• Cinema

    Nessas férias, Eduardo e Mônica não vão viajar, mas vão estrear

    Para transformar uma música de 4 minutos e meio em um filme de duas horas, foi criado um contexto familiar para os dois protagonistas.
    Gabriel Leone (Eduardo)
    Alice Braga ( Mônica)
    Victor Lamoglia (Inácio/Amigo do Eduardo)
    Otávio Augusto (Bira/Avô do Eduardo)
    Juliana Carneiro da Cunha (Lara/Mãe da Mônica)
    Para transformar uma música de 4 minutos e meio em um filme de duas horas, foi criado um contexto familiar para os dois protagonistas.
    Para transformar uma música de 4 minutos e meio em um filme de duas horas, foi criado um contexto familiar para os dois protagonistas. (Foto: Divulgação/Globo Filmes)
    Gabriel Leone (Eduardo)
    Gabriel Leone (Eduardo) (Foto: Divulgação/Globo Filmes)
    Alice Braga ( Mônica)
    Alice Braga ( Mônica) (Foto: Divulgação/Globo Filmes)
    Victor Lamoglia (Inácio/Amigo do Eduardo)
    Victor Lamoglia (Inácio/Amigo do Eduardo) (Foto: Divulgação/Globo Filmes)
    Otávio Augusto (Bira/Avô do Eduardo)
    Otávio Augusto (Bira/Avô do Eduardo) (Foto: Divulgação/Globo Filmes)
    Juliana Carneiro da Cunha (Lara/Mãe da Mônica)
    Juliana Carneiro da Cunha (Lara/Mãe da Mônica) (Foto: Divulgação/Globo Filmes)

    Mônica é vegetariana. Eduardo vai tentar vestibular de Engenharia. Quem é essa Mônica e que é esse Eduardo? São os protagonistas de ‘Eduardo e Mônica’, filme baseado na música da banda Legião Urbana e que estreia no dia 20 em Curitiba. Essa comédia romântica possivelmente foi uma das coisas mais afetadas pela pandemia. A estreia deveria ser em junho de 2020, mas o fechamento das salas provocou sucessivos adiamentos. Mesmo sem ter estreado, o filme já foi exibido em festivais e ganhou prêmios, como o de Melhor Filme Estrangeiro no Festival de Cinema de Edmonton, no Canadá.

    Para transformar uma música de 4 minutos e meio em um filme de duas horas, logicamente foi necessário criar um contexto familiar para os dois protagonistas. Esse foi um dos trabalhos do diretor René Sampaio, da produtora Bianca De Felippes e dos roteiristas Matheus Souza, Jessica Candal, Michele Frantz, Claudia Souto e Gabriel Bortolini.

    O cenário é a cidade de Brasília no meio dos anos 80. Mônica (Alice Braga) é uma estudante de medicina que está nos últimos períodos do curso e procura um lugar para fazer residência médica. Ao mesmo tempo, ela adora arte. Sim, Mônica é de leão, anda de moto e bebe conhaque. Ainda tem uma irmã fitness, Karina (Bruna Spínola), e uma mãe (Juliana Carneiro da Cunha) que é médica e professora de medicina na Universidade de Brasília. Além disso, está passando por um momento familiar pesado.

    Eduardo (Gabriel Leone), por sua vez, está no cursinho e sabe tocar violão. Passou alguns apuros familiares, o que o levou a ir morar com o avô, Bira (Otávio Augusto), na Vila Militar de Brasília. Sim, Eduardo tem 16 anos, anda de bicicleta (o “camelo” da letra original) e gosta de novelas. Ainda é fã da Malu Mader e joga futebol de botão com o avô – e quase sempre perde. O carinha do cursinho que falou em uma festa legal para todos se divertirem se chama Inácio.

    É nesse clima que Eduardo encontra Mônica na fervente Brasília. A partir daí, o filme traz quase todos os elementos que constam na música assinada pelo líder da Legião Urbana, Renato Russo. Isso por si só já soa como spoiler, mas isso também é o segredo desta comédia romântica: apostar que o público conhece os personagens para o diretor e o roteirista conduzirem aquilo que não está nos versos. A começar pela trilha sonora: o filme não se limita a músicas do Legião Urbana, e sim às músicas da época. E, apesar de se passar nos anos 80, a história apresenta algumas cenas antenadíssimas com o atual momento social e político.

    Curiosamente, Alice Braga e Gabriel Leone têm entre si, na vida real, mais ou menos a mesma diferença de idade que seus personagens. A atriz, hoje com 38 anos, cai bem numa estudante universitária de 25 ou 26 anos. E o ator, que já está com 28, convence como o Eduardo, que pela letra da música tem 16 anos.

    ‘Eduardo e Mônica’ é o segundo filme baseado em letras da Legião Urbana. Antes, veio ‘Faroeste Caboclo’ (de 2013, também dirigido por René Sampaio), que colocava na telona a trama com João de Santo Cristo, Maria Lúcia e Jeremias, o traficante de renome. Renato Russo era um visionário que sabia exatamente o que estava fazendo quando era o líder da Legião Urbana. Tão visionário que talvez já prevesse que suas letras poderiam virar filmes. Não precisa parar em ‘Eduardo e Mônica’. As músicas de Renato Russo são ricas em ideias para novos filmes. ‘Pais e Filhos’ pode trazer histórias de várias famílias que se encadeiam. E ‘Dezesseis’ poderia contar a história de João Roberto, o maioral que é um cara legal e tinha um Opala metálico azul.

    ‘Perfeição’ e ‘Que País É Esse?’ não precisa, pois estão todos os dias no noticiário.

  • Cinema

    ‘Matrix: Resurrections’ faz todo o sentido na atualidade

    Thomas Anderson (Keanu Reeves) toca o espelho antes de saber que, na verdade, ele é Neo: qual a realidade?
    Trinity (Carrie-Anne Moss)
    Morpheus (Yahia Abdul-Mateen II)
    Bugs (Jessica Henwick)
    Neo encara Morpheus
    Neo e Trinity
    Thomas Anderson (Keanu Reeves) toca o espelho antes de saber que, na verdade, ele é Neo: qual a realidade?
    Thomas Anderson (Keanu Reeves) toca o espelho antes de saber que, na verdade, ele é Neo: qual a realidade?
    Trinity (Carrie-Anne Moss)
    Trinity (Carrie-Anne Moss)
    Morpheus (Yahia Abdul-Mateen II)
    Morpheus (Yahia Abdul-Mateen II)
    Bugs (Jessica Henwick)
    Bugs (Jessica Henwick)
    Neo encara Morpheus
    Neo encara Morpheus
    Neo e Trinity
    Neo e Trinity

    ‘Matrix’, filme de 1999, foi revolucionário em todos os aspectos possíveis. Desde o roteiro, que questiona a existência humana, até a estética, com tomadas e enquadramentos nunca vistos antes. Era uma obra com começo, meio e fim, bem amarrada em si mesma. Mas, como fez muito dinheiro nas bilheterias, o filme acabou criando uma armadilha para ele mesmo. Os produtores não pestanejaram em lançar duas continuações – ‘Matrix: Reloaded’ e ‘Matrix: Revolutions’, ambos de 2003 – que não chegaram aos pés da obra original. Passados quase 20 anos do último filme, chega aos cinemas ‘Matrix: Resurrections’, que estreia hoje em Curitiba. Com a mesma dupla de protagonistas – Keanu Reeves (Neo) e Carrie-Anne Moss (Trinity) – e a mesma diretora da trilogia original, Lana Wachowski. A irmã dela, Lilly Wachowski, que também dirigiu os outros filmes, desta vez está fora.

    Com ‘Matrix’ possui amplas perspectivas, é possível que nem as irmãs Lana e Lilly, diretoras do filme, nem os produtores saibam exatamente por que o filme emplacou de maneira tão forte naquele fim de século 20. Pode ter sido o roteiro, que causa aos personagens (e aos espectadores) inúmeros questionamentos à realidade que todos vivem. Pode ter sido a diferenciação filosófica entre “escolha” e “destino”. Podem ter sido as lutas de kung fu perfeitamente coreografadas. Podem ter sido as referências que permeiam o roteiro, como ‘Alice no País das Maravilhas’. Podem ter sido os enquadramentos inéditos. Pode ter sido a tomada de cenas em slow motion, jamais usadas dessa forma até então. Pode ter sido o “bullet time”, o momento mais marcante do filme, quando o protagonista Neo (Keanu Reeves) desvia de balas à queima-roupa. Pode ter sido o visionarismo visto em pequenos detalhes – a cena em que Trinity aprende a pilotar um helicóptero após um download de informações diretamente no cérebro reflete muito como o ser humano busca conhecimento atualmente, recorrendo ao Google ou a aplicativos de celular, sem muito esforço para obter esse conhecimento.

    Nas duas continuações, ‘Matrix: Reloaded’ e ‘Matrix: Revolutions’, o roteiro aposta mais nas lutas e no visual, deixando o roteiro em segundo plano. Com isso, preencheram apenas uma parte da expectativa do público em relação a eventuais continuações do filme original. Como não emplacaram da mesma forma, as ideias de possíveis sequências foram arquivadas. Por anos, ficaram apenas alimentando especulações.

    Já ‘Matrix: Resurrections’ é uma continuação de ‘Matrix’ que assume essa condição. Nessa nova história, Neo (ou melhor, Thomas Anderson) agora é um famoso designer de games, que fez o nome ao criar um jogo chamado... Matrix. Anderson é praticamente intimado pelo seu chefe (Jonathan Groff) a criar uma continuação para o jogo. Enquanto isso, a empresa na qual ele trabalha faz reuniões e reuniões, inclusive para tentar definir “o que é a Matrix?” (e, indiretamente, “por que o primeiro filme deu tão certo?”). Há exemplos explícitos de metalinguagem envolvendo até mesmo a Warner, estúdio que produziu os filmes. Em meio à inquietude de Anderson, entra em cena a jovem Bugs (Jessica Henwick), responsável por levá-lo (de novo) ao “buraco do coelho”, para reencontrar Morpheus (Yahia Abdul-Mateen II) e descobrir a realidade. Tudo isso em meio a perseguições que podem ou não ser reais. E em meio a referências ao filme original e a outros elementos da cultura pop. Exemplos? O visual de Keanu Reeves não lembra o Neo dos filmes anteriores; está mais para John Wick, herói de outra franquia estrelada pelo ator.

    ‘Matrix: Resurrections’ faz todo o sentido na atualidade. Dois grandes acertos do filme original – uma personagem feminina forte, que não sirva apenas de interesse sexual ao protagonista, e uma equipe de heróis marcada pela diversidade – foram preservados e até ampliados neste novo filme. Além disso, conseguiu reinventar uma fórmula que parecia gasta pelas continuações anteriores. E apresenta personagens já clássicos a novas gerações. Sem falar que o desenrolar da história mostra que o subtítulo “Resurrections” (ressurreições) está corretíssimo. De todas as continuações, é a que mais se aproxima do espírito do filme original. Elementos que indicam que o filme pode ser não apenas uma retomada de franquia, mas sim uma nova era.

  • Cinema

    Só Spielberg justifica refilmagem do clássico ‘Amor, Sublime Amor’

    Tony (Ansel Elgort) e Maria (Rachel Zegler) se apaixonam em ‘Amor, Sublime Amor’: ao fundo, a rivalidade das gangues dos Jets e dos Sharks
    Spielberg e os casais do filme
    Gangues em duelo no baile
    Rita Moreno ganha novo papel
    Tony (Ansel Elgort) e Maria (Rachel Zegler) se apaixonam em ‘Amor, Sublime Amor’: ao fundo, a rivalidade das gangues dos Jets e dos Sharks
    Tony (Ansel Elgort) e Maria (Rachel Zegler) se apaixonam em ‘Amor, Sublime Amor’: ao fundo, a rivalidade das gangues dos Jets e dos Sharks (Foto: Divulgação)
    Spielberg e os casais do filme
    Spielberg e os casais do filme (Foto: Divulgação)
    Gangues em duelo no baile
    Gangues em duelo no baile (Foto: Divulgação)
    Rita Moreno ganha novo papel
    Rita Moreno ganha novo papel (Foto: Divulgação)

    Filmes musicais foram uma grande onda do cinema nos anos 1960. Só entre os vencedores de Oscar nessa década, houve ‘Amor, Sublime Amor’ (1961), ‘My Fair Lady’ (1964), ‘A Noviça Rebelde’ (1965) e ‘Oliver’ (1968). Mas, passados 60 anos, os musicais viraram démodé – ‘La La Land’, de 2016, é uma exceção, e ‘Cats’, de 2019, depõe contra esse gênero de filmes na atualidade. Além disso, refilmagens de filmes grandiosos do passado não costumam dar bons resultados, vide os exemplos de ‘Ben-Hur’ e ‘A Volta ao Mundo em 80 Dias’. Dito isso, a única coisa que realmente justifica uma refilmagem do musical ‘Amor, Sublime Amor’ tem nome e sobrenome: Steven Spielberg.

    Spielberg é um dos maiores nomes da história do cinema e tem uma cinebiografias das mais diversificadas. Fez filmes que beiram o terror (‘Tubarão’), emocionantes aventuras infantojuvenis (‘ET’), super-heróis, ou quase isso (‘Indiana Jones’), dramas pesados (’A Lista de Schindler’), animações (‘As Aventuras de Tintin’), romances (‘Alem da Eternidade’), filmes de guerra (‘O Resgate do Soldado Ryan’), ficção científica (‘Minority Report’), mundos virtuais (‘Jogador Número 1’) e até dinossauros (‘Jurassic Park’). Faltava um musical em sua carreira.

    Originalmente, ‘Amor, Sublime Amor’ é uma versão da peça musical ‘West Side Story’, que estreou em 1957 na Broadway. Baseada num livro de Arthur Laurents, a peça tem músicas assinadas por Leonard Bernstein (melodias) e Stephen Sondheim (letras). No West Side, um bairro pobre de Manhattan (Nova York), há a gangue dos Jets, composta basicamente por proletários de origem irlandesa, e a dos Sharks, composta basicamente por imigrantes de Porto Rico e seus descendentes. Em meio à rivalidade entre as duas gangues, a portorriquenha Maria (Rachel Zegler) se apaixona por Tony (Ansel Elgort). Maria é irmã de Bernardo (David Alvarez), líder dos Sharks, ao passo que Tony já foi líder dos Jets. Parece uma versão de ‘Romeu e Julieta’, de Shakespeare? Sem dúvida; tem até cena do balcão.

    Em sua época, ‘Amor, Sublime Amor’ levou 10 Oscars – incluindo melhor filme e diretor, para Robert Wise. E pelo menos quatro das músicas de Leonardo Bernstein e Stephen Sondheim viraram hits globais. ‘Maria’, ‘Tonight’, ‘America’ e ‘Somewhere’ ganharam as mais diversas vozes, de Marvin Gaye a Shirley Bassey, do tenor espanhol Placido Domingo ao roqueiro brasileiro Renato Russo.

    A nova versão tem a playlist de Bernstein/Sondheim e um visual que é a cara de Spielberg. Diversos tipos de enquadramentos e movimentos de câmera presentes em ‘Amor, Sublime Amor’ são típicos do diretor. Outro elemento cinematográfico chama atenção: as cores. Os Jets são retratados sempre com tons azuis, verdes e cinzas. Já os Sharks estão sempre de vermelho, laranja e amarelo.

    Spielberg fez pelo menos três acertos gigantescos em sua versão de ‘Amor, Sublime Amor’. Primeiro: os atores que interpretam os portorriquenhos são realmente de ascendência hispânica. No filme de 1961, eram atores brancos com pele tingida para parecerem latinos. Isso inclui Natalie Wood, a Maria do filme original, que é descendente de russos. Rachel Zegler, a Maria atual, é filha de uma colombiana. E David Alvarez, canadense de nascimento, tem pais cubanos. No elenco, há pelo menos 20 portorriquenhos.

    O segundo grande acerto é a presença da atriz Rita Moreno, remanescente do filme original e a única realmente portorriquenha do elenco principal. Na versão de 1961, ela era Anita, namorada de Bernard. E venceu o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Desta vez, ela é Valentina, a dona de uma loja que abriga Tony, um papel que não existia na versão antiga – foi criado especialmente para a atriz, que completa 90 anos neste sábado (11).

    O terceiro acerto pode parecer uma frivolidade, mas tem razão de ser: as falas dos portorriquenhos são em espanhol e sem legendas. “Se legendasse o espanhol, estaria simplesmente colocando para baixo do inglês e dando ao inglês o poder sobre o espanhol. Isso não ia acontecer nesse filme, precisava respeitar o idioma o suficiente para não legendar”, disse o diretor. Uma ideia de pertencimento que cabe nos dias de hoje, e até norteia o filme, mas que não cabia nos anos 60. E que eventualmente não estaria no filme se Spielberg não fosse Spielberg.

  • Cinema

    Venus e Serena Williams merecem um filme, mas quem protagoniza é o pai delas

    Oracene e Richard, pais de Venus e Serena Williams (as duas mais à direita): desafiando preconceitos
    Oracene e Richard, pais de Venus e Serena Williams (as duas mais à direita): desafiando preconceitos (Foto: Divulgação)

    As norte-americanas Venus Williams e Serena Willians entraram para história do tênis como as maiores de seu tempo. Poderia até ser de todos os tempos. Somente de torneios de Grand Slam – os quatro principais do circuito anual do tênis, que são Aberto da Austrália, Roland Garros (França), Wimbledon (Inglaterra) e US Open (Estados Unidos) – Venus conquistou sete troféus. E Serena faturou 23. Algumas vezes, inclusive, uma irmã enfrentava a outra na decisão. Jogando em duplas, elas venceram todas as 14 finais de Grand Slam que disputaram, sem contar outros títulos do circuito. Ambas foram líderes do ranking mundial e constantemente se alternavam no primeiro e no segundo lugar. Mais que isso: para chegar lá, desafiaram preconceitos, estereótipos e dificuldades. Estava na hora de ganharem um filme. Mas a abordagem foi diferente nas mãos do diretor Reinaldo Marcus Green: ele mostra como as duas realmente chegaram lá, em ‘King Richard: Criando Campeãs’, que estreia nesta quinta-feira (2) em Curitiba.

    O foco do filme não é nas duas tenistas, mas em Richard Williams (Will Smith), pai de Venus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton). A mãe delas, Oracene (Aunjanue Ellis), tem mais três filhas, as meninas Yetunde, Lyn e Isha, de seu primeiro casamento. Todos moram juntos em uma pequena casa em Compton, subúrbio de Los Angeles. Embora todas as cinco meninas recebam o carinho e os valores rígidos de Richard, é nas irmãs Venus e Serena que ele concentra suas atenções. Ele vislumbrou que elas poderiam ser campeãs de tênis, antes mesmo delas nascerem. Richard trabalhava como segurança noturno e, de dia, levava-as para treinar em praças públicas. E sonhava alto. Sempre dizia que tinha as melhores tenistas do mundo em suas mãos, mas não conseguia convencer ninguém. Naquela época, começo dos anos 90, era inimaginável que duas meninas negras conseguissem se sobressair num esporte para brancos e ricos.

    Para que as duas chegassem ao topo, Richard tinha um plano. Consistia basicamente em treino duro, tanto físico quanto mentalmente. Isso incluía humildade sempre. Era um obstinado. Por causa disso, muitas vezes foi presunçoso, arrogante e polêmico. Descartou oportunidades que à primeira vista pareceriam irrecusáveis. E não se furtou de trocar de treinador. Para ele, se era pelo bem das meninas, estava valendo. Para sorte dele, Richard sempre teve o amparo da mulher, Oracene, essa sim o grande e discreto ponto forte da família, de pés no chão, que permitiam que Richard sonhasse. Oracene mantinha o orçamento da casa em dia e também ajudava nos treinos, inclusive para corrigir erros que Richard deixava acontecer. Muito do poder e da perseverança da família passa por ela, ainda que ele nem sempre reconhecesse.

    O grande destaque de ‘King Richard: Criando Campeãs’ é quando entram em cena os treinos e os jogos de tênis, muito bem filmados por Reinaldo Marcus Green e editados por Pamela Martin. Por outro lado, a história segue a linha básica de cinebiografias do esporte. Há o momento de início, o de dificuldade, o da virada, o da dúvida, o da apoteose. Faltou espaço para a carreira profissional das duas tenistas – principalmente a de Serena, um ano mais nova que Venus – e do tamanho da quebra de paradigma que elas causaram ao mostrar que um esporte de elite pode, sim, ser para todos, por que não? Mas isso aparentemente foi uma estratégia para se tirar o foco de eventos amplamente documentados, como a lista de vitórias e troféus que as duas tenistas conquistaram. O importante era mostrar que tudo saiu de acordo com o plano de Richard.

    O que Richard Williams não planejou é: como ficaria o coração se as duas irmãs se enfrentassem, por exemplo, em uma final de Grand Slam (sendo que isso aconteceu oito vezes)?

  • Cinema

    ‘Casa Gucci’ traz reviravoltas, traições, morte e grande elenco

    Jared Leto, Al Pacino, Lady Gaga, Adam Driver e Jemery Irons
    Jared Leto, Al Pacino, Lady Gaga, Adam Driver e Jemery Irons (Foto: Divulgação)

    Histórias de crimes reais sempre atraem a atenção das pessoas. Por isso, acabam gerando grandes histórias para o cinema – principalmente nas mãos de um grande diretor e com um grande elenco. É o caso de ‘Casa Gucci’, que estreia nesta quinta-feira (25) em Curitiba, sob a direção de Ridley Scott (de ‘Alien’, ‘Blade Runner’ e ‘Gladiador’) e com nomes como Lady Gaga, Al Pacino, Jeremy Irons e Jared Leto – todos já vencedores de Oscar – além de Adam Driver (que ao menos já foi indicado).

    ‘Casa Gucci’ traz a história do assassinato de Maurizio Gucci, um dos diretores da famosa grife Gucci. O crime, ocorrido nos anos 90, chocou o mundo por ter sido encomendado por Patrizia Reggiani, ex-mulher dele.

    Maurizio (Adam Driver), um tipo desligado, tímido e desajeitado, é filho de Rodolfo Gucci (Jeremy Irons), que, em parceria com seu irmão e sócio, Aldo Gucci (Al Pacino), comanda a poderosa grife que leva seu sobrenome. Aldo ainda é pai de Paolo (Jared Leto), também imerso nesse universo da moda e do poder. Maurizio, ao contrário, não parece sintonizado com o mundo dos grandes negócios. E, quando é fisgado pela desinibida Patrizia Reggiani (Lady Gaga), acaba deserdado. Ele até acaba indo trabalhar com o pai da moça, Reggiani (Vincent Regiotta), que tem uma empresa de transportes, e diz que nunca fora tão feliz agora, depois que “desceu” de classe social. Mas Patrizia tem outros planos, bastante mais altos e arriscados.

    O filme de Ridley Scott traz rivalidades entre classes sociais, reviravoltas, traições de todo tipo, estratégias nebulosas e golpes abaixo da linha da cintura, chegando a um assassinato. Curioso como os protagonistas do mundo da alta moda volta e meia se comportam como vilões cheios de clichês. Mas às vezes parece ser assim mesmo. Afinal, o filme é baseado em fatos reais, narrados no livro ‘Casa Gucci’, de Sara Gay Forden, cujo subtítulo é emblemático: “Uma história de glamour, ganância, loucura e morte”.

  • Sai o primeiro trailer de 'Turma da Mônica - Lições'

    O primeiro trailer de ‘Turma da Mônica – Lições’ foi divulgado nesta segunda-feira (11) pela Paris Filmes. O filme é o segundo live-action inspirado nos personagens criada pelo cartunista Mauricio de Sousa, depois de ‘Turma da Mônica – Laços’ (2019).

    No trailer, Mônica (Giulia Benite) é surpreendida pelos seus pais, que vão colocá-la em uma nova escola. Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) tentam sobreviver na escola antiga, sem ela por perto, e tentam bolar um plano infalível para trazê-la de volta.

    O trailer ainda apresenta pelo menos quatro novos personagens: Marina, Milena, Do Contra e Humberto. Monica Iozzi reaparece como a mãe da Mônica. Malu Mader faz o papel de uma professora. E Isabelle Drumond interpreta a jovem Tina.

  • Cinema

    ‘Space Jam’ ganha novo astro, nova tecnologia e novos costumes

    A versão cartoon de LeBron James e sua aparição no jogo de basquete ao lado do Pernalonga: visuais inéditos
    A versão cartoon de LeBron James e sua aparição no jogo de basquete ao lado do Pernalonga: visuais inéditos (Foto: Divulgação)

    ‘Space Jam: O Jogo do Século’ foi lançado em 1996, com uma divertida mistura entre os personagens animados do Looney Tunes – a turma do Pernalonga e Patolino – e o superastro de basquete Michael Jordan. Ele é chamado pelo Pernalonga para treinar uma equipe de basquete em um jogo contra uma equipe de alienígenas. Passados 25 anos, é a vez de outro superastro do basquete, LeBron James, contracenar com os Looney Tumes, em ‘Space Jam: Um Novo Legado’, com estreia prevista para esta quinta-feira (15) em Curitiba.

    Circunstancialmente, pode-se considerar ‘Space Jam: Um Novo Legado’ a maior estreia nos cinemas após a reabertura das salas em tempos de pandemia da Covid-19. Maior até que ‘Viúva Negra’, da Marvel. Por dois motivos. Primeiro, porque em Curitiba os cinemas foram realmente autorizados a abrir apenas na última quinta-feira, um dia antes da estreia do filme da espiã (agendado para 9 de julho). Desta vez, as salas tiveram uma semana de preparação. Além disso, ‘Viúva Negra’ estreou simultaneamente no Disney +, o streaming da Disney (por um preço de dois ingressos). ‘Space Jam’ não terá essa concorrência. Pelo menos por enquanto, a Warner não programou a estreia do filme para o seu streaming, o HBO Max.

    Assim como no primeiro filme, que também trazia outros astros do basquete da época (como Charles Barkely), ‘Space Jam: Um Novo Legado’ tem no elenco jogadores como Anthony Davis (Los Angeles Lakers), Damian Lillard (Portland Trail Blazers), Klay Thompson (Golden State Warriors) e ainda as jogadoras da WNBA (a liga profissional de basquete feminino dos Estados Unidos) Diana Taurasi, Nneka Ogwumike e Chiney Ogwumike.

    Como se passaram muitos anos desde o primeiro ‘Space Jam’, o novo filme está devidamente antenado a novos costumes. Prometem os produtores que a personagem Lola não estará sexualizada como antes – demorou 25 anos, mas adiantou ela dizer “não me chame de boneca” no primeiro filme. Também entra nessa conta a relevância das jogadoras mulheres. E a tecnologia envolvida evoluiu, trazendo visuais inéditos. LeBron vira um cartoon. E os Looney Tumes aparecerão na telona como jamais vistos.

    Claro que não se pode esperar um primor de roteiro. No primeiro filme, os Looney Tunes precisavam de Michael Jordan para vencer os alienígenas no basquete – sob pena de serem escravizados em caso de derrota. Desta vez, as coisas se invertem. É LeBron James que precisa de Pernalonga, Patolino, Lola, Frangolino, Frajola, Piu-Piu, a Vovó, o Coiote, o Papa-Léguas, etc, etc, etc. Isso porque o filho de LeBron foi raptado por alienígenas. O craque do basquete então entra em uma espécie de matrix e se transforma em desenho. E, para recuperar seu filho, o astro tem que... jogar basquete junto com os Looney Tunes e derrotar os raptores.

    Logicamente, também não se pode esperar de LeBron James uma interpretação digna de Oscar. Ele faz o que pode. Como ator, é um excepcional jogador de basquete. Felizmente, não faz diferença nesse caso. Para LeBron, só importa que o público se divirta no filme o quanto ele se divertiu fazendo o filme.

    LeBron James terá ‘skin’ no jogo Fortnite

    LeBron James foi confirmado em uma atualização do jogo de videogame Fortnite, previsto para sair ontem. A ação é parte da divulgação do filme ‘Space Jam: Um Novo Legado’.

    O craque do basquete fará parte da série Fortnite Icon, que inclui vários influenciadores e celebridades, como o jogador de futebol Neymar. A skin será lançada na loja de itens nesta quarta-feira (14).

    No jogo de Fortnite, as skins são itens muito desejados pelos jogadores, uma vez que podem funcionar como símbolo de poder. Trata-se essencialmente de visuais mais legais do Passe de Batalha. Para tê-las, os jogadores podem usar uma moeda virtual que pode ser obtida dentro do jogo – mas é preciso jogar bastante, e bem, para somar essa moeda. Ou a skin pode ser comprada usando dinheiro real, na loja do game.

  • Morre Richard Donner, diretor de ‘Superman’ e diversos outros clássicos

    (Foto: Reprodução)

    O diretor de cinema Richard Donner, de ‘Superman: O filme’ (1978) e ‘Os Goonies’ (1985), morreu nesta segunda-feira (5), aos 91 anos, de causas não reveladas. A confirmação foi feita por sua mulher, a produtora Lauren Shuler Donner.

    Donner dirigia episódios de séries para TV e estreou no cinema com o filme de terror ‘A profecia’, em 1976, que virou um grande sucesso. Dois anos depois, lançou ‘Superman: O filme’, com Christopher Reeve no papel do super-herói. Levou o super-herói da DC aos cinemas e foi um sucesso nas bilheterias mundiais. Também é o diretor de clássicos dos anos 80, como ‘Ladyhawke’ e ‘os Goonies’, além da franquia ‘Máquina Mortífera’. Seu último filme como diretor foi ‘16 quadras’, de 2006. Esses são os filmes mais marcantes na carreira do cineasta.

    A profecia (1976)

    Um diplomata preocupado em não chocar a esposa, em virtude da morte do seu filho ao nascer, esconde o fato e adota um recém-nascido de origem desconhecida. Mortes misteriosas começam a cercar a família — que, sem saber, pode estar criando o Anticristo em pessoa. É praticamente a estreia de Richard Donner na direção.

    Superman: o Filme (1978)

    Dispensa comentários. Donner entregou o filme definitivo do Superman, com Christopher Reeve sendo a encarnação definitiva do homem de aço. Para conpletar, tem o tema musical mais famoso da história, composto por John Williams. Para os olhos e hoje, os efeitos visuais envelheceram, mas o herói ainda voa com charme.

    Ladyhawke: O Feitiço de Áquila (1985)

    Na Europa medieval, um cavaleiro e uma dama não conseguem se amar porque foram vítima de uma maldição lançada pelo bispo de Áquila: o homem vira lobo à noite e a mulher vira falcão durante o dia. A esperança dos dois para quebrar o feitiço é o jovem Phillip Gaston (Matthew Broderick), que fugiu de Áquila. Um filme sensível e bonito dirigido por Donner.

    Os Goonies (1985)

    Donner entregou um clássico "sessão da tarde" ao contar essa história (produzida por Steven Spielberg) sobre um bando de jovens que descobre um mapa do tesouro no sótão de uma casa. Eles correm atrás dos dobrões de ouro de Willy Caolho entre as cavernas e trilhas subterrâneas, além de enfrentarem bandidos italianos.

    Máquina Mortífera (1987)

    Filmes com duplas de policiais que não se acertam e são forçados a trabalhar juntos são um clichê velho. Mas, se teve um que deu certo, esse é ‘Máquina Mortífera’, com Mel Gibson no papel do policial levemente maluco em contraponto ao policial chefe-de-família, interpretado por Danny Glover. Gerou três continuações, todas sob o comando de Donner.

    Os Fantasmas contra-atacam (1989)

    Richard Donner dirige essa releitura moderna do clássico 'Um Conto de Natal', escrito por Charles Dickens. Frank Cross (Bill Murray) é um diretor de uma rede de TV que só pensa na audiência. Até que um amigo já falecido o avisa sobre três fantasmas (o do Natal Passado, Presente e Futuro) que irão visitá-lo.

    Maverick (1994)

    Nova parceria de Donner com Mel Gibson, que interpreta o jogador de pôquer Bret Maverick. Ele tenta arrumar três mil dólares que lhe faltam para participar de um jogo milionário em uma barca do rio Mississipi. Baseado em um seriado de TV, o filme traz ainda o ator James Garner, o Maverick original.

    Teoria da Conspiração (1997)

    Mais um filme da dupla Donner-Gibson. Jerry Fletcher (Gibson) é um motorista de taxi que critica o governo e fala sempre da existência de uma conspiração envolvendo altos escalões. No começo, ninguém lhe dá atenção. No entanto, ele escreve algo conspiratório no qual alguém acredita, pois sua cabeça é colocada a prêmio.

    16 Quadras (2006)

    Último filme dirigido por Donner. O policial Jack Mosley (Bruce Willis) precisa escoltar um presidiário em Nova York, num percurso de 16 quadras, da delegacia o tribunal. O presidiário apenas deseja depor e ganhar sua liberdade. Só que o depoimento envolve policiais corruptos, que farão de tudo para matá-lo (e quem estiver com ele) no meio do caminho.

  • Filme sobre Roberto Baggio suscita uma dúvida: por que não há filmes assim no Brasil?

    (Foto: Divulgação)

    ‘O Divino Baggio’, filme sobre a carreira do ex-futebolista italiano Roberto Baggio, foi lançado recentemente na Netflix. Independente da bola que jogou (e foi muita bola), Baggio ficou mais conhecido no Brasil por ter errado o último pênalti contra a seleção brasileira na final da Copa de 1994. Com o erro dele, o Brasil foi campeão. Mas o filme suscita outra pergunta sobre o futebol brasileiro: por que não se faz filmes biográficos com jogadores brasileiros?

    Falta de craques não é. Ninguém no planeta produziu mais jogadores de primeiro nível que o Brasil. Freidenreich (‘El tigre’, o primeiro craque brasileiro), Leônidas da Silva (inventor da jogada chamada “bicicleta”), Domingos da Guia, Zizinho, Ademir de Menezes, Djalma Santos, Didi, Gilmar, Nilton Santos, Zagallo, Gérson, Rivellino, Tostão, Carlos Alberto, Leão, Zico, Falcão, Sócrates, Taffarel, Dunga, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Cafu, Marcos, Kaká e diversos outros. Ou jogadores não tão bons, mas que tinham um lado folclórico forte, como Dadá Maravilha ou Jacozinho. Até Felipe Melo daria um bom filme. É um grande personagem.

    No Brasil, poucos ganharam filmes biográficos (não vale documentário). Entre eles, está Garrincha (‘Estrela Solitária’), baseado num livro do escritor Rui Castro, e Heleno de Freitas (‘Heleno’, com Rodrigo Santoro no papel principal). E, claro, Pelé. ‘O Nascimento de uma lenda’ fala do primeiro título mundial da seleção brasileira (em 1958) tendo Pelé com protagonista. Mas é uma produção norte-americana, o que explica o alto número de erros históricos e o tom maniqueísta.

    Filmes biográficos em geral trazem a vida do personagem fora da atividade que o tornou suficientemente famoso. Trazem suas agruras e suas dificuldades, com sucessos e insucessos, até o momento de gloriosa catarse que em geral encerra o filme. Todos aqueles jogadores citados acima têm biografias que se encaixam nesse perfil, basta escolher o recorte da vida deles.

    ‘O Divino Baggio’ não foge a essa regra. Começa com a questão do pênalti perdido por Baggio na final da Copa. Mas, antes que o pênalti seja em si mostrado, o filme volta no tempo e apresenta Roberto Baggio, ou Roby, como um entre oito irmãos que disputam a atenção de um pai eternamente imerso no trabalho em uma oficina. Uma das cenas iniciais é extremamente peculiar: os irmãos contam ao pai o que fizeram durante o dia. Todos relatam situações triviais, como “liguei para o fulano”, “pintei a cerca”, “consertei tal coisa”. E Roby dispara: “Assinei com a Fiorentina”. Muita coisa para quem tinha 18 anos e jogava num time da terceira divisão italiana.

    O forte do filme não é o lado do futebol, e sim o lado humano. Como já havia adiantado Silvio Rauth Filho em sua análise sobre o filme, Roberto Baggio espelhava nos treinadores a relação conturbada com o pai. Mas cada treinador, claro, age de um jeito. ‘O Divino Baggio’ acerta ao focar este lado humano, menos conhecido numa carreira futebolística bastante conhecida e reconhecida. E nesse sentido a escalação do ator Andrea Arcangeli também foi um acerto. A interpretação até pode ser alvo de críticas, mas sua semelhança física com o craque – principalmente nas tomadas em que ele está de perfil – não deixa dúvidas: é Roberto Baggio quem está ali. Sempre pronto para superar as dificuldades, como perder um pênalti decisivo em final de Copa do Mundo.

    E fica a dúvida? Por que não há mais filmes sobre craques como Baggio?

  • Ator de ‘Sociedade dos Poetas Mortos’, Norman Lloyd morre aos 106 anos

    Nolan (Norman Lloyd) e Keating (Robin Williams) em 'Sociedade dos Poetas Mortos'
    Nolan (Norman Lloyd) e Keating (Robin Williams) em 'Sociedade dos Poetas Mortos' (Foto: Divulgação)

    O ator norte-americano Norman Lloyd morreu aos 106 anos na terça-feira (11) em casa, em Los Angeles (Estados Unidos). Ele trabalhou com nomes como Charles Chaplin e Orson Welles. Um de seus papéis mais conhecidos é o do professor Nolan, diretor do colégio conservador do filme ‘Sociedade dos Poetas Mortos’, de 1989.

    Outros filmes da carreira de Lloyd são ‘Spellbound: Quando Fala o Coração’ (1945), de Alfred Hitchock,  ‘Luzes da Ribalta’ (1952), em que contracenou com Chaplin, e a série ‘St. Elsewhere’ (1982), na qual atuou por seis temporadas. Também esteve em ‘Star Trek: The Next Generation’ (1987) e na série ‘Modern Family’ (2009).

    Como diretor, ele se destacou por ‘A Word to the Wives’ (1955) e ‘Alfred Hitchcock Presents’ (1955).

    Norman Perlmutter nasceu em 8 de novembro de 1914. Ele cantava e dançava desde os 9 anos de idade e estreou em atividades teatrais na Broadway, em Nova York, aos 20 anos. Ele assumiu o nome de Norman Lloyd e era considerado o ator com carreira mais longeva em Hollywood. Seu último filme foi ‘Descompensada’ (2015), com Amy Schumer.

  • Cerimônia diferente do Oscar consagra ‘Nomadland’ e cineasta chinesa

    Chloe Zhao, diretora de 'Nomadland'
    Chloe Zhao, diretora de 'Nomadland' (Foto: Reprodução / TNT)

    Neste domingo (25), foi realizada a cerimônia de entrega do Oscar 2021. Com a pandemia de coronavírus, que obrigou o mundo a adotar o isolamento social, o setor cultural teve de se adaptar rapidamente, como foi o caso das premiações. O Oscar não ficou de fora dessa nova ordem e teve que fazer uma cerimônia bem diferente.

    A entrega foi tão diferente que o prêmio de melhor filme, normalmente o último da noite, foi entregue antes. E o vencedor foi ‘Nomadland’. Somente depois foram entregues os prêmios de melhor atriz e ator. Frances McDormand venceu o prêmio de melhor atriz por ‘Nomadland’ e levou o Oscar pela terceira vez – as outras foram por ‘Fargo’ (1996) e ‘Três Anúncios para um Crime’ (2017). Anthony Hopkins ganhou o de melhor ator, por ‘Meu Pai’, desbancando o favorito Chadwick Boseman, por ‘A Voz Suprema do Blues’. Boseman, morto em 2020, foi indicado postumamente. Ele também foi lembrado em outro momento da premiação, ao fechar a lista ‘In memoriam’, que também tinha nomes como Sean Connery (o eterno 007), Olivia de Havilland (de ‘... E o Vento Levou’), o diretor Alan Parker e o músico italiano Ennio Morricone.

    A premiação também consagrou a cineasta chinesa Chloe Zhao como melhor diretora, pelo filme ‘Nomadland’. Foi apenas a 5ª vez que uma mulher foi indicada a melhor direção na história. E foi apenas a 2ª vencedora – a primeira foi Kathryn Bigelow, por ‘Guerra ao Terror’, em 2010. Entre os cinco indicados havia também Emerald Fenning, por ‘Bela Vingança’. Nunca duas mulheres concorreram ao prêmio ao mesmo tempo. As outras indicadas na história foram Jane Campion (‘O Piano’, de 1994); Sofia Coppola (Encontros e Desencontros’, de 2003); Kathryn Bigelow (‘Guerra ao Terror’, de 2010’); e Greta Gerwig (‘Lady Bird’, de 2018).

    Entre as 20 indicações para atores e a atrizes (principais e coadjuvantes), nove eram “não brancos”. Daniel Kaluuya (‘Judas e o Messias Negro’) venceu como melhor ator coadjuvante. Youn Yuh-Jung (‘Minari’), primeira sul-coreana indicada ao prêmio de melhr atriz coadjuvante, também ganhou.

    Dessa vez, a cerimônia foi híbrida. Boa parte dos indicados estava no local da premiação, sentados em mesas de quatro pessoas – semelhante ao que ocorre no Golden Globe – e não no tradicional Dolby Theatre, onde a cerimônia tem sido feita desde 2002. Também havia conexões com transmissão de vários outros locais, como a Estação Ferroviária Central de Los Angeles ou a cidade de Kilkenny, na Irlanda. O Oscar também precisou abrir mão de um ritual que antecede a grande festa do cinema: o tapete vermelho.

    Todos os vencedores do Oscar 2021

    Melhor filme: ‘Nomadland’

    Melhor direção: Chloé Zhao, por ‘Nomadland’

    Melhor ator: Anthony Hopkins, por ‘Meu Pai’

    Melhor atriz: Frances McDormand, por ‘Nomadland’

    Melhor ator coadjuvante: Daniel Kaluuya, por ‘Judas e o Messias Negro’

    Melhor atriz coadjuvante: Yuh-jung Youn, por ‘Minari’

    Melhor roteiro original: Emerald Fennell, por ‘Bela Vingança’

    Melhor roteiro adaptado: Christopher Hampton & Florian Zeller, por ‘Meu Pai’

    Melhor fotografia: Erik Messerschmidt, por ‘Mank’

    Melhor figurino: Ann Roth, por ‘A Voz Suprema do Blues’

    Melhor trilha sonora: Jon Batiste, Trent Reznor & Atticus Ross, por ‘Soul’

    Melhor canção original: ‘Fight for You’ - H.E.R. (‘Judas e o Messias Negro’)

    Melhor design de produção: Donald Graham Burt, por ‘Mank’

    Melhor montagem: Mikkel E.G. Nielsen, por ‘O Som do Silêncio’

    Melhores efeitos visuais: ‘Tenet’

    Melhor cabelo & maquiagem: ‘A Voz Suprema do Blues’

    Melhor som: ‘O Som do Silêncio’

    Melhor documentário: ‘Professor Polvo’

    Melhor filme internacional: ‘Druk - Mais uma Rodada’ (Dinamarca)

    Melhor animação: ‘Soul’

    Melhor documentário em curta-metragem: ‘Colette’

    Melhor curta-metragem de animação: ‘Se Algo Acontecer... Te Amo’

    Melhor curta-metragem: ‘Two Distant Strangers’

  • Spielberg revela lista de seus 20 filmes favoritos de todos os tempos

    (Foto: Divulgação)

    O cineasta Steven Spielberg, diretor de clássicos como ‘Tubarão’, ‘ET’, a trilogia Indiana Jones e dois filmes de ‘Jurassic Park’, revelou quais são os seus 20 filmes favoritos de todos os tempos. A lista foi publicada nesta segunda-feira (5) pela versão on-line da revista ‘Far Out’.

    Além do peso do nome de Spielberg, a lista chama atenção por vários fatores. Primeiro, porque dois dos 20 filmes foram refilmados pelo próprio Spielberg. ‘Dois no Céu’, de 1943, inspirou ‘Além da Eternidade’, que o diretor lançou em 1989 e que tinha Richard Dreyfuss no papel que foi de Spencer Tracy. A outra refilmagem é ‘A Guerra dos Mundos’. O original de 1953, baseado em um livro de H. G. Wells, inspirou o diretor a produzir o longa de 2011, com Tom Cruise no papel principal.

    Entre os diretores, apenas dois tiveram mais de um filme citado: Victor Fleming (de ‘Dois no Céu’ e ‘Marujo Intrépido’) e Francois Truffault (‘Os Incompreendidos’ e ‘A Noite Americana’). Spielberg não citou o filme mais famoso de Fleming: ‘E o Vento Levou’. Ele ainda listou duas animações produzidas por Wlt Disney nos anos 1940: ‘Fantasia’ e ‘Dumbo’.

    Outro ponto curioso é que Spielberg citou dois filmes baseados em histórias em quadrinhos: ‘Guardiões da Galáxia’, da Marvel, e ‘Batman: Cavaleiro das Trevas, da DC. Em 2015, o diretor chegou a declarar que filmes baseados em personagens de HQs eram “modinha”.

    Em tempo: o primeiro colocado do diretor é ‘A Felicidade Não se Compra’, de Frank Capra.

    A lista completa dos 20 filmes favoritos de Spielberg:

    1. A Felicidade Não se Compra – Frank Capra (1946)
    2. O Poderoso Chefão – Francis Ford Coppola (1972)
    3. Fantasia – direção de Samuel Armstrong, James Algar, Bill Roberts, Paul Satterfield, Hamilton Luske, Jim Handley, Ford Beebe, T. Hee, Norm Ferguson e Wilfred Jackson, produção de Walt Disney (1940)
    4. Dois no Céu – Victor Fleming (1943)
    5. Guardiões da Galáxia – James Gunn (2014)
    6. A Guerra dos Mundos – Byron Haskin (1953)
    7. Psicose – Alfred Hitchcock (1960)
    8. 2001: Uma Odisséia no Espaço – Stanley Kubrick (1968)
    9. Lawrence da Arabia – David Lean (1962)
    10. Intocáveis – Olivier Nakache and Éric Toledano (2011)
    11. Batman: O Cavaleiro das Trevas – Christopher Nolan (2008)
    12. Os Incompreendidos – François Truffaut (1959)
    13. A Noite Americana – François Truffaut (1973)
    14. Cidadão Kane – Orson Welles (1941)
    15. Marujo Intrépido – Victor Fleming (1937)
    16. Os Melhores Anos de Nossa Vida – William Wyler (1946)
    17. Rastros de Ódio – John Ford (1956)
    18. Tootsie – Sydney Pollack (1982)
    19. Os Sete Samurais – Akira Kurosawa (1954)
    20. Dumbo – Bem Sharpsteen, produção de Walt Disney (1941)
  • Oscar 2021 está antenado com a atual realidade

    (Foto: Reprodução)

    Os concorrentes ao Oscar 2021 foram divulgados nesta segunda-feira (15). E nunca a cerimônia esteve tão antenada com a atual realidade. A começar pela questão da pandemia do coronavírus. Desta vez, a entrega do prêmio será feita de forma virtual, com transmissão ao vivo de vários locais, como o Dolby Theatre, em Los Angeles (EUA), o tradicional palco da festa. Além disso, a data da premiação – marcada para 25 de abril – será mais tardia que de costume. Se o mundo estivesse girando normalmente, o Oscar seria entregue no fim de fevereiro, ou começo de março, no mais tardar.

    Outro ponto é a diversidade dos indicados aos principais prêmios. Pela primeira vez, duas mulheres foram indicadas no mesmo ano: Emerald Fennell (‘Bela Vingança’) e Chloé Zhao (‘Nomadland’), que também é a primeira mulher não branca a ser indicada na categoria. Até hoje, apenas cinco mulheres forem indicadas a melhor direção: Lina Wertmüller (‘Pasqualino Sete Belezas’, de 1977); Jane Campion (‘O Piano’, de 1994); Sofia Coppola (Encontros e Desencontros’, de 2003); Kathryn Bigelow (‘Guerra ao Terror’, de 2010’); e Greta Gerwig (‘Lady Bird’, de 2018). Bigelow foi a campeã em seu ano.

    Entre as 20 indicações para atores e a atrizes (principais e coadjuvantes), nove são “não brancos”. Entre os atores principais, há Steven Yeun (‘Minari’), de origem asiática, e Riz Ahmed (‘XXX’), de origem paquistanesa, além de Chadwick Boseman, o eterno Pantera Negra, por ‘A Voz Suprema do Blues’. Anthony Hopkins (‘Meu Pai’), de 90 anos, e Gary Oldman (‘Mank’) completam a lista. Entre os coadjuvantes, há Daniel Kaluuya (‘Judas e o Messias Negro’), Leslie Odom Jr. (‘Uma Noite em Miami’) e LaKeith Stanfield (‘Judas e o Messias Negro’), todos negros. Boseman ainda conseguiu outra marca, a de primeiro ator negro indicado postumamente – ele morreu em junho de 2020.

    No rol das atrizes, Viola Davis (‘A Voz Suprema do Blues’) alcançou o recorde de atriz negra com mais indicações ao Oscar, com quatro ao todo – e ela venceu em 2017, como coadjuvante, por ‘Um Limite Entre Nós’. Andra Day, também negra, concorre por ‘The United States vs. Billie Holiday’. A categoria é completada por Vanessa Kirby (‘Pieces of a Woman’), Frances McDormand (‘Nomadland’) e Carey Mulligan (‘Bela Vingança’). Entre as coadjuvantes, Youn Yuh-Jung (‘Minari’) é a primeira sul-coreana indicada ao prêmio.

    No geral, o filme com mais indicações é ‘Mank’, com 10: melhor filme, diretor (David Fincher), ator (Gary Oldman), atriz coadjuvantes (Amanda Seyfried), figurino, fotografia, maquiagem e cabelo, trilha sonora, som e design de produção. Seis filmes somaram sete indicações cada: ‘Judas e o Messias Negro’, ‘Meu Pai’, ‘Minari’, ‘Nomadland’, ‘O Som do Silêncio’ e ‘Os 7 de Chicago’.

    Os indicados ao Oscar 2021:

    MELHOR FILME
    Meu Pai
    Judas e o Messias Negro
    Minari
    Mank
    Nomadland
    Bela Vingança
    O Som do Silêncio
    Os 7 de Chicago

    MELHOR ATRIZ
    Viola Davis - A Voz Suprema do Blues
    Andra Day - Estados Unidos vs Billie Holiday
    Vanessa Kirby - Pieces of a Woman
    Frances McDormand - Nomadland
    Carey Mulligan - Bela Vingança

    MELHOR ATOR
    Riz Ahmed - O Som do Silêncio
    Chadwick Boseman - A Voz Suprema do Blues
    Anthony Hopkins - Meu Pai
    Gary Oldman - Mank
    Steven Yeun - Minari - Em Busca da Felicidade

    MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
    Maria Bakalova - Borat: A Fita de Cinema Seguinte
    Glenn Close - Era Uma Vez um Sonho
    Olivia Colman - Meu Pai
    Amanda Seyfried - Mank
    Yuh-Jung Youn - Minari - Em Busca da Felicidade

    MELHOR ATOR COADJUVANTE
    Sacha Boron Cohen - Os 7 de Chicago
    Daniel Kaluuya - Judas e o Messias Negro
    Leslie Obom Jr. - Uma Noite em Miami
    Lakeith Stanfield - Judas e o Messias Negro
    Paul Raci - O Som do Silêncio

    MELHOR DIREÇÃO
    Chloé Zhao - Nomadland
    Lee Isaac Chung - Minari - Em Busca da Felicidade
    Emerald Fennell - Bela Vingança
    David Fincher - Mank
    Thomas Vinterberg - Druk - Mais uma Rodada

    MELHOR FILME INTERNACIONAL
    Another Round (Dinamarca)
    Better Days (Hong Kong)
    Collective (Romênia)
    The Man Who Sold His Skin (Tunísia)
    Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina)

    MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
    Borat
    Meu Pai
    Nomadland
    Uma Noite em Miami
    Tigre Branco

    MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
    Judas e o Messias Negro
    Minari - Em Busca da Felicidade
    Promising Young Woman
    O Som do Silêncio
    Os 7 de Chicago

    MELHOR FIGURINO
    Emma - Alexandra Byrne
    Mank - Trish Summerville
    Ma Rainey's Black Bottom - Ann Roth
    Mulan - Bina Daigeler
    Pinóquio

    MELHOR TRILHA ORIGINAL
    Destacamento Blood - Terence Blanchard
    Mank - Trent Reznor, Atticus Ross
    Minari - Em Busca da Felicidade - Emile Mosseri
    Relatos do Mundo - James Newton Howard
    Soul - Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste

    MELHOR ANIMAÇÃO
    Soul
    Wolfwalkers
    Dois Irmãos
    A Caminho da Lua
    Shaun, o Carneiro: A Fazenda contra-ataca

    MELHOR CURTA
    Feeling Through
    The Letter Room
    The Present
    Two Distant Strangers
    White Eye

    MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
    Se Algo Acontecer... Te Amo
    Genius Loci
    Yes People
    Opera
    Toca

    MELHOR DOCUMENTÁRIO
    Time
    Crip Camp: Revolução pela Inclusão
    My Octopuss Teacher
    Collective
    The Mole Agent

    MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
    Colette (Time Travel Unlimited)
    A Concerto Is a Conversation (Breakwater Studios)
    Do Not Split (Field of Vision)
    Hunger Ward (MTV Documentary Films)
    A Love Song for Latasha (Netflix)

    MELHOR FOTOGRAFIA
    Nomadland
    Mank
    Relatos do Mundo
    Os 7 de Chicago
    Judas e o Messias Negro

    MELHOR MONTAGEM
    O Som do Silêncio
    Os 7 de Chicago
    Meu Pai
    Nomadland
    Bela Vingança

    MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
    A Voz Suprema do Blues
    Pinóquio
    Mank
    Era uma Vez um Sonho
    Emma

    MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
    Speak Now - Uma Noite em Miami
    Io Si (Seen) - Rosa e Momo
    Fight for You - Judas e o Messias Negro
    Hear my Voice - Os 7 de Chicago
    Husavik - Eurovision Song Contest

    MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
    Mank
    Relatos do Mundo
    Tenet
    Meu Pai
    A Voz Suprema do Blues

    MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
    Tenet
    O Céu da Meia-Noite
    Love and Monsters
    Mulan
    O Grande Ivan

    MELHOR SOM
    O Som do Silêncio
    Relatos do Mundo
    Soul
    Mank
    Greyhound

  • Papai Noel existe... ao menos no cinema; veja 11 filmes com o bom velhinho

    (Foto: Divulgação)

    Papai Noel existe. Pelo menos no imaginário de cineastas e roteiristas. Seja como personagem principal, coadjuvante ou figurante, ele aparece em dezenas de filmes. E vários atores famosos o interpretaram. Desde Richard Attenborough até galãs como Eric Roberts, Kurt Russell e Mel Gibson, que aproveitam a idade – eles passaram dos 60 anos – para tirar um sarro deles mesmos no papel do Bom Velhinho.

    Vários filmes brincam com a incredulidade em relação ao Papai Noel. A tentação se colocá-lo em situações do cotidiano é um lugar-comum irresistível especialmente para comédias-família. Também passa pelo capitalismo feroz e pelos mundos corporativos. Em tempos mais recentes, os filmes também exploram referências ao mau comportamento das crianças. Afinal, criança que não se comporta durante o ano não ganha presente. Palavra do Bom Velhinho.

    Rodolfo, a Rena do Nariz Vermelho (1964)

    Papai Noel é coadjuvante nessa animação clássica feita em stop-motion sobre a rena Rodolfo, que, graças ao nariz que acende e fica vermelho, consegue iluminar o caminho do trenó. Só que seu talento faz com que as outras renas o expulsem. Assim, Rodolfo se junta a Hermey e Yukon Cornelius em uma ilha cheia de brinquedos quebrados e promete ir ao Polo Norte e pedir ao Bom Velhinho para ajudá-los. A rena apareceu em vários outros filmes, inclusive em outra animação chamada ‘Natal em Julho’, de 1979.

    Milagre na Rua 34 (1994)

    Papai Noel (Richard Attenborough), o verdadeiro, assume o papel de Papai Noel em uma loja de departamentos em Nova York. De tão convincente, consegue atrair muito mais clientes à loja, inclusive a cética Susan (Mara Wilson), de seis anos. Ao vê-lo em ação, ela fica convencida de que o homem é real – principalmente depois que ela o flagra conversando com uma menina surda-muda. Ao mesmo tempo, esse Bom Velhinho desperta a inveja de papais noéis fakes e lojistas concorrentes.

    Meu Papai é Noel (1994)

    Papai Noel (Tim Allen) sofre um acidente e cai do telhado da casa enquanto estava entregando presentes na casa de um vendedor de brinquedos, Scott Calvin (Tim Allen de novo). Machucado, o Bom Velhinho não tem condições físicas de continuar o trabalho e resolve pedir a ajuda de Scott para salvar o Natal. O homem aceita a complicada tarefa, mas logo percebe que está engordando e ganhando barba – e, com isso, transformando-se no novo Papai Noel. O filme gerou três continuações.

    Papai Noel às Avessas (2003)

    Papai Noel (Billy Bob Thornton), ou melhor, Willie T. Stokes, trabalha no papel do Bom Velhinho em lojas de departamento, juntamente com Marcus (Tony Cox), um anão que se veste de duende no período. A ideia dos dois é trabalhar na loja no período natalino, descobrir o sistema de segurança e fazer uma “limpa” na véspera de Natal. Contudo, como Stokes trata todos muito mal, a dupla entra na mira do gerente e do responsável pela segurança da loja. E um menino vai ensinar à dupla o espírito natalino.

    O Expresso Polar (2004)

    Papai Noel (Tom Hanks) já não conta com a fé do garoto Billy (Josh Hutcherson). Sem acreditar mais no Bom Velhinho, o menino espera por algo que faça com que sua crença na figura natalina retorne. É quando um gigantesco trem negro com destino ao Polo Norte estaciona na frente de sua janela e o maquinista o convida para embarcar. Após relutar, ele decide seguir viagem. Uma das primeiras animações feitas com captura de imagem, o filme tem Tom Hanks fazendo vários papéis.

    Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas (2005)

    Papai Noel (James Cosmo) aparece rapidamente na terra de Nárnia, mas em um momento-chave da adaptação da história de C. S. Lewis para o cinema. Enquanto os irmãos Peter, Susan e Lucy Pevensie fogem e se escondem da Feiticeira Branca (Tilda Swinton), o Bom Velhinho os encontra e dá a eles armas que serão úteis no combate entre as forças do bem e do mal. Afinal, os irmãos Pevensie ainda precisam tirar o quarto irmão, Edmund, das garras da rainha gélida.

    Titio Noel (2007)

    Papai Noel (Paul Giamatti) sempre foi um santo, mas tem um irmão, Fred Claus (Vince Vaughn), que é encrenqueiro e que sempre viveu às sombras de seu irmão. Fred arma um trambique que dá errado e fica em apuros, mas acaba socorrido pelo Bom Velhinho. Só que, aí, ele tem quem lidar com o seu irmão problemático na fábrica de brinquedos. E também tem quem lidar com um especialista em eficiência que chegou para avaliar o funcionamento do Papai Noel.

    Papai Noel das Cavernas (2010)

    Papai Noel (Sami Parkkinen) é encontrado congelado a 486 metros debaixo da terra durante escavações no Monte Korvatunturi, na Finlândia. Os três caçadores que o acharam descobrem que se trata do Bom Velhinho legítimo e tentam vendê-lo. Ao mesmo tempo, crianças da cidade começam a desaparecer, misteriosamente. O único que resta é Pietari (Onni Tommila), um jovem fascinado e amedrontado pela assustadora figura do Bom Velhinho. Ao contrário dos outros, é um filme de suspense e terror.

    Um Papai Noel em Apuros (2016)

    Papa Noel (Eric Roberts) encara uma greve de seus elfos, que estão cansados de lidar com crianças mimadas, ingratas e egocêntricas. Em desespero, o Bom Velhinho toma uma atitude controversa: recruta seis adolescentes malcomportados de um shopping para ajudá-lo. E envia a eles vídeos para eles votarem no comportamento das crianças. Só que sua ideia não sai como esperado e Papai Noel decide desistir do Natal. Com a saída dele de cena, os adolescentes e os elfos decidem trabalhar juntos.

    Crônicas de Natal (2018)

    Papai Noel (Kurt Russell) cai do trenó na cidade de Chicago por causa dos irmãos Kate e Teddy Pierce, que subiram nele sem permissão ainda em Boston. Para consertar o trenó, achar o saco, resgatar as renas e salvar o Natal, ele acaba aceitando a ajuda dos dois irmãos. Mas é difícil convencer o resto do povo de que ele é mesmo o Bom Velhinho. E a incredulidade geral pode acabar com o espírito de Natal. O filme teve uma continuação, em 2020, com mais espaço para a Mamãe Noel (Goldie Hawn).

    Entre Armas e Brinquedos (2020)

    Papai Noel (Mel Gibson) está à beira da falência, já que as crianças boas estão em falta no mundo. Então, o que fazer com a fábrica de brinquedos? Para salvar seu negócio, o Bom Velhinho acha que é uma boa ideia colocar tudo a serviço do exército. Ao mesmo tempo em que presta serviço aos militares, Papai Noel tem que fugir de um assassino (Walton Goggins) contratado por um menino mimado que não ganhou presente. Uma prova de que as boas crianças estão em falta.

  • Memória: Sean Connery em onze filmes

    Sean Connery
    Sean Connery (Foto: Divulgação)

    O cinema perdeu neste sábado (31) o ator Sean Connery, que havia completado 90 anos em 25 de agosto. Escocês de nascimento, ex-motorista, ex-jogador de futebol, porte másculo, 1,88m de altura, ele redefiniu o conceito de astro no cinema com um papel icônico, o de James Bond. E conseguiu se reinventar como ator, ao mostrar um talento dramático que ia além de sua aparência. Estava aposentado desde 2012 e estava nas Bahamas quando morreu. Aqui vai uma lista de 11 filmes para relembrar Sean Connery.

    O Satânico Dr. No (1962)

    Primeiro filme em que interpretou “Bond, James Bond”. Curiosamente, ele não era uma opção do agrado do escritor Ian Fleming, que o considerava pouco refinado para o papel e queria Cary Grant como o espião. Depois, Fleming mordeu a língua. Connery virou a figura ideal de James Bond e ainda repetiu o papel em mais cinco filmes: ‘Moscou contra 007’ (que era o seu preferido), ‘Goldfinger’, ‘Com 007 só se vive duas vezes’, ‘Os Diamantes são Eternos’ e ‘Nunca Mais Outra Vez’, que foi seu último, em 1983.

    Marnie: Confissões de uma ladra (1964)

    Depois de já ter feito dois filmes como James Bond, Connery estrelou este suspense dirigido por Alfred Hitchcock — considerado uma das obras-primas do diretor. Ele interpreta Mark Rutland, um viúvo rico que possui uma editora na Filadélfia e descobre um dos roubos cometido pela cleptomaníaca Marnie Edgar (Tippi Hedren). Curiosidade: o papel de Marnie deveria ficar com Grace Kelly, mas ela já estava casada com Rainier III, príncipe de Mônaco, e ele pressionou para que ela ficasse de fora do filme.

    O Homem que Queria ser Rei (1975)

    Contribuição de Connery com outro diretor mítico, John Huston, baseado em uma obra de Rudyard Kipling. Connery faz o rude soldado Daniel Dravot, que leva uma flechada no peito durante uma batalha, mas não sangra nem morre — a flecha fica presa numa bandoleira de couro que ele usava embaixo da roupa. Por não ter sido ferido, ele e Prachey Carnahan (Michael Caine) são vistos como divindades em uma comunidade na Índia. Isso até que são desmascarados.

    Robin e Marian (1976)

    Connery já estava com 46 anos quando o filme foi lançado. Na época, era uma idade relativamente avançada para os atores. Mas isso jogou a favor dele no papel de um Robin Hood envelhecido, numa trama que se passa anos à frente do que normalmente se imagina da vida do cara que rouba dos ricos para dar aos pobres. Quando ele volta pela enésima vez das Cruzadas, ele descobre que sua amada Marian (Audrey Hepburn) tornou-se freira e está em um convento. Ele trata de resgatá-la e a chama da paixão reacende.

    O Nome da Rosa (1986)

    Connery brilha como William de Baskerville, um monge que, pelas circunstâncias, é levado a investigar misteriosos assassinatos em uma abadia na Itália do século 13. A descrição do personagem narrada no livro de Umberto Eco leva à conclusão que ninguém, fora Sean Connery, poderia interpretar o papel. A obra traz discussões sobre valores religiosos — como “Jesus Cristo ria?” — em meio a uma investigação de nível Sherlock Holmes. Aliás, Baskerville era o antigo nome da cidade inglesa de Newcastle, onde, segundo os livros, Holmes teria nascido.

    Highlander (1987)

    O primeiro de três filmes em que Connery, à beira dos 60 anos, entra como coadjuvante, mas rouba a cena e o filme inteiro. O ator aqui interpreta Juan Sanchez Villa-Lobos Ramirez, um dos cavaleiros imortais que estão na Terra e têm que duelar entre si por um prêmio desconhecido, destinado apenas ao último imortal que restar no planeta. Cabe a ele explicar ao também imortal Connor MacLeod (Christophe Lambert) toda a história e que, no fim das contas, “só pode haver um” — e, para isso, não se pode perder a cabeça. Literalmente.

    Os Intocáveis (1987)

    O grande papel da carreira de Connery: John Malone, um policial veterano que sabe das coisas e age de maneira pragmática na Chicago dos anos 30, que vivia sob o jugo da máfia de Al Capone (Robert de Niro). Sua atitude sarcástica contrasta com o idealismo de Elliot Ness (Kevin Costner, em um de seus primeiros papéis), que quer caçar os mafiosos. Connery ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo filme. Mais que isso: ao receber o prêmio, ganhou uma ovação que durou dois minutos, uma das maiores da história do Oscar.

    Indiana Jones e a Última Cruzada (1989)

    O terceiro filme seguido em que Connery, como coadjuvante, roubou o filme. Aqui, ele faz o pai do famoso aventureiro Indiana Jones (Harrison Ford). Embora a idade dos dois atores na vida real seja incompatível para pai e filho (Connery nasceu em 1930 e Ford, em 1942), a interação entre os dois é tão boa que a idade vira um detalhe sem importância. Henry Jones pai é um aficionado pelo Santo Graal, mas acaba sequestrado pelos nazistas. Cabe ao filho, Henry “Indiana” Jones Junior, achá-lo em meio a uma perseguição que pode mesmo ser chamada de “a última cruzada”.

    A Rocha (1996)

    Depois de ter brilhado em ‘Caçada ao Outubro Vermelho’, de 1990, e 'Sol Nascente', de 1993, Connery mostrou que estava em plena forma para filmes de ação, mesmo com mais de 60 anos. ‘A Rocha’ que o diga. Aqui, ele é John Patrick Mason, o único homem que já conseguiu escapar da mítica prisão de Alcatraz. Mas ele é obrigado a voltar para lá, ao lado de um jovem especialista em armas bioquímicas (Nicolas Cage), com a missão de combater um ex-general (Ed Harris) que se instalou na prisão (agora, desativada) com armas químicas e 81 reféns.

    Coração de Dragão (1996)

    Numa época em que poucos astros faziam dublagens de personagens virtuais, Connery deu voz e feições a um dragão feito por CGI nessa fábula medieval. Quando Draco fala, é possível ver (e ouvir, lógico) os lábios e os trejeitos de Sean Connery. No filme, Bowen (Dennis Quaid) se considera traído pelo dragão Draco, mas os dois percebem que na verdade ambos foram traídos pelo menino que virou rei. Então, fazem uma aliança para arrancar uns trocados dos vassalos do rei. O cavaleiro finge que mata o dragão e sai como herói, depois eles repetem a trapaça em outra aldeia, e repetem de novo...

    A Liga Extraordinária (2003)

    Connery faz um Allan Quatermain (aventureiro do século 19) envelhecido. Nessa adaptação de uma história em quadrinhos de Allan Moore, Quatermain lidera um grupo de personagens clássicos da literatura do fim do século 19, como Mina Harker (Drácula), Henry Jakill (O médico e o Monstro) e o Capitao Nemo (20 mil Léguas Submarinas). Infelizmente, a adaptação ficou forçada e destoou bastante da HQ original. A citação na lista vale apenas porque foi o último filme em que Sean Connery realmente aparece no cinema. Depois, ele fez apenas um filme para a TV e narrações em off para outras produções.

  • Cinco filmes com Pelé, que faz 80 anos

    (Foto: Reprodução)

    Pelé, Rei do Futebol, campeão de três Copas do Mundo, autor de 1.283 gols, é o brasileiro mais conhecido e reconhecido no exterior em todos os tempos. Assim, seria normal ele aparecer no cinema. Ele completa 80 anos nesta sexta-feira (23). Em sua homenagem, aqui estão os cinco principais filmes com Pelé.

    Fuga para a Vitória (1981)

    Pelé, Sylvester Stallone, Michael Caine e outro ex-jogador, o inglês Bobby Moore, estão neste filme de John Huston. A trama envolve uma partida de futebol entre jogadores alemães e prisioneiros de um campo de concentração na 2ª Guerra Mundial. Estava tudo orquestrado para promover o Terceiro Reich, mas virou uma oportunidade de fuga para toda a equipe dos aliados. Pelé é o craque do time (mas, no roteiro, ele vem de Trinidad e Tobago...). Há uma história de bastidores segundo a qual Pelé teria quebrado um dedo de Stallone – que era o goleiro do time dos aliados – com um chute muito forte.

    A Vitória do Mais Fraco (1983)

    John Huston, diretor de ‘Fuga para a Vitória’, deve ter gostado de trabalhar com Pelé em seus filmes e abriu as portas para a presença do Rei do Futebol em ‘A Vitória do Mais Fraco’. Huston desta vez não dirige, só atua. Interpreta o Padre Cárdenas, protetor de um grupo de crianças órfãs, que se associam para salvar a Escola St. Francis para meninos. Para isso, eles têm que desfiar, em uma partida de futebol, o time do Padre Reilly (Peter Fox), com crianças riquinhas e mimadas. E quem vai ajudar o time do Padre Cárdenas? Pelé, ele mesmo.

    Os Trapalhões e o Rei do Futebol (1986)

    Comédia dirigida por Carlos Manga e estrelada pelos Trapalhões Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, feito especialmente para comemorar os 20 anos da trupe. Pelé é um dos roteiristas, ao lado de Renato Aragão. O Rei também atua, no papel de um jornalista esportivo (Nascimento, uma alusão a seu sobrenome na vida real) que assume escondido o lugar de um jogador do time Independência. O time, por sua vez é, comandado pelo técnico Cardeal (Didi) e que tem Elvis (Dedé), Fumê (Mussum) e Tremoço (Zacarias) como assessores. Nascimento, ao entrar em campo, realiza um sonho de infância, o de ser um jogador profissional.

    Pelé Eterno (2004)

    Documentário que traz mais de 400 gols do Rei do Futebol, inclusive alguns raros ou considerados perdidos. Tem gols de todos os tipos e para todos os gostos, além de alguns depoimentos curiosos – segundo um deles, Pelé tinha seus momentos de sonambulismo. Na época do lançamento, havia questionamentos sobre se Pelé, que jogou entre os anos 50 a 70, poderia (ou deveria) ser comparado aos melhores jogadores que atuavam em 2004, como Ronaldo, Kaká ou Ronaldinho Gaúcho. A resposta de Pelé: “Agora dá para comparar”. Muitos dos que viram o filme diziam o contrário: “Agora é que não dá para comparar MESMO”.

    Pelé: o Nascimento de uma Lenda (2016)

    Biografia de Pelé, desde a infância em Bauru até a sua explosão meteórica na carreira profissional, culminando com a conquista da Copa do Mundo de 1958. Como a autoria do filme coube aos norte-americanos (embora com alguns atores brasileiros, como Milton Gonçalves), isso virou um problema em vários aspectos, como os fatos históricos errados e os estereótipos de como os americanos veem os brasileiros. O principal problema é dar um tom de drama americano desnecessário e incorreto em várias questões, como “maldizer” a ginga brasileira e forçar uma rivalidade que não existia entre Pelé e Mazzola, até com viés de luta de classes.

  • Homenagens para Chadwick Boseman, o Pantera Negra

    (Foto: Divulgação)

    O ator Chadwick Boseman, o Pantera Negra, morreu na sexta-feira (28), aos 43 anos, e causou uma mistura de surpresa e comoção mundial.

    Surpresa porque até pouco tempo ele estava na ativa. ‘Destacamento Blood’, filme dirigido por Spike Lee e com Boseman  como protagonista, estreou na Netflix em junho deste ano.

    Comoção porque Chadwick Boseman encarnou o Pantera Negra, o primeiro herói negro dos quadrinhos a ser protagonista no cinema. E com isso angariou uma legião imensa de fãs. O filme traz não apenas um herói com quem os afrodescendentes se identificam, mas também dá espaço ao universo feminino. Sua representatividade o levou a uma merecida indicação ao Oscar de melhor filme.

    Na última segunda-feira (31), como parte das homenagens ao ator, o filme ‘Pantera Negra’ passou pela primeira vez na TV aberta.

    As reverências a Chadwick Boseman não pararam. Nem deveriam. A cidade de Anderson (Carolina do Sul), onde o ator nasceu, em 29 de novembro de 1976 (o site IMDb chegou a grafar 1977 até o dia da morte dele), anunciou nesta terça-feira (1) que um memorial para prestigiar o ator será feito às 19 horas desta quinta-feira (3). O evento irá contar com discursos conhecidos de Chadwick. Depois disso, ‘Pantera Negra’ será exibido para todos que estiverem presentes.

    Nos dias anteriores, todo o mundo artístico de Holywood prestou homenagens. Uma das mais interessantes foi o resgate de um vídeo em que Boseman agradece ao ator Denzel Washington, que, mesmo sem conhecê-lo, pagou a ele parte dos estudos. Boseman iria para a Universidade de Oxford, Inglaterra, mas não tinha dinheiro suficiente para pagar pelo curso. Denzel Washington ficou sabendo através da atriz Phylicia Rashad, ex-estrela do ‘The Cosby Show’ e professora de atuação de Boseman, e bancou uma parte. A comoção de Denzel ficou evidente. Não é toda pessoa que tem esse nível de gratidão que Chadwick Boseman demonstrou.

    Em geral, mortes inesperadas de atores ainda jovens são fruto de acidentes (como Paul Walker, de ‘Velozes e Furiosos’) ou overdoses (Heath Ledger, de ‘O Cavaleiro das Trevas’). Ou, em tempos atuais, de coronavírus (Nick Cordero, de musicais da Broadway). Não foi o caso de Chadwick Boseman. Segundo a mensagem postada em seu perfil no Twitter, o ator sucumbiu a um câncer de cólon, descoberto em 2016. Foram quatro anos de luta. E nada relativo a câncer chegou a ser comentado abertamente nesse período. O próprio Spike Lee disse, no dia 31, não saber de nada durante a produção de ‘Destacamento Blood’. “Filmamos na Tailândia (em março de 2019), estava quente, tinha selva, montanhas, e Chadwick estava sempre com a gente. Nunca nem suspeitei que havia algo errado. Ninguém sabia nada sobre nenhum tratamento”, disse Lee ao ‘Today’.

    Assim, fato é que Boseman fez, já doente, os filmes que o consagraram. 'Capitão América: Guerra Civil', o primeiro em que ele interpreta o Pantera Negra, é de 2017. A mensagem no Twitter indica que, desde 2016, as filmagens foram feitas em meio a cirurgias e sessões de quimioterapia. Isso chamou atenção porque o papel exige muito fisicamente. Em ‘Pantera Negra’, o ator aparece sem camisa e não há nenhuma cicatriz, nenhum indício de cirurgia.

    Será que os produtores dos filmes da Marvel sabiam dos problemas de saúde do ator? Se sim, e mesmo assim o mantiveram no papel, merecem parabéns.

    Se não sabiam, Chadwick Boseman provou ser mais heroico que o herói.

    Portanto, toda homenagem é pouca.

  • Próximo filme do Homem-Aranha já tem data de estreia no Brasil

    (Foto: Divulgação / Sony)

    O terceiro file do Homem-Aranha com o ator Tom Holland no papel principal já tem data de estreia no Brasil: dia 16 de dezembro de 2021, um dia antes da estreia nos Estados Unidos. A data foi confirmada nesta sexta-feira (14) pela Sony Pictures, como parte das comemorações do aniversário do herói – ao menos segundo a própria Sony.

    Peter Parker fez aniversário nesta segunda-feira (10), provavelmente em referência à data em que chegou às brancas, em agosto de 1962, a 15ª edição da revista Amazing Fantasy, onde o herói fez sua estreia nos quadrinhos. Pela atual cronologia no cinema, o personagem nasceu em 10 de agosto de 2001. Para comemorar a semana de aniversário de Peter Parker, a Sony tem postado conteúdos especiais do filme em suas redes.

    O terceiro filme é a sequência de ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’, que estreou em 2019. Holland também interpretou o herói em ‘Homem-Aranha: De Volta ao Lar’ e também apareceu em ‘Capitão América: Guerra Civil’, ‘Vingadores: Guerra Infinita’ e ‘Vingadores: Ultimato’.

  • Cinema

    Dia dos Pais: oito pais marcantes em oito filmes

    Agosto é o mês do Dia dos Pais. Como é o mês de número 8, o blog Coisa de Cinema selecionou oito pais marcantes da história do cinema.

    Darth Vader. ‘O Império Contra-Ataca’ (1980)

    A maior revelação feita em um filme na história do cinema é quando o vilão Darth Vader conta ao mocinho Luke Skywalker que é o pai dele (esse spoiler prescreveu). Isso foi momentos depois de cortar a mão do filho. E momentos antes de tentar passar uma conversa em Luke para atrai-lo ao lado sombrio da Força. Esses fatores e o caráter de Vader fazem com que ele provavelmente seja o pior pai da história. Ao menos, ele tem seu momento de redenção ao salvar Luke do maligno imperador Palpatine (em ‘O Retorno do Jedi’).

    Michael Newman. Click (2006)

    Michael Newman (Adam Sandler) é um arquiteto workaholic que falha como pai, ao negligenciar o crescimento dos filhos, e falha como filho, ao negligenciar o pai. O filme é comumente rotulado como “mais uma comédia com Adam Sandler”, já que a trama gira em tono do controle remoto que faz as suas vontades e estabelece suas prioridades. Mas as subcamadas alertam: o presente está passando e o futuro ninguém sabe. A cena em que Sandler se despede do pai é tocante.

    John Tremont. Meu Pai uma Lição de Vida (1988)

    John Tremont (Ted Danson) é um executivo superocupado (assim como o personagem de Adam Sandler em ‘Click’), mas que tem uma segunda chance de conviver com o pai (Jack Lemmon), quando descobre que ele tem pouco tempo de vida. O personagem de Danson é obrigado a cuidar do pai e aprende valores familiares como nunca havia feito antes – além de se divertir em ocasiões triviais, como jogar frisbee. Durante a convivência, Tremont ensina ao pai o valor da independência. E consegue se reaproximar do próprio filho (Ethan Hawke).

    Vito Corleone. O Poderoso Chefão (1972)

    Claro que, em se tratando de um chefão da máfia, sempre dá para questionar os métodos. O que não dá para questionar é a devoção de Vito Corleone (Marlon Brando) à família e aos filhos. Na verdade, tudo que ele faz é para protegê-los. Desde a rejeição à ideia de colocar o teimoso Sonny (James Caan) como herdeiro dos negócios até o eloquente discurso em proteção a Michael (Al Pacino) perante as famílias mafiosas dos Estados Unidos. Sonny não aprende com o pai, mas Michael aprende; e vira o novo Chefão.

    Chris Gardner. À Procura da Felicidade (2006)

    Que tal um pai que é largado pela mulher, que tem um filho pequeno, e que precisa se desdobrar para conseguir trabalhar (a cada dia, sem a certeza de uma remuneração), comer (a cada dia uma incerteza), dormir (a cada dia em um lugar, já que sua casa foi tomada)? Tudo isso sem descuidar do filho. Esse é Chris Gardner (Wil Smith) em ‘À Procura da Felicidade’, uma história real que mostra uma das pessoas mais dedicadas da história. Curiosidade: o filho de Gardner no filme é vivido por Jaden Smith, filho de Will Smith na vida real.

    Jor-El e Jonathan Kent. Homem de Aço (2013)

    O Superman tem dois excelentes pais. Jor-El (Russell Crowe), seu pai biológico, salvou sua vida ao colocá-lo, ainda bebê, numa nave para tirá-lo de um planeta à beira da explosão. Na Terra, ele teve o pai adotivo Jonathan Kent (Kevin Costner), que ensinou a retidão moral que norteia o caráter do herói (Imagine se o poderoso Superman fosse criado por um pai desajustado...). Na prática, ambos dão a vida para proteger o filho. ‘Homem de Aço’ consegue desenvolver melhor as relações pai e filho que o filme mais famoso do herói, ‘Superman’, de 1978.

    Guido. A Vida é Bela (1998)

    Para salvar seu filho, Giosué, de um destino terrível, como virar sabão nas mãos dos nazistas, Guido (Roberto Benigni) faz todos os tipos de sacrifícios possíveis dentro de um campo de concentração durante a segunda guerra mundial. Mas seu maior feito é estimular que o filho fique escondido nos meandros daquele inferno ao criar, para ele, uma espécie de gincana imaginária na qual o prêmio é um tanque de guerra. Impossível não se emocionar quando o menino diz: “É vero” ao fim do filme.

    Mufasa.O Rei Leão (1994)

    Mufasa é provavelmente o melhor pai da história do cinema. E não apenas porque se sacrifica para salvar o filho Simba em uma situação-limite (esse spoiler também prescreveu). Mas também porque ensina ao filho todas as lições fundamentais para se aprender: respeito a todas as criaturas (independente das características de cada um), responsabilidade, lealdade, sobrevivência, companheirismo e prudência, além do valor da vida. Curiosidade: o ator James Earl Jones, que dá voz ao melhor pai da história, também dá voz a Darth Vader, o pior pai.

  • Harry Potter faz 40 anos. Veja ranking dos filmes do bruxinho

    Harry Potter completa 40 anos nesta sexta-feira (31). Não nos livros, nem nos filmes. Na saga, o bruxo nasceu em 31 de julho de 1980. Não por coincidência, no mesmo dia e mês de sua criadora, a escritora escocesa J.K. Rowling, autora dos sete livros de Potter – o último livro derivou em dois filmes.

    Curiosamente, no último filme, em 2011, Potter aparece já adulto e com filhos. Nessa cena, ele teria 36 anos, de acordo com a cronologia da saga — menos que os 40 que completou nesta sexta. 

    O primeiro livro, ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’, foi lançado em 1997. E o primeiro filme é de 2001. J.K. Rowling foi escrevendo alguns dos livros quando a saga cinematográfica já estava em andamento. Essa é a lista dos filmes, do pior para o melhor.

    8. 'HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE, PARTE 1' (2010)

    Pagou o preço da decisão dos produtores de fazer dois filmes com o último livro. Acaba se tornando um grande prefácio , com um ritmo arrastado. O grande destaque é a explicação da origem das relíquias da morte – que por sua vez integra um outro conto de J.K. Rowling.

    7. 'HARRY POTTER E A CÂMARA SECRETA' (2002)

    O segundo capítulo apresenta a origem de Tom Riddle e já tem um tom mais sombrio que o primeiro filme. Contudo, algumas das soluções usadas no clímax final parecem meio tiradas da cartola (claro, isso não seria surpresa em um universo de magia).

    6. 'HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO' (2005)

    Harry é colocado no torneio Tribruxo, que reúne representantes de Hogwarts e de duas outras escolas de magia. O professor Moody parece ser o grande ajudante. E Voldemort reaparece em carne e osso (esse spoiler prescreveu), num clima sufocante.

    5. 'HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE' (2009)

    Como o retorno de Voldemort já é uma realidade inegável, Harry precisa destruí-lo. Entram em cenas as horcruxes, objetos mágicos que guardam partes da alma do vilão. Há ainda uma trama sinistra dentro da escola e o desfecho do destino de Dumbledore.

    4. 'HARRY POTTER E A ORDEM DA FÊNIX' (2007)

    Diante da aparição de Voldemort – e de uma negacionista professora de defesa contra arte das trevas –, Harry e seus amigos têm que se virar. Está criada a Armada de Dumbledore, que tem um duelo contra os Comensais da Morte. E há uma morte importante na trama.

    3. 'HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL' (2001)

    O primeiro filme da franquia tem brilho próprio ao revelar a origem de Harry e sua entrada na escola de Hogwarts. E introduz todos os personagens relevantes da trama, como os colegas Rony e Hermione, o guarda-caça Hagrid e os professores Dumbledore, Minerva e Snape.

    2. 'HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN' (2004)

    Tem um visual levemente diferente do resto da franquia e a introdução de outro personagem relevante: Sirius Black. Sua aparição desencadeia uma paranoia em Hogwarts, embora Sirius possa não ser quem pareça ser. O feitiço “expecto patronum” tem uma cena emocionante.

    1. 'HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE: PARTE 2' (2011)

    Traz as melhores partes do último livro. Neville Bongbottom vira um herói improvável e uma batalha feroz entre bruxos do bem e do mal se desenrola, enquanto o destino de Harry e Voldemort é revelado de forma épica. Tudo termina com direito a epílogo e uma cicatriz.