Crise financeira

Goleiro do Paraná explica protesto e desabafa sobre atrasos salariais: 'Tem gente que já não tem nem o que comer'

(Foto: Divulgação/Paraná Clube/Allexandre Fellipe)

Além do técnico interino Jorge Ferreira, outro integrante do Paraná Clube que conversou com a imprensa na noite deste sábado, após a vitória do Tricolor por 2 a 1 contra o Criciúma, foi o goleiro Bruno Grassi. Melhor jogador em campo na vitória paranista e um dos poucos destaques do clube na Série C, o arqueiro pouco falou sobre o jogo em si. É que o foco do bate-papo foi o protesto de atletas, que atrasaram em cinco minutos o início da partida de hoje como protesto contra os recorrentes atrasos salariais no clube.

“É uma situação incômoda, né. Ninguém gosta de estar fazendo isso, ninguém gosta de estar protestando, de não estar concentrando, não indo com o ônibus do clube [pros jogos]... Só que, infelizmente, algumas situações passaram até certo ponto do limite”, desabafou o arqueiro. “A gente não tem um norte, esse é o problema de tudo. Até quinta-feira a gente tinha uma poisição, depois sexta-feira não foi concretizada, e daí fica difícil”, complementou.

Segundo o jogador, desde que chegou ao clube, há sete meses, apenas um salário foi pago integralmente. Além disso, já são três meses sem que qualquer valor pingue em sua conta pelo trabalho que tem feito.

“A nova diretoria está se esforçando, não posso deixar de falar isso. Eles estão presentes no dia a dia, porém, tem os resíduos do que ficou para trás. Eu mesmo recebi um salário, desde que cheguei aqui, completo. São praticamente três meses sem receber nenhum salário e apenas um [salário] completo em sete meses de trabalho. Outros jogadores estão na mesma situação, outros um pouco menos, mas no mínimo um, dois meses de salário sem receber nada, então é uma situação que a gente pede à diretoria que nos ajude”.

Grassi ainda destacou que o Paraná conseguiu mostrar hoje, dentro de campo, que o grupo de jogadores ainda tem força para brigar pela permanência do clube na Série C. Ele, porém, destacou que será necessária a ajuda de todos. “Precisamos que essa semana alguma coisa seja paga, porque tem gente que já não tem nem o que comer. É uma situação bem difícil”.

POSSIBILIDADE DE NÃO ENTRAR EM CAMPO

Questionado sobre a possibilidade do time paranista não entrar em campo no jogo contra o Mirassol, na próxima semana, caso parte dos vencimentos atrasados não sejam pagos, Bruno Grassi não confirmou, nem descartou a possibilidade. Segundo ele, o elenco irá tentar, sempre, contornas as coisas internamente.

“A gente sabe a camisa que a gente veste, uma camisa pesada, de torcida ativa, então temos muito cuidado com aquilo que a gente faz. Pelo cenário que falei agora, a gente tem sido bem forte em manter esse respeito pelo Paraná. De todas as formas vamos tentar conduzir isso internamente, da melhor forma, e acredito que eles vão pagar. Não é má-fé, é questão de atraso dos recursos.”

CRISE FINANCEIRA GERA IMPACTOS DENTRO DE CAMPO

Perguntado, ainda, se a situação financeira do clube e os atrasos salariais refletem no desempenho do time, dentro de campo, Bruno Grassi foi sincero. Primeiramente, explicou e explicitou a situação dos jogadores. Ressaltou que ninguém está fazendo corpo-mole ou coisa do tipo, mas admitiu, também, que a situação, ainda que indiretamente, acaba impactando no desempenho dos jogadores.

“Vou te falar de que forma a gente tem conduzido essa situação, porque daí acho que dá para tu ter um panorama. Quando tu vem para um clube e de certa forma tu te organiza com o que tu vai receber, tem contas a pagar e muitas vezes dessas contas tu recebe cobranças. Não recebe salário, se tu não efetua o pagamento... E com certeza isso tudo influencia. Mas quando a gente chega aqui no vestiário, com muita força, vou te falar, com muita força, muito poder de controlar a mente, a gente fala o seguinte: que o nosso rosto está representando o Paraná dentro de campo, e se qualquer coisa negativa acontecer, somos nós os responsáveis, porque quem tá lá fora, tá lá fora. Quem tá dentro somos nós. Então é dessa forma que a gente tenta conduzir. Mas posso te falar que com certeza [a situação do clube] influencia [no desempenho dentro de campo]. Não por uma questão direta, mas indireta.”