Home-office: prós e contras

12/06/17 às 00:00 Adriane Werner

A tendência mundial é clara: muita gente está optando por trabalhar em casa. Mas a solução só é positiva para quem consegue ser muito organizado e disciplinado
Trabalhar em casa, quem não quer? Segundo Domenico De Masi, o teórico do ócio, essa é uma tendência mundial: os profissionais poderão cumprir todo seu trabalho sem sair de casa, sem precisar bater cartão-ponto, sem sequer tirar o pijama. Em algumas profissões, isso já é realidade.
É de se imaginar que, muito em breve, publicitários, jornalistas, advogados e vários outros profissionais não precisem mais se reunir em escritórios ou redações. Repórteres, por exemplo, poderão ir para o local da pauta, apurar as informações e depois voltar para casa para escrever a reportagem. Editores e diagramadores também podem trabalhar em conjunto, mesmo estando fisicamente distantes. Com os publicitários, é fácil imaginar a mesma situação. O avanço tecnológico permite a interatividade entre pessoas que não estejam próximas fisicamente e, por isso, facilitam o ‘trabalho em casa’.
Mas, se o chamado home-office tem inúmeras vantagens, como maior autonomia para o trabalhador, que pode organizar seu tempo, conciliar diversas atividades, trabalhar com mais liberdade, é certo também que ele tem inúmeros incômodos – especialmente se o profissional não conseguir ter a disciplina necessária para se impor um comportamento profissional quando trabalha em casa.
Há poucos dias eu soube de uma representante comercial que está perdendo clientes porque não consegue ter essa disciplina. O cliente liga, ela atende o telefone:
– Alô? (Fulano, abaixa essa televisão, que eu preciso falar ao telefone!) Pois não... Representações comerciais, bom dia!
– Bom dia. Aqui é Beltrano, da empresa tal. Estou ligando para saber a respeito do pedido que encaminhei na semana passada...
– Só um pouquinho, senhor. Vou desligar a panela que está transbordando...
E o diálogo segue, truncado, numa sequência de criança gritando, cachorro latindo, conversas entrecortadas entre assuntos domésticos e profissionais. É claro que isso atrapalha, e muito, o relacionamento profissional.
Há também o caso daquelas pessoas que ‘precisam’ sair de casa e ir para um escritório. Do contrário, não conseguem cumprir horários, protelam atividades, se desconcentram ao menor sinal de apelo externo ao ambiente profissional. Aliás, não fazem do escritório domiciliar um ambiente profissional. Mais uma vez, o motivo é a indisciplina.
Outro problema comum de se trabalhar em casa é que os limites de horários passam a ser muito flexíveis, o que pode ser bom e ruim, a depender da circunstância. Há pessoas que misturam o trabalho com as atividades domésticas, como fazer comida, buscar o filho na escola... mas também há aqueles que mergulham no trabalho e não vêm o tempo passar. Resultado: entram pela madrugada trabalhando.
E quando os amigos e parentes não respeitam o home-office? É comum receber, em horários de pico no trabalho, visitas que chegam pra bater papo, sem perceber que a pessoa está atolada nos afazeres...
Portanto, o home-office pode ser uma excelente alternativa - permite uma sensível redução de custos, dá liberdade e autonomia ao trabalhador, mas exige a sua contrapartida. Se você é disciplinado, pode apostar na tendência mundial e mudar seu trabalho para dentro de casa. Mas se você tem dificuldades em ser mais organizado, talvez o escritório em casa represente um risco grande de ruína.

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