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Palanque na TV

O choro é livre

A semana passada terminou com um verdadeiro festival de lágrimas na campanha eleitoral do Paraná. O primeiro a apelar para o emocional do eleitorado foi o candidato do PSD ao governo, Ratinho Júnior, que chorou em programa gravado em sua cidade natal, Jandaia do Sul (região Norte), ao visitar a casa onde sua família morava. Com direito a close fechado na lágrima.

Trauma
Mas quem dramatizou mesmo foi o ex-governador e candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB), que levou ao ar um programa onde comentou a prisão da mulher e as buscas realizadas pela polícia na casa de sua mãe, na operação “Rádio Patrulha”, em que ele também foi detido, e que investiga suspeitas de fraude em licitação para obras de estradas rurais. “Seis horas da manhã, você acorda com a sua porta sendo esmurrada e aquela invasão. Aquela invasão enorme. E o sofrimento ainda maior em ver a Fernanda ser levada na frente do meu filho pequeno. Um trauma difícil de se apagar”, disse o tucano.

11 de setembro
Richa afirmou ainda ter sido vítima de uma “suposta trama política para tirá-lo da eleição. “Uma trama política diabólica, nós não fomos chamados, convidados, intimados para depor. Não tem como descrever a maldade de que nós fomos vítimas no dia 11 de setembro. Coincidência ou não, dia do aniversário do meu pai (José Richa)”, lembra o tucano. “É inaceitável o que fizeram com as duas mulheres da minha vida, a Fernanda e a minha mãe”, desabafa o candidato, que aparece então enxugando uma lágrima.

Debandada
Impressiona o silêncio dos candidatos do PSDB sobre a situação de Beto Richa. Nenhum dos aliados do tucano fez qualquer menção até agora ao ex-líder, ou esboçou alguma tentativa de defendê-lo das acusações. Parlamentares e outras lideranças da cúpula do partido que até há pouco tempo juravam fidelidade e se beneficiavam com cargos e outras benesses do poder enquanto ele estava no governo simplesmente sumiram do mapa e fingem que não têm nada a ver com o ex-governador. 

Despedida
Outro que também andou chorando na propaganda eleitoral foi o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad. No vídeo, Haddad lembra ao lembrar da reação da filha no dia em que encontrou ex-presidente Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC quando ele já estava com a prisão decretada. O candidato do PT disse que, “num clima quase de despedida”.

Sem perdão
Enquanto chora em seu programa, Ratinho Jr foi para o ataque em inserções de sua campanha não claramente identificadas, partindo para cima de Cida Borghetti (PP) e João Arruda (MDB). “A candidata de Beto Richa, Cida Borghetti, sempre manteve sua família no poder. O irmão, o cunhado, e claro, seu marido Ricardo Barros”, tascou sobre a governadora. “O candidato de Michel Temer, João Arruda, é investigado na operação Carne Fraca, da Polícia Federal. O Paraná não merece representantes que denigram a imagem do nosso Estado”, disse sobre o adversário do MDB.

Baixaria
Arruda reagiu divulgando vídeo no qual acusa Ratinho Jr de apelar para baixaria ao usar na campanha um acidente de trânsito em que o deputado do MDB se envolveu há quase vinte anos e que deixou duas pessoas mortas. A política não é uma briga de piás na rua. Tenho feito críticas a ele, olho no olho, no campo da política. Digo que Ratinho se disfarça de candidato de oposição porque desfrutou anos das vantagens de ser um secretário forte para agora atacar o governo que é seu berço”, rebateu Arruda. 

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