Águas cristalinas, casas brancas com janelas azuis, belezas intocáveis e um mar que não parece ter fim. Assim é fazer um cruzeiro pelas principais ilhas gregas do Golfo Sarônico - Egina, Poros e Hydra -, as mais próximas do Porto do Pireu, em Atenas. Empresas locais organizam viagens de um dia com almoço incluso e traslados ao hotel a partir de 85 euros. Essa é uma opção para quem já desvendou os segredos da capital grega e deseja ir às tão idealizadas ilhas da Grécia.
Foi o que os mexicanos Marco Chavira e Gabriela Robles fizeram. Desiludidos com os altos preços para visitar as ilhas de Santorini e Mikonos, eles reservaram o minicruzeiro para o dia seguinte. O navio Giorgis, de dois andares, partiu do Porto do Pireu com destino às três ilhas às 8 horas da manhã. "A primeira impressão do navio foi muito agradável. Fiquei muito emocionada por estar nos mares da Grécia", contou Gabriela.
A viagem de Atenas até Poros, a primeira parada, durou cerca de uma hora. A ilha é separada da costa nordeste da região grega do Peloponeso por um canal estreito de apenas 250 metros, por onde o navio passa antes de atracar no porto da ilhota. Antigamente, essa proximidade tornou a região vulnerável a ataques de piratas Poros é uma ilha com densa vegetação verde e raramente freqüentada pelos atenienses, que preferem passar fins de semanas em ilhas vizinhas. Quem busca calmaria aliada à beleza natural de uma ilha pouco explorada, Poros é o destino certo.
Após cinqüenta minutos, o navio apitou anunciando a partida para a ilha de Hidra, a mais charmosa. A travessia levou cerca de duas horas. A ilha foi descoberta por um grupo de artistas, atraídos pela beleza delicada e sutil das casas de telhas vermelhas, das ruas pavimentadas com pedras irregulares, dos caminhos beirando a água azul e fria e das vielas, às vezes sem saída, que se cruzam e levam para dentro do vilarejo.
Qualquer tipo de veículo motorizado é proibido de circular em Hidra. Os únicos meios de transporte são os burros, que se aglomeravam na praça central, ao lado dos pequenos barcos de pesca no cais, à espera de passageiros. "Fiquei pasma com a ilha que, mesmo pequena, me pareceu encantadora e pitoresca", disse Gabriela. O tempo de parada foi maior, de uma hora e meia. Ao voltar para o porto, o navio já estava preparado para o almoço, servido durante o trajeto de quase três horas para Egina, a última ilha do minicruzeiro. Ao embarcar, os passageiros foram direcionados à mesa correspondente ao seu idioma, para que se integrassem com outros turistas de mesma língua.
Já no caminho de volta a Atenas, a última parada foi em Egina, durante duas horas. Segundo os gregos, está lá o melhor pistache do mundo. A ilha cultiva essa semente desde a antiguidade, e ela é encontrada aos montes para comprar no centro da cidade. O caminho até o principal monumento arqueológico é cheio de pinheiros e plantações. O Templo de Afaia, construído no quinto século antes de Cristo, fica a 12 quilômetros do porto de Egina.
Apesar da incerteza sobre seu mito, os populares contam que Afaia era um nome alternativo às deusas cretenses Britomartis e Dictima. Criadora das redes de pesca, sua beleza atraía muitos homens. Cansada de ser perseguida por eles, ela tentou escapar se jogando no mar, mas foi resgatada pelas redes de um pescador da ilha, que se apaixonou por ela. Incomodada pelo assédio, ela pediu para sua irmã que a fizesse desaparecer, convertendo-a em Afaia, a invisível. O templo foi construído no lugar de seu desaparecimento.
Curiosamente, o Paternon (representando o espírito), o Templo de Afaia (a luz e o sol) e o Templo de Poseidon, no Cabo Sunion (a água e o materialismo) formam a figura de um triângulo. "Foi sublime, essa é a palavra. E mágico. É nesse momento que percebemos como a vida é surpreendente, charmosa, e que todo o trabalho e o cansaço diário valem a pena para viver esses momentos, inclusive um entardecer na Grécia", concluiu Gabriela.
O apito da embarcação anunciou o fim da visita a Egina. Com todos a bordo em direção ao Porto do Pireu, em Atenas, integrantes da tripulação fizeram um espetáculo com danças e músicas típicas da Grécia. Devagar, o navio foi se distanciando da ilha, deixando para trás um rastro de espuma branca no vai-e-vem das águas agora amarelas, sob a luz de um mágico pôr-do-sol grego.