Coritiba do Futuro vence as eleições. E agora?

Conheça quais são os planos e metas da gestão encabeçada por Samir Namur, que administrará o clube no triênio 2018-2020

10/12/17 às 20:05 - Atualizado às 01:16 Rodolfo Luis Kowalski
Samir Namur (segundo à esquerda): vencedor (foto: Geraldo Bubniak)

Vencedora das eleições realizadas no último sábado com 1.070 votos (38% do total), a chapa Coritiba do Futuro, encabeçada pelo advogado e professor Samir Namur, inicia hoje o processo de transição na gestão do clube. Processo este que promete se dar sem grandes traumas, uma vez que Namur presidiu o Conselho Deliberativo até setembro e sempre destacou ao longo da campanha estar por dentro da situação do Coxa.
Mas se o processo de transição promete acontecer de forma tranquila, por outro lado são grandes os desafios a serem enfrentados pela nova gestão, que terá de administrar um clube recém-rebaixado e com patrimônio líquido (a diferença entre o valor dos ativos e dos passivos) de R$ 44 milhões negativos e um endividamento total de R$ 254,8 milhões, considerando-se o passivo circulante e não-circulante.
Para contornar a situação financeira delicada e garantir ao Coritiba a montagem de uma equipe competitiva, a promessa é de grandes reformas dentro do clube ao longo dos três anos de gestão.
No tocante ao futebol, a promessa é de um número reduzido de contratações, com a utilização de atletas oriundos das bategorias de base para a composição do elenco profissional, que deverá ter no máximo 36 atletas, sendo 30% deles pratas da casa – percentual que subirá gradativamente até atingir 40% em 2020. Ademais, há a promessa de autonomia na gestão, não havendo um “homem forte do futebol” no G5, uma vez que as decisões caberão a um gestor profissional, com experiência de mercado e que deverá seguir um procedimento obrigatório para contratações.
Para que o clube seja bem sucedido no âmbito esportivo, porém, outros setores do clube deverão passar por grandes reformas, com o fim das contratações de funcionários mediante prestação de serviço de pessoa jurídica, revisão dos contratos de prestação de serviços e a criação de processos seletivos públicos, em que currículo, capacitação e experiência sejam considerados, além da preferência a associados ao Clube.
Na área de marketing, a busca por novas receitas se dará pela melhora e expansão dos produtos licenciados e a sua distribuição e a revisão dos procedimentos de negociação e contratação de material esportivo, sem a participação de intermediários. Além disso, pretende-se estruturar uma equipe comercial com foco exclusivo na busca por patrocinadores, investidores e negociação de propriedades comerciais.

Eleição pode acabar no 'tapetão'

Embora a votação já tenha sido feita e a chapa Coritiba do Futuro declarada vencedora, as eleições no Coritiba podem ter outro desfecho. A chapa Sangue Verde, liderada pelo médico João Carlos Vialle, e a Nova Coritiba, do engenheiro civil Pedro de Castro, prometeram ir à Justiça para anular o pleito.
Embora ainda não esteja claro o motivo da contestação jurídica, que deverá reunir os dois grupos de oposição, tudo indica que a acusação seja de uma irregularidade na inscrição da chapa Coritiba do Futuro. Vialle, inclusive, já afirmou que as duas chapas irão se reunir até terça-feira com seus advogados para avaliar a situação. A tendência é que na sexta-feira eles se pronunciem e indiquem quais as irregularidades alegadas no pleito.
Questionado sobre o assunto, Samir Namur, eleito novo presidente do Coritiba, recusou-se a comentar o assunto enquanto não souber quas as alegações dos adversários. Em seu primeiro pronunciamento como presidente, porém, adotou um tom conciliador: "Uma das prioridades é estabeler o diálogo com as outras duas chapas para que tenhamos neste ano de 2018, que será um ano muito difícil com uma missão muito importante de subir para a Série A, a união entre todos os grupos, entre todas as correntes do Coritiba."

Chapa tenta resgatar sócios

Desde 2014 o clube tem sofrido uma sangria no número de sócios do clube. Por conta dos maus resultados em campo, a receita oriunda do sócio-torcedor, que chegou a ser de quase R$ 22 milhões há três anos, já havia caído para R$ 18 milhões em 2016, uma queda de 20,9%.
Por isso, outro foco de trabalho da nova gestão é justamente o resgate desse torcedor, que garante ao clube uma importante fonte de receita recorrente.
Uma das propostas é o desenvolvimento de um aplicativo que facilitaria a relação do associado com a central de sócios, clube de benefícios e o Clube em si.
Há também a promessa de consultas de caráter plebiscitário para que os sócios participem da tomada de decisões importantes.
Por fim, para confraternização e união de seus torcedores e para conhecimento e preservação da sua história, a nova diretoria promete uma agenda de eventos diversos, aproveitando os espaços do próprio Couto Pereira. Nesse sentido, propõe-se a criação de uma calçada da fama para homenagear ídolos do passado.
Além disso, os dirigentes eleitos têm ideias para que o espaço interno do estádio passe a ser utilizado para outros tipos de eventos e festas de confraternização.

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