• Cinema

    Buzz Lightyear ganha um filme próprio. Mas quem é ele, afinal?

    Buzz (ao centro) e seus colegas de missão, Izzy, Mo, Darby e o gato-robô SoX: herói mais realista do que nunca
    Buzz (ao centro) e seus colegas de missão, Izzy, Mo, Darby e o gato-robô SoX: herói mais realista do que nunca (Foto: Divulgação)

    “Em 1995, Andy ganhou de presente de aniversário um boneco do Buzz Lightyear. Era o herói de um filme que ele tinha visto. Esse é o filme”. Assim começa ‘Lightyear’, filme que estreia nesta quinta-feira (16) em Curitiba e que traz o aventureiro espacial retratado na franquia ‘Toy Story’, com quatro longas-metragens lançados.

    A franquia parecia encerrada em 2010, com ‘Toy Story 3’. Mas a Disney, dona da Pixar, que criou ‘Toy Story’, percebeu que o universo dos brinquedos do garoto Andy tinha potencial para ir muito além. Em 2018, veio ‘Toy Story 4’, que resgatou personagens esquecidos e colocou os brinquedos sob uma nova perspectiva.

    ‘Lightyear’, por sua vez, conta a origem de Buzz Lightyear — que está mais realista do que nunca, inclusive com cabelos à mostra. Basicamente, a trama traz o personagem como um aventureiro espacial cheio de talentos e coragem, mas ainda em início de carreira. Por puro excesso de confiança, ele comete um erro que faz com que sua nave espacial – uma esfera gigante com 1.200 pessoas dentro – fique presa a um planeta hostil, pelo menos até que se dê um jeito de sair de lá. Como para Buzz missão dada é missão cumprida, ele não abandona seu objetivo, não importa quanto tempo demore. Paralelamente a isso, entra em cena o vilão Zurg, que entra em conflito direto com o herói.

    O diretor Angus MacLane entrega um filme que tem menos de ‘Toy Story’ do que se imagina. As referências ao aventureiro espacial que estrela a franquia estão concentradas no começo e no fim. No meio do caminho, há quase um excesso de citações a ‘Star Wars’, além de diversos elementos de ‘Wall-E’, ‘Up: Altas Aventuras’ e ‘Os Incríveis’, também filmes da Pixar, e até ‘Gravidade’, de Alfonso Cuarón. ‘Lightyear’ fica no limite entre ser um filme com luz própria e ser apenas mais um produto de franquia. E peca em relação a uma cena que alimenta a imaginação do espectador, mas que não aparece no filme, nem mesmo nas três cenas pós-créditos.

    Apesar disso, ‘Lightyear’ está anos-luz à frente do último filme da franquia dos brinquedos. ‘Toy Story 4’ atirou no lixo o legado e o lado bom do caubói Woody, um personagem que aprendeu a colocar os amigos acima de anseios pessoais. ‘Lightyear’, ao contrário, respeita bem a personalidade de Buzz. Ele é destemido, tenta sempre dar seu melhor, tenta sempre cumprir sua missão, tenta sempre proteger aqueles à sua volta, sempre à sua maneira. ‘Lightyear’ diverte as crianças, entretém os adultos e discorre sobre falhas, erros, aceitação e determinação. E resgata aquilo que ‘Toy Story 4’ deixou de lado: a devida importância das amizades.

    Brinquedos

    A cada ‘Toy Story’ lançado, os fabricantes de brinquedos faturaram milhões com bonecos de Woody, Buzz, Balanoalvo ou Jessie. Desta vez, os astros de vendas não serão nem Buzz, nem seus companheiros de missão, nem o vilão Zurg. A grande vedete será o gato Sox, uma mistura de gatinho fofo e R2-D2, aquele robô redondo ‘Star Wars’ que resolve todos os problemas. Tem tudo para pirar a cabeça da criançada. A versão real, contudo, não terá capacidade para sintetizar um cristal de viagem no tempo, olhos laser ou rabo com entrada USB, como sua versão no filme. Mas as crianças não precisam ter essa conversa.

    A evolução de Buzz

    ‘Toy Story’, de 1995, foi a primeira animação de longa-metragem feita totalmente em computador. Até pela evolução dos recursos nos últimos 27 anos, o visual de
    Buzz Lightyear também evoluiu.

    ‘Toy Story’ (1995)

    ‘Toy Story’ (1999)

    ‘Toy Story’ (2010)

    ‘Toy Story’ (2018)

    ‘Lightyear’ (2022)

  • Cinema

    ‘Jurassic World: Domínio’ tenta limpar a sujeira do filme anterior

    ‘Jurassic World: Domínio’: mistura de personagens de duas épocas
    Giganotossauro x tiranossauro rex: qal dos predadores vai vencer?
    ‘Jurassic World: Domínio’: mistura de personagens de duas épocas
    ‘Jurassic World: Domínio’: mistura de personagens de duas épocas (Foto: Divulgação)
    Giganotossauro x tiranossauro rex: qal dos predadores vai vencer?
    Giganotossauro x tiranossauro rex: qal dos predadores vai vencer? (Foto: Divulgação)

    ‘Jurassic World; Reino Ameaçado’, de 2017, tirava os dinossauros das ilhas isoladas e os levava ao mundo civilizado. Explorou mal e mal o limite ético da clonagem de seres vivos. E terminou sem que esses dois arcos fossem concluídos (esses spoilers prescreveram). O segundo filme da franquia ‘Jurassic Park’, revitalizada em 2015, nem precisava ser feito – a não ser pelo potencial bilionário de bilheteria. Não deixou saudades, mas deixou sujeiras. Que podem ser limpas agora, com o lançamento do terceiro filme da franquia, ‘Jurassic World: Domínio’, que estreia nesta quinta-feira (2) em Curitiba.

    A sujeira começa porque o mundo acabou “invadido” por dinossauros tirados da ilha para serem vendidos no mercado ilegal, como se fossem obras de arte ou mercadorias. Os humanos do filme acharam essa ideia genial, mas perderam o controle sobre as criaturas, como era de se esperar. Depois de quatro anos, os dois lados têm que aprender a conviver. Há até uma espécie de contador, do tipo “estamos há X dias sem uma ocorrência com dinossauros”. Na maioria das vezes os dinos são pequenos e não dão problemas, mas de vez em quando um tricerátope faz uma picape capotar a chifradas, um estegossauro causa um estrago, um tiranossauro come alguém...

    É quando surge em cena o bilionário Lewis Dodgson (Campbell Scott), dono da gigante tecnológica BioSyn, que constrói um santuário para os dinossauros em um vale de montanhas na Itália. Mas ninguém fica bilionário fazendo coisas de graça. Ele também tem uma solução para uma crise global que pode ou não estar ligada aos dinossauros – sendo que o único a lucrar com esse caos global é exatamente Dodgson, uma paródia caricata de Elon Musk ou Jeff Bezos. Isso tudo pode estar ligado a dinossauros? É motivo para entrarem em cena os protagonistas do primeiro filme do ‘Jurassic Park’, o paleontólogo Alan Grant (Sam Neill), a botânica Ellie Sattler (Laura Dern) e o filósofo Ian Malcolm (Jeff Goldblum).

    Ainda há a outra sujeira do segundo filme para resolver. A menina Maisie (Isabella Sermon), neta do milionário Benjamin Lockwood (morto no 2º filme), tem uma origem que pode ou não contrariar os limites éticos da ciência. E pode ou não despertar a cobiça de pessoas interessadas em engenharia genética. Pode ou não despertar a cobiça? É motivo para entrar em cena o casal do filme de 2015, o aventureiro Owen Brady (Chris Pratt) e a ex-executiva Claire Dearing (Bryce Dallas Howard).

    ‘Jurassic World: Domínio’ tem o mérito de apresentar ao espectador criaturas que não apareceram em filmes anteriores, como o giganotossauro (o maior predador terrestre que já existiu), o quetzalcoatlo (o maior pterossauro que já existiu), o terezinossauro (o animal com as maiores garras que já existiu) e até criaturas que são confundidas com dinossauros, mas que são ainda mais antigas, como o dimetrodonte e cinognato – seres da era paleozoica, com 300 milhões de anos, bem anteriores à era mesozoica, o período em que os dinos habitavam o planeta. Também há um apelo claro para a nostalgia, ao agrupar o trio do filme de 1993 com o casal do longa de 2015.

    O roteiro, por sua vez, tenta entregar um fio de história em meio a diversos trechos clonados dos filmes anteriores. O filme de 1993 é amplamente referenciado, mas também há ligações com ‘Jurassic Park: o Mundo Perdido’ (uma caçada de dinossauros em ritmo de safári), ‘Jurassic Park III’ (a introdução de um superpredador capaz de fazer frente ao t-rex), ‘Jurassic World’ (perseguição de motos e velocirraptors) e ‘Jurassic World: Reino Ameaçado’ (dinossauros vendidos no mercado ilegal). Mas o que se espera de um filme assim é ação, muita ação, e muitos dinossauros na tela. É isso que o diretor Colin Trevorrow se propõe a entregar. Isso, além de limpar a sujeira do longa anterior.

    Quem é quem

    Alan Grant
    (Sam Neill)
    Paleontólogo raiz, daqueles que comanda escavações de fósseis nos desertos

    Ellie Sattler
    (Laura Dern)
    Botânica e cientista, retomou as duas carreiras depois de se separar do marido

    Ian Malcolm
    (Jeff Goldblum)
    Filósofo, considera que tudo é caos e sempre condenou a clonagem de animais

    Lewis Dodgson
    (Campbell Scott)
    Bilionário, domo da ByoSin, pretende colocar os dinossauros em um santuário


    Owen Brady
    (Chris Pratt)
    Treinava velocirraptors no Jurassic Park e conseguiu salvar um deles do parque

    Claire Dearing
    (Bryce Dallas Howard)
    Ex-executiva do Jurassic Park, adotou Maisie e vive isolada com ela e Grady

    Maisie
    (Isabella Sermon)
    Neta do milionário Benjamin Lockwood, vive em conflito com a própria existência

    Kayla Watts
    (DeWanda Wise)
    Pilota aviões e helicópteros e deixou de ser mercenária para ajudar Grady

  • Cinema

    Os segredos de Dumbledore salvam a franquia ‘Animais Fantásticos’

    O professor Alvus Dumbledore e seus aliados: franquia de ‘Animais Fantásticos’ “mudou” de protagonista
    O professor Alvus Dumbledore e seus aliados: franquia de ‘Animais Fantásticos’ “mudou” de protagonista (Foto: Divulgação)

    Depois do sucesso de Harry Potter, tanto em livros quanto em filmes, qualquer coisa que a autora J.K. Rowling escrevesse seria um sucesso comercial. Ela resolveu retornar ao mundo da magia com ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’, de 2016. Não era livro. Tratava-se de um roteiro concebido por ela, previsto para ser o primeiro de cinco filmes. Houve uma sequência em 2018: ‘Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald’. Mas o primeiro filme parecia uma bobagem sem sentido, na qual faltava alguma coisa importante, e o segundo só se justificava porque existia o primeiro. De certa forma, a franquia foi salva com ‘Animais Fantásticos’: Os segredos de Dumbledore, que estreia nesta quinta-feira (14) em Curitiba.

    A proposta da franquia ‘Animais Fantásticos’ era expandir o mundo bruxo de J.K. Rowling. Os acontecimentos se iniciam em lugares além de Hogwarts — no caso, Nova York — e bem antes de Harry Potter, lá nos anos 20. Fora isso, faltava alguma ligação mais concreta com o universo de Potter. Apenas o nome da autora não bastava. Até porque Newt Scamander, o magizoólogo, não conseguiu ser o protagonista do filme dele mesmo. A sequência, ‘Os Crimes de Grindelwald’, traz mais ligações com o universo de Harry Potter, como por exemplo a presença do professor Alvus Dumbledore e a ligação com a família Lestrange, ancestrais da bruxa Belatrix. Mas o filme derrapa com uma trama aleatória, confusa e sem energia.

    Nesse sentido, ‘Os Segredos de Dumbledore’ consegue duas proezas. Primeiro, traz a franquia mais perto do universo de Harry Potter, o que é um ganho. No filme aparecem a professora Minerva McGonaghal, um pomo do jogo de Quadribol, os irmãos Aberforth e Amanda Dumbledore – e por que a relação deles com o irmão famoso é tão tensa. Alvus Dumbledore, um personagem mais sólido que Scamander, vira o centro das atenções. Mas o principal mérito é justificar a existência dos dois filmes anteriores.

    O terceiro filme da franquia começa com a relação pessoal entre Dumbledore e Grindelwald. O primeiro segredo do bruxo mais poderoso do mundo já havia sido ensaiado em ‘Os Crimes de Grindelwald’, e nem chega a ser um segredo para observadores atentos dos filmes de Harry Potter. Já o segundo segredo – os dois bruxos, quando eram jovens e estavam apaixonados, haviam feito um pacto de sangue – é o que norteia o terceiro filme. O pacto faz com que um não possa atacar o outro.

    Paralelamente a isso, o mundo bruxo registra o nascimento de uma criatura mágica, o Qilin. Trata-se de um animal fantástico, um ser tão puro que consegue reconhecer as boas almas e se curva somente a elas. Newt Scamander está acompanhando o nascimento dessa criatura em uma floresta distante, mas é emboscado por áulicos de Grindelwald, que tem um plano ambicioso: tornar-se o chefe da Confederação Internacional dos Bruxos. Caberá a Dumbledore tentar impedir.

    De certa forma, os produtores quase tiveram que fazer mágica para o terceiro filme sair. O lançamento estava previsto para 2020, mas foi adiado devido à pandemia de Covid-19. Paralelamente a isso, o ator Johnny Depp, o Grindelwald dos filmes anteriores, foi acusado de violência doméstica contra a atriz Amber Heard, sua ex-mulher. No terceiro filme, ele acabou substituído por Mads Mikkelsen – foi um ganho enorme para o personagem; Depp não faz nenhuma falta nesse caso. Considerando-se todos os percalços, e a noção que ‘Os Segredos de Dumbledore’ amarra bem os dois filmes anteriores, a ideia original de se fazer cinco filmes poderia até ser revista. Sobre isso, o produtor David Heyman foi enigmático. “Ainda não começamos a escrever o próximo filme. Então, precisamos aguardar e ver”, disse ele, em um evento da Warner dedicado aos fãs de Harry Potter.

    Perfis

    Quem é quem em ‘Animais Fantásticos’

    Newt Scamander
    (Eddie Redmayne)
    Magizoólogo que carrega uma maleta cheia de animais fantásticos


    Jacob Kowalski (Dan Fogler)
    “Trouxa”, ou “não-maj”, que se envolve involuntariamente com o mundo bruxo


    Gerardo Grindelwald
    (Mads Mikkelsen)
    Acusado de crimes no mundo bruxo, ele consegue reverter as acusações


    Alvus Dumbledore
    (Jude Law)
    Proferssor de Hogwarts, teve um passado ao lado de Grindelwald


    Creedence
    (Ezra Miller)
    Mago com poderes gigantescos, uma mente confusa e um segredo de família


    Queenie Goldstein
    (Alison Sudol)
    Alvo da paixão de Kowalski, parece mudar de lado e se aliar a Grindelwald


    Vicenza Santos
    (Maria Fernanda Cândido)
    Principal candidata à presidência da Confederação Internacional dos Bruxos

  • Cinema

    ‘Belfast’ é um retrato do fim dos anos 1960 que, infelizmente, ficou bem atual

    Buddy (Jude Hill) entre os avós em ‘Belfast’: autobiografia de Branagh
    Buddy brinca na rua: tentativa de manter a vida normal
    Buddy (Jude Hill) entre os avós em ‘Belfast’: autobiografia de Branagh
    Buddy (Jude Hill) entre os avós em ‘Belfast’: autobiografia de Branagh (Foto: Copyright Rob Youngson / Focus Features)
    Buddy brinca na rua: tentativa de manter a vida normal
    Buddy brinca na rua: tentativa de manter a vida normal

    Não é qualquer um que consegue fazer um filme autobiográfico e se encher de indicações ao Oscar. Mas o ator e diretor Kenneth Branagh conseguiu fazer isso em ‘Belfast’, filme que estreia no dia 10 em Curitiba. A boa notícia é que o filme passa longe de ser uma exaltação à carreira dele mesmo e traz um recorte de vida que mistura o lado lúdico da infância e a tensão do mundo em volta. Em seu filme mais autoral, literalmente falando, Branagh recebeu três indicações ao prêmio: uma de produtor, uma de diretor e uma de roteirista. A má notícia é que o filme, que se passa no fim dos anos 1960, ficou incrivelmente atual.

    Quanto às indicações ao Oscar, elas não se resumiram a Branagh. Houve outras quatro indicações: atriz coadjuvante (Judi Dench), ator coadjuvante (Ciarán Hinds), canção original (‘Down to Joy’, de Van Morrison) e melhor som. Na parte técnica, também é de se ressaltar o trabalho do diretor de fotografia Haris Zambarloukos e um belo trabalho em preto-e-branco, com algumas poucas pinceladas em cores.

    Em ‘Belfast’, o ano é 1969. O personagem que viria a se tornar Kenneth Branagh tem apenas 9 anos e é chamado apenas de “Buddy” (Jude Hill). Ele tem um irmão mais velho (Lewis McAskie), a mãe (Caitriola Balfe) e o pai (Jamie Dorman), e no filme eles são chamados de Will, Ma e Pa. Mais genérico que isso, impossível. Também estão presentes a avó (Judi Dench) e o avô (Ciarán Hinds), pais do pai dele. O pai é carpinteiro e, por causa do trabalho, acaba passando vários dias fora de casa. A mãe é dona de casa, os avós são aposentados, as crianças se divertem na rua. Buddy gosta de uma menina na escola, brinca de capa, escudo e espada, se encanta quando vai ao cinema, tenta imitar as jogadas de Danny Blanchflower – um futebolista norte-irlandês que se destacou na Copa de 1958 e virou ídolo no Tottenham, da Inglaterra. Uma família comum de Belfast, pertencente à classe trabalhadora, de religião protestante, com contas a pagar.

    A infância de Buddy pareceria bastante ordinária, não fosse por um detalhe: esse recorte de vida está inserido no contexto dos conflitos entre protestantes (maioria) e católicos (minoria), uma mistura de guerra santa, briga de gangues e guerrilha civil que ceifou muitas vidas e criou um clima de terror na Irlanda do Norte. Naquele ano de 1969, protestantes chegavam a jogar pedras e bombas caseiras em católicos e vice-versa. Para piorar, quando a polícia se metia na história, a coisa piorava. Anos depois, quando o exército inglês se meteu, aí a coisa degringolou de vez. Basta dizer que o dia 30 de janeiro de 1972 ficou conhecido como “domingo sangrento” – não foi à toa que John Lennon, em 1972, e a banda U2, em 1983, escreveram músicas chamadas ‘Sunday Bloody Sunday’. A rigor, esses conflitos só pararam em 1998, após um acordo que estabeleceu bases para um novo governo em que católicos e protestantes compartilhassem o poder e fossem iguais. Mesmo assim, ainda há alguns problemas ocasionais.

    Dito isso, Branagh poderia ceder à tentação de mostrar o mal que esse conflito faz em uma criança de 9 anos – como Steven Spielberg fez em ‘Império do Sol’, de 1987. Ou poderia escolher um lado do conflito e mostrar como a criança de 9 anos é protegida pelo pai – como Roberto Benigni fez em ‘A Vida é Bela’. Mas ele optou por focar na vida cotidiana dessa criança de 9 anos, deixando o conflito como plano de fundo. Mas não totalmente de fora, já que as ocorrências entre protestantes e católicos impactam na vida do menino.

    Branagh não pensou nisso, nem planejou isso, mas ‘Belfast’ ficou incrivelmente atual. O filme era para estrear em 17 de fevereiro, mas a data foi adiada para 10 de março. Nesse meio-tempo, a Ucrânia virou um palco de guerra, após a invasão russa. As imagens de uma guerra ocorrendo em tempo real em 2022 ajudam a perceber como é difícil tentar levar uma vida normal em cenários desse tipo, seja na Ucrânia, seja na Irlanda do Norte, ou qualquer outro lugar. Sair de lá ou ficar, eis a questão. Conflitos como esses são cada vez mais absolutamente sem sentido. Por que eles existem? Quando a isso, quem responde é o avô de Buddy: “Se houvesse uma única resposta, os homens não estariam se matando”.

    O elenco de ‘Belfast’


    Jude Hill
    Personagem: Buddy

    Caitriona Balfe
    Personagem: Ma

    Jamie Dornan
    Personagem: Pa

    Lewis McAskie
    Personagem: Will


    Ciarán Hinds
    Personagem: Pop

    Judi Dench
    Personagem: Granny

    Colin Morgan
    Personagem: Billy Clanton

    Josie Walker
    Personagem: Auntie Violet

  • Cinema

    Hercule Poirot retorna à cena em ‘Morte no Nilo’

    Hercule Poirot (Kenneth Branagh): um crime e mais de uma dezena de suspeitos
    Hercule Poirot (Kenneth Branagh): um crime e mais de uma dezena de suspeitos (Foto: Divulgação)

    Depois que Kenneth Branagh dirigiu e interpretou o clássico detetive Hercule Poirot, em ‘Assassinato no Expresso do Oriente’, cinco anos atrás, era questão de tempo para ele aparecer de novo. Esse tempo passou, e o Poirot de Branagh está de volta à telona, desta vez em ‘Morte no Nilo’, que estreia hoje em Curitiba.

    Poirot foi um dos dois detetives criados pela escritora britânica Agatha Christie – o outro é Miss Marple. Poirot é belga, excêntrico e vaidoso, mas consegue resolver assassinatos. A comparação com outro famoso detetive da literatura, Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle, é inevitável. A diferença recai sobre a estrutura das histórias. Holmes resolve os crimes junto ao parceiro inseparável, Watson, e a linha narrativa foca nos dois e no caminho para resolver o mistério. No caso das histórias de Poirot, Agatha Christie sempre acha espaços para colocar um militar, um indiano, uma aristocrata e, principalmente, uma crítica nem sempre sutil à sociedade britânica.

    ‘Morte no Nilo’ não foge a isso. Além do casamento de interesses que movimenta a história, há criticas à luta de classes trabalhadoras, ao uso extravagante de dinheiro e aos relacionamentos entre diferentes classes sociais. A trama se passa no ano de 1937. Durante um cruzeiro em um barco de luxo pelo rio Nilo, no Egito, uma rica mulher é morta. Coincidência ou não, quase todos os passageiros têm motivos para matá-la. Caberá ao detetive Poirot descobrir a verdade. Logicamente, ele interroga todos — em dado momento, coloca a culpa em cada um dos interrogados — até chegar à conclusão final.

    Em sua adaptação do livro de Agatha Christie, Branagh opta por limar alguns personagens — caso do coronel Race — e trocar nomes de outros — Andrew Pennington, o administrador de finanças no livro, vira Andrew Katchadourian. Além disso, há mudanças na essência de outros personagens. Na obra original, Salome Otterbourne é uma escritora de romances eróticos e tem uma filha, Rosalie. No filme de 2022, Salomé é uma cantora de blues, norte-americana e negra — o que, nos anos 1930, significa ser vítima de racismo — e Rosalie é sua sobrinha (e também vítima de racismo). além disso, a relação da ricaça Marie Van Schuyler com sua criada, Bowers, vai além do que se imagina a princípio. A atualização de uma trama de 1937 com temas mais contemporâneos é uma das virtudes desse filme.

    Quanto à parte militar, Branagh insere uma breve história de origem de Poirot. Em 1914, ainda jovem, o belga era um soldado nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. E já demonstrava poderes de observação e dedução acima da média — graças aos quais seu pelotão obteve uma pequena vitória em uma batalha campal. Além disso, o episódio serviu de justificativa para o bigode extravagante de Poirot.

    ‘Morte no Nilo’ já foi adaptado outras vezes. A versão mais lembrada é o de 1978, com nomes como Peter Ustinov, Bette Davis, Angela Lansbury, Maggie Smith e David Niven, todos vencedores de Oscars, além de Mia Farrow e Jon Finch, entre outros. Se há um pecado no filme atual, é não contar com um elenco tão recheado de estrelas quanto o longa de 1978. Desta vez, além de Branagh, os nomes mais conhecidos são os de Gal Gadot (‘Mulher-Maravilha’), Annette Bening (‘Bugsy’ e ‘Beleza Americana’) e Letitia Wright (‘Pantera-Negra’) – em menor escala, Armie Hammer (‘O Agente de UNCLE’) e Jennifer Saunders (cantora e dubladora da fada má de ‘Shrek 2’). Até mesmo ‘Assassinato no Expresso do Oriente’, de 2017, tinha um elenco mais estrelado, com Michelle Pfeiffer, Johnny Depp, Daisy Ridley, Penélope Cruz, Olivia Colma, Derek Jacobi e Willem Defoe.

    Nada indica que Branagh vá parar por aí. Hercule Poirot apareceu em 39 livros de Agatha Christie – além de dois outros, escritos por Sophie Hannah, com a bênção da família da autora. Não falta material para trazer à telona. E não falta energia a Branagh, que daqui a duas semanas vai lançar outro filme, ‘Belfast’, dono de sete indicações ao Oscar (inclusive três para ele mesmo).

    Rápida

    Adiamentos
    Como muitos filmes produzidos nos últimos anos, ‘Morte no Nilo’ também sofreu com a pandemia da Covid-19. As filmagens foram executadas entre setembro e dezembro de 2019, no Longcross Studios, em Surrey (Inglaterra), e no Egito. A pandemia interrompeu o processo de pós-produção em fevereiro de 2020. Por causa da pandemia, o filme seria lançado em março de 2021. Seria, porque na época o ator Armie Hammer foi acusado de canibalismo e também foi investigado por estupro pela polícia de Los Angeles. A Disney, produtora do filme, optou por segurar o filme por mais um ano, até que a poeira baixasse.

    Os envolvidos

    Salome Otterbourne
    (Sophie Okonedo)
    A cantora

    Rosalie Otterbourne
    (Letitia Wright)
    A ex-amiga da ricaça

    Linus Windlesham
    (Russell Brand)
    Ex-noivo da ricaça

    Andrew Katchadourian
    (Ali Fazal)
    Primo e contador da ricaça

    Marie Van Schuyler
    (Jennifer Saunders)
    A aristocrata norte-americana

    Bowers
    (Dawn French)
    Criada de Van Schuyler


    Bouc
    (Tom Bateman)
    O amigo de Poirot

    Linnet Ridgeway
    (Gal Gadot)
    A ricaça

    Simon Doyle
    (Armie Hammer)
    Casou com a ricaça

    Jacqueline de Bellefort
    (Emma Mackey)
    A ex-noiva abandonada

    Euphemia Bouc
    (Annette Bening)
    A mãe aristocrata de Bouc

    Louise Bourget
    (Rose Leslie)
    A criada

  • Cinema

    Oscar recria ‘duelo’ entre Jane Campion e Spielberg

    (Foto: Divulgação)

    A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou ontem os indicados ao Oscar 2022. ‘Ataque dos Cães’ foi o campeão de indicações, 12 ao todo, seguido de ‘Duna’ (10), ‘Belfast’ (7) e ‘Amor, Sublime Amor’ (7). Mas a disputa tende a ficar entre ‘Ataque dos Cães’, de Jane Campion, e ‘Amor, Sublime Amor’, de Steven Spielberg. O que recria um duelo ocorrido no Oscar de 1994.

    Em 1993, Spielberg lançou ‘A Lista de Schindler’ e Jane Campion fez ‘O Piano’. Na ocasião, a diretora neozelandesa era menos conhecida. Spielberg, por sua vez, havia sido preterido algumas vezes no Oscar em anos anteriores, mesmo tendo feito filmes mais relevantes que os vencedores – para citar só um exemplo: ‘Caçadores da Arca Perdida’, o primeiro filme do herói Indiana Jones, perdeu para ‘Carruagens de Fogo’, do qual apenas a música é conhecida. Naquele ano de 1994 (a premiação é sempre no ano seguinte ao lançamento do filme), dadas todas as circunstâncias que envolvem o prêmio, não havia como não dar a Spielberg os Oscars de melhor filme e diretor por ‘Schindler’. De fato, ele ganhou. Jane Campion levou o de roteiro.

    Desta vez, Jane Campion larga na frente com ‘Ataque dos Cães’, um western com nenhuma ação (e, curiosamente, filmado na Nova Zelândia). Ela recebeu três indicações: melhor filme (é uma das produtoras), melhor diretora e melhor roteiro adaptado. ‘Amor, Sublime Amor’, uma refilmagem do musical clássico de 1961, levou sete indicações, sendo duas para Spielberg como melhor diretor e melhor filme (ele é produtor).

    ‘Ataque dos Cães’ e ‘Amor, Sublime Amor’ estão entre os 10 indicados ao prêmio máximo do Sindicato dos Produtores (PGA), um dos termômetros do Oscar – a premiação sairá no dia 19 de março. E ambos foram os vencedores do Globo de Ouro (outro termômetro do Oscar) em suas respectivas categorias: Melhor Filme Dramático e Melhor Filme Musical ou Comédia.

    ‘Duna’, apesar das 10 indicações, tende a ficar apenas com os prêmios técnicos, como Melhores Efeitos Visuais, Melhor Som ou Melhor Montagem. E ‘Belfast’ deve consagrar Kenneth Branagh apenas como autor do Melhor Roteiro Original — a história é autobiográfica. Os outros correm por fora.

    Uma surpresa entre os indicados ao melhor filme é o japonês ‘Drive My Car’. Contudo, desta vez, são pequenas as chances de repetir o feito do sul-coreano ‘Parasita’, que levou o Oscar de melhor filme em 2020.

    Principal prêmio do cinema internacional, o Oscar volta a ter um apresentador neste ano e será realizado no Dolby Theatre, em Los Angeles (EUA), no dia 27 de março. Esta é a 94ª edição do prêmio da Academia.

    Brasil

    ‘Deserto Particular’ foi escolhido pelo Brasil para representar o país na categoria melhor filme internacional, mas o longa de Aly Muritiba não passou pela primeira fase da seleção, em dezembro. Já o curta ‘Seiva Bruta’ não conseguiu passar de fase e não levou nenhuma indicação à estatueta.

    TODOS OS INDICADOS AO OSCAR

    MELHOR FILME
    ‘Belfast’
    ‘No Ritmo do Coração’
    ‘Não Olhe Para Cima’
    ‘Drive My Car’
    ‘Duna’
    ‘King Richard: Criando Campeãs’
    ‘Licorice Pizza’
    ‘O Beco do Pesadelo’
    ‘Ataque dos Cães’
    ‘Amor, Sublime Amor’

    MELHOR ATRIZ
    Jessica Chastain, por ‘The Eyes of Tammy Faye’
    Olivia Colman, por ‘A Filha Perdida’
    Penélope Cruz, por ‘Mães Paralelas’
    Nicole Kidman, por ‘Apresentando os Ricardos’
    Kristen Stewart, por ‘Spencer’

    MELHOR ATOR
    Javier Bardem, por ‘Apresentando os Ricardos’
    Benedict Cumberbatch, por ‘Ataque dos Cães’
    Andrew Garfield, por ‘Tick, Tick... Boom!’
    Will Smith, por ‘King Richard: Criando Campeãs’
    Denzel Washington, por ‘A Tragédia de Macbeth’

    MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
    Jessie Buckley, em A Filha Perdida’
    Ariana DeBose, em Amor, Sublime Amor’
    Judi Dench, em Belfast’
    Kirsten Dunst, em Ataque dos Cães’
    Aunjanue Ellis, por ‘King Richard: Criando Campeãs’

    MELHOR ATOR COADJUVANTE
    Ciarán Hinds, por ‘Belfast’
    Troy Kotsur, por ‘No Ritmo do Coração’
    Jesse Plemons, por ‘Ataque dos Cães’
    J.K. Simmons, por ‘Apresentando os Ricardos’
    Kodi Smit-McPhee, por ‘Ataque dos Cães’

    MELHOR DIREÇÃO
    Kenneth Branagh, por ‘Belfast’
    Ryûsuke Hamaguchi, por ‘Drive My Car’
    Paul Thomas Anderson, por ‘Licorice Pizza’
    Jane Campion, por ‘Ataque dos Cães’
    Steven Spielberg, por ‘Amor, Sublime Amor’

    MELHOR FILME INTERNACIONAL
    ‘Drive My Car (Japão)’
    ‘Flee (Dinamarca)’
    ‘A Mão de Deus (Itália)’
    ‘Lunana: A Yak in the Classroom (Butão)’
    ‘The Worst Person in the World (Noruega)’

    MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
    Siân Heder, por ‘No Ritmo do Coração’
    R. Hamaguchi & Takamasa Oe, por ‘Drive My Car’
    Jon Spaiths, Denis Villeneuve & Eric Roth, por ‘Duna’
    Maggie Gyllenhaal, por ‘A Filha Perdida’
    Jane Campion, por ‘Ataque dos Cães’

    MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
    Kenneth Branagh, por ‘Belfast’
    Adam McKay, por ‘Não Olhe Para Cima’
    Zach Baylin, por ‘King Richard: Criando Campeãs’
    Paul Thomas Anderson, por ‘Licorice Pizza’
    Eskil Vogt & Joachim Trier, por ‘The Worst Person in the World’

    MELHOR FIGURINO
    Jenny Beavan, por ‘Cruella’
    Massimo Cantini Parrini & Jacqueline Durran, por ‘Cyrano’
    Jacqueline West & Robert Morgan, por ‘Duna’
    Luis Sequeira, por ‘O Beco do Pesadelo’
    Paul Tazewell, por ‘Amor, Sublime Amor’

    MELHOR TRILHA ORIGINAL
    Nicholas Britell, por ‘Não Olhe Para Cima’
    Hans Zimmer, por ‘Duna’
    Germaine Franco, por ‘Encanto’
    Alberto Iglesias, por ‘Mães Paralelas’
    Jonny Greenwood, por ‘Ataque dos Cães’

    MELHOR ANIMAÇÃO
    ‘Encanto’
    ‘Flee’
    ‘Luca’
    ‘A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas’
    ‘Raya e o Último Dragão’

    MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
    ‘Affairs of the Art’
    ‘Bestia’
    ‘Boxballet’
    ‘Robin Robin’
    ‘The Windshield Wiper’

    MELHOR CURTA EM LIVE-ACTION
    ‘Ala Kachuu Take and Run’
    ‘The Dress’
    ‘The Long Goodbye’
    ‘On My Mind’
    ‘Please Hold’

    MELHOR DOCUMENTÁRIO
    ‘Ascension’
    ‘Attica’
    ‘Flee’
    ‘Summer of Soul (... ou Quando a Revolução Não Pode Ser Televisionada)’
    ‘Writing with Fire’

    MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
    ‘Audible’
    ‘Lead Me Home’
    ‘The Queen of Basketball’
    ‘Three Songs for Ben Azir’
    ‘When We Were Bullies’

    MELHOR FOTOGRAFIA
    Greig Fraser, por ‘Duna’
    Dan Lautsen, por ‘O Beco do Pesadelo’
    Ari Wegner, por ‘Ataque dos Cães’
    Bruno Delbonnel, por ‘A Tragédia de Macbeth’
    Janusz Kominski, por ‘Amor, Sublime Amor’

    MELHOR MONTAGEM
    ‘Hank Corwin, por ‘Não Olhe Para Cima’
    ‘Joe Walker, por ‘Duna’
    ‘Pamela Martin, por ‘King Richard: Criando Campeãs’
    ‘Peter Sciberras, por ‘Ataque dos Cães’
    ‘Myron Kerstein & Andrew Weisblum, por ‘Tick, Tick... Boom!’

    MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
    ‘Um Príncipe em Nova York 2’
    ‘Cruella’
    ‘Duna’
    ‘The Eyes of Tammy Faye’
    ‘Casa Gucci’

    MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
    Be Alive King Richard: Criando Campeãs’
    Dos Oruguitas Encanto’
    Down to Joy Belfast’
    No Time to Die 007 Sem Tempo Para Morrer’
    Somehow You Do Four Good Days’

    MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
    Patrick Vermette, por ‘Duna’
    Tamara Deverell, por ‘O Beco do Pesadelo’
    Grant Major, por ‘Ataque dos Cães’
    Stefan Decbant, por ‘A Tragédia de Macbeth’
    Adam Stockhausen, por ‘Amor, Sublime Amor’

    MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
    ‘Duna’
    ‘Free Guy: Assumindo o Controle’
    ‘007 Sem Tempo Para Morrer’
    ‘Shang-Chi e a Lenda dos 10 Anéis.’
    ‘Homem-Aranha: Sem Volta para Casa’

    MELHOR SOM
    ‘Belfast’
    ‘Duna’
    ‘007 Sem Tempo Para Morrer’
    ‘Ataque dos Cães’
    ‘Amor, Sublime Amor’

  • Cinema

    Mestre da música de cinema, John Williams completa 90 anos

    John Williams entre personagens de ‘Star Wars’
    John Williams entre personagens de ‘Star Wars’ (Foto: Reprodução)

    O que Darth Vader, Superman, Drácula, John Kennedy, um tubarão branco, Harry Potter e um tiranossauro rex têm em comum? Todos foram retratados em filmes cuja trilha sonora foi composta por um mestre do assunto: John Williams, que completa 90 anos hoje.

    John Towner Williams nasceu em 8 de fevereiro de 1932, em Nova York, e tinha a música em seu DNA. Seu pai, John Williams Sr., era um percussionista de jazz que tocava com a Raymond Scott Quintet. Em 1948, mudou-se para Los Angeles com a família. Chegou a fazer arranjos para o Air Force Band quando serviu ao exército dos EUA , de 1952 a 1955. Depois disso, voltou para Nova York e trabalhou como pianista de jazz em clubes na cidade.

    Em 1959, o músico assinou sua primeira trilha sonora para o cinema: ‘Daddy-O’. Nos anos 60, fez trabalhos de boa qualidade, mas sem tanta expressão. Ganhou notoriedade a partir de 1971, quando faturou o primeiro de cinco Oscars, com a adaptação, para o cinema, do musical ‘Um Violinista no Telhado’. A partir daí, a carreira decolou.

    De 1975 a 1997, Williams foi uma espécie de Midas das bilheterias. Nesse período, os filmes que se estabeleceram como maior renda de todos os tempos tinham a sua colaboração nas trilhas sonoras, casos de ‘Tubarão’ (1975), ‘Star Wars — Uma Nova Esperança’ (1977), ‘ET’ (1982) e ‘Jurassic Park’ (1993). A série foi quebrada com ‘Titanic’ (1997), cuja trilha é de James Horner.

    Outro fator que atesta a grandiosidade da obra de John Williams é o Oscar, da Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood. O músico soma cinco estatuetas. Se a vitória pode ser considerada questão pontual ou não, o número de indicações não deixa dúvidas quanto à qualidade do trabalho. Em mais de 60 anos de carreira, foram 53 nominações, entre trilhas e canções escritas por ele. Mais de uma vez, ele recebeu duas em um único ano, por trilhas diferentes. Dentre artistas de todos os gêneros do cinema, é o segundo mais indicado na história — perde apenas para o produtor Walt Disney, com 57 — e o maior indicado ainda vivo.

    De todos os trabalhos de Williams, o mais cultuado é ‘Star Wars IV: Uma Nova Esperança’, de 1977. Isso pôde ser atestado quando o músico retomou o tema para a segunda trilogia de George Lucas, no fim do século 20. Muitos dos músicos da Orquestra Sinfônica de Londres escalados para tocar em ‘A Ameaça Fantasma’ (1999) admitiram que se apaixonaram pela música erudita por influência de ‘Star Wars’, executada com a mesma Sinfônica de Londres mais de vinte anos antes.

    O diretor Steven Spielberg atesta a criatividade — e também um lado bem-humorado — do compositor. Ocorreu quando ouviu que a trilha de ‘Tubarão’ seria basicamente dois acordes — dó e dó menor — se alternando nas teclas mais graves do piano. “Achei que era brincadeirinha. Ele é um grande gozador”, chegou a dizer Spielberg. A brincadeirinha rendeu um Oscar a Williams e tornou-se a máxima referência para músicas de suspense.

    Com Spielberg, Williams estabeleceu aquela que é a mais longa parceria do cinema — desde 1974, com ‘Louca Escapada’. São 48 anos e 26 filmes nessa lista. Aliás, apenas Spielberg e a série de filmes de ‘Star Wars’ foram capazes de tirar John Williams de sua semiaposentadoria. Desde 2002, quando completou 70 anos, o compositor fez apenas dois filmes “novos”: ‘Memórias de uma Gueixa’, de 2005, e ‘A Menina que Roubava Livros’, de 2013’. Seus trabalhos desde então incluem apenas parcerias antigas, como ‘Star Wars’, ‘Harry Potter’ e os filmes de Spielberg – o último com trilha dele foi em 2017: ‘The Post: A Guerra Secreta’. Mas Williams foi consultor musical no último filme do diretor, ‘Amor: Sublime Amor’, lançado neste ano. Ele não para. E a Academia provavelmente não vai parar de indicá-lo ao Oscar.

    A filmografia completa de John Williams

    1959: Daddy-O
    1960: Because They’re Young
    1960: I Passed for White
    1961: The Secret Ways
    1962: Bachelor Flat
    1962: Stark Fear
    1963: Diamond Head
    1963: Gidget Goes to Rome
    1964: The Killers
    1965: John Goldfarb
    1965: None But the Brave
    1965: Katherine Reed Story
    1966: How to Steal a Million
    1966: Not With My Wife
    1966: Penelope
    1966: The Plainsman
    1966: The Rare Breed
    1966: The Time Tunnel (TV)
    1967: A Guide for Married Man
    1967: Fitzwilly
    1967: Valley of the Dolls (I)
    1969: Adeus, Mr. Chips (I)
    1969: Daddy’s Gone A-Hunting
    1969: The Reivers (I)
    1971: Story of a Woman
    1971: Um Violinista no Telhado (adaptação) (V)
    1972: Imagens (I)
    1972: Destino de Poseidon (I)
    1972: Reencontro de Amor
    1972: The Cowboys
    1972: Images (I)
    1972: La Mancha
    1973: Amor Feito de Ódio
    1973: Licença Para Amar até a Meia-Noite (I)
    1973: O Homem que Eu Escolhi
    1973: The Long Goodbye
    1973: Tom Sawyer (adaptação)(I)
    1974: Conrack
    1974: Inferno na Torre (I)
    1974: Louca Escapada
    1974: Terremoto
    1975: Escalado para Morrer
    1975: Tubarão (V)
    1976: A Batalha de Midway
    1976: Duelo de Gigantes
    1976: Trama Macabra
    1977: Star Wars Ep. IV: Uma Nova Esperança (V)
    1977: Contatos Imediatos de Terceiro Grau (I)
    1977: Domingo Negro
    1978: A Fúria
    1978: Superman (I)
    1978: Tubarão 2
    1979: 1941
    1979: Drácula
    1980: Star Wars Ep. V: O Império Contra-Ataca (I)
    1981: Heartbeeps
    1981: Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (I)
    1982: E.T.: O Extraterrestre (V)
    1982: Monsenhor
    1982: Yes, Giorgio
    1983: Star Wars Ep. VI: O Retorno do Jedi (I)
    1984: Indiana Jones e o Templo da Perdição (I)
    1984: O Rio do Desespero (I)
    1986: SpaceCamp
    1987: As Bruxas de Eastwick (I)
    1987: Império do Sol (I)
    1988: O Turista Acidental (I)
    1989: Além da Eternidade
    1989: Indiana Jones e a Última Cruzada (I)
    1989: Nascido em 4 de Julho (I)
    1990: Acima de Qualquer Suspeita
    1990: Esqueceram de Mim (I)
    1990: Para Iris com Amor
    1991: Hook: A Volta do Capitão Gancho
    1991: JFK (I)
    1992: Esqueceram da Mim 2: Perdido em Nova York
    1992: Um Sonho Distante
    1993: A Lista de Schindler (V)
    1993: Jurassic Park
    1994: Stargate
    1995: Nixon (I)
    1995: Sabrina (I)
    1996: Sleepers (I)
    1997: Amistad (I)
    1997: Massacre de Rosewood
    1997: Jurassic Park: O Mundo Perdido
    1997: Sete Anos no Tibet
    1998: Lado a Lado
    1998: O Resgate do Soldado Ryan (I)
    1999: As Cinzas de Angela (I)
    1999: Star Wars Ep. I: A Ameaça Fantasma
    2000: O Patriota (I)
    2001: A.I.: Inteligência Artificial (I)
    2001: Harry Potter e a Pedra Filosofal (I)
    2002: Harry Potter e a Câmara Secreta
    2002: Minority Report
    2002: Prenda-me Se For Capaz (I)
    2002: Star Wars Ep. II: Ataque dos Clones
    2004: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (I)
    2004: O Terminal
    2005: Guerra dos Mundos
    2005: Memórias de uma Gueixa (I)
    2005: Munique (I)
    2005: Star Wars Ep. III: A Vingança dos Sith
    2008: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
    2011: Aventuras de Tintin (I)
    2011: Cavalo de Guerra (I)
    2012: Lincoln (I)
    2013: A Menina que Roubava Livros (I)
    2015: Star Wars: O Despertar da Força (I)
    2017: Star Wars: Os Últimos Jedi (I)
    2017: The Post: A Guerra Secreta
    2019: Star Wars: A Ascensão Skywalker (I)
    (I): trilhas indicadas ao Oscar.
    (V): venceram o prêmio
    Canções indicadas ao Oscar
    1973: ‘Nice to be Around’, de O Homem que Eu Escolhi
    1982: ‘If We Were In Love’, de Yes, Giorgio
    1990: ‘Somewhere In My Memory’, de Esqueceram de Mim
    1991: ‘When You’re Alone’, de Hook’: A Volta do Capitão Gancho
    1995: ‘Moonlight’, de Sabrina

  • Cinema

    Dez filmes ‘de Oscar’ e onde ver

    Cena do filme Amor, Sublime Amor
    Cena do filme Amor, Sublime Amor (Foto: Fotos Divulgação)

    Fevereiro começa com cheiro de Oscar. A lista de indicados deve ser divulgada na próxima terça-feira, mas já é possível projetar os filmes com mais chance de indicação ao prêmio máximo. Alguns já estrearam nos cinemas, outros ainda vão estrear neste mês de fevereiro – casos de ‘Belfast’ e ‘Licorice Pizza’. E há aqueles que estão disponíveis em streamings como Netflix, HBO Max e Amazon Prime.

    A temporada de premiações, contudo, já começou. O Sindicato dos Produtores de Hollywood, que é visto como prévia do Oscar, divulgou uma lista de 10 indicados na última semana (ver os 10 no quadro). Outra premiação relevante, o Globo de Ouro, até já entregou seus troféus. O Globo de Ouro divide as indicações de melhor filme em duas categorias: drama (cinco nominados) e musical ou comédia (outros cinco).

    As duas listam se repetem em 90%. Ou seja, dos 10 indicados ao prêmio do Sindicato dos Produtores, nove estão elacionados nas duas categorias do Globo de Ouro. A exceção é ‘Apresentando os Ricardos’, presente na lista do Sindicato; no Globo de Ouro, o 10º indicado é ‘Cyrano’.

    No Globo de Ouro, os vencedores foram ‘Amor, Sublime Amor’ (musical ou comédia), de Steven Spielberg, e ‘Ataque dos Cães’ (drama), de Jane Campion. Em tese, a premiação já os coloca em vantagem na corrida para o Oscar. Curiosamente os dois diretores eram os dois principais favoritos ao Oscar em 1994. Spielberg havia dirigido ‘A Lista de Schindler’ e Jane era a diretora de ‘O Piano’. Naquele ano, ‘Schindler’ levou sete prêmios, dois deles para Spielberg (um como diretor e outro como produtor). Jane Campion perdeu o de melhor direção, mas levou o de roteiro. Desta vez, as apostas recaem ela.

    A cerimônia do Oscar 2022 teve a data confirmada para 27 de março, apesar da pandemia da Covid-19.

    Os Dez mais cotados às indicações ao Oscar de melhor filme

    Amor, Sublime Amor
    Direção: Steven Spielberg
    Sinopse: Refilmagem do musical de 1961, que na época venceu dez Oscars. É um romance à la Romeu e Julieta com duas gangues de Nova York como pano de fundo. A atriz Rita Moreno, presente no filme de 1961, está nesta refilmagem.
    Onde ver: saiu de cartaz em Curitiba nesta quinta-feira (3), mas deve entrar na Disney+ ou na Star+.

    Apresentando os Ricardos
    Direção: Aaron Sorkin
    Sinopse: Traz a relação nos bastidores entre Lucille Ball (Nicole Kidman) e Desi Arnaz (Javier Bardem), que eram atores de pouco sucesso até virarem estrelas do showbiz com ‘I Love Lucy’, que virou um clássico da televisão americana.
    Onde ver: Saiu de cartaz nos cinemas, mas está na Amazon Prime.

    Ataque dos Cães
    Direção: Jane Campion
    Sinopse: No estado de Montana, nos anos 1920, Um rancheiro amargurado (Benedict Cumberbatch) atormenta a noiva mulher do irmão (Kirsten Dunst) e o filho dela, enquanto ele mesmo não descobre o amor verdadeiro.
    Onde ver: Netflix.

    Belfast
    Direção: Kenneth Branagh
    Sinopse: A vida de uma família irlandesa em Belfast, durante os confrontos violentos de 1969. O roteiro é uma autobiografia do próprio Kenneth Branagh. Ele tem boas chances de ser indicado como produtor, diretor e roteirista.
    Onde ver: estreia nos cinemas em 24 de fevereiro

    Duna
    Direção: Denis Villeneuve
    Sinopse: Adaptação de metade do livro escrito por Frank Herbert, que virou um clássico da ficção científica. O filho de uma família nobre assume um papel messiânico de proteger a substância mais valiosa da galáxia.
    Onde ver: HBO Max, Now, AppleTV, Looke, Google Play e Microsoft Store.
    King Richard: Criando Campeãs
    Direção: Reinaldo Marcus Green
    Sinopse: O filme traz o início de carreira das tenistas norte-americanas Venus e Serena Williams. Richard Williams (Will Smith), pai das duas, faz de tudo para que as meninas tenham chance de brilhar e alcançar os seus sonhos.
    Onde ver: HBO Max.

    Licorice Pizza
    Direção: Paul Thomas Anderson
    Sinopse: Gary Valentine e Alana Kane crescem e se apaixonam enquanto deambulam pelo vale de San Fernando em 1973. O filme acompanha os tortuosos caminhos do primeiro amor entre os dois jovens.
    Onde ver: estreia nos cinemas no dia 17 de fevereiro

    Não Olhe para Cima
    Direção: Adam McKay
    Sinopse: Dois astrônomos tentam alertar o planeta sobre a chegada de um cometa que pode destruir a Terra. Mas sofrem com o descaso das autoridades governamentais e com as fake News sobre o tema. Uma sátira ao negacionismo.
    Onde ver: Netflix.

    No Ritmo do Coração
    Direção: Sian Heder
    Sinopse: Ruby, uma jovem de 17 anos, é a única pessoa de sua família que não tem deficiência auditiva. Quando o negócio de seus pais é ameaçado, ela fica dividida entre seu amor pela música e suas obrigações.
    Onde ver: streamings da AppleTV, Looke e Google Play.

    Tick, Tick… Boom!
    Direção: Lin-Manuel Miranda
    Sinopse: Depois de lutar por uma chance de provar seu talento na Broadway (Nova York), um compositor de músicas para peças de teatro (Andrew Garfield) entra em crise quando chega aos 30 anos e reavalia sua vida e seu futuro.
    Onde ver: Netflix.

  • Cinema

    Nessas férias, Eduardo e Mônica não vão viajar, mas vão estrear

    Para transformar uma música de 4 minutos e meio em um filme de duas horas, foi criado um contexto familiar para os dois protagonistas.
    Gabriel Leone (Eduardo)
    Alice Braga ( Mônica)
    Victor Lamoglia (Inácio/Amigo do Eduardo)
    Otávio Augusto (Bira/Avô do Eduardo)
    Juliana Carneiro da Cunha (Lara/Mãe da Mônica)
    Para transformar uma música de 4 minutos e meio em um filme de duas horas, foi criado um contexto familiar para os dois protagonistas.
    Para transformar uma música de 4 minutos e meio em um filme de duas horas, foi criado um contexto familiar para os dois protagonistas. (Foto: Divulgação/Globo Filmes)
    Gabriel Leone (Eduardo)
    Gabriel Leone (Eduardo) (Foto: Divulgação/Globo Filmes)
    Alice Braga ( Mônica)
    Alice Braga ( Mônica) (Foto: Divulgação/Globo Filmes)
    Victor Lamoglia (Inácio/Amigo do Eduardo)
    Victor Lamoglia (Inácio/Amigo do Eduardo) (Foto: Divulgação/Globo Filmes)
    Otávio Augusto (Bira/Avô do Eduardo)
    Otávio Augusto (Bira/Avô do Eduardo) (Foto: Divulgação/Globo Filmes)
    Juliana Carneiro da Cunha (Lara/Mãe da Mônica)
    Juliana Carneiro da Cunha (Lara/Mãe da Mônica) (Foto: Divulgação/Globo Filmes)

    Mônica é vegetariana. Eduardo vai tentar vestibular de Engenharia. Quem é essa Mônica e que é esse Eduardo? São os protagonistas de ‘Eduardo e Mônica’, filme baseado na música da banda Legião Urbana e que estreia no dia 20 em Curitiba. Essa comédia romântica possivelmente foi uma das coisas mais afetadas pela pandemia. A estreia deveria ser em junho de 2020, mas o fechamento das salas provocou sucessivos adiamentos. Mesmo sem ter estreado, o filme já foi exibido em festivais e ganhou prêmios, como o de Melhor Filme Estrangeiro no Festival de Cinema de Edmonton, no Canadá.

    Para transformar uma música de 4 minutos e meio em um filme de duas horas, logicamente foi necessário criar um contexto familiar para os dois protagonistas. Esse foi um dos trabalhos do diretor René Sampaio, da produtora Bianca De Felippes e dos roteiristas Matheus Souza, Jessica Candal, Michele Frantz, Claudia Souto e Gabriel Bortolini.

    O cenário é a cidade de Brasília no meio dos anos 80. Mônica (Alice Braga) é uma estudante de medicina que está nos últimos períodos do curso e procura um lugar para fazer residência médica. Ao mesmo tempo, ela adora arte. Sim, Mônica é de leão, anda de moto e bebe conhaque. Ainda tem uma irmã fitness, Karina (Bruna Spínola), e uma mãe (Juliana Carneiro da Cunha) que é médica e professora de medicina na Universidade de Brasília. Além disso, está passando por um momento familiar pesado.

    Eduardo (Gabriel Leone), por sua vez, está no cursinho e sabe tocar violão. Passou alguns apuros familiares, o que o levou a ir morar com o avô, Bira (Otávio Augusto), na Vila Militar de Brasília. Sim, Eduardo tem 16 anos, anda de bicicleta (o “camelo” da letra original) e gosta de novelas. Ainda é fã da Malu Mader e joga futebol de botão com o avô – e quase sempre perde. O carinha do cursinho que falou em uma festa legal para todos se divertirem se chama Inácio.

    É nesse clima que Eduardo encontra Mônica na fervente Brasília. A partir daí, o filme traz quase todos os elementos que constam na música assinada pelo líder da Legião Urbana, Renato Russo. Isso por si só já soa como spoiler, mas isso também é o segredo desta comédia romântica: apostar que o público conhece os personagens para o diretor e o roteirista conduzirem aquilo que não está nos versos. A começar pela trilha sonora: o filme não se limita a músicas do Legião Urbana, e sim às músicas da época. E, apesar de se passar nos anos 80, a história apresenta algumas cenas antenadíssimas com o atual momento social e político.

    Curiosamente, Alice Braga e Gabriel Leone têm entre si, na vida real, mais ou menos a mesma diferença de idade que seus personagens. A atriz, hoje com 38 anos, cai bem numa estudante universitária de 25 ou 26 anos. E o ator, que já está com 28, convence como o Eduardo, que pela letra da música tem 16 anos.

    ‘Eduardo e Mônica’ é o segundo filme baseado em letras da Legião Urbana. Antes, veio ‘Faroeste Caboclo’ (de 2013, também dirigido por René Sampaio), que colocava na telona a trama com João de Santo Cristo, Maria Lúcia e Jeremias, o traficante de renome. Renato Russo era um visionário que sabia exatamente o que estava fazendo quando era o líder da Legião Urbana. Tão visionário que talvez já prevesse que suas letras poderiam virar filmes. Não precisa parar em ‘Eduardo e Mônica’. As músicas de Renato Russo são ricas em ideias para novos filmes. ‘Pais e Filhos’ pode trazer histórias de várias famílias que se encadeiam. E ‘Dezesseis’ poderia contar a história de João Roberto, o maioral que é um cara legal e tinha um Opala metálico azul.

    ‘Perfeição’ e ‘Que País É Esse?’ não precisa, pois estão todos os dias no noticiário.

  • Cinema

    ‘Matrix: Resurrections’ faz todo o sentido na atualidade

    Thomas Anderson (Keanu Reeves) toca o espelho antes de saber que, na verdade, ele é Neo: qual a realidade?
    Trinity (Carrie-Anne Moss)
    Morpheus (Yahia Abdul-Mateen II)
    Bugs (Jessica Henwick)
    Neo encara Morpheus
    Neo e Trinity
    Thomas Anderson (Keanu Reeves) toca o espelho antes de saber que, na verdade, ele é Neo: qual a realidade?
    Thomas Anderson (Keanu Reeves) toca o espelho antes de saber que, na verdade, ele é Neo: qual a realidade?
    Trinity (Carrie-Anne Moss)
    Trinity (Carrie-Anne Moss)
    Morpheus (Yahia Abdul-Mateen II)
    Morpheus (Yahia Abdul-Mateen II)
    Bugs (Jessica Henwick)
    Bugs (Jessica Henwick)
    Neo encara Morpheus
    Neo encara Morpheus
    Neo e Trinity
    Neo e Trinity

    ‘Matrix’, filme de 1999, foi revolucionário em todos os aspectos possíveis. Desde o roteiro, que questiona a existência humana, até a estética, com tomadas e enquadramentos nunca vistos antes. Era uma obra com começo, meio e fim, bem amarrada em si mesma. Mas, como fez muito dinheiro nas bilheterias, o filme acabou criando uma armadilha para ele mesmo. Os produtores não pestanejaram em lançar duas continuações – ‘Matrix: Reloaded’ e ‘Matrix: Revolutions’, ambos de 2003 – que não chegaram aos pés da obra original. Passados quase 20 anos do último filme, chega aos cinemas ‘Matrix: Resurrections’, que estreia hoje em Curitiba. Com a mesma dupla de protagonistas – Keanu Reeves (Neo) e Carrie-Anne Moss (Trinity) – e a mesma diretora da trilogia original, Lana Wachowski. A irmã dela, Lilly Wachowski, que também dirigiu os outros filmes, desta vez está fora.

    Com ‘Matrix’ possui amplas perspectivas, é possível que nem as irmãs Lana e Lilly, diretoras do filme, nem os produtores saibam exatamente por que o filme emplacou de maneira tão forte naquele fim de século 20. Pode ter sido o roteiro, que causa aos personagens (e aos espectadores) inúmeros questionamentos à realidade que todos vivem. Pode ter sido a diferenciação filosófica entre “escolha” e “destino”. Podem ter sido as lutas de kung fu perfeitamente coreografadas. Podem ter sido as referências que permeiam o roteiro, como ‘Alice no País das Maravilhas’. Podem ter sido os enquadramentos inéditos. Pode ter sido a tomada de cenas em slow motion, jamais usadas dessa forma até então. Pode ter sido o “bullet time”, o momento mais marcante do filme, quando o protagonista Neo (Keanu Reeves) desvia de balas à queima-roupa. Pode ter sido o visionarismo visto em pequenos detalhes – a cena em que Trinity aprende a pilotar um helicóptero após um download de informações diretamente no cérebro reflete muito como o ser humano busca conhecimento atualmente, recorrendo ao Google ou a aplicativos de celular, sem muito esforço para obter esse conhecimento.

    Nas duas continuações, ‘Matrix: Reloaded’ e ‘Matrix: Revolutions’, o roteiro aposta mais nas lutas e no visual, deixando o roteiro em segundo plano. Com isso, preencheram apenas uma parte da expectativa do público em relação a eventuais continuações do filme original. Como não emplacaram da mesma forma, as ideias de possíveis sequências foram arquivadas. Por anos, ficaram apenas alimentando especulações.

    Já ‘Matrix: Resurrections’ é uma continuação de ‘Matrix’ que assume essa condição. Nessa nova história, Neo (ou melhor, Thomas Anderson) agora é um famoso designer de games, que fez o nome ao criar um jogo chamado... Matrix. Anderson é praticamente intimado pelo seu chefe (Jonathan Groff) a criar uma continuação para o jogo. Enquanto isso, a empresa na qual ele trabalha faz reuniões e reuniões, inclusive para tentar definir “o que é a Matrix?” (e, indiretamente, “por que o primeiro filme deu tão certo?”). Há exemplos explícitos de metalinguagem envolvendo até mesmo a Warner, estúdio que produziu os filmes. Em meio à inquietude de Anderson, entra em cena a jovem Bugs (Jessica Henwick), responsável por levá-lo (de novo) ao “buraco do coelho”, para reencontrar Morpheus (Yahia Abdul-Mateen II) e descobrir a realidade. Tudo isso em meio a perseguições que podem ou não ser reais. E em meio a referências ao filme original e a outros elementos da cultura pop. Exemplos? O visual de Keanu Reeves não lembra o Neo dos filmes anteriores; está mais para John Wick, herói de outra franquia estrelada pelo ator.

    ‘Matrix: Resurrections’ faz todo o sentido na atualidade. Dois grandes acertos do filme original – uma personagem feminina forte, que não sirva apenas de interesse sexual ao protagonista, e uma equipe de heróis marcada pela diversidade – foram preservados e até ampliados neste novo filme. Além disso, conseguiu reinventar uma fórmula que parecia gasta pelas continuações anteriores. E apresenta personagens já clássicos a novas gerações. Sem falar que o desenrolar da história mostra que o subtítulo “Resurrections” (ressurreições) está corretíssimo. De todas as continuações, é a que mais se aproxima do espírito do filme original. Elementos que indicam que o filme pode ser não apenas uma retomada de franquia, mas sim uma nova era.

  • Cinema

    Só Spielberg justifica refilmagem do clássico ‘Amor, Sublime Amor’

    Tony (Ansel Elgort) e Maria (Rachel Zegler) se apaixonam em ‘Amor, Sublime Amor’: ao fundo, a rivalidade das gangues dos Jets e dos Sharks
    Spielberg e os casais do filme
    Gangues em duelo no baile
    Rita Moreno ganha novo papel
    Tony (Ansel Elgort) e Maria (Rachel Zegler) se apaixonam em ‘Amor, Sublime Amor’: ao fundo, a rivalidade das gangues dos Jets e dos Sharks
    Tony (Ansel Elgort) e Maria (Rachel Zegler) se apaixonam em ‘Amor, Sublime Amor’: ao fundo, a rivalidade das gangues dos Jets e dos Sharks (Foto: Divulgação)
    Spielberg e os casais do filme
    Spielberg e os casais do filme (Foto: Divulgação)
    Gangues em duelo no baile
    Gangues em duelo no baile (Foto: Divulgação)
    Rita Moreno ganha novo papel
    Rita Moreno ganha novo papel (Foto: Divulgação)

    Filmes musicais foram uma grande onda do cinema nos anos 1960. Só entre os vencedores de Oscar nessa década, houve ‘Amor, Sublime Amor’ (1961), ‘My Fair Lady’ (1964), ‘A Noviça Rebelde’ (1965) e ‘Oliver’ (1968). Mas, passados 60 anos, os musicais viraram démodé – ‘La La Land’, de 2016, é uma exceção, e ‘Cats’, de 2019, depõe contra esse gênero de filmes na atualidade. Além disso, refilmagens de filmes grandiosos do passado não costumam dar bons resultados, vide os exemplos de ‘Ben-Hur’ e ‘A Volta ao Mundo em 80 Dias’. Dito isso, a única coisa que realmente justifica uma refilmagem do musical ‘Amor, Sublime Amor’ tem nome e sobrenome: Steven Spielberg.

    Spielberg é um dos maiores nomes da história do cinema e tem uma cinebiografias das mais diversificadas. Fez filmes que beiram o terror (‘Tubarão’), emocionantes aventuras infantojuvenis (‘ET’), super-heróis, ou quase isso (‘Indiana Jones’), dramas pesados (’A Lista de Schindler’), animações (‘As Aventuras de Tintin’), romances (‘Alem da Eternidade’), filmes de guerra (‘O Resgate do Soldado Ryan’), ficção científica (‘Minority Report’), mundos virtuais (‘Jogador Número 1’) e até dinossauros (‘Jurassic Park’). Faltava um musical em sua carreira.

    Originalmente, ‘Amor, Sublime Amor’ é uma versão da peça musical ‘West Side Story’, que estreou em 1957 na Broadway. Baseada num livro de Arthur Laurents, a peça tem músicas assinadas por Leonard Bernstein (melodias) e Stephen Sondheim (letras). No West Side, um bairro pobre de Manhattan (Nova York), há a gangue dos Jets, composta basicamente por proletários de origem irlandesa, e a dos Sharks, composta basicamente por imigrantes de Porto Rico e seus descendentes. Em meio à rivalidade entre as duas gangues, a portorriquenha Maria (Rachel Zegler) se apaixona por Tony (Ansel Elgort). Maria é irmã de Bernardo (David Alvarez), líder dos Sharks, ao passo que Tony já foi líder dos Jets. Parece uma versão de ‘Romeu e Julieta’, de Shakespeare? Sem dúvida; tem até cena do balcão.

    Em sua época, ‘Amor, Sublime Amor’ levou 10 Oscars – incluindo melhor filme e diretor, para Robert Wise. E pelo menos quatro das músicas de Leonardo Bernstein e Stephen Sondheim viraram hits globais. ‘Maria’, ‘Tonight’, ‘America’ e ‘Somewhere’ ganharam as mais diversas vozes, de Marvin Gaye a Shirley Bassey, do tenor espanhol Placido Domingo ao roqueiro brasileiro Renato Russo.

    A nova versão tem a playlist de Bernstein/Sondheim e um visual que é a cara de Spielberg. Diversos tipos de enquadramentos e movimentos de câmera presentes em ‘Amor, Sublime Amor’ são típicos do diretor. Outro elemento cinematográfico chama atenção: as cores. Os Jets são retratados sempre com tons azuis, verdes e cinzas. Já os Sharks estão sempre de vermelho, laranja e amarelo.

    Spielberg fez pelo menos três acertos gigantescos em sua versão de ‘Amor, Sublime Amor’. Primeiro: os atores que interpretam os portorriquenhos são realmente de ascendência hispânica. No filme de 1961, eram atores brancos com pele tingida para parecerem latinos. Isso inclui Natalie Wood, a Maria do filme original, que é descendente de russos. Rachel Zegler, a Maria atual, é filha de uma colombiana. E David Alvarez, canadense de nascimento, tem pais cubanos. No elenco, há pelo menos 20 portorriquenhos.

    O segundo grande acerto é a presença da atriz Rita Moreno, remanescente do filme original e a única realmente portorriquenha do elenco principal. Na versão de 1961, ela era Anita, namorada de Bernard. E venceu o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Desta vez, ela é Valentina, a dona de uma loja que abriga Tony, um papel que não existia na versão antiga – foi criado especialmente para a atriz, que completa 90 anos neste sábado (11).

    O terceiro acerto pode parecer uma frivolidade, mas tem razão de ser: as falas dos portorriquenhos são em espanhol e sem legendas. “Se legendasse o espanhol, estaria simplesmente colocando para baixo do inglês e dando ao inglês o poder sobre o espanhol. Isso não ia acontecer nesse filme, precisava respeitar o idioma o suficiente para não legendar”, disse o diretor. Uma ideia de pertencimento que cabe nos dias de hoje, e até norteia o filme, mas que não cabia nos anos 60. E que eventualmente não estaria no filme se Spielberg não fosse Spielberg.

  • Cinema

    Venus e Serena Williams merecem um filme, mas quem protagoniza é o pai delas

    Oracene e Richard, pais de Venus e Serena Williams (as duas mais à direita): desafiando preconceitos
    Oracene e Richard, pais de Venus e Serena Williams (as duas mais à direita): desafiando preconceitos (Foto: Divulgação)

    As norte-americanas Venus Williams e Serena Willians entraram para história do tênis como as maiores de seu tempo. Poderia até ser de todos os tempos. Somente de torneios de Grand Slam – os quatro principais do circuito anual do tênis, que são Aberto da Austrália, Roland Garros (França), Wimbledon (Inglaterra) e US Open (Estados Unidos) – Venus conquistou sete troféus. E Serena faturou 23. Algumas vezes, inclusive, uma irmã enfrentava a outra na decisão. Jogando em duplas, elas venceram todas as 14 finais de Grand Slam que disputaram, sem contar outros títulos do circuito. Ambas foram líderes do ranking mundial e constantemente se alternavam no primeiro e no segundo lugar. Mais que isso: para chegar lá, desafiaram preconceitos, estereótipos e dificuldades. Estava na hora de ganharem um filme. Mas a abordagem foi diferente nas mãos do diretor Reinaldo Marcus Green: ele mostra como as duas realmente chegaram lá, em ‘King Richard: Criando Campeãs’, que estreia nesta quinta-feira (2) em Curitiba.

    O foco do filme não é nas duas tenistas, mas em Richard Williams (Will Smith), pai de Venus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton). A mãe delas, Oracene (Aunjanue Ellis), tem mais três filhas, as meninas Yetunde, Lyn e Isha, de seu primeiro casamento. Todos moram juntos em uma pequena casa em Compton, subúrbio de Los Angeles. Embora todas as cinco meninas recebam o carinho e os valores rígidos de Richard, é nas irmãs Venus e Serena que ele concentra suas atenções. Ele vislumbrou que elas poderiam ser campeãs de tênis, antes mesmo delas nascerem. Richard trabalhava como segurança noturno e, de dia, levava-as para treinar em praças públicas. E sonhava alto. Sempre dizia que tinha as melhores tenistas do mundo em suas mãos, mas não conseguia convencer ninguém. Naquela época, começo dos anos 90, era inimaginável que duas meninas negras conseguissem se sobressair num esporte para brancos e ricos.

    Para que as duas chegassem ao topo, Richard tinha um plano. Consistia basicamente em treino duro, tanto físico quanto mentalmente. Isso incluía humildade sempre. Era um obstinado. Por causa disso, muitas vezes foi presunçoso, arrogante e polêmico. Descartou oportunidades que à primeira vista pareceriam irrecusáveis. E não se furtou de trocar de treinador. Para ele, se era pelo bem das meninas, estava valendo. Para sorte dele, Richard sempre teve o amparo da mulher, Oracene, essa sim o grande e discreto ponto forte da família, de pés no chão, que permitiam que Richard sonhasse. Oracene mantinha o orçamento da casa em dia e também ajudava nos treinos, inclusive para corrigir erros que Richard deixava acontecer. Muito do poder e da perseverança da família passa por ela, ainda que ele nem sempre reconhecesse.

    O grande destaque de ‘King Richard: Criando Campeãs’ é quando entram em cena os treinos e os jogos de tênis, muito bem filmados por Reinaldo Marcus Green e editados por Pamela Martin. Por outro lado, a história segue a linha básica de cinebiografias do esporte. Há o momento de início, o de dificuldade, o da virada, o da dúvida, o da apoteose. Faltou espaço para a carreira profissional das duas tenistas – principalmente a de Serena, um ano mais nova que Venus – e do tamanho da quebra de paradigma que elas causaram ao mostrar que um esporte de elite pode, sim, ser para todos, por que não? Mas isso aparentemente foi uma estratégia para se tirar o foco de eventos amplamente documentados, como a lista de vitórias e troféus que as duas tenistas conquistaram. O importante era mostrar que tudo saiu de acordo com o plano de Richard.

    O que Richard Williams não planejou é: como ficaria o coração se as duas irmãs se enfrentassem, por exemplo, em uma final de Grand Slam (sendo que isso aconteceu oito vezes)?

  • Cinema

    ‘Casa Gucci’ traz reviravoltas, traições, morte e grande elenco

    Jared Leto, Al Pacino, Lady Gaga, Adam Driver e Jemery Irons
    Jared Leto, Al Pacino, Lady Gaga, Adam Driver e Jemery Irons (Foto: Divulgação)

    Histórias de crimes reais sempre atraem a atenção das pessoas. Por isso, acabam gerando grandes histórias para o cinema – principalmente nas mãos de um grande diretor e com um grande elenco. É o caso de ‘Casa Gucci’, que estreia nesta quinta-feira (25) em Curitiba, sob a direção de Ridley Scott (de ‘Alien’, ‘Blade Runner’ e ‘Gladiador’) e com nomes como Lady Gaga, Al Pacino, Jeremy Irons e Jared Leto – todos já vencedores de Oscar – além de Adam Driver (que ao menos já foi indicado).

    ‘Casa Gucci’ traz a história do assassinato de Maurizio Gucci, um dos diretores da famosa grife Gucci. O crime, ocorrido nos anos 90, chocou o mundo por ter sido encomendado por Patrizia Reggiani, ex-mulher dele.

    Maurizio (Adam Driver), um tipo desligado, tímido e desajeitado, é filho de Rodolfo Gucci (Jeremy Irons), que, em parceria com seu irmão e sócio, Aldo Gucci (Al Pacino), comanda a poderosa grife que leva seu sobrenome. Aldo ainda é pai de Paolo (Jared Leto), também imerso nesse universo da moda e do poder. Maurizio, ao contrário, não parece sintonizado com o mundo dos grandes negócios. E, quando é fisgado pela desinibida Patrizia Reggiani (Lady Gaga), acaba deserdado. Ele até acaba indo trabalhar com o pai da moça, Reggiani (Vincent Regiotta), que tem uma empresa de transportes, e diz que nunca fora tão feliz agora, depois que “desceu” de classe social. Mas Patrizia tem outros planos, bastante mais altos e arriscados.

    O filme de Ridley Scott traz rivalidades entre classes sociais, reviravoltas, traições de todo tipo, estratégias nebulosas e golpes abaixo da linha da cintura, chegando a um assassinato. Curioso como os protagonistas do mundo da alta moda volta e meia se comportam como vilões cheios de clichês. Mas às vezes parece ser assim mesmo. Afinal, o filme é baseado em fatos reais, narrados no livro ‘Casa Gucci’, de Sara Gay Forden, cujo subtítulo é emblemático: “Uma história de glamour, ganância, loucura e morte”.

  • Sai o primeiro trailer de 'Turma da Mônica - Lições'

    O primeiro trailer de ‘Turma da Mônica – Lições’ foi divulgado nesta segunda-feira (11) pela Paris Filmes. O filme é o segundo live-action inspirado nos personagens criada pelo cartunista Mauricio de Sousa, depois de ‘Turma da Mônica – Laços’ (2019).

    No trailer, Mônica (Giulia Benite) é surpreendida pelos seus pais, que vão colocá-la em uma nova escola. Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) tentam sobreviver na escola antiga, sem ela por perto, e tentam bolar um plano infalível para trazê-la de volta.

    O trailer ainda apresenta pelo menos quatro novos personagens: Marina, Milena, Do Contra e Humberto. Monica Iozzi reaparece como a mãe da Mônica. Malu Mader faz o papel de uma professora. E Isabelle Drumond interpreta a jovem Tina.

  • Cinema

    ‘Space Jam’ ganha novo astro, nova tecnologia e novos costumes

    A versão cartoon de LeBron James e sua aparição no jogo de basquete ao lado do Pernalonga: visuais inéditos
    A versão cartoon de LeBron James e sua aparição no jogo de basquete ao lado do Pernalonga: visuais inéditos (Foto: Divulgação)

    ‘Space Jam: O Jogo do Século’ foi lançado em 1996, com uma divertida mistura entre os personagens animados do Looney Tunes – a turma do Pernalonga e Patolino – e o superastro de basquete Michael Jordan. Ele é chamado pelo Pernalonga para treinar uma equipe de basquete em um jogo contra uma equipe de alienígenas. Passados 25 anos, é a vez de outro superastro do basquete, LeBron James, contracenar com os Looney Tumes, em ‘Space Jam: Um Novo Legado’, com estreia prevista para esta quinta-feira (15) em Curitiba.

    Circunstancialmente, pode-se considerar ‘Space Jam: Um Novo Legado’ a maior estreia nos cinemas após a reabertura das salas em tempos de pandemia da Covid-19. Maior até que ‘Viúva Negra’, da Marvel. Por dois motivos. Primeiro, porque em Curitiba os cinemas foram realmente autorizados a abrir apenas na última quinta-feira, um dia antes da estreia do filme da espiã (agendado para 9 de julho). Desta vez, as salas tiveram uma semana de preparação. Além disso, ‘Viúva Negra’ estreou simultaneamente no Disney +, o streaming da Disney (por um preço de dois ingressos). ‘Space Jam’ não terá essa concorrência. Pelo menos por enquanto, a Warner não programou a estreia do filme para o seu streaming, o HBO Max.

    Assim como no primeiro filme, que também trazia outros astros do basquete da época (como Charles Barkely), ‘Space Jam: Um Novo Legado’ tem no elenco jogadores como Anthony Davis (Los Angeles Lakers), Damian Lillard (Portland Trail Blazers), Klay Thompson (Golden State Warriors) e ainda as jogadoras da WNBA (a liga profissional de basquete feminino dos Estados Unidos) Diana Taurasi, Nneka Ogwumike e Chiney Ogwumike.

    Como se passaram muitos anos desde o primeiro ‘Space Jam’, o novo filme está devidamente antenado a novos costumes. Prometem os produtores que a personagem Lola não estará sexualizada como antes – demorou 25 anos, mas adiantou ela dizer “não me chame de boneca” no primeiro filme. Também entra nessa conta a relevância das jogadoras mulheres. E a tecnologia envolvida evoluiu, trazendo visuais inéditos. LeBron vira um cartoon. E os Looney Tumes aparecerão na telona como jamais vistos.

    Claro que não se pode esperar um primor de roteiro. No primeiro filme, os Looney Tunes precisavam de Michael Jordan para vencer os alienígenas no basquete – sob pena de serem escravizados em caso de derrota. Desta vez, as coisas se invertem. É LeBron James que precisa de Pernalonga, Patolino, Lola, Frangolino, Frajola, Piu-Piu, a Vovó, o Coiote, o Papa-Léguas, etc, etc, etc. Isso porque o filho de LeBron foi raptado por alienígenas. O craque do basquete então entra em uma espécie de matrix e se transforma em desenho. E, para recuperar seu filho, o astro tem que... jogar basquete junto com os Looney Tunes e derrotar os raptores.

    Logicamente, também não se pode esperar de LeBron James uma interpretação digna de Oscar. Ele faz o que pode. Como ator, é um excepcional jogador de basquete. Felizmente, não faz diferença nesse caso. Para LeBron, só importa que o público se divirta no filme o quanto ele se divertiu fazendo o filme.

    LeBron James terá ‘skin’ no jogo Fortnite

    LeBron James foi confirmado em uma atualização do jogo de videogame Fortnite, previsto para sair ontem. A ação é parte da divulgação do filme ‘Space Jam: Um Novo Legado’.

    O craque do basquete fará parte da série Fortnite Icon, que inclui vários influenciadores e celebridades, como o jogador de futebol Neymar. A skin será lançada na loja de itens nesta quarta-feira (14).

    No jogo de Fortnite, as skins são itens muito desejados pelos jogadores, uma vez que podem funcionar como símbolo de poder. Trata-se essencialmente de visuais mais legais do Passe de Batalha. Para tê-las, os jogadores podem usar uma moeda virtual que pode ser obtida dentro do jogo – mas é preciso jogar bastante, e bem, para somar essa moeda. Ou a skin pode ser comprada usando dinheiro real, na loja do game.

  • Morre Richard Donner, diretor de ‘Superman’ e diversos outros clássicos

    (Foto: Reprodução)

    O diretor de cinema Richard Donner, de ‘Superman: O filme’ (1978) e ‘Os Goonies’ (1985), morreu nesta segunda-feira (5), aos 91 anos, de causas não reveladas. A confirmação foi feita por sua mulher, a produtora Lauren Shuler Donner.

    Donner dirigia episódios de séries para TV e estreou no cinema com o filme de terror ‘A profecia’, em 1976, que virou um grande sucesso. Dois anos depois, lançou ‘Superman: O filme’, com Christopher Reeve no papel do super-herói. Levou o super-herói da DC aos cinemas e foi um sucesso nas bilheterias mundiais. Também é o diretor de clássicos dos anos 80, como ‘Ladyhawke’ e ‘os Goonies’, além da franquia ‘Máquina Mortífera’. Seu último filme como diretor foi ‘16 quadras’, de 2006. Esses são os filmes mais marcantes na carreira do cineasta.

    A profecia (1976)

    Um diplomata preocupado em não chocar a esposa, em virtude da morte do seu filho ao nascer, esconde o fato e adota um recém-nascido de origem desconhecida. Mortes misteriosas começam a cercar a família — que, sem saber, pode estar criando o Anticristo em pessoa. É praticamente a estreia de Richard Donner na direção.

    Superman: o Filme (1978)

    Dispensa comentários. Donner entregou o filme definitivo do Superman, com Christopher Reeve sendo a encarnação definitiva do homem de aço. Para conpletar, tem o tema musical mais famoso da história, composto por John Williams. Para os olhos e hoje, os efeitos visuais envelheceram, mas o herói ainda voa com charme.

    Ladyhawke: O Feitiço de Áquila (1985)

    Na Europa medieval, um cavaleiro e uma dama não conseguem se amar porque foram vítima de uma maldição lançada pelo bispo de Áquila: o homem vira lobo à noite e a mulher vira falcão durante o dia. A esperança dos dois para quebrar o feitiço é o jovem Phillip Gaston (Matthew Broderick), que fugiu de Áquila. Um filme sensível e bonito dirigido por Donner.

    Os Goonies (1985)

    Donner entregou um clássico "sessão da tarde" ao contar essa história (produzida por Steven Spielberg) sobre um bando de jovens que descobre um mapa do tesouro no sótão de uma casa. Eles correm atrás dos dobrões de ouro de Willy Caolho entre as cavernas e trilhas subterrâneas, além de enfrentarem bandidos italianos.

    Máquina Mortífera (1987)

    Filmes com duplas de policiais que não se acertam e são forçados a trabalhar juntos são um clichê velho. Mas, se teve um que deu certo, esse é ‘Máquina Mortífera’, com Mel Gibson no papel do policial levemente maluco em contraponto ao policial chefe-de-família, interpretado por Danny Glover. Gerou três continuações, todas sob o comando de Donner.

    Os Fantasmas contra-atacam (1989)

    Richard Donner dirige essa releitura moderna do clássico 'Um Conto de Natal', escrito por Charles Dickens. Frank Cross (Bill Murray) é um diretor de uma rede de TV que só pensa na audiência. Até que um amigo já falecido o avisa sobre três fantasmas (o do Natal Passado, Presente e Futuro) que irão visitá-lo.

    Maverick (1994)

    Nova parceria de Donner com Mel Gibson, que interpreta o jogador de pôquer Bret Maverick. Ele tenta arrumar três mil dólares que lhe faltam para participar de um jogo milionário em uma barca do rio Mississipi. Baseado em um seriado de TV, o filme traz ainda o ator James Garner, o Maverick original.

    Teoria da Conspiração (1997)

    Mais um filme da dupla Donner-Gibson. Jerry Fletcher (Gibson) é um motorista de taxi que critica o governo e fala sempre da existência de uma conspiração envolvendo altos escalões. No começo, ninguém lhe dá atenção. No entanto, ele escreve algo conspiratório no qual alguém acredita, pois sua cabeça é colocada a prêmio.

    16 Quadras (2006)

    Último filme dirigido por Donner. O policial Jack Mosley (Bruce Willis) precisa escoltar um presidiário em Nova York, num percurso de 16 quadras, da delegacia o tribunal. O presidiário apenas deseja depor e ganhar sua liberdade. Só que o depoimento envolve policiais corruptos, que farão de tudo para matá-lo (e quem estiver com ele) no meio do caminho.

  • Filme sobre Roberto Baggio suscita uma dúvida: por que não há filmes assim no Brasil?

    (Foto: Divulgação)

    ‘O Divino Baggio’, filme sobre a carreira do ex-futebolista italiano Roberto Baggio, foi lançado recentemente na Netflix. Independente da bola que jogou (e foi muita bola), Baggio ficou mais conhecido no Brasil por ter errado o último pênalti contra a seleção brasileira na final da Copa de 1994. Com o erro dele, o Brasil foi campeão. Mas o filme suscita outra pergunta sobre o futebol brasileiro: por que não se faz filmes biográficos com jogadores brasileiros?

    Falta de craques não é. Ninguém no planeta produziu mais jogadores de primeiro nível que o Brasil. Freidenreich (‘El tigre’, o primeiro craque brasileiro), Leônidas da Silva (inventor da jogada chamada “bicicleta”), Domingos da Guia, Zizinho, Ademir de Menezes, Djalma Santos, Didi, Gilmar, Nilton Santos, Zagallo, Gérson, Rivellino, Tostão, Carlos Alberto, Leão, Zico, Falcão, Sócrates, Taffarel, Dunga, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Cafu, Marcos, Kaká e diversos outros. Ou jogadores não tão bons, mas que tinham um lado folclórico forte, como Dadá Maravilha ou Jacozinho. Até Felipe Melo daria um bom filme. É um grande personagem.

    No Brasil, poucos ganharam filmes biográficos (não vale documentário). Entre eles, está Garrincha (‘Estrela Solitária’), baseado num livro do escritor Rui Castro, e Heleno de Freitas (‘Heleno’, com Rodrigo Santoro no papel principal). E, claro, Pelé. ‘O Nascimento de uma lenda’ fala do primeiro título mundial da seleção brasileira (em 1958) tendo Pelé com protagonista. Mas é uma produção norte-americana, o que explica o alto número de erros históricos e o tom maniqueísta.

    Filmes biográficos em geral trazem a vida do personagem fora da atividade que o tornou suficientemente famoso. Trazem suas agruras e suas dificuldades, com sucessos e insucessos, até o momento de gloriosa catarse que em geral encerra o filme. Todos aqueles jogadores citados acima têm biografias que se encaixam nesse perfil, basta escolher o recorte da vida deles.

    ‘O Divino Baggio’ não foge a essa regra. Começa com a questão do pênalti perdido por Baggio na final da Copa. Mas, antes que o pênalti seja em si mostrado, o filme volta no tempo e apresenta Roberto Baggio, ou Roby, como um entre oito irmãos que disputam a atenção de um pai eternamente imerso no trabalho em uma oficina. Uma das cenas iniciais é extremamente peculiar: os irmãos contam ao pai o que fizeram durante o dia. Todos relatam situações triviais, como “liguei para o fulano”, “pintei a cerca”, “consertei tal coisa”. E Roby dispara: “Assinei com a Fiorentina”. Muita coisa para quem tinha 18 anos e jogava num time da terceira divisão italiana.

    O forte do filme não é o lado do futebol, e sim o lado humano. Como já havia adiantado Silvio Rauth Filho em sua análise sobre o filme, Roberto Baggio espelhava nos treinadores a relação conturbada com o pai. Mas cada treinador, claro, age de um jeito. ‘O Divino Baggio’ acerta ao focar este lado humano, menos conhecido numa carreira futebolística bastante conhecida e reconhecida. E nesse sentido a escalação do ator Andrea Arcangeli também foi um acerto. A interpretação até pode ser alvo de críticas, mas sua semelhança física com o craque – principalmente nas tomadas em que ele está de perfil – não deixa dúvidas: é Roberto Baggio quem está ali. Sempre pronto para superar as dificuldades, como perder um pênalti decisivo em final de Copa do Mundo.

    E fica a dúvida? Por que não há mais filmes sobre craques como Baggio?

  • Ator de ‘Sociedade dos Poetas Mortos’, Norman Lloyd morre aos 106 anos

    Nolan (Norman Lloyd) e Keating (Robin Williams) em 'Sociedade dos Poetas Mortos'
    Nolan (Norman Lloyd) e Keating (Robin Williams) em 'Sociedade dos Poetas Mortos' (Foto: Divulgação)

    O ator norte-americano Norman Lloyd morreu aos 106 anos na terça-feira (11) em casa, em Los Angeles (Estados Unidos). Ele trabalhou com nomes como Charles Chaplin e Orson Welles. Um de seus papéis mais conhecidos é o do professor Nolan, diretor do colégio conservador do filme ‘Sociedade dos Poetas Mortos’, de 1989.

    Outros filmes da carreira de Lloyd são ‘Spellbound: Quando Fala o Coração’ (1945), de Alfred Hitchock,  ‘Luzes da Ribalta’ (1952), em que contracenou com Chaplin, e a série ‘St. Elsewhere’ (1982), na qual atuou por seis temporadas. Também esteve em ‘Star Trek: The Next Generation’ (1987) e na série ‘Modern Family’ (2009).

    Como diretor, ele se destacou por ‘A Word to the Wives’ (1955) e ‘Alfred Hitchcock Presents’ (1955).

    Norman Perlmutter nasceu em 8 de novembro de 1914. Ele cantava e dançava desde os 9 anos de idade e estreou em atividades teatrais na Broadway, em Nova York, aos 20 anos. Ele assumiu o nome de Norman Lloyd e era considerado o ator com carreira mais longeva em Hollywood. Seu último filme foi ‘Descompensada’ (2015), com Amy Schumer.

  • Cerimônia diferente do Oscar consagra ‘Nomadland’ e cineasta chinesa

    Chloe Zhao, diretora de 'Nomadland'
    Chloe Zhao, diretora de 'Nomadland' (Foto: Reprodução / TNT)

    Neste domingo (25), foi realizada a cerimônia de entrega do Oscar 2021. Com a pandemia de coronavírus, que obrigou o mundo a adotar o isolamento social, o setor cultural teve de se adaptar rapidamente, como foi o caso das premiações. O Oscar não ficou de fora dessa nova ordem e teve que fazer uma cerimônia bem diferente.

    A entrega foi tão diferente que o prêmio de melhor filme, normalmente o último da noite, foi entregue antes. E o vencedor foi ‘Nomadland’. Somente depois foram entregues os prêmios de melhor atriz e ator. Frances McDormand venceu o prêmio de melhor atriz por ‘Nomadland’ e levou o Oscar pela terceira vez – as outras foram por ‘Fargo’ (1996) e ‘Três Anúncios para um Crime’ (2017). Anthony Hopkins ganhou o de melhor ator, por ‘Meu Pai’, desbancando o favorito Chadwick Boseman, por ‘A Voz Suprema do Blues’. Boseman, morto em 2020, foi indicado postumamente. Ele também foi lembrado em outro momento da premiação, ao fechar a lista ‘In memoriam’, que também tinha nomes como Sean Connery (o eterno 007), Olivia de Havilland (de ‘... E o Vento Levou’), o diretor Alan Parker e o músico italiano Ennio Morricone.

    A premiação também consagrou a cineasta chinesa Chloe Zhao como melhor diretora, pelo filme ‘Nomadland’. Foi apenas a 5ª vez que uma mulher foi indicada a melhor direção na história. E foi apenas a 2ª vencedora – a primeira foi Kathryn Bigelow, por ‘Guerra ao Terror’, em 2010. Entre os cinco indicados havia também Emerald Fenning, por ‘Bela Vingança’. Nunca duas mulheres concorreram ao prêmio ao mesmo tempo. As outras indicadas na história foram Jane Campion (‘O Piano’, de 1994); Sofia Coppola (Encontros e Desencontros’, de 2003); Kathryn Bigelow (‘Guerra ao Terror’, de 2010’); e Greta Gerwig (‘Lady Bird’, de 2018).

    Entre as 20 indicações para atores e a atrizes (principais e coadjuvantes), nove eram “não brancos”. Daniel Kaluuya (‘Judas e o Messias Negro’) venceu como melhor ator coadjuvante. Youn Yuh-Jung (‘Minari’), primeira sul-coreana indicada ao prêmio de melhr atriz coadjuvante, também ganhou.

    Dessa vez, a cerimônia foi híbrida. Boa parte dos indicados estava no local da premiação, sentados em mesas de quatro pessoas – semelhante ao que ocorre no Golden Globe – e não no tradicional Dolby Theatre, onde a cerimônia tem sido feita desde 2002. Também havia conexões com transmissão de vários outros locais, como a Estação Ferroviária Central de Los Angeles ou a cidade de Kilkenny, na Irlanda. O Oscar também precisou abrir mão de um ritual que antecede a grande festa do cinema: o tapete vermelho.

    Todos os vencedores do Oscar 2021

    Melhor filme: ‘Nomadland’

    Melhor direção: Chloé Zhao, por ‘Nomadland’

    Melhor ator: Anthony Hopkins, por ‘Meu Pai’

    Melhor atriz: Frances McDormand, por ‘Nomadland’

    Melhor ator coadjuvante: Daniel Kaluuya, por ‘Judas e o Messias Negro’

    Melhor atriz coadjuvante: Yuh-jung Youn, por ‘Minari’

    Melhor roteiro original: Emerald Fennell, por ‘Bela Vingança’

    Melhor roteiro adaptado: Christopher Hampton & Florian Zeller, por ‘Meu Pai’

    Melhor fotografia: Erik Messerschmidt, por ‘Mank’

    Melhor figurino: Ann Roth, por ‘A Voz Suprema do Blues’

    Melhor trilha sonora: Jon Batiste, Trent Reznor & Atticus Ross, por ‘Soul’

    Melhor canção original: ‘Fight for You’ - H.E.R. (‘Judas e o Messias Negro’)

    Melhor design de produção: Donald Graham Burt, por ‘Mank’

    Melhor montagem: Mikkel E.G. Nielsen, por ‘O Som do Silêncio’

    Melhores efeitos visuais: ‘Tenet’

    Melhor cabelo & maquiagem: ‘A Voz Suprema do Blues’

    Melhor som: ‘O Som do Silêncio’

    Melhor documentário: ‘Professor Polvo’

    Melhor filme internacional: ‘Druk - Mais uma Rodada’ (Dinamarca)

    Melhor animação: ‘Soul’

    Melhor documentário em curta-metragem: ‘Colette’

    Melhor curta-metragem de animação: ‘Se Algo Acontecer... Te Amo’

    Melhor curta-metragem: ‘Two Distant Strangers’

  • Spielberg revela lista de seus 20 filmes favoritos de todos os tempos

    (Foto: Divulgação)

    O cineasta Steven Spielberg, diretor de clássicos como ‘Tubarão’, ‘ET’, a trilogia Indiana Jones e dois filmes de ‘Jurassic Park’, revelou quais são os seus 20 filmes favoritos de todos os tempos. A lista foi publicada nesta segunda-feira (5) pela versão on-line da revista ‘Far Out’.

    Além do peso do nome de Spielberg, a lista chama atenção por vários fatores. Primeiro, porque dois dos 20 filmes foram refilmados pelo próprio Spielberg. ‘Dois no Céu’, de 1943, inspirou ‘Além da Eternidade’, que o diretor lançou em 1989 e que tinha Richard Dreyfuss no papel que foi de Spencer Tracy. A outra refilmagem é ‘A Guerra dos Mundos’. O original de 1953, baseado em um livro de H. G. Wells, inspirou o diretor a produzir o longa de 2011, com Tom Cruise no papel principal.

    Entre os diretores, apenas dois tiveram mais de um filme citado: Victor Fleming (de ‘Dois no Céu’ e ‘Marujo Intrépido’) e Francois Truffault (‘Os Incompreendidos’ e ‘A Noite Americana’). Spielberg não citou o filme mais famoso de Fleming: ‘E o Vento Levou’. Ele ainda listou duas animações produzidas por Wlt Disney nos anos 1940: ‘Fantasia’ e ‘Dumbo’.

    Outro ponto curioso é que Spielberg citou dois filmes baseados em histórias em quadrinhos: ‘Guardiões da Galáxia’, da Marvel, e ‘Batman: Cavaleiro das Trevas, da DC. Em 2015, o diretor chegou a declarar que filmes baseados em personagens de HQs eram “modinha”.

    Em tempo: o primeiro colocado do diretor é ‘A Felicidade Não se Compra’, de Frank Capra.

    A lista completa dos 20 filmes favoritos de Spielberg:

    1. A Felicidade Não se Compra – Frank Capra (1946)
    2. O Poderoso Chefão – Francis Ford Coppola (1972)
    3. Fantasia – direção de Samuel Armstrong, James Algar, Bill Roberts, Paul Satterfield, Hamilton Luske, Jim Handley, Ford Beebe, T. Hee, Norm Ferguson e Wilfred Jackson, produção de Walt Disney (1940)
    4. Dois no Céu – Victor Fleming (1943)
    5. Guardiões da Galáxia – James Gunn (2014)
    6. A Guerra dos Mundos – Byron Haskin (1953)
    7. Psicose – Alfred Hitchcock (1960)
    8. 2001: Uma Odisséia no Espaço – Stanley Kubrick (1968)
    9. Lawrence da Arabia – David Lean (1962)
    10. Intocáveis – Olivier Nakache and Éric Toledano (2011)
    11. Batman: O Cavaleiro das Trevas – Christopher Nolan (2008)
    12. Os Incompreendidos – François Truffaut (1959)
    13. A Noite Americana – François Truffaut (1973)
    14. Cidadão Kane – Orson Welles (1941)
    15. Marujo Intrépido – Victor Fleming (1937)
    16. Os Melhores Anos de Nossa Vida – William Wyler (1946)
    17. Rastros de Ódio – John Ford (1956)
    18. Tootsie – Sydney Pollack (1982)
    19. Os Sete Samurais – Akira Kurosawa (1954)
    20. Dumbo – Bem Sharpsteen, produção de Walt Disney (1941)