Ainda sobre estresse e sistema educacional

28/03/17 às 00:00 Por Wanda Camargo | assessoria@unibrasil.com.br

Ao recordar a juventude ou infância, pessoas mais velhas têm a tendência de idealizar esta fase da vida, e se é verdade que crianças e jovens geralmente contam com vantagens do ponto de vista físico (não tem dores crônicas nas costas, por exemplo), escutam e enxergam melhor, aprendem mais rápido, divertem-se com maior facilidade, tem mais flexibilidade; também é verdade que têm muito menor resistência às tensões normais da vida, aos desgastes psicológicos a que todos estamos sujeitos e com que adultos conseguem conviver mais facilmente. O necessário enfrentamento das frustrações normais é algo que se aprende, e pais e educadores podem ajudar muito neste aprendizado.

O estresse pode ser definido como uma interação entre alguns estímulos ao qual um ser humano está sujeito, e as prováveis respostas que este consegue, a depender de sua faixa etária e educacional, apresentar. Caso estes estímulos sejam percebidos como ameaçadores à sua vida, ou pelo menos ao seu bem estar, respostas podem variar muito, e serem, inclusive, voltadas contra o próprio sujeito.

Para isso colabora muito o sistema valorativo, isto é, a percepção cognitiva sobre a situação, o que difere muito de pessoa a pessoa, ou pela mesma pessoa durante certas fases de seu desenvolvimento. Algumas brincadeiras levadas na esportiva em determinadas épocas podem receber resposta agressiva em outras, ou ferir profundamente e em silêncio noutras ocasiões.

Portanto, não é qualquer situação adversa ou com potencial negativo que pode, sozinha, caracterizar um estresse: a avaliação feita sobre os recursos que temos para atender a demanda, as perspectivas intelectuais próprias – em que a autoestima tem papel importante – e, finalmente, as habilidades para enfrentamento, terão destaque na caracterização de um trauma ou então de um fato sem grande importância.

No entanto, crianças e jovens tem suas autossuficiências ainda não perfeitamente solidificadas, e, portanto, duvidam muito mais frequentemente de suas destrezas para solucionar problemas, estando assim mais sensíveis às situações de conflito.

Situações estressantes, são, portanto, difíceis de definir, embora o conceito esteja cada vez mais ocupando um papel central nas pesquisas sobre psicopatologia, e a área educativa tem especial interesse, para melhoria do processo ensino-aprendizagem.

O que é certo é que situações que representam uma ameaça ou desafio podem alterar as capacidades psicológicas ou físicas de uma criança, mas alguns agentes estressores são positivos, enquanto outros negativos. Todo adulto reconhece algumas situações em que uma ameaça externa – perda de emprego, morte na família, desastres ambientais – o conclamou para uma reação benéfica de solidariedade ou de superação; mas também, em algumas fases infantis, certos acontecimentos foram percebidos como terríveis e contrários à sua propensão de solucioná-los.

A experiência do estresse é dependente da avaliação cognitiva que fazemos de cada ameaça, perda ou habilidade de resposta, uma relação entre nós e nosso meio ambiente, ou seja, subjetiva. Como crianças e jovens estão ainda em fase de desenvolvimento, muitos fatores intervém nesta percepção, sendo certo que pais amorosos, professores dedicados, boas políticas públicas de contenção de danos ambientais e pobreza extrema ajudam, e muito, no combate ao estresse.

Embora na adolescência outros itens possam ser acrescentados à lista, pois passam ao centro dos agentes estressores as transformações corporais, as mudanças de relacionamento com pais e professores, o início das preocupações com o sexo oposto e com o futuro profissional, ainda assim o fortalecimento da autossuficiência, autonomia e autoestima obtido na infância é essencial.

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

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