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Cotidiano

Não adianta transformar escolas em prisões

A presença de armas de fogo nas escolas faz parte do cotidiano, segundo diretores de 1.427 unidades públicas que responderam ao questionário da Prova Brasil de 2007. Esse dado e o crime no Realengo, ontem, despertaram comentários ao longo do dia sobre maior proteção nas escolas, como câmeras, muros e até mesmo policiamento.

Mas a socióloga Miriam Abromoway alerta, entretanto, que medidas repressivas não resolverão o problema. De acordo com Miriam, tentativas de aparelhar escolas com equipamentos de segurança e policias, como as ocorridas em colégios de Nova York, não foram capazes de reduzir os índices de violência.

A secretária de Assuntos Educacionais do Sindicato dos Trabalhadores na Educação Pública do Estado do Paraná (APP-Sindicato), Janeslei Aparecida Albuquerque, vai na mesma opinião. O que nós queremos? Uma escola que se pareça com uma prisão, com muros altos, cerca eletrificada e câmeras? Ou uma escola integrada com a comunidade?, pergunta. Quem está numa prisão, não quer ficar lá dentro, completa.

Para Janeslei, apesar de trágico, o caso do Realengo não pode ser o motivo para uma paranóia nacional que esconda a verdadeira fonte da violência, não só nas escolas. Ainda há um aparato da violência que não foi desmontado no País. É uma cultura do medo. A solução, argumenta, não é polícia. A solução passa pelo social. Quem promete acabar com a violência aumentando efetivos policiais, está enganando a população. Você reduz a violência com mais políticas sociais.

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