrew Cuomo, derrotou nesta quinta-feira (13) a ativista e atriz Cynthia Nixon, que atuou na série "Sex and the City", na disputa pela candidatura democrata para as eleições de novembro ao governo do estado.

Com a vitória, Cuomo praticamente assegurou mais quatro anos à frente de um dos estados americanos que se coloca na linha de frente contra o republicano Donald Trump.

Agora, ele, que concorre ao terceiro mandato consecutivo, enfrenta o republicano Marcus Molinaro na eleição ao governo de Nova York, marcada para 6 de novembro, uma terça-feira. 

A tendência de Nova York de eleger um democrata se assemelha à do estado de São Paulo de eleger um tucano. O último republicano a governar Nova York foi George Pataki, entre 1995 e 2006.

Antes de Cuomo, o estado foi governado por Eliot Spitzer, eleito em 2007. Ele ficou pouco tempo no poder: em março de 2008, renunciou em meio a um escândalo envolvendo a investigação de uma rede de prostituição de luxo. Em seu lugar, assumiu o vice, David Paterson.

Nas primárias de 2014, Cuomo recebeu 62,2% dos votos, contra 34,3% da rival Zephyr Teachout —que, neste ano, concorre a procuradora geral de Nova York. 

Na eleição propriamente dita, o democrata derrotou o republicano Rob Astorino por 54% contra 40,6%.

Na campanha pela candidatura democrata, Nixon se posicionou no espectro da ala "socialista" do partido, tocando em temas que são bandeiras do senador Bernie Sanders, que disputou com Hillary Clinton a nomeação democrata na eleição de 2016.

Entre as promessas da atriz estavam aumentar impostos pagos por ricos e ampliar o financiamento a escolas públicas. Ela também defendia um sistema de saúde universal.

Na disputa democrata, Cuomo flertou com temáticas mais à esquerda, defendendo um salário mínimo de US$ 15 e ensino gratuito. Mas, de maneira geral, o governador se posiciona mais ao centro.

Se for bem-sucedido em novembro, Cuomo deve se consolidar como uma das principais vozes de oposição ao presidente Donald Trump. 

No único debate que teve com Nixon, em 29 de agosto, ele dirigiu seus ataques mais ferozes ao republicano, em vez de focar na concorrente.

Para Cuomo, Trump tem que ser "parado" por atacar temas tão caros aos nova-iorquinos, como meio ambiente, direitos das mulheres e imigração.

"Alguém tem que se opor. Alguém tem que pará-lo. Nova York sempre foi progressista, e Nova York deveria ser o estado a dizer: 'somos o estado alternativo a Donald Trump'. E não vamos deixar ele trazer essas políticas extremamente conservadoras a Nova York."

No mesmo debate, Cuomo negou ter intenção de abandonar o cargo no meio do caminho para disputar a candidatura democrata que possivelmente vai enfrentar o republicano nas urnas em 2020 nas eleições presidenciais. 

Questionado se terminaria o mandato de quatro anos, respondeu: "Sim, sim e sim. Duas vezes sim".

Mas o histórico familiar mostra ambições presidenciais. O pai do político, Mario Cuomo, foi governador entre 1983 e 1995. Ele considerou concorrer à Presidência em duas ocasiões, em 1988 e 1992, antes de desistir. 

Se ele decidir enfrentar Trump em 2020, a vitória em Nova York deve deixá-lo bem posicionado para a disputa pela candidatura democrata às próximas eleições presidenciais. Mas a luta no partido promete ser acirrada.

Elizabeth Warren, senadora por Massachusetts, já sinalizou a disposição de brigar pela nomeação democrata. Assim como Bernie Sanders, Joe Biden, vice do ex-presidente Barack Obama, e os senadores Cory Booker, de Nova Jersey, e Kamala Harris, da Califórnia.

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