Medo e capacidade de aprendizagem

23/05/17 às 00:00 Wanda Camargo | assessoria@unibrasil.com.br

Embora o medo faça parte da vida normal, desenvolver-se é sinônimo de aprender também a controlar este sentimento. Benéfico em muitos casos, pois é o medo que nos impede machucados sérios, queimaduras, quedas de grandes alturas, por outro lado pode ser incapacitante e prejudicar seriamente o processo de ensino-aprendizagem.

Assim, é importante, e de forma geral cabe à família, oferecer à criança um ambiente capaz de sustentar seu processo de amadurecimento, vencendo o medo e controlando a aflição normalmente presente também nas situações de apavoramento emocional. 

O medo costuma ser mais transitório, embora possa durar bastante tempo em alguns poucos casos, mas é a ansiedade, sentimento onde a fonte da ameaça não está claramente definida, ou pelo menos não presente como ameaça real, que pode perdurar muito mais tempo e até definir-se como característica de personalidade.

De forma geral é através das brincadeiras que as crianças efetivam seu contato com seu mundo interior e exterior, promovendo interação entre eles, o que é essencial para vencer o medo, começar a distinguir o real do imaginário, vencer seus fantasmas e adquirir confiança em si mesmas. Brincar permite lidar com a ansiedade, e na ocorrência de um ambiente familiar estável, com amor e atenção envolvidos, deixa a criança fortalecida e segura, desde os primeiros terrores noturnos na tenra infância, passando pelos conflitos escolares – que muitas vezes resultam em bullying – até os receios adolescentes dos primeiros relacionamentos amorosos.

Crianças brincam por prazer, mas também para dominar sua angustia, e quando esta é muito intensa, o entretenimento acaba muitas vezes em pura gratificação sensorial momentânea, e não em felicidade; o relacionamento com o exterior compromete-se com a posse de bens (compras, consumo, comida) para preencher a solidão, o vazio angustiante e a ansiedade de algo que não pode ser suprido. Numa casa acolhedora, o brincar enriquece a realidade e permite convivência social satisfatória, com os demais e consigo mesma; unifica e integra a personalidade em suas necessidades emocionais e psíquicas.

Pais que brincam com seus filhos ensinam a dominar a ilusão de um mundo perfeito onde obtemos tudo que seja querido e necessário, ou seja, de que a realidade interior é exatamente igual à exterior, e que nossa capacidade criadora moldará o mundo da forma exata em que o desejamos. Ao mesmo tempo, dominar a desilusão, pois quando as situações não transcorrem como sonhamos, é o senso de realidade e de persistência que nos impulsiona a continuar e tentar melhorar.

É impossível blindar o jovem para que não tenha experiências negativas, mas é perfeitamente viável auxilia-lo a adquirir auto confiança e até aprender um pouco mais sobre suas próprias características ao ultrapassar problemas. Aprender a rir um pouco de si mesmo pode auxiliar bastante no controle das situações amargas, e para isso exemplos são essenciais, mais que falar, pais e professores podem mostrar este tipo de comportamento, o que é muito mais eficiente.

Adquirir humor é essencial para enfrentar a vida adulta e, embora a crença popular de que quem tem bom humor goza de excelente saúde física e mental não seja exatamente verdadeira, é fato que este é um bom caminho para o bem estar da mente, e que costuma se refletir no corpo. Pessoas bem humoradas tem convivência mais agradáveis com os demais, e o hábito de ver a vida sob seu melhor ângulo. Mesmo que brincar com absolutamente tudo seja indesejável, brincar um pouco no dia-a-dia é hábito que se traz da infância, e que auxilia a enfrentar dificuldades.

 

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

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