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Diretor do Athletico critica 'deserto de ideias' do futebol brasileiro e defende projeto

Paulo André
Paulo André (Foto: Divulgação/Athletico.com.br/Miguel Locatelli)

O diretor de futebol do Athletico Paranaense, Paulo André, publicou texto em redes sociais nessa terça-feira (dia 18) para defender a política de contratações do clube. Após vender os principais destaques do elenco de 2019, o clube só trouxe quatro reforços (Jandrei, Marquinhos Gabriel, Carlos Eduardo e Canesin).

“Acredito no projeto e no modelo de negócio do clube que é o que mais cresce na América do Sul nos últimos 25 anos. Esse é o modelo de gestão que deu certo e que eu acredito”, disse, em texto no Facebook. “Neste período, montamos um time campeão, repleto de jovens e com altíssimo poder de revenda. E iniciaremos um novo ciclo porque a história nos mostra que muitos clubes e gestores já caíram na armadilha de, por causa da pressão externa ou da ansia de querer voltar a ganhar de qualquer forma, inflacionar a folha salarial e os custos fixos do clube com a falsa ideia de que pagar maiores salários e trazer jogadores renomados representará maior segurança ou chance de sucesso. Essa é a falácia do futebol, responsável por quebrar quase todos os clubes do país e tornar o futebol brasileiro um deserto de ideias e de visão de futuro”, escreveu.

“O Athletico busca o sucesso desportivo e financeiro sustentável, de longo prazo. E foi por essa visão e clareza de princípios que aceitei o desafio de trabalhar aqui. Nós não traremos jogadores pagando 400, 500 mil reais de salário apenas para nos protegermos da opinião de terceiros. Isso é de uma estupidez sem tamanho para o clube e para a continuidade do projeto”, concluiu.

Após a Supercopa do Brasil, no último domingo, o técnico do Athletico, Dorival Júnior, afirmou que não espera reforços para a Copa Libertadores – clique aqui para saber mais.

Além disso, o ponta Rony pode ser negociado com o Palmeiras. O acordo para a renovação com o Athletico ficou apenas na fase 'verbal' e os documentos ainda não foram assinados. Como novos desentendimentos surgiram, o clube pode vendê-lo para o clube paulista.

VEJA A CARTA DE PAULO ANDRÉ, NA ÍNTEGRA

“Quando aceitei o desafio de trabalhar nesta função no Athletico, eu sabia exatamente que o trabalho seria desenvolvido com jovens, com oportunidades de mercado e com a formação de novos talentos. Este é o projeto que eu aceitei, já conhecendo as dificuldades e as limitações.

O meu papel está muito claro para mim e a minha responsabilidade é fazer com que essa soma resulte mais uma vez em um time competitivo e que atinja os resultados esperados pela diretoria do clube. Minha função é executiva e trabalho para uma diretoria que define as diretrizes e as estratégias, sobretudo de negócios.

Acredito no projeto e no modelo de negócio do clube que é o que mais cresce na América do Sul nos últimos 25 anos. Esse é o modelo de gestão que deu certo e que eu acredito. Faz dois anos que participo da gestão do futebol do clube, olho para dentro e para fora o tempo todo para investigar se estamos no caminho certo e se há melhores práticas por aí. Neste período, montamos um time campeão, repleto de jovens e com altíssimo poder de revenda. E iniciaremos um novo ciclo porque a história nos mostra que muitos clubes e gestores já caíram na armadilha de, por causa da pressão externa ou da ansia de querer voltar a ganhar de qualquer forma, inflacionar a folha salarial e os custos fixos do clube com a falsa ideia de que pagar maiores salários e trazer jogadores renomados representará maior segurança ou chance de sucesso. Essa é a falácia do futebol, responsável por quebrar quase todos os clubes do país e tornar o futebol brasileiro um deserto de ideias e de visão de futuro.

É claro que eu entendo que muita gente ficaria feliz, no curto prazo, se tivéssemos gastado bastante dinheiro agora. Seria muito mais fácil apresentar 10 jogadores e sair nas fotos como se o trabalho estivesse bem feito. E no meio do ano tudo se repetiria e o clube arcaria com o ônus nos anos a seguirem. Mas estou disposto a pagar o preço para fazer o que entendo ser o melhor para o clube que é ter paciência para aguentar a pressão e não sair das diretrizes do projeto e do trabalho que deram certo até agora. O Athletico busca o sucesso desportivo e financeiro sustentável, de longo prazo. E foi por essa visão e clareza de princípios que aceitei o desafio de trabalhar aqui. Nós não traremos jogadores pagando 400, 500 mil reais de salário apenas para nos protegermos da opinião de terceiros. Isso é de uma estupidez sem tamanho para o clube e para a continuidade do projeto. SRN”

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