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Comporte-se

Por que cobramos um pai maternal?

(Foto: Josh Willink no Pexels)

Mãe é mãe, costumamos dizer, numa alusão de que a maternidade é algo soberbo, sagrado, inquestionável, como se um botão automático fosse ativado para então emergir uma mãe prontinha, com todos os saberes. Nem preciso dizer que isso não existe, confere Coelho da Páscoa? 

E se o raciocínio começar pelo patriarcado? É importante rever toda a construção paterna na sociedade machista: pai é igual a status, provedor e autoridade e isso pulveriza em todos os aspectos da identidade paterna, que supostamente protege e manda. Na contramão disso, nascem os pais inseridos na educação dos filhos, na representatividade do seu amor, inverso ao modelo “como uma mãe”, pois como mesmo sabemos, mãe é mãe!

Disso tudo nasceu a expressão equivocada, o pai que ajuda. Desde troca de fraldas, banho, compromissos escolares até se envolver na carreira dos filhos, isso não é ajuda minha gente, isso é papel. Entretanto, não é mimetizar a mãe, é ser o pai mesmo e esse é o ponto: por que cobramos o pai maternal, se isso cabe às mães?

Os pais são diferentes - O que particularmente observo é um grupo bem volumoso de mulheres que dizem fazer papel de pai (sorry, isso não existe) e cobrar atitudes maternas deles. Na educação dos filhos, o jeito mãe e o jeito pai são importantes, assim com as relações com ambos. Aproveito o gancho e faço um apelo: jamais peçam para os filhos escolher entre pai e mãe quem é melhor, cada qual é bom do seu jeito?

Não é ser o advogado do diabo, mas a maturidade me fez ver que essa comparação é injusta. Aliás, injusta com todos os envolvidos. O pai é dicotômico por natureza, ao mesmo tempo, na maioria dos casos, traz consigo toda a educação paternalista e de autoridade (social machista) é o circo da relação. Os pais são os que mais brincam e viram de fato crianças, até no quesito irresponsabilidade, porque é da natureza deles. E tudo bem!!!

As mães geralmente (leia-se, cruelmente) estão mais cansadas pelas múltiplas tarefas e responsabilidades, mas não dá para querer que o pai seja mãe e vice-versa.

O papel do pai, da figura pai, do jeito pai nos dá um aplique da personalidade super importante. Pai costuma não falar mil vezes a mesma coisa, se posiciona. Mãe costuma flexibilizar. Aqui não quero retrata certo e errado, bom e mau, apenas o equilíbrio saudável das partes.

O pai precisa exercer sua identidade sem que cobrança de fazer como a mãe, seja na dobradura do papel, como veste a roupa do filho e até da comida. Os combinados são do casal, os filhos precisam viver essa relação da diferença.

Porque em qualquer relação, o amor parte da base da admiração, do respeito pelo que o outro é de verdade, com sua dor e delícia. Sobre os pais ausentes, creio que a consciência e o ciclo da vida cobra e as mães sejam quem são, sem substituição e sim, supermães!

*Ronise Vilela é criativa de conteúdo e desenvolvedora de Comunicação Afetiva.

Acompanhe o trabalho na redes sociais @dimondicomunicacaoafetiva e Dimondi  

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