Publicidade
Pentacampeão Kléberson

“Precisamos trazer de volta a ginga para a seleção brasileira”, afirma Kléberson

(Foto: Alex Livesey/Getty Imagens)

O Brasil vencer uma Copa América em casa não pode ser considerado uma surpresa. Já sediamos o torneio cinco vezes e, depois de derrotar o Peru por 3 x 1, a seleção conseguiu sua quinta vitória no torneio. Mas sugerir a vitória era certa, seria errado e também ignoraria o motivo de, após vários insucessos do Brasil em grandes competições, a conquista é tão significativa. 

Ainda assim, o desempenho ainda merece críticas, inclusive de um pentacampeão mundial de futebol, Kléberson, que deu entrevista exclusiva para o Sites de Apostas, comentando também sobre o desempenho da seleção feminina na Copa do Mundo.

 

O que achou do desempenho dos jogadores na Copa América?

O desempenho do Brasil na Copa América até agora foi sólido, mas não incrível. As equipes sul-americanas melhoraram nos últimos anos, especialmente a Venezuela, com jogadores mais jovens. O Brasil não está em um ótimo momento para a equipe nacional, para mim agora há muitas mudanças e alguns jovens jogadores vêm dando ao time de treinadores decisões difíceis de tomar. O Everton do Grêmio é um jogador que eu realmente gosto, ele marcou belos gols recentemente e saindo do banco tem jogado muito bem. Neste momento, ele é o melhor jogador do Brasil. Quando ele pisa em campo, ele não tem medo e está jogando como um brasileiro, ele quer criar espaços, passes, marcar gols.

Everton é jovem e joga no Brasil, então todo mundo vai querer contratar ele. É uma situação difícil para Firmino e Coutinho, estão sob muita pressão para jogar e precisam continuar a ter boas apresentações, caso contrário os fãs param de apoiar.

 

Falando em transferências, onde melhor se encaixaria Daniel Alves, que está atualmente sem contrato?

Eu queria que o Dani Alves viesse jogar aqui na MLS! Ele é um jogador fenomenal com uma qualidade incrível. Eu sinto que talvez poderia se encaixar bem no Liverpool e Klopp gosta desse estilo de jogador. Ele é muito técnico, rápido e tem um temperamento incrível nos grandes jogos. Ele é um vencedor.

 

Voltando a seleção nacional, qual o principal fator que está deixando a desejar no desempenho nos últimos anos?

O Brasil precisa melhorar muito, principalmente com as equipes de base. No último torneio em Toulon o Brasil foi ótimo, pois temos muitos bons jovens jogadores. Mas hoje, no futebol, é muito fácil colocar muita expectativa nos jogadores e jogá-los no time titular muito rapidamente para que o clube possa vender esses jogadores para receber dinheiro.

Às vezes o jogador não está 100% preparado e precisa melhorar mais na base antes de jogar no profissional. Precisamos jogar mais como esperam que os brasileiros devem jogar: todo mundo feliz, sorrindo e jogando com ging. Assim, o Brasil pode voltar a produzir bons jogadores como há alguns anos atrás como Ronaldo e Ronaldinho. Precisamos trazer essa ginga de volta para os jogadores brasileiros, porque somos jogadores criativos, sempre queremos oferecer algo diferente. Precisamos melhorar as novas gerações para o futebol”.

 

E como você avalia o desempenho da Argentina?

O técnico Scaloni, da Argentina, entrou com um novo estilo e, ao mesmo tempo, atraiu muitos jogadores jovens e novos. O time está em um momento de transição que até agora não está funcionando. Eles precisam construir sua equipe em torno de Messi, e eles não têm um estilo jogo. A Argentina tem muita paixão e precisa traduzir isso para o campo.

 

Outro grande torneio que aconteceu recentemente foi a Copa do Mundo feminina. Como você avalia o desempenho da seleção brasileira?

Fiquei muito triste com a eliminação do Brasil da Copa do Mundo Feminina, elas fizeram um grande jogo contra a França e durante toda a Copa do Mundo. Eles se saíram muito bem, particularmente porque o padrão para o futebol feminino no Brasil não é o mesmo padrão dos EUA, Inglaterra, França ou Holanda. Esses times têm mais orçamento e estrutura para se preparar melhor do que o Brasil, mas temos grandes jogadoras na nova geração. Eu entendo que a Copa do Mundo foi difícil de ser disputada, porque há muitas equipes boas e grandes jogadoras em outros países.

 

E como você avalia a seis vezes melhor do mundo Marta?

Tenho muito orgulho da Marta, porque ela venceu em um país onde muitas pessoas não se importam com o futebol feminino e, com isso, se tornou uma grande líder para a equipe. Ela é muito comprometida com a seleção brasileira e uma grande embaixadora para o nosso país.

Tenho muito orgulho da Marta e chateado porque um dia ela vai ter parar de jogar. Espero que o Brasil encontre outra jogadora com a mesma qualidade que possa levar o nosso futebol feminino a novos patamares.

Publicidade

Plantão de Notícias

Mais notícias

DESTAQUES DOS EDITORES