Política em Debate

Publicidade
Limite

Condor diz que boicote à Globo se restringe à programação nacional da TV

Condor: empresa anunciou boicote à Globo após reportagens sobre citação a Bolsonaro no caso Marielle
Condor: empresa anunciou boicote à Globo após reportagens sobre citação a Bolsonaro no caso Marielle (Foto: Franklin de Freitas)

A rede de supermercados Condor Super Center afirmou em nota nesta segunda-feira (04) que sua decisão em suspender propagandas na TV Globo não atinge a afiliada da emissora no Paraná. O boicote, segundo a empresa, “limita-se aos programas jornalísticos nacionais, que são Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Fantástico”. O Condor também afirma que o corte vale para as novelas “Malhação” e “das 21h”. Para a empresa, os programas contrariam “os princípios e valores familiar (sic)”. 

Em defesa de Bolsonaro, rede de supermercados e imobiliária de Curitiba anunciam boicote à Globo

Condor é um dos campeões em ações trabalhistas no Paraná

PT acusa Condor de 'racismo' por nota sobre boicote à Globo em defesa de Bolsonaro

Na época da campanha, dono de supermercado enviou carta pró-Bolsonaro a funcionários

O primeiro anúncio de boicote à Rede Globo de TV foi feito pelo Condor na semana passada, em protesto contra a cobertura jornalística da empresa sobre o governo Jair Bolsonaro (PSL). Além do Condor, a imobiliária Habitec foi a primeira a promover o corte. Não há confirmação de outras empresas que tenham aderido ao movimento.

O empresário Luciano Hang, dono da rede Havan e apoiador de Bolsonaro, não rompeu com a Globo, mas fez ameaças. “Se não mudar o editorial e começar a apoiar as mudanças que o povo tanto quer será o começo do fim. Ninguém sobrevive sem credibilidade e audiência”, disse.

Embora as empresas não citem especificamente quais reportagens as desagradaram, a reação dos empresários veio após reportagem do Jornal Nacional, do dia 29 de outubro, que revelou a visita de um dos suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco ao Condomínio Vivendas da Barra, onde mora outro principal suspeito do assassinato, Ronnie Lessa, e também onde o presidente Jair Bolsonaro tem casa. O porteiro contou à polícia que, horas antes do assassinato, em 14 de março de 2018, o outro suspeito do crime, Élcio de Queiroz, entrou no condomínio e disse que iria para a casa do então deputado Jair Bolsonaro. 

As empresas acusam a TV Globo de “parcialidade” jornalística. Na nota desta segunda-feira, o Condor afirmou que a RPC-TV, afiliada da emissora do Paraná, não será afetada. “Permanecemos com nossos investimentos na RPC, afiliada Globo no Paraná, remanejando e reforçando a programação regional e de entretenimento saudável”, diz a nota.

A RPC integra o Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM), que inclui o Jornal Gazeta do Povo, declaradamente conservador e, consequentemente, alinhado à pauta bolsonarista. “Não cortamos as propagandas da RPC, afiliada Globo, apenas não serão veiculadas em certos horários. Atitude semelhante vem sendo adotada por várias empresas que compactuam da nossa mesma preocupação com o futuro do nosso país”, diz o Condor.

Repúdio - Também nesta segunda, o governo de Jair Bolsonaro divulgou nota de repúdio contra o que diz ser "perseguição da TV Globo", na tentativa de envolvê-lo no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco. A nota é uma resposta à carta do diretor-geral de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, que parabenizou os jornalistas da emissora que fizeram a matéria veiculada na semana passada sobre a citação de Bolsonaro na investigação do assassinato da vereadora.

"É lamentável que a TV Globo considere motivo de comemoração a veiculação de matéria que, sob o verniz de jornalismo imparcial, somente leva desinformação aos brasileiros. Caso a emissora tivesse realmente pautado seu trabalho pela imparcialidade, rigor na apuração e profundidade de investigação, não teria levado ao ar matéria tão frágil do ponto de vista jornalístico", diz o texto divulgado pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).

O presidente já havia reagido contra a Globo com palavras pesadas para se referir à emissora, como "patifaria", "canalha", "porra", "imprensa porca", "jornalismo podre", "nojenta" e "imoral". Também disse que a renovação da concessão da emissora, prevista para 2022 só ocorrerá se o processo estiver “enxuto e legal”. “Não vai ter jeitinho pra vocês, nem pra ninguém", alegou Bolsonaro.

Ali Kamel, diretor da Globo, afirmou em nota que o jornalismo da emissora sempre se pautará pela pela verdade e princípios. “Hoje sabemos que o advogado de Bolsonaro, no momento em que nos concedeu a entrevista, sabia da existência do áudio que mostrava que o telefonema fora dado, não à casa do presidente, mas à casa 65, de Ronnie Lessa", disse, rebatendo a acusação de que a reportagem seria falsa. Kamel também questionou o fato de o presidente ter dito que recolheu todas as gravações "antes que fossem adulteradas"."Por que os principais interessados em esclarecer os fatos, sabendo com detalhes da existência do áudio, sonegaram essa informação?", disse.

O diretor da TV Globo afirma ainda que uma fonte "absolutamente próxima" da família Bolsonaro foi quem procurou a emissora em Brasília para dizer que "ia estourar uma grande bomba, pois a investigação do caso Marielle esbarrara num personagem com foro privilegiado”. “Eu estranhei: Por que uma fonte tão próxima ao presidente nos contava algo que era prejudicial ao presidente? Dias depois, a mesma fonte perguntava: a matéria não vai sair?", relatou Kamel.

Procurada, a RPC-TV não se manifestou até o fechamento da reportagem.   

Campanha -  Nas eleições de 2018, o Condor foi alvo de investigações do Ministério Público Eleitoral e do Ministério Público do Trabalho, depois que o empresário Pedro Joanir Zonta, dono da rede, divulgou carta aos funcionários pedindo o voto deles em Bolsonaro, comprometendo-se a não cortar o 13º salário e férias caso seu candidato fosse eleito. Os promotores acusaram Zonta de coagir os funcionários.

Para evitar uma multa de R$ 100 mil, o empresário fez um acordo com o MP, divulgando nova carta aos trabalhadores, desta vez afirmando que a sua rede “respeita as leis trabalhistas e os tratados de direitos humanos, e que não tolera a imposição ou direcionamento nas escolhas políticas dos empregados durante o processo eleitoral".

Publicidade

Plantão de Notícias

Mais notícias

DESTAQUES DOS EDITORES