• ‘Ciao’ para Ennio Morricone

    ‘Ciao’ para Ennio Morricone
    (Foto: Reprodução)

    “Ennio, Ennio, Ennio. Ciao, Grazie”. Assim o mundo do cinema se manifestou nesta segunda-feira (6), diante de uma notícia triste: O compositor italiano Ennio Morricone, de 91 anos, havia morrido em Roma. “Ennio Morricone morreu em 6 de julho, consolado pela fé. Ele permaneceu "totalmente lúcido e com grande dignidade até o último momento", disse o advogado e amigo da família Giorgio Assuma em comunicado, citado pela imprensa.

    Aos 91 anos, Morricone estava bem de saúde até alguns dias atrás. Em 5 de junho, ele foi anunciado o vencedor, ao lado do também compositor John Williams, com o prêmio Princesa das Astúrias das Artes na Espanha. Contudo, há alguns dias sofreu um acidente doméstico e fraturou o fêmur. Foi internado em uma clínica em Roma, mas piorou e não resistiu.

    Morricone é um dos intocáveis no panteão dos grandes músicos do cinema. Não apenas pelo trabalho prolífico – 520 trilhas sonoras para todos os tipos de filmes, segundo o site IMDB – mas também pela relevância. Milhões de pessoas, cinéfilas ou não, conhecem ou sabem cantarolar temas de filmes que eventualmente nem viram, como o assovio de ‘Três Homens em Conflito’ (1966), ou o solo de oboé de ‘A Missão’ (1986).

    O músico nasceu em Roma em 10 de novembro de 1928 em Roma e começou a compor aos 6 anos. Aos 10, foi matriculado em um curso de trompete da Academia Nacional Santa Cecília de Roma. Também estudou composição, orquestra e órgão. Em 1961, aos 33 anos, estreou no cinema com a música de ‘O Fascista’, de Luciano Salce. Nos anos 60, ganhou fama com as trilhas sonoras de westerns-spaghetti, como ‘Por um Punhado de Dólares’ (1964), ‘Por uns Dólares a Mais’ (1965), ‘Três Homens em Conflito’ (1966) e ‘Era uma Vez no Oeste’ (1968). O gênero ajudou a consagrar o ator Clint Eastwood e o diretor Sergio Leone. Esses trabalhos o levaram a ser conhecido na Europa como o “Imperador das bandas sonoras”.

    Alguns dos trabalhos mais revelantes do músico, contudo, ocorreram nos anos 80. O primeiro deles foi ‘Era Uma Vez na América’ (1984), em nova parceria com Sergio Leone. A partitura é uma das composições mais desafiadoras, complexas e importantes de sua carreira. Em 1986, fez ‘A Missão’ de Roland Joffé. Para o tema principal, inspirou-se ao ver o ator Jeremy Irons dedilhando o oboé. Com ‘A Missão’, Morricone era o favorito ao Oscar – que seria seu primeiro –, mas perdeu para ‘Por Volta da Meia-Noite’, de Herbie Hancock. Em 1987, assinou a trilha de ‘Os Intocáveis’, de Brian de Palma, que mistura suspense e jazz e leva o público à atmosfera da cidade de Chicago dos anos 1930. Em 1988, compôs a música de ‘Cinema Paradiso’, repleta de delicadeza e nostalgia, que ajudou Giuseppe Tornatore a conquistar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

    Apesar de tudo, Morricone demorou para ser consagrado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Em 2007, recebeu um Oscar honorário por sua abundante e elogiada carreira musical. Na ocasião, dedicou o prêmio à esposa Maria Travia, com quem era casado desde 1956 e considerava sua melhor crítica. Morricone só ganhou um Oscar mesmo em 2016, já aos 87 anos, com a trilha de ‘Os Oito Odiados’, de Quentin Tarantino. Antes, havia sido indicado (e preterido) por ‘Cinzas no Paraíso’ (1978), ‘A Missão’ (1986), ‘Os Intocáveis’ (1987), ‘Bugsy’ (1991) e ‘Malenà’ (1999). “O maior presente que eu ganhei fazendo esses filmes foi a amizade do maestro Morricone”, disse Tarantino, que afirma ter mais álbuns de música do italiano do que de Mozart ou Beethoven. Afinal, ninguém é chamado de “imperador” à toa.

    Trinta trilhas famosas de Ennio Morricone

    1964: ‘Por um Punhado de Dólares’, de Sergio Leone

    1965: ‘Por uns Dólares a Mais’, de Sergio Leone

    1966: ‘Três Homens em Conflito’, de Sergio Leone

    1966: ‘A Batalha de Argel’, de Gillo Pontecorvo

    1968: ‘Era uma Vez no Oeste’, de Sergio Leone

    1969: ‘Os Sicilianos’, de Henri Verneuil

    1970: ‘O Pássaro das Plumas de Cristal’, de Dario Argento

    1971: ‘Quando Explode a Vingança’, de Sergio Leone

    1971: ‘Decameron’, de Pier Paolo Pasolini

    1971: ‘A Classe Operária vai para o Paraíso’, de Elio Petri

    1971: ‘Sacco e Vanzetti’, de Guiliano Montaldo

    1974: ‘Medo sobre a Cidade’, de Henri Verneuil

    1975: ‘Saló ou os 120 Dias de Sodoma’, de Pier Paolo Pasolini

    1976: ‘1900’, de Bernardo Bertolucci

    1978: ‘Cinzas no Paraíso’, de Terrence Malick

    1978: ‘A Gaiola das Loucas’, de Edouard Molinaro

    1981: ‘O Profissional’, de Georges Lautner

    1984: ‘Era uma Vez na América’, de Sergio Leone

    1986: ‘A Missão’, de Roland Joffé

    1987: ‘Os Intocáveis’, de Brian de Palma

    1987: ‘Busca Frenética’, de Roman Polanski

    1989: ‘Cinema Paradiso’, de Giuseppe Tornatore

    1989: ‘Ata-me!’, de Pedro Almodóvar

    1989: ‘Pecados de Guerra’, de Brian de Palma

    1991: ‘Bugsy’, de Barry Levinson

    1992: ‘A Cidade da Esperança’, de Roland Joffé

    1998: ‘A Lenda do Pianista do Mar’, de Giuseppe Tornatore

    2000: ‘Vatel, um Banquete para o Rei’, de Roland Joffé

    2000: ‘Missão: Marte’, de Brian de Palma

    2015: ‘Os Oito Odiados’, de Quentin Tarantino

  • Darkseid aparece em primeiro teaser de Snyder Cut de ‘Liga da Justiça’

    Darkseid aparece em primeiro teaser de Snyder Cut de ‘Liga da Justiça’
    (Foto: Reprodução de vídeo)

    O ator Jason Momoa, que interpreta o personagem Aquaman dos filmes de HQs da Warner, deu uma palhinha do novo corte do filme ‘Liga da Justiça’. O filme será remontado de acordo com o planejamento original do diretor Zack Snyder – tanto que é chamado de ‘Snyder Cut de Liga da Justiça’. E o teaser traz o vilão Darkseid, um dos mais relevantes do universo DC.

    O teaser foi publicado no perfil de Momoa no Instagram. No vídeo, aparece a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) e o vilão Darkseid. Darkseid seria o comandante por trás das ações do Lobo da Estepe, o vilão que aparece no filme.

    Na época da produção, Snyder teve que lidar com o suicídio da filha e se afastou do filme. O diretor Joss Whe (de ‘Vingadores’) assumiu, mas mudou muita coisa em relação à ideia original. Ele acatou ordens dos diretores da Warner e fez um filme mais colorido, deixando de lado o cunza dramático usado por Snyder.

    O ‘Snyder Cut Liga da Justiça’ deve estrear em 2021 no HBO Max, o serviço de streaming da Warner.

  • Top 5: velocistas no cinema

    Top 5: velocistas no cinema

    Quais são os personagens mais velozes no cinema em todos os tempos? O Blog Coisa de Cinema faz uma lista, citando as aparições dos cinco maiores velocistas na telona.

    E qual deles é o mais veloz? Bom, isso é quase impossível de medir... haja radar.

    Sonic
    Quase “deu ruim” em sua primeira aparição como protagonista no cinema. A primeira versão caiu na internet e foi amplamente criticada, por não se parecer em quase nada com o personagem criado nos videogames. O visual foi repaginado e a versão do ouriço que de fato apareceu na telona acertou em cheio no gosto dos fãs: além de similar aos jogos, é divertido.
    Grande feito: Causou uma briga em um bar e usou sua supervelocidade para mudar todo o cenário, em uma das cenas mais divertidas do filme

    Flash
    O homem mais rápido dos quadrinhos da DC ganhou um filme para a TV em 1990 e dois seriados. Um entre 1990 e 1991, baseado no filme, com John Wesley Shipp. O outro seriado, com Grant Gustin, começou em 2014. No cinema:, esteve apenas em ‘Liga da Justiça’; interpretado por Ezra Miller, não funcionou nem como alívio cômico. A DC prometeu um filme próprio do herói em breve.
    Grande feito: Empurrou um caminhão a toda velocidade e salvou uma família

    Mercúrio
    O velocista dos quadrinhos da Marvel ganhou duas versões no cinema quase ao mesmo tempo. Em ‘Vingadores: Era de Ultron’, de 2015, foi interpretado por Aaron Taylor-Johnson, era o irmão da Feiticeira Escarlate e durou pouco. Na franquia X-Men, com filmes em 2014, 2016 e 2019, foi interpretado por Evan Peters e brilhou mais, a ponto de ganhar cenas revelantes nos três filmes (mesmo estando longe de ser o protagonista).
    Grande feito: Salvou quase todos os estudantes em uma explosão na escola do Professor Xavier (em 'X-Men: Apocalipse') ao som de ‘Sweet Dreams’, da banda Eurythmics.

    Flecha
    Filho do Senhor Incrível e da Mulher Elástica, na franquia ‘Os Incríveis’ (2004/2018), da Disney/Pixar. É uma criança hiperativa que adora perturbar a irmã mais velha e que quer mostrar seu potencial a todo momento, seja na escola, seja conta os supervilões. Mas é tolhido pela mãe, que não quer que os filhos relevem seus poderes em um mundo onde os heróis são proibidos por lei.
    Grande feito: Correu a toda velocidade – inclusive em cima da água – para fugir das armas do vilão Síndrome

    Berthold
    Embora menos conhecido que os outros, é provavelmente o primeiro velocista da história – apareceu no livro ‘Aventuras do Barão Munchhausen’, de 1785 – e provavelmente também no cinema. O Barão de Munchhausen ganhou um filme em 1989, dirigido por Tery Gilliam, ex-Monty Pyrhon. E Berthold (Eric Idle) é um dos asseclas do Barão; salvou-o algumas vezes graças à sua hipervelocidade.
    Grande feito: Salvou o Barão de levar um tiro ao correr mais que a bala e rebatê-la com um cano

  • ‘O Melhor Está Por Vir’ lança a pergunta: o que fazer nos últimos três meses de vida?

    Arthur (Fabrice Luchini) e César (Patrick Bruel): amigos até o fim
    Arthur (Fabrice Luchini) e César (Patrick Bruel): amigos até o fim (Foto: Divulgação)

    O que cada pessoa faria se tivesse três meses de vida? Uma refeição? Iria chorar para valer? Iria mandar tudo à *? ‘O Melhor Está Por Vir’, filme de Matthieu Delaporte e Alexandre De La Patellière que estreia nesta quinta-feira (5) em Curitiba, pode ajudar a responder a essa pergunta. Mas não de uma maneira clássica. E sim de uma maneira subvertida, bem típica da comédia francesa.

    No filme, o introspectivo Arthur (Fabrice Luchini) diz ao seu melhor amigo, César (Patrick Bruel), que tem apenas três meses de vida. Culpa de um câncer. César, por sua vez, é uma pessoa cheia de vida. E larga tudo para viver os últimos momentos com o amigo. Um pouco por curiosidade – quer ver o que o amigo faria antes de morrer – e um pouco por solidariedade mesmo. Não é agora que iria deixar o amigo desamparado.

    A premissa básica do filme – o que cada pessoa faria se soubesse que está com os dias contados – vira uma espécie de competição entre os amigos. César sugere: um amigo escolhe uma coisa, outro amigo escolhe outra coisa, ambos têm que fazer todas as coisas. O contraste é evidente: César é energético e quer consumir a vida. Arthur é neurótico, cheio de freios, propenso a deixar que a vida o consuma. Contudo, as coisas não são como parecem. Arthur admite que há um grande mal-entendido nessa história toda...

    Embora trate de um assunto sério e desconfortável, ‘O Melhor Está Por Vir’ consegue ser leve e descontraído ao abordar a fragilidade da vida. E dá uma alfinetada no comportamento padrão desses tempos em que todos estão conectados. As pessoas dão cada vez mais importância ao mundo virtual e cada vez menos ao mundo real. Dez mil amigos virtuais valem mais que um amigo real? Se é para se ter os dias contados, melhor passá-los ao lado de uma amizade real e verdadeira.

  • Novo Batmóvel de ‘The Batman’ parece carrão à la Hot Wheels. Veja fotos

    (Foto: Reprodução / Twitter)

    O diretor do próximo filme do Batman, Matt Reeves, revelou nesta quarta-feira (4) as primeiras imagens do Batmóvel, o carrão do herói interpretado por Robert Pattinson. E nada de carro parecido com tanque de guerra. O novo Batmóvel parece mais um carrão esportivo com motor para fora, como vários modelos tunados de Hot Wheels. As lanternas traseiras vermelhas e o motor ganham destaque. As fotos foram reveladas no perfil do diretor no Twitter.

    Nos filmes anteriores, protagonizados por Christian Bale (‘Batman Begins’, ‘Cavaleiro das Trevas’ e ‘O Cavaleiro das Trevas Ressurge’) ou Ben Affleck (‘Batman vs Superman’ e ‘Liga da Justiça’), o Batmóvel estava mais para um tanque de guerra, cheio de armas e semiindestrutível.

    As fotos do novo Batmóvel mostram Pattinson como Batman parado ao lado do veículo. 

    ‘The Batman’ deve chegar aos cinemas em junho de 2021. O filme ainda terá Zoë Kravtiz como a Mulher-Gato, Paul Dano como Charada, Colin Farrell como Pinguim e Andy Serkis como o mordomo Alfred.

  • ‘Dolittle’ é o que Robert Downey Jr. quis fazer após os filmes da Marvel

    Robert Downey Jr. como Dr. Dolittle: aventura no fim do mundo
    Robert Downey Jr. como Dr. Dolittle: aventura no fim do mundo (Foto: Divulgação)

    O que Robert Downey Jr. poderia fazer depois de Tony Stark, o eterno Homem de Ferro dos filmes da Marvel? Foi esse personagem que transformou o ator, semidesacreditado até o ano de 2008, em um dos maiores astros da história do cinema. Em tese, Downey Jr. não deverá mais vestir a armadura do Homem de Ferro. Por outro lado, por que ele iria parar de trabalhar? Afinal, ganhou prestígio para fazer o que quisesse. Poderia retomar a franquia de Sherlock Holmes, com filmes produzidos em 2009 e 2011 —um terceiro pode ser lançado neste ano. Mas antes resolveu encarnar outro personagem da literatura: o Doutor Dolittle, o médico que fala com animais. ‘Dolittle’, o filme, estreia nesta quinta-feira (20) em Curitiba.

    Dolittle é protagonista de uma série de livros infantis escritos pelo inglês Hugh Lofting entre 1920 (sim, o primeiro livro chega ao centenário neste ano) e 1952, lançado cinco anos após sua morte. São 15 livros ao todo. Mas Dolittle também é um personagem que se tornou maior que a obra literária, como Sherlock Holmes ou Tarzan. Bastava respeitar a essência dele para, a partir daí, desenvolver qualquer história.

    No cinema, sempre foi assim. Em 1967, Rex Harrison encarnou o personagem em uma comédia musical intitulada ‘O Fabuloso Doutor Dolittle’, dirigida por Richard Fleischer. O longa foi indicado a 9 Oscars (incluindo melhor filme) e venceu dois: melhores efeitos visuais e melhor canção (‘Talk to the Animals’, de Leslie Bricusse). Em 1998, Eddie Murphy iniciou uma franquia que durou cinco filmes – embora Murphy só tenha feito os dois primeiros. Nesse caso, a única semelhança com o livro é que Murphy interpreta um médico que fala com animais; o filme se passa na Califórnia de 1998. Por outro lado, foi essa franquia que tornou o personagem mais conhecido nos tempos atuais.

    Downey Jr. seguiu outra linha, mais semelhante aos livros, ambientados na Inglaterra vitoriana (século 19). O filme, inclusive, tem como base o livro ‘A Viagem do Dr. Dolittle’, de 1922, o segundo a ser escrito por Lofting. Como consequência, seu Dolittle é parecido com o dos livros. Assim, não se deve esperar nada do charme cínico de Tony Stark. Downey Jr. entrega um personagem gentil, sem traços de arrogância, introvertido, meio professoral, cômico em certos momentos, até um pouco teatral e caricato. E isso funciona bem nesse filme.

    O início explica rapidamente a origem do Dr. Dolittle. Por ter prestado serviços à jovem rainha (Jessie Buckley) Victoria, ele ganha uma grande área nos arredores de Londres e nela faz um santuário para seus animais – e para curar outros que aparecem por lá. Mas ele se isola com os bichos depois que sua mulher, Lily, uma excelente exploradora, é dada como morta em um naufrágio. Quando a rainha adoece misteriosamente, Dolittle acaba forçado a embarcar para uma ilha não mapeada à procura de uma cura. Na jornada, o médico é acompanhado por um menino que cai de gaiato no navio, Stubbins (Harry Collett). E, claro, por uma trupe de animais: um gorila medroso, um avestruz com dor nas costas, um urso polar meio ogro, uma pata entusiasmada e uma arara que, na ausência do Doutor, é quem comanda o show.

    Downey Jr. à parte, o destaque do filme recai sobre o “time” de dubladores dos animais na versão original. O gorila ansioso tem a voz de Rami Malek (o Freddie Mercury de ‘Bohemian Rhapsody’). A pata é dublada por Octavia Spencer (Oscar por ‘Histórias Cruzadas’). A arara ganha o timbre de Emma Thompson (Oscar e atriz por ‘Retorno a Howards End’ e de roteiro por ‘Razão e Sensibilidade’). O avestruz é Kumail Nanjiani; o urso polar é o grandalhão John Cena. O cão de Dolittle é feito por Tom Holland (o novo Homem-Aranha). Ainda há espaço para um tigre complexado (Ralph Fiennes, o Voldemort de ‘Harry Potter’) e uma girafa tresloucada (a cantora Selena Gomez). Isso além de coadjuvantes como Antonio Banderas, Jim Broadbent e Michael Sheen (que é quem protagoniza a cena pós-créditos). No mínimo, depois de ‘Vingadores’, Robert Downey Jr. — que também é produtor executivo de ‘Dolittle’ — consegue reunir um time digno dos Vingadores. Só que numa aventura mais voltada ao público infantil.

    Os principais amigos bichos do doutor Dolittle

    A arara Poly
    (voz de Emma Thompson)

    O avestruz Plimpton
    (voz de Kumail Nanjiani)

    O cachorro Jip
    (voz de Tom Holland)

    A girafa Betsy
    (voz de Selena Gomez)

    O gorila Chee-Chee
    (voz de Rami Malek)

    A pata Dab-Dab
    (voz de Octavia Spencer)

    O urso Yoshi
    (voz de John Cena)

  • ‘Parasita’ faz história no Oscar em sinal de mudança de ares na Academia

    Bong Joon-Ho, diretor de ‘Parasita’: ele venceu em 4 categorias
    Bong Joon-Ho, diretor de ‘Parasita’: ele venceu em 4 categorias (Foto: Divulgação)

    O filme sul-coreano ‘Parasita’ fez muito mais que vencer o Oscar de melhor filme, na premiação que se encerrou na madrugada desta segunda-feira (10). ‘Parasita’ também fez história. E não apenas porque desbancou favoritos. Mas porque tornou-se o primeiro filme estrangeiro a levar o Oscar para casa. Não é sempre que um filme faz história. Mas ‘Parasita’ é um sinal dos tempos da Academia de Artes e Ciências cinematográficas, que parece cada vez mais aberta para o mundo.

    Desde a primeira cerimônia do Oscar, em 1929, que terminou com a vitória de ‘Asas’ (produzido em 1928), sempre era um filme americano quem levava o prêmio máximo. No máximo, inglês ou australiano. Mas sempre produzido no idioma inglês – ainda que fosse mudo. Jamais um estrangeiro. Alguns chegaram perto, como o italiano ‘A Vida é Bela’ (1998), de Roberto Benigni. Ou o chinês ‘O Tigre e o Dragão’ (2000), do taiwanês Ang Lee. Ou o mexicano ‘Roma’ (2018), de Alfonso Cuarón. Todos perderam – para ‘Shakespeare Apaixonado’, ‘Gladiador’ e Green Book: O Guia’, respectivamente. Esses vencedores são filmes mais acadêmicos, mais ao gosto do público norte-americano, ou mais fortes na hora do lobby junto ao eleitorado.

    Contudo, a academia tem sinalizado mudanças nos últimos 15 anos. Mudanças atentas com diversidade, representatividade e globalização.

    Um marco é ‘O Segredo Brokeback Mountain’, de Ang Lee, com temática abertamente gay. Na época, 2005, chocou. Gerou piadas e preconceito. E não venceu – quem levou foi ‘Crash: no Limite’, de Paul Haggis. Ang Lee, contudo, faturou o prêmio de melhor diretor ao mostrar sem clichês o amor entre dois homens no meio-oeste americano. Hoje, personagens abertamente gays estão mais comuns no cinema.

    Outro exemplo veio em 2009, com ‘Guerra ao Terror’, dirigido por uma mulher, Kathryn Bigelow. Era azarão contra o superfavorito ‘Avatar’, de James Cameron, mas venceu mesmo assim. E Kathryn ainda faturou o Oscar de melhor diretora, sendo a primeira mulher a conquistar tal feito na história – curiosamente, Cameron era seu ex-marido. O prêmio abriu espaço para mulheres no comando.

    Em 2013, ‘Doze Anos de Escravidão’, filme do inglês Steve McQueen, teve a coragem de expor as agruras de ser um negro livre numa América ainda escravagista e racista. McQueen não levou o Oscar de melhor diretor, mas o filme ganhou o prêmio máximo. E o cinema dirigido por negros e com negros como protagonistas se fortaleceu. Abriram-se portas para ‘Moonlight’, de 2016, vencedor do Oscar, e ‘Pantera Negra’, um marco da Marvel.

    Já a abertura aos estrangeiros parecia se encaminhando há alguns anos. Desde 2013, entre os sete vencedores de Oscar de melhor diretor, os mexicanos somam cinco: Alfonso Cuarón (‘Gravidade’, 2013, e 'Roma', 2018), Alexandro Gonzalez Iñarritu ('Birdman', 2014, e ‘O Regresso’, 2015) e Guillermo del Toro (‘A Forma da Água’, 2017). Ainda houve Damien Chazelle (‘La La Land', 2016). E, obviamente, Bong Joon-Ho, de ‘Parasita’.

    Bong Joon-Ho ainda conseguiu outro feito histórico. Produtor, diretor e roteirista do filme, ele levou quatro Oscars para casa – o quarto é o de melhor filme estrangeiro, a grande barbada da noite. Jamais alguém havia ganho tantas estatuetas em uma única noite. “Me desculpa por levar muitos desses”, falou, humildemente.

    Pode-se dizer que o processo pelo qual passa a Academia é gradual. Provavelmente ainda sofre resistências internas. Mas em alguns aspectos a sociedade parece estar em regressão; abrem-se portas para males que deveriam ter ficado no passado, como mentiras, preconceito e desrespeito aos diferentes. Nesse contexto, a Academia mostra que é possível caminhar para a progressão. O sul-coreano ‘Parasita’ vencer o Oscar é mais uma prova disso. E por isso faz história.

    Todos os vencedores do Oscar 2020

    Melhor Filme: ‘Parasita’
    Melhor Direção: Bong Joon-Ho – ‘Parasita’
    Melhor Atriz: Renée Zellweger – ‘Judy’
    Melhor Ator: Joaquin Phoenix – ‘Coringa’
    Atriz Coadjuvante: Laura Dern – ‘História De Um Casamento’
    Ator Coadjuvante: Brad Pitt – ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    Roteiro Adaptado: Taika Waititi – ‘Jojo Rabbit’
    Roteiro Original: Bong Joon Ho e Han Jin Won – ‘Parasita’
    Trilha Sonora: Hildur Guðnadóttir – ‘Coringa’
    Canção Original: (I’m Gonna) Love Me Again – ‘Rocketman’
    Fotografia: ‘1917’
    Figurino: ‘Adoráveis Mulheres’
    Edição: ‘Ford vs Ferrari’
    Maquiagem e Cabelo: ‘O Escândalo’
    Design de Produção: ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    Edição de Som: ‘Ford vs. Ferrari’
    Mixagem de Som: ‘1917’
    Efeitos Visuais: ‘1917’
    Melhor Animação: ‘Toy Story 4’
    Documentário: ‘American Factory’
    Filme Estrangeiro: ‘Parasita’ (Coreia do Sul)
    Curta Animado: ‘Hair Love’
    Curta Documentário: ‘Learning to Skateboard in a Warzone’
    Curta de animação: ‘The Neighbors’ Window’

    Vencedores do Oscar que estão em cartaz em Curitiba
    ‘1917’ (fotografia, mixagem de som, efeitos visuais)
    ‘Adoráveis Mulheres’ (figurino)
    ‘Coringa’ (ator, para Joaquin Phienix, e trilha sonora)
    ‘Era Uma Vez... em Hollywood’ (ator coadjuvante, para Brad Pitt, e design de produção)
    ‘Ford vs Ferrari’ (edição, edição de som)
    ‘Jojo Rabbit’ (roteiro adaptado)
    ‘Judy’ (atriz, para René Zellweger)
    ‘O Escândalo’ (maquiagem e cabelo)
    ‘Parasita’ (filme, diretor, roteiro original e filme estrangeiro)

  • Festa é neste domingo

    Quer mandar bem no bolão do Oscar? Veja palpites aqui

    Quer mandar bem no bolão do Oscar? Veja palpites aqui

    Quer mandar bem no bolão do Oscar? Veja os palpites e as informações para a entrega do prêmio deste ano, no dia 9 de fevereiro de 2020.

    MELHOR FILME

    - ‘Ford vs Ferrari’
    - ‘O Irlandês’
    - ‘Jojo Rabbit’
    - ‘Coringa’
    - ‘Adoráveis Mulheres’
    - ‘História De Um Casamento’
    - ‘1917’
    - ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    - ‘Parasita’

    Se dependesse do número de indicações, ‘Coringa’ seria o favorito, já que foi o campeão de nominações, com 11. Mas já se foi o tempo em que isso era garantia de vitória. Se dependesse do prestígio de seus diretores, ‘O Irlandês’, de Martin Scorsese, e ‘Era Uma Vez Em Hollywood’, de Quentin Tarantino, seriam os mais cotados. Contudo, o filme ‘1917’, de Sam Mendes, assumiu o favoritismo após a vitória no Globo de Ouro de melhor filme dramático, em 6 de janeiro. E não apenas pelo Globo de Ouro, historicamente considerado uma prévia do Oscar, mas também porque venceu o prêmio do Sindicato dos Produtores. Esse prêmio também é considerado uma prévia do Oscar, só que com mais acertos: nos últimos anos, cravou ‘Spotlight’, de 2015, ‘Moonlight’, de 2016, e ‘Green Book: O Guia’, de 2018, contra adversários mais bem cotados (e com mais indicações na ocasião). Além disso, ‘1917’ é um filme de guerra, coisa que os norte-americanos adoram (e adoram premiar). Sua maior sombra é ‘Era Uma Vez Em Hollywood’, que venceu o Globo de Ouro (melhor filme comédia ou musical) e o Critics’ Choice, em 12 de janeiro.

    MELHOR DIREÇÃO

    - Bong Joon Ho – ‘Parasita’
    - Sam Mendes – ‘1917’
    - Martin Scorsese – ‘O Irlandês’
    - Quentin Tarantino – ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    - Todd Phillips – ‘Coringa’

    Se ‘1917’ é o favorito ao prêmio máximo, então Sam Mendes é o favorito como melhor diretor. Já venceu o Globo de Ouro e o prêmio do Sindicato dos Diretores. Seu maior rival, por incrível que pareça, é Bong Joon Ho, de ‘Parasita’, que empatou com Mendes na premiação do Critics’ Choice.

    MELHOR ATRIZ

    - Cynthia Erivo – ‘Harriet’
    - Scarlett Johansson – ‘História De Um Casamento’
    - Saoirse Ronan – ‘Adoráveis Mulheres’
    - Charlize Theron – ‘O Escândalo’
    - Renée Zellweger – ‘Judy – Muito Além do Arco-Íris’

    Renée Zellweger aparece como barbada por sua interpretação de Judy Garland em ‘Judy’. Faturou todas as prévias do Oscar: o Globo de Ouro, o prêmio do Sindicato dos Atores e o Critics’ Choice. Além disso, cinebiografias de ícones da América são sempre bem cotadas quando se trata de Oscar.

    MELHOR ATOR

    - Antonio Banderas – ‘Dor e Glória’
    - Adam Driver – ‘História De Um Casamento’
    - Joaquin Phoenix – ‘Coringa’
    - Jonathan Pryce – ‘Dois Papas’
    - Leonardo DiCaprio – ‘Era Uma Vez Em Hollywood’

    Causou estranheza nessa categoria a ausência de Taron Egerton, que interpretou Elton John no filme ‘Rocketman’ e levou um Globo de Ouro por isso. Ele seria uma aposta óbvia, especialmente depois que Rami Malek levou o Oscar no papel de Freddie Mercury em ‘Bohemian Rhapsody’. Com ou sem ele, o favorito da vez é Joaquin Phoenix como o Coringa, vencedor do Globo de Ouro, do prêmio do Sindicato dos Atores e do Critics’ Choice.

    MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

    - Margot Robbie – ‘O Escândalo’
    - Kathy Bates – ‘O Caso Richard Jewell’
    - Laura Dern – ‘História De Um Casamento’
    - Scarlett Johansson – ‘Jojo Rabbit’
    - Florence Pugh – ‘Adoráveis Mulheres’

    Scarlett Johansson acumula duas indicações neste ano – uma de atriz principal por ‘História De Um Casamento’ e uma de coadjuvante por ‘Jojo Rabbit’ – e deve sair de mãos vazias na noite do Oscar. A favorita aqui é Laura Dern, que interpreta a advogada da personagem de Scarlett em ‘História De Um Casamento’. Laura ganhou Globo de Ouro, prêmio do Sindicato dos Atores e Critics’ Choice.

    MELHOR ATOR COADJUVANTE

    - Tom Hanks – ‘Um Lindo Dia na Vizinhança’
    - Al Pacino – ‘O Irlandês’
    - Joe Pesci – ‘O Irlandês’
    - Brad Pitt – ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    - Anthony Hopkins – ‘Dois Papas’

    Curiosamente, Brad Pitt é o único da lista que nunca foi premiado – e, se dependesse apenas e tão somente do prestígio dos concorrentes, não seria de novo. Mas Pitt levou para casa o Globo de Ouro, o prêmio do Sindicato dos Atores e o Critics’ Choice. Salta como favorito. Até porque já não é mais um garoto de rostinho bonito (está com 56 anos).

    MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

    - Greta Gerwig – ‘Adoráveis Mulheres’
    - Anthony McCarten – ‘Dois Papas’
    - Todd Phillips & Scott Silver – ‘Coringa’
    - Taika Waititi – ‘Jojo Rabbit’
    - Steven Zaillian – ‘O Irlandês’

    Greta Gerwig, autora do roteiro (e da direção) de ‘Adoráveis Mulheres’, aparece como favorita depois de ter levado para casa o Critics’ Choice. Há, contudo, uma zebra selecionada: Taika Waititi, de ‘Jojo Rabbit’, uma história com um quê de bizarro e que dá uma bela espinafrada no nazismo (algo que os norte-americanos adoram).

    MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

    - Noah Baumbach – ‘História De Um Casamento’
    - Rian Johnson – ‘Entre Facas e Segredos’
    - Bong Joon Ho e Han Jin Won – ‘Parasita’
    - Quentin Tarantino – ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    - Sam Mendes & Kristy Wilson-Cairns – ‘1917’

    O forte de Quentin Tarantino no cinema nem é tanto a direção, e sim os roteiros, cheios de diálogos peculiares. Ele já venceu duas vezes, por ‘Pulp Fiction’ e ‘Django Livre’. Tem tudo para vencer de novo – já fez isso no Globo de Ouro e no Critics’ Choice. Seu maior rival é a dupla Bong Joon-ho e Han Jin-won, de ‘Parasita’.

    MELHOR FOTOGRAFIA

    - Jarin Blaschke – ‘O Farol’
    - Roger Deakins – ‘1917’
    - Rodrigo Pietro – ‘O Irlandês’
    - Robert Richardson – ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    - Lawrence Sher – ‘Coringa’

    Roger Deakins ganhou o Critics’ Choice por ‘1917’ e salta muito na frente dos concorrentes. Seu filme impressiona pela imersão e porque suas tomadas são longuíssimas – um trabalho hercúleo mesmo.

    MELHOR FIGURINO

    Jacqueline Durran – ‘Adoráveis Mulheres’
    Arianne Phillips – ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    Sandy Powell e Christopher Peterson – ‘O Irlandês’
    Mayes C. Rubeo – ‘Jojo Rabbit’
    Mark Bridges – ‘Coringa’

    A categoria costuma premiar filmes de época, o que em tese baixa as chances de ‘Coringa’ e aumenta as dos outros. ‘Adoráveis Mulheres’, ‘Jojo Rabbit’ e ‘O Irlandês’ são filmes de época. ‘Era Uma Vez Em Hollywood’, ambientado em 1969, fica no meio do caminho entre o filme de época e o atemporal – e aparece como favorito exatamente por isso. Curiosamente, o vencedor do Critics’ Choice, ‘Meu Nome é Dolemite’, nem foi indicado.

    MELHOR EDIÇÃO

    - Andrew Buckland e Michael McCusker – ‘Ford vs Ferrari’
    - Yang Jinmo – ‘Parasita’
    - Thelma Schoonmaker – ‘O Irlandês’
    - Tom Eagles – ‘Jojo Rabbit’
    - Jeff Groth – ‘Coringa’

    Nessa categoria, filmes que concorrem a Melhor Filme tendem a levar vantagem. Como é o caso dos cinco indicados, há uma disputa parelha. Os mais cotados são ‘Ford vs Ferrari’ e Parasita’ – que pode levar, se os eleitores optarem por algo mais “fora da casinha”. Curiosamente, o vencedor do Critics’ Choice nessa categoria – no caso, ‘1917’ – nem foi indicado.

    MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

    - ‘O Escândalo’
    - ‘Coringa’
    - ‘Judy’
    - ‘Malévola: Dona do Mal’
    - ‘1917’

    Três dos cinco indicados talvez nem existissem se não fosse o trabalho de maquiagem. Os artistas transformaram o intérprete protagonista em Judy Garland, na Malévola ou no Coringa. Mas é bom lembrar que quem venceu essa categoria no Critics’ Choice foi ‘1917’ e suas maquiagens que simulam soldados mutilados. E ‘O Escândalo’ tem três atrizes – Nicole Kidman, Charlize Theron e Margot Robbie – com maquiagens que fazem diferença.

    MELHOR TRILHA SONORA

    - Alexandre Desplat – ‘Adoráveis Mulheres’
    - Hildur Guðnadóttir – ‘Coringa’
    - Randy Newman – ‘História de um Casamento’
    - Thomas Newman – ‘1917’
    - John Williams – ‘Star Wars: A Ascensão Skywalker’

    Se depender dos prêmios anteriores, a islandesa Hildur Guðnadóttir ,de ‘Coringa’, leva fácil. Mas aqui ela tem um concorrente de peso: John Williams, de ‘Star Wars’. O último filme da franquia galáctica foi lançado em 19 de dezembro, depois de saírem os indicados ao Critics’ Choice (em 8 de dezembro) e ao Globo de Ouro (em 9 de dezembro). Williams completa 88 anos em 8 de fevereiro (na véspera do Oscar) e está provavelmente assinando seu último trabalho. Fatores que podem pesar a seu favor. Por outro lado, ele soma 52 indicações – é a pessoa viva mais indicada na história e a segunda em todos os tempos – e venceu cinco. Fator que pesa contra. Na Academia, há quem diga que Williams é indicado todo ano e que talvez não faça diferença ele ir à festa e sair de mãos vazias mais uma vez.

    MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

    - (I’m Gonna) Love Me Again – ‘Rocketman’
    - I’m Standing With You – ‘Superação: O Milagre da Fé’
    - Into the Unknown – ‘Frozen 2’
    - Stand Up – ‘Harriet’
    - I Can’t Let You Throw Yourself Away – ‘Toy Story 4’

    ‘(I’m Gonna) Love Me Again’, de ‘Rocketman’, composta por Elton John especialmente para o filme, venceu o Globo de Ouro e dividiu o Critics’ Choice com ‘Glasgow (No Place Like Home)’, de ‘As Loucuras de Rose’, que não foi indicada ao Oscar. Como a categoria tende a premiar canções de filmes musicais primeiro, e de filmes da Disney depois, a música de Elton John é ainda mais favorita.

    MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

    - ‘1917’
    - ‘Parasita’
    - ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    - ‘O Irlandês’
    - ‘Jojo Rabbit’

    Outra categoria que gosta de premiar recriações de época. Em tese, o favorito é ‘1917’. Mas ‘Era Uma Vez Em Hollywood’ é um concorrente forte, depois de ter vencido o Critics’ Choice.

    MELHOR EDIÇÃO DE SOM

    - ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    - ‘Coringa’
    - ‘Ford vs. Ferrari’
    - ‘1917’
    - ‘Star Wars: A Ascensão Skywalker’

    A categoria de Edição de Som refere-se à obtenção dos sons necessários para compor o filme (antigamente, o nome da categoria era “Efeitos Sonoros”). Os filmes mais barulhentos são os favoritos. Aqui, ‘Ford vs Ferrari’ e ‘1917’ são os mais cotados, em relativa condição de igualdade.

    MELHOR MIXAGEM DE SOM

    - ‘Ford vs Ferrari’
    - ‘Coringa’
    - ‘Era Uma Vez Em Hollywood’
    - ‘Ad Astra’
    - ‘1917’

    Parece a mesma categoria, mas não é. Na Mixagem de Som, vale a precisão: o objetivo é fundir perfeitamente os sons externos com o diálogo captado durante as gravações e equiparar as gravações de diálogos, normalmente feitas em momentos diferentes (antigamente, era só “Melhor Som”). Mas historicamente também os filmes mais barulhentos levam vantagem. De novo, ‘Ford vs Ferrari’ e ‘1917’. É bem possível que, por exemplo, ‘Ford vs Ferrari’ vença aqui e ‘1917’ ganhe na outra categoria sonora. Ou vice-versa.

    MELHOR ANIMAÇÃO

    - ‘Como Treinar o seu Dragão 3’
    - ‘Perdi Meu Corpo’
    - ‘Link Perdido’
    - ‘Toy Story 4’
    - ‘Klaus’

    Na categoria em que a Disney é a eterna favorita, animações campeãs de bilheteria ficaram ausentes desta vez, casos de ‘Frozen 2’ e ‘O Rei Leão’. No caso de ‘O Rei Leão’, feito em CGI para ser 100% realista, pode-se discutir se trata-se mesmo de uma animação – a Academia o indicou para melhores efeitos visuais, com se fosse um filme real mesmo. Do estúdio do Mickey, sobrou ‘Toy Story 4’, que aqui é o favorito (até por ser Disney). A nova aventura de Woody e Buzz Lightyear já levou o prêmio do Sindicato dos Produtores e o Critics’ Choice. ‘O Link Perdido’ aparece como maior concorrente, após ter vencido o Globo de Ouro. E ‘Klaus’ ganhou o Annie Awards, considerado o Oscar da Animação.

    MELHORES EFEITOS VISUAIS

    - ‘Vingadores: Ultimato’
    - ‘O Irlandês’
    - ‘O Rei Leão’
    - ‘1917’
    - ‘Star Wars: A Ascensão Skywalker’

    ‘O Rei Leão’, animação tão realista que foi considerada “filme de carne e osso” pela Academia, aparecia como favorito. Isso até ‘1917’ estourar e ‘Vingadores: Ultimato’ vencer o Critics’ Choice. O filme dos heróis da Marvel é levemente favorito – o fato de ser a maior bilheteria da história pode pesar. Se vencer, será a primeira vez que algum filme de ‘Vingadores’, notadamente recheados de efeito visuais, ganha algum Oscar de alguma coisa.

    MELHOR FILME ESTRANGEIRO

    - ‘Les Misérables’
    - ‘Dor e Glória’
    - ‘Parasita’
    - ‘Corpus Christi’
    - ‘Honeyland’

    Quando um filme estrangeiro é indicado ao Oscar de Melhor Filme, é gigantesca a tendência de vencer a categoria de Filme Estrangeiro. É o caso aqui de ‘Parasita’, a grande, gigantesca, colossal barbada da noite.

    MELHOR DOCUMENTÁRIO – LISTADOS COM OS TÍTULOS ORIGINAIS

    - ‘American Factory’
    - ‘The Cave’
    - ‘Democracia em Vertigem’ – Brasil
    - ‘For Sama’
    - ‘Honeyland’

    Ideologias políticas à parte, ‘Democracia em Vertigem’ pode dar o primeiro Oscar a um filme produzido no Brasil? Teoricamente, as chances aumentam ao se considerar que ‘Apollo 11’, vencedor do prêmio do Sindicato dos Produtores, não está no páreo. Mas as chances diminuem ao se constatar que todos os outros concorrentes de ‘Democracia...’ao Oscar  também concorriam na premiação do Sindicato dos Produtores – o que faz o filme brasileiro ser meio azarão nesse contexto. ‘American Factory’, ou ‘Indústria Americana’, está como o mais cotado, segundo por ‘Honeyland’.

    MELHOR CURTA ANIMADO – LISTADOS COM OS TÍTULOS ORIGINAIS

    - ‘Dcera (Daughter)’
    - ‘Hair Love’
    - ‘Kitbull’
    - ‘Memorable’
    - ‘Sister’

    MELHOR CURTA DOCUMENTÁRIO – LISTADOS COM OS TÍTULOS ORIGINAIS

    - ‘In the Absence’
    - ‘Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)’
    - ‘Life Overtakes Me’
    - ‘St. Louis Superman’
    - ‘Walk Run Cha-Cha’

    MELHOR CURTA LIVE-ACTION – LISTADOS COM OS TÍTULOS ORIGINAIS

    - ‘Brotherhood’
    - ‘Nefta Football Club’
    - ‘The Neighbors’ Window’
    - ‘Saria’
    - ‘A Sister’

  • Jumanji entra em ‘próxima fase’, mas com velhas caras

    Jack Black, Kevin Hart, Dwayne Johnson e Karen Gillan: de volta à próxima fase de ‘Jumanji’
    Jack Black, Kevin Hart, Dwayne Johnson e Karen Gillan: de volta à próxima fase de ‘Jumanji’ (Foto: Divulgação / Sony)

    O que é mais clássico nos games que a “próxima fase”? Nada. Assim, considerando que o filme ‘Jumanji’ é essencialmente com jogadores dentro de um jogo de videogame, nada mais natural haver uma próxima fase. Assim, ‘Jumanji: Bem Vindo à Selva’ ganha sua sequência dois anos depois: ‘Jumanji’: Próxima fase’. O filme estrela nesta quinta-feira (16) em Curitiba.

    Claro, para ter um novo filme ‘Jumanji’, seria necessário reunir todo o elenco do filme original. E todos estão lá, novamente sob o comando do diretor Jake Kasdan. Tanto os avatares Dr. Bravestone (Dwayne Johnson), Ruby Roundhouse (Karen Gillan), Shelly Oberon (Jack Black) e Moose Finbar (Kevin Hart) quanto os jogadores originais, Spencer (Alex Wolff), Martha (Morgan Turner), Bettany (Madison Iseman) e Fridge (Ser’Darius Blain). A eles somam-se dois novos personagens: Eddie (Danny de Vito), avô de Spencer, e Milo (Danny Glover), ex-sócio de Eddie.

    Desta vez, os amigos vivem nova realidade em relação ao filme anterior. Spencer está hospedado na casa do avô, Eddie, e o relacionamento com Martha está, como se diz no linguajar dos casais, “dando um tempo”. O jovem, na verdade, vive uma semidepressão. Não por causa da namorada, mas porque sente saudades de ser o Dr. Bravestone. E por isso não parece entusiasmado em rever os amigos Fridge, Martha e Bettany, que marcaram um encontro. Enquanto Eddie recebe a visita de Milo, os amigos estranham a ausência de Spencer ao encontro e decidem procurar por ele na casa do avô. Lá, eles descobrem que Spencer resgatou o jogo de Jumanji e foi sugado por ele. E decidem salvá-lo dentro do jogo.

    Desta vez, porém, as coisas podem não sair como antes. A “próxima fase” tem a mesma premissa do filme anterior — os jogadores precisam encontrar uma joia perdida e evitar os perigos de Jumanji — mas está mais cheia de surpresas. E elas começam logo no início do jogo. Até porque Eddie e Milo também são sugados. E os jovens precisam guiar os mais velhos durante o percurso.

    Em termos de relações pessoais, o novo ‘Jumani’ não versa mais sobre o amadurecimento dos jovens – os nerds que buscam autoconfiança, a patricinha que deve deixar a futilidade de lado, o atleta que precisa mudar de comportamento. Há apenas a questão a se resolver entre Spencer e Marta. Por outro lado, ganha força o drama entre Eddie e Milo, que não se viam há 15 anos e precisam acertar algumas diferenças. Mas tudo isso fica em segundo plano nessa próxima fase, cheia de clichês e recheada de ação. E exatamente por isso tão divertida. Dwayne Johnson transborda carisma a cada cena. Kevin Kart, Jack Black e Karen Gillan também fazem bonito – e ela ganha mais protagonismo na trama. A manutenção do tom do filme original é um dos acertos desta sequência. Além disso, é divertido ver como os avatares incorporam as personalidades dos jogadores originais.

    Originalmente, ‘Jumanji’ é um livro escrito pelo norte-americano Chris van Allburg em 1982. Em 1995, ganhou sua primeira versão cinematográfica, com Robin Williams e Kirsten Dunst, então com menos de 15 anos. Essa versão, mais soturna, é mais próxima do livro original. E pouco tem a ver com o “reboot”, estrelado por Dwayne Johnson e companhia. Ou será que não? ‘Próxima Fase’ indica que novas fases podem estar por vir.

  • As Panteras estão mais poderosas do que nunca

    As Panteras estão mais poderosas do que nunca
    As Panteras: Elena (Naomi Scott), Sabina (Kristen Stewart), Jane (Ella Balinska) e Bosley (Elizabeth Banks) (Foto: Divulgação)

    As Panteras estão mais poderosas do que nunca. Que o diga o novo filme delas, que estreia nesta quinta-feira (14) e traz as atrizes Kristen Stewart, Naomi Scott, Ella Balinska e Elizabeth Banks. Isso porque as agentes souberam sobreviver ao tempo. Se James Bond virou um espião anacrônico com o passar dos anos, as Panteras acompanharam a evolução da tecnologia e dos costumes. Provas? No primeiro filme das Panteras, produzido no ano 2000, o grande temor era de que o chefão delas, Charlie Townsend, fosse localizado por causa do seu celular (esse spoiler prescreveu). Hoje isso seria banal; os celulares estão altamente integrados à espionagem, de todos os lados.

    Como o filme deixa claro logo no começo, as Panteras sobreviveram porque nunca houve apenas um grupo de Panteras – ou os “anjos de Charlie”, de acordo com o título original (‘Charlie´s Angels’). No começo, nos anos 70, sim, era apenas um grupo. Mas a organização cresceu, ultrapassou as fronteiras da Califórnia e virou global. Isso graças ao trabalho de Bosley (Patrick Stewart). Ou melhor, o primeiro dos Bosley, já que outras pessoas ascenderam ao cargo (o nome do cargo virou esse mesmo) com a expansão da organização de Charlie Townsend. Quando esse primeiro Bosley se aposenta, ele ganha uma festa. E, nela, há referências tanto às Panteras do seriado original quando às do filme de 2000 (que gerou uma continuação em 2003). Uma clara demonstração de que o tempo passou, mas as Panteras estão na área.

    No filme, Elena Houghlin (Naomi Scott) trabalha numa grande empresa de tecnologia que está desenvolvendo um dispositivo capaz de gerar muita energia, mas também capaz de matar sem deixar vestígios. Ela tenta avisar aos superiores de que se trata de algo potencialmente perigoso, mas, como é uma mulher, ninguém dá ouvidos. Contudo, o dispositivo está no radar de uma das Bosley (Elizabeth Banks), uma ex-Pantera, que destaca as agentes Sabina (Kristen Stewart) e Jane (Ella Balinska), ex-MI-6, para evitar uma tragédia.

    O roteiro pode parecer cheio de clichês. Elena Houghlin é inteligente, mas atrapalhada – e acaba virando uma Pantera “sem querer”. Sabina e Jane se antipatizam logo na primeira cena do filme, mas salvam a vida uma da outra quando necessário. E o tal dispositivo será vendido como arma no mercado negro. Além disso, há a possibilidade de uma traição dentro do grupo de espiãs.

    Mas as Panteras acompanharam a evolução dos costumes. Na prática, o que diferencia esse filme dos outros é o olhar feminino da diretora e roteirista Elizabeth Banks sobre as agentes. O tom leve, inerente ao seriado e aos filmes do começo do século, foi mantido. Há equilíbrio entre humor e ação. As garotas até querem ser sensuais, mas trabalham duro, são competentes no que fazem e acreditam umas nas outras. Em tempos de empoderamento feminino, nada melhor que contar histórias de mulheres com uma honestidade feminina na abordagem. Sim, as Panteras estão mais poderosas do que nunca.

  • Acordo por Homem-Aranha saiu por causa de fãs, dizem estúdios

    Acordo por Homem-Aranha saiu por causa de fãs, dizem estúdios

    No fim de setembro, a Marvel e a Sony entraram em acordo a respeito da utilização do Homem-Aranha nos cinemas. Nesta quarta-feira (30/10), o chefe de produção da Disney, Alan Horn, e o chefe de estúdio da Sony, Tom Rothma, afirmaram que o acordo saiu por causa da reação dos fãs. A afirmação foi dada por ambos ao ‘The Hollywood Reporter’.

    Os direitos do Homem-Aranha para o cinema pertencem à Sony, que produziu sete filmes do herói desde 2002. Mas o personagem integrou filmes do Universo Cinematográfico Marvel (que pertence à Disney), como os dois últimos ‘Os Vingadores’, além de ‘Capitão América: Guerra Civil’. Para que a Marvel pudesse continuar utilizando o personagem em seus filmes, o longa ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’, lançado neste ano, deveria passar de US$ 1 bilhão nas bilheterias. A marca foi batida, mas mesmo assim os estúdios romperam o acordo. Isso em setembro.

    Segundo o site ‘Deadline’, a questão da ruptura teria sido financeira. A Marvel propôs um acordo de bancar 50% do financiamento dos próximos filmes, com a Sony pagando os outros 50%. Consequentemente, o lucro seria metade para cada um. Mas a Sony recusou – até então, ela pagava 90% da conta, mas ficava com toda a bilheteria. Como a bilheteria dava lucro...

    A ruptura dos dois estúdios não havia sido bem aceita pelos fãs. A Marvel perderia a chance de usar o Homem-Aranha em filmes com outros heróis da editora e a Sony perderia força criativa – os filmes com Tom Holland foram exatamente os que mais renderam nas bilheterias. Como o dinheiro é a mola do mundo, os executivos se acertaram e o Aranha deverá integrar mais filmes da Marvel, além de longas próprios feitos pela Sony. "O ritmo de negociações entre estúdios e o ciclo de notícias da imprensa nem sempre coincidem. Nós teríamos chegado a um acordo de qualquer forma. A cobertura da imprensa foi um pouco além do que deveria", disse Rothman. "O nosso público gosta que o Homem-Aranha faça parte do universo Marvel. Nós ouvimos o retorno dos fãs, e ele sugeria que continuar a nossa parceria era a escolha certa", falou Horn.

  •  ‘Anna – O Perigo Tem Nome’ é Luc Besson sendo Luc Besson

     ‘Anna – O Perigo Tem Nome’ é Luc Besson sendo Luc Besson
    Helen Mirren, Sasha Luss e Luke Evans em 'Anna - O Perigo Tem nome' (Foto: Divulgação)

    ‘Anna – O Perigo Tem Nome’, filme que estreia nesta quinta-feira (29) em Curitiba, tem direção e roteiro do francês Luc Besson. Dizer isso é quase um pleonasmo. O filme repete muitas ideias de ‘La Femme Nikita’, de 1990, com Anne Parillaud: uma protagonista que tem uma vida comum até virar uma espiã, muita ação e tiroteios e uma reviravolta na história. Não por acaso, ‘Nikita’ é do mesmo diretor francês. Ou seja, ‘Anna – O Perigo Tem Nome’ é Luc Besson sendo Luc Besson.

    Para não dar muito na cara que está se repetindo, Besson usa uma narrativa não-linear em ‘Anna”. Se a trama é previsível, a maneira de contar dá uma disfarçada. Anna Poliatova (Sasha Luss) é uma garota russa que vende artesanato e também consegue uns trabalhos de modelo. Em pouco tempo, ela já é uma matadora da KGB, cheia de missões secretas. Depois é que se vê como ela chegou lá. As cenas de ação estão lá, suficientemente convincentes, mas quase cartunescas. Bem como as reviravoltas propostas pelo diretor.

    O elenco de ‘Anna’ ainda tem Helen Mirren, Cillian Murphy e Luke Evans com destaques. Ela como uma espécie de chefe de Anna e os dois como contrapontos. Mas eles não interferem em uma nova “repetição” de Besson, a de tentar entregar uma protagonista feminina forte, assim como em ‘Nikita’ – e também em ‘Lucy’, com Scarlett Johansson, de 2014. Sasha Luss segura a onda, interpretando uma “espiã-matrioshka”: cheia de camadas facetadas. Ela ainda pode se gabar de estar em boa companhia.

  • Marvel não poderá mais produzir filmes do Homem-Aranha

    Marvel não poderá mais produzir filmes do Homem-Aranha
    (Foto: Divulgação)

    A Marvel não poderá mais produzir filmes do Homem-Aranha. A informação foi dada nesta terça-feira (20) pelo site ‘Deadline’ e por outros sites internacionais. Embora o herói tenha sido criado pela Marvel (hoje pertencente à Disney), os direitos dele para o cinema são da Sony. E os dois estúdios não teriam entrado em acordo para co-produzir novos filmes. Como consequência, os filmes do Aranha não farão mais parte do Universo Marvel.

    A Sony produziu todos os filmes do Homem-Aranha desde 2002. Mas, em 2015, o estúdio entrou em acordo com a Marvel e, com isso, o personagem pôde aparecer em ‘Capitão América: Guerra Civil’ e nos filmes dos Vingadores – produzidos pela Marvel. Além disso, os dois estúdios fizeram, juntos, os longas ‘Homem-Aranha: De Volta ao Lar’ e ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’.

    O acordo, porém, não vale mais. Existia uma possiblidade de ruptura vinculada à bilheteria de ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’, lançado em julho deste ano. Se não rendesse pelo menos US$ 1 bilhão, os direitos reverteriam todos para a Sony. Nesta semana, o filme passou de US$ 1 bilhão na bilheteria, mas mesmo assim o acordo foi desfeito.

    A questão da ruptura teria sido financeira, segundo o ‘Deadline’. A Marvel propôs um acordo de bancar 50% do financiamento dos próximos filmes, com a Sony pagando os outros 50%. Consequentemente, o lucro seria metade para cada um. Mas a Sony recusou.

    Por ora, não se sabe o que vai acontecer com os outros filmes do Aranha que estavam em desenvolvimento. Não há nada sobre troca de elenco e nenhuma das empresas se pronunciou oficialmente.

  • Pai herói, literalmente? Veja as relações de pai e filho entre os personagens Marvel

    Pai herói, literalmente? Veja as relações de pai e filho entre os personagens Marvel

    Os filmes da Marvel são filmes-família. Pode reparar: a maioria dos personagens da Marvel tem uma relação pai/filho forte. Isso ficou evidente nos longas – em especial, em ‘Vingadores: Ultimato’. E muitas vezes são essas relações que determinam os heróis. Entre os principais vingadores, todos eles tiveram pelo menos alguma citação de relação pai e filho (o texto pode conter spoilers).

    Thor
    Thor, Deus do Trovão, é filho de Odin, o rei dos Deuses nórdicos. Em seu primeiro filme, de 2011, o herói – então uma espécie de playboy de Asgard – é punido pelo pai e acaba encaminhado à Terra (sem poderes) para aprender a ser humilde. Em ‘O Mundo Sombrio’, é Thor quem ensina humanidade ao pai. Em “Thor: Ragnarok’, o Deus do Trovão acaba se despedindo de Odin.

    Homem de Ferro
    Nos filmes, é talvez a relação mais densa entre pai e filho dentre os heróis Marvel. Howard Stark, pai de Tony Stark, já havia aparecido em ‘Capitão América: O Primeiro Vingador’ e já havia morrido quando Tony Stark se tornou o Homem de Ferro. Se antes vivia às turras com o pai e tinha queixas dele, Tony passa a reconhecer os esforços dele em transmitir conhecimento (em ‘Homem de Ferro 2’) e percebe que, se chegou longe, foi graças aos esforços de Howard. Tony também reconhece e lamenta que o último dia em que falou com o pai não foi amigável (em ‘Capitão América: Guerra Civil’). Já ciente de como é ser pai, uma vez que tem a pequena Morgan, Tony ganha uma chance de rever Howard num contexto diferente, em ‘Vingadores: Ultimato’.

    Capitão América
    A única referência ao pai de Steve Rogers é que já é falecido em 1942, quando o jovem (ainda raquítico e tísico) tenta se alistar ao exército norte-americano para lutar na Segunda Guerra Mundial.

    Viúva Negra
    “Natasha, filha de Ivan”, diz a ela o Caveira Vermelha no planeta Vormir, em ‘Vingadores: Ultimato’. Foi ali que ela soube que seu pai se chamava Ivan.

    Gavião Arqueiro
    Clint Barton é filho de Edith, como dito pelo Caveira Vermelha em ‘Ultimato’. Mas a relação pai/filho para ele é diferente. Trata-se do único vingador que tem filhos – e os outros colegas só descobrem isso em ‘Vingadores: Era de Ultron’. A cena em que seus três filhos desaparecem com o estalar de dedos de Thanos abre ‘Vingadores: Ultimato’ – e também determina as ações do Gavião no desenrolar do filme.

    Pantera Negra
    T’Chala é filho de T’Chaka, rei de Wakanda, que acaba morto num atentado terrorista em ‘Capitão América: Guerra Civil’. Com isso, T’Chala assume o trono e a roupa do Pantera Negra, uma entidade protetora do país africano. Mas, em ‘Pantera Negra’, o herói descobre que o pai, apesar de bom e sábio, é falível, e suas falhas trazem consequências graves.

    Peter Quill
    Quill é, literalmente, filho de um planeta, Ego – que um dia assumiu uma forma humana e acasalou com a mãe dele na Terra. O poder conferido pelo pai faz com que o filho aguente segurar, na mão, a joia do Poder (uma das joias do infinito), como visto em ‘Guardiões da Galáxia’. Mas o pai mostra não ser o santo que parece em ‘Guardiões da Galáxia: Volume 2’.

    Homem-Formiga
    Scott Lang cometeu alguns deslizes na vida e foi preso por isso, mas sua relação de carinho com a filha, Cassie, é altamente genuína. Ele faz tudo por ela. É ela sua primeira preocupação quando ele retorna do mundo quântico em ‘Vingadores: Ultimato’. O mentor de Scott, Hank Pym, o inventor da tecnologia que faz as coisas diminuírem de tamanho, também faz tudo pela filha, Hope.

    Homem-Aranha
    Não tem quase nenhuma relação paternal. Nos filmes de 2012 e 2014 (com Andrew Garfield como Peter Parker), mostra-se que o trabalho perigoso do pai, Richard Parker, é o que leva Peter a ir morar com os tios, Ben (irmão de Richard) e May Parker. Na prática, quem faz o papel de pai é o tio Ben, autor involuntário da frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Sua morte é que leva Peter Parker a se tornar o Homem-Aranha (como visto no filme de 2002).

    Hulk
    Na nova geração de filmes dos Vingadores, desde 2008, Bruce Banner não tem nenhuma relação paternal. Mas, em ‘Hulk’, de 2003, o pai dele se mostra como o grande vilão do filme.

    Thanos
    Parece incrível, mas o grande vilão dos Vingadores é um pai zeloso, à maneira dele. Ensina as filhas (adotivas) Gamora e Nebula a serem fortes e a lutar – mesmo que, no caso de Nebula, isso signifique substituir partes orgânicas por componentes tecnológicos. Ensina também a sempre falar a verdade. O sofrimento do Titã Louco em sacrificar Gamora para obter a joia da Alma (em ‘Vingadores: Guerra Infinita’) é de doer na alma.

  • As semelhanças do novo ‘O Rei Leão’ em relação ao filme de 1994

    As semelhanças do novo ‘O Rei Leão’ em relação ao filme de 1994

    ‘O Rei Leão’ estreia oficialmente nesta quinta-feira (18) e é um remake de um desenho clássico da Disney, produzido em 1994. É tão remake que a maioria das cenas ficou praticamente idêntica às originais. Confira:

    Voo das aves sobre as águas da África

    Mufasa e Simba no alto da Pedra do Rei

    Mufasa e Simba

    Simba e Nala no cemitério de elefantes

    Mufasa leva Nala e Simba para casa

    Scar, o tio de Simba

    Estouro da manada de gnus

    Simba ainda criança, Pumbaa e Timon

    Simba jovem, Pumbaa e Timon

    Simba e Nala na cachoeira

    Simba ruge triunfante

  • Estreia nesta quinta

    ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’ tem cinco pequenos detalhes importantes

    ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’ tem cinco pequenos detalhes importantes
    Mysterio (Jake Gyllenhaal) e o Homem-Aranha (Tom Holland) (Foto: Divulgação)

    O filme ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’, que estreia nesta quinta-feira (4), tem cinco pequenos detalhes que fazem diferença para o universo Marvel.

    Veja crítica do filme AQUI.

    O ‘Blip’

    As explicações sobre a reaparição dos que haviam sumido com o estalar de dedos de Thanos em ‘Vingadores; Guerra Infinita’ aparece na segunda cena de ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’. Como se passaram cinco anos, quem ficou na Terra está cinco anos mais velho. Quem virou pó e volta do nada manteve a idade que tinha – ou seja, não envelheceu nada em cinco anos. É o caso do Homem-Aranha e da maioria de seus amigos de escola. No videojornal da escola, onde se explica tudo, a reaparição é chamada simplesmente de “O Blip”. Por incrível que pareça, o desenrolar da história mostra que essa seria a melhor solução.

    Citação à Capitã Marvel e o In Memoriam

    Vários heróis da Marvel aparecem indiretamente em ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’. No começo do filme, os que morreram nos filmes anteriores da Marvel ganharam uma homenagem à la “In Memoriam”, do Oscar. Além disso, em dado momento, Peter Parker, ou o Homem-Aranha, sugere a Nick Fury que chame um herói mais poderoso para lidar com os elementais, como Thor ou Capitã Marvel. A reação de Fury ao ouvir o nome da Capitã Marvel chama atenção: “Não diga esse nome de novo”. Depois, explica-se por quê.

    Mystério

    Ao menos nos trailers, Mysterio (Jake Gyllenhaal) foi apresentado como um herói. Nas histórias em quadrinhos, contudo, ele é um vilão. O personagem tem como identidade original Quentin Beck, um dublê e especialista em efeitos visuais que usa de suas habilidades para confundir o Aranha. Usa um capacete redondo e possui gases que desnorteiam o sentido-aranha de Parker.

    Fake News

    “As pessoas querem acreditar em qualquer coisa”, diz Mysterio, em uma das cenas do filme. Um terreno fértil para Fake News. E um terreno fértil para a reaparição de J. J. Jameson, chefão do ‘Clarim Diário’, um tablode sensacionalista. E quem interpreta J. J. Jameson? O mesmo J. K. Simmons dos primeiros três filmes do Aranha (aqueles com Tobey Maguire no papel principal).

    Peter Parker gosta das morenas altas

    Se não fosse um filme de heróis, Peter Parker estaria mais para o protagonista de ‘Passaporte para Confusão’ – filme de 2004 no qual o jovem americano vira a Europa do avesso para se dar bem com a mocinha. ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’ e o antecessor, ‘Homem-Aranha: De Volta ao Lar’, mostra que Parker gosta das morenas altas. Antes, foi Liz (Laura Harrier). Agora, é MJ (Zendaya). Ambas são bem mais altas que ele.

  • Estreia

    Cinebiografia de Allan Kardec traz um homem à frente de seu tempo

    Cinebiografia de Allan Kardec traz um homem à frente de seu tempo

    Intolerância. Discriminação. Ignorância. Pós-verdade. Para quem usa redes sociais – ou seja, quase todo mundo – são conceitos atuais e bastante reclamados. Nas redes, é comum atacar ideias contrárias, sem argumentos sólidos, apenas com convicções vazias baseadas em informações não comprovadas. E quem pensa em contrário acaba discriminado. Infelizmente, esses conceitos são velhos. Um exemplo disso pode ser visto no filme ‘Kardec’, sobre Allan Kardec, o fundador da doutrina espírita, que estreia nesta quinta-feira (16).

    ‘Kardec’ não é um filme religioso, longe disso. Palavra de quem está nele: os atores Leonardo Medeiros (o protagonista) e Sandra Corveloni, intérprete de Amelie-Gabrielle Boudet, a mulher dele (ver entrevistas abaixo). Nada de se discutir se há uma religião melhor que a outra. Trata-se de uma cinebiografia, que inclusive desmistifica pós-verdades sobre ele. A principal: Allan Kardec não era um médium espírita.

    Na verdade, Kardec chamava-se Hyppolite Leon Denizard Rivail. Era um intelectual na Paris do século 19. Intelectual e diversificado: lecionava gramática e aritmética, sabia anatomia, entendia de astronomia, manjava de contabilidade, escrevia livros científicos. Ele mesmo era cético quanto a um fenômeno visto na época, o de “mesas que flutuavam ou faziam barulhos por causa de espíritos”. Leon foi investigar, usando métodos científicos. E convenceu-se de que as manifestações testemunhadas por ele – através de médiuns – poderiam mudar o mundo. Mudaram mesmo: com seu sistema de pesquisa e observação do que as médiuns escreviam, e o pseudônimo Allan Kardec, Leon publicou ‘O Livro dos Espíritos’ e fundou a doutrina espírita, duas coisas que chacoalharam Paris. Enquanto muitos o apoiavam, muitos o atacavam, principalmente igreja e governo. Com o tempo, até antigos amigos se afastaram.

    ‘Kardec’, o filme, é baseado na biografia de Marcel Souto Maior. Parece estranho um brasileiro fazer essa biografia de um doutrinador francês que nunca veio ao Brasil? Kardec, o espírita, é muito mais conhecido no Brasil que na França, onde seu nome foi praticamente riscado da existência. A direção de Wagner de Assis é fiel ao livro e traz um meticuloso retrato da sociedade parisiense do século 19, com um denso trabalho de luz e sombra. E feito de forma primorosa, principalmente para os padrões do cinema nacional. Mas é a dupla de atores, experiente no teatro brasileiro, que conduz o filme. Leonardo Medeiros está bastante semelhante a Allan Kardec. E Sandra Corveloni brilha como Amélie-Gabi – sua personagem tem uma força que às vezes parece faltar ao próprio Kardec. Havia motivos para faltar-lhe forças: ele foi vítima de intolerância, discriminação e pós-verdades. Segundo disse Medeiros, Kardec estava à frente de seu tempo. Mas não só isso. Hoje parece que o mundo está no tempo de Kardec.

    "É um homem comum colocado em uma situação extraordinária", diz Leonardo Medeiros

    Quanto você conhecia Allan Kardec antes do filme?
    Leonardo Medeiros — Tinha um conhecimento superficial sobre ele, apesar da minha família ser espírita e de ter crescido nessa cultura.

    Como foi o trabalho para o personagem?
    Medeiros — Foi uma viagem interna. O Kardec não representa nenhuma dificuldade técnica, ou algum estudo específico, mas foi uma viagem interna. Ele era um homem muito estudado, tem muita gente que conhece a vida dele. Estava tudo balizado, não tem liberdade de construir personagem humano, não tem escrito em lugar nenhum. Os fatos limitam muito. Basicamente, o trabalho é trazer coerência. Fico feliz, vi o filme e acho que a gente conseguiu, de maneira muito respeitosa, dentro dos documentos históricos, principalmente o do Marcel Souto Maior (autor da biografia).

    Por que você acha que Allan Kardec é mais conhecido no Brasil que na França?
    Medeiros — Ele entrou em embate com a igreja católica. Carregava nas costas a responsabilidade de manter a doutrina espírita, ele e mais outras pessoas. Ele era uma figura forte. Depois que morreu, o espiritismo sofreu um ataque violento na França, comandado pela igreja católica, mais o judiciário. Foi julgado e condenado. A história dele foi apagada. Não está mais na memória dos franceses. Só que cruzou o oceano, principalmente ‘O Livro dos Espíritos’. Paris era a capital cultural da época, muitos iam estudar lá e traziam esses livros. Aqui floresceu como em nenhum lugar do mundo. Nesse sentido, o filme é esclarecedor, desmistifica preconceitos. Ele não era médium, era um homem de ciências, muito inteligente, publicava livros didáticos, aritmética, gramática. Era à frente de seu tempo.

    Você ficou bastante parecido com o Allan Kardec original. Como foi o trabalho de maquiagem?
    Medeiros — Ali não tem nenhuma prótese, enchimento, só tentei me aproximar das feições, a postura. Isso está impregnado no trabalho

    Alguma coisa te surpreendeu na história dele?
    Medeiros — A coragem dele. Ele é um homem comum colocado em uma situação extraordinária. De posse dessas informações, funda uma doutrina e enfrenta a igreja católica de peito aberto. É de uma coragem, uma figura grandiosa, um herói mesmo. Eu, pessoalmente, não teria a coragem que ele teve para enfrentar isso.

    Você acha que esse filme pode virar um filme religioso?
    Medeiros — Espero que não. Inevitavelmente os espíritas vão se identificar, mas é um filme para todo mundo, não tem nenhum sensacionalismo. É a história de um trecho da vida do Kardec, como documentado pelo livro. Um livro isento, só apresenta fatos. Essa figura é iconográfica e importante na cultura brasileira. Todo mundo já ouviu falar. Além de ser bom cinema, um bom filme de época.

    "O filme traz uma mensagem de tolerância mesmo", afirma Sandra Corveloni

    Quanto você conhecia Allan Kardec antes do filme?
    Sandra Corveloni — Conhecia o que maioria das pessoas conhece, quem não é da doutrina. Conhecia pouco, mais os livros que ele escreveu, sabia dos livros. Muitas pessoas próximas já tinham lido, me contado, já tinha frequentado alguns ligares, com amigos. Aqui em SP já tinha ido algumas vezes à federação espírita, sabia dos trabalhos, mas não conhecia o antes, como as pessoas chegaram até ali. Fui conhecer com o roteiro.

    Conhecia a personagem Amelie-Gabrielle antes do filme?
    Sandra — Não, não conhecia, não fazia ideia de que ela existia. Fiquei sabendo dela na primeiro reunião com o diretor, que ele convidou para tomar café, me deu roteiro para ler. Falei: ‘nossa, gente, que história incrível’. Dois professores que se casam com mais idade, não têm filhos, dedicam a vida à educação, frequentavam a sociedade parisiense na época. Fiquei encantada com o lugar que ela ocupa. Depois que eu fiz o filme, fui com Wagner e Leo aos centros espíritas para falar sobre o filme. Mostrar trailer, ouvir palestras do Wagner sobre a vida do Kardec, que ele conhece profundamente. As pessoas falam que era uma mulher incrível. As pessoas me contavam mais da Gabi que a internet ou a biografia. Wager quis dar a ela o lugar que ela tinha na vida dele, e que não é dito comumente, não é falado, mas quem é da doutrina espírita sabe da importância dela. Foi legal descobrir.

    As mulheres não tinham muita voz naquele tempo...
    Sandra — Pois veja só (risos). Tinha as mulheres cientistas da NASA, recentemente saiu um filme sobre elas. Como a história sempre foi escrita por homens, eles puxaram a brasa para as sardinhas deles. Agora a gente está puxando a sardinha e a brasa de volta.

    Como foi o trabalho para o personagem?
    Sandra — Tinha muita experiência. Comportamento físico, ritmo de cena, tudo é diferente. Como se comporta, senta, fala olha, gesticula, tenho treino grande. Fiz parte do grupo Tapa, fazia Shakespeare, Tcheckov, muita coisa de século 19, mesmo Arthur Azevedo, Martin Cena, fiz muita coisa, então tinha experiência grande do comportamento gestual. É completamente diferente a postura. A parte da criação psicológica, de como ela se comportava. Como a maior parte do filme é com ele, eu pude ser bastante expansiva no relacionamento com ele, tudo estava no roteiro. Essa coisa dela ter um pouco de humor, não deixar ir para os lados mais negativos. Impus o comportamento feminino, mais proativo, de resolver os problemas. Fizemos uma cena em Paris, o Wagner dava o ritmo da cena. A primeira manifestação espírita que assistem, praticamente a abertura do filme, a Amelie desce, disposta a entrar na casa. Ele para do lado da carruagem, dei dois passos para frente, voltei, peguei na mão dele, já impondo personalidade. Tem essa coisa da Gabi, que era mulher forte, e também da personalidade feminina.

    Como foi filmar em Paris e no Rio?
    Sandra — Filmar em Paris é muito bacana. Já fiz teatro lá, vários lugares da França. O cinema é diferente. Aquele cenário de Notre-Dame. A gente filmou e aconteceu essa tragédia, não faz nem um ano. Foi no dia 16 de maio, quase um ano, vai ser bem o dia da estreia. No Rio de Janeiro, tem uma arquitetura inspirada em Paris, muitas construções. Conheci o prédio da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), é lindo demais, encantador. A gente vê tanta coisa linda que a gente tem, mas tudo meio abandonado.

    Você acha que esse filme pode virar um filme religioso?
    Sandra — Não, de forma alguma. É uma cinebiografia histórica, e se passa no século 19, tem contexto social fortíssimo, traça paralelo com nossos dias. Fiquei chocada como falam em atualidades como escola laica, o lugar da mulher, do respeito às outras religiões, tolerância, o índice de suicídio era altíssimo nessa época. Tenho um filho adolescente, na escola dele já aconteceu. Escolas grandes têm relatos de casos de suicídio entre adolescentes, é assustador. A gente fala disso no filme, dessa desesperança, diferença de classes, desigualdade social. “Por que alguns nascem nessas condições e outros em condições abastadas? Será que Deus escolhe as pessoas?” É muito atual. Uma oportunidade de reflexão. Traz mensagem de tolerância mesmo, a gente pode tentar ouvir o outro.

    Seria mais uma mensagem de tolerância, não?
    Sandra — Muito. Não é um filme só para iniciados na doutrina espírita. É um grande filme, uma oportunidade de ver um grande filme brasileiro de época. Traz mensagem de tolerância mesmo. Com essa coisa de internet, WhatsApp, a gente está tão preso ao tempo. A gente acha que está super bem informado, em todos os lugares, e quer reafirmar nossas verdades, não quer ouvir outras ideias. Aconteceu nas eleições. O povo ficou brigando com quem era contrário, sem tolerância total, impondo ideias e convicções. Esse debate de ideias é superimportante.

  • 'Vingadores: Ultimato': nós vimos

    'Vingadores: Ultimato': nós vimos
    (Foto: Divulgação)

    Quinta-feira, 25 de abril de 2019. Zero hora e 10 minutos. Pré-estreia de ‘Vingadores: Ultimato’. Sala lotada. Mas isso era o de menos. Parecia não um filme, mas uma partida de futebol em que os heróis da Marvel eram os astros e a plateia, a torcida organizada. Capitã Marvel aparece pela primeira vez em cena? “YEEEAHHH”. Momentos mais tensos? Unhas grudadas na poltrona. Capitão América esmurra Thanos? “YEEEEEEEAAAAAAAAHHHHHHH”. (meio-spoiler: quando ocorre a cena mais emocionante do filme... “YEEEEEEEEEEEEEEEEAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH”). É apenas o indicativo da expectativa dos fãs para ‘Vingadores: Ultimato’, o filme mais aguardado do ano. E o filme cumpre a expectativa: merece todos os superlativos a ele atribuídos. E olha que o sarrafo era alto, depois dos acontecimentos do igualmente superlativo ‘Vingadores: Guerra Infinita’.

    Ao contrário do antecessor, que tem lutas e batalhas do começo ao fim, ‘Vingadores: Ultimato’ tem uma estrutura mais semelhante à do primeiro filme, de 2012. Há menos batalhas – mas elas ocorrem, e são superlativas – e mais diálogos. Parte dos diálogos foca nas questões filosóficas de se perder pessoas queridas, que desapareceram com o famoso estalar de dedos de Thanos. Outra boa parte é centrada em “fundamentos científicos” que norteiam o contra-ataque dos Vingadores. Aliás, o fato de os seis vingadores originais – Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro – terem sobrevivido não é à toa.

    O ponto-chave do filme é uma das muitas teorias formuladas pelos fãs (e publicada em matéria do Bem Paraná): os Vingadores fazem uma viagem no tempo para desfazer o estrago causado por Thanos. Não chega a ser um spoiler porque os trailers sugerem isso. E, na verdade, o filme deixa claro que não há outra coisa a se fazer. A ciência por trás disso até pode parecer questionável na prática, mas para o filme até que faz sentido. Claro que, como em todo filme que envolve viagem no tempo, isso suscita dúvidas sobre os acontecimentos das linhas temporais. E ‘Ultimato’ admite isso: tanto que cita um sem-número de outros filmes com viagens no tempo. “Quer dizer que nossa melhor esperança é uma coisa tipo ‘De Volta para o Futuro’”, questiona um dos heróis. Nessa viagem do tempo, os três principais vingadores – Homem de Ferro, Capitão América e Thor – têm chance de acertar contas com seus próprios passados, em arcos dramáticos distintos. E várias cenas de alguns dos 20 filmes anteriores da Marvel são revisitadas. Também descobre-se a lógica das joias do infinito: elas obedecem aos anseios de quem as tem na mão e estala os dedos. 

    ‘Ultimato’ consegue dar momentos de brilho a todos os personagens em suas três horas de projeção. Além dos vingadores originais, a Capitã Marvel e o Homem-Formiga conseguem ser decisivos. Coadjuvantes como Máquina de Combate e Rocket aparecem bem. A surpresa recai sobre Nebulosa, a “azulzinha raivosa”, nas palavras de Tony Stark, cujo arco acaba se tornando fundamental para a trama. E a conclusão consegue ser épica e ao mesmo tempo emocionante. A plateia, seja torcida organizada, nerd de carteirinha ou público comum, sai da sala com uma certeza: dificilmente o cinema de entretenimento vai ser a mesma coisa depois de ‘Vingadores: Ultimato’.

    PS: Uma última revelação sobre o fim do filme: não tem cenas pós-créditos.

    PS2: Duas cenas dos trailers não aparecem no filme. Uma delas, a da Viíuva-Negra treinando tiros. Outra, a do Capitão América carregando um caixão, numa sugestão de que um importante personagem morreria . Sobre mortes na trama? Isso seria spoiler. 

  • Seis curiosidades sobre ‘Shazam’, que estreia nesta quinta-feira

    Seis curiosidades sobre ‘Shazam’, que estreia nesta quinta-feira
    (Foto: Divulgação)

    Shazam é a junção de seis “heróis” da antiguidade: Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio. Ao pronunciar o nome, Billy Batson ganha a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o poder dos raios de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio.

    Há mais heróis da família nos quadrinhos: Mary Marvel e o Capitão Marvel Júnior. Quando eles se transformam em heróis, Shazam perde força. Isso porque o poder é, de certa forma, uma constante única; quando compartilhado em três, cada um fica apenas com 1/3 do poder.

    A propósito, nos quadrinhos, o herói Shazam era conhecido também como Capitão Marvel; no filme, ninguém usa esse nome. Nunca.

    Zachary Levi, o ator principal, já fez um personagem em filmes da Marvel. Ele era Fandral, amigo de Thor em ‘Thor: o Mundo Sobrio’ e ‘Thor: Ragnarok’. Curiosamente, em ‘Thor’ o intérprete de Fandral foi John Dallas.

    A denominação em português alterou o nome do vilão de Shazam. Nas legendas e nas dublagens, repete-se o nome dos quadrinhos: “Dr. Silvana”, consagrado nos quadrinhos no Brasil. Em inglês, porém, o nome é “Sivana”.

    Mark Strong, que faz o vilão Dr. Silvana, também já esteve em filmes de heróis. Era era o lanterna-verde Sinestro em ‘Lanterna Verde’. Também interpretou o vilão de ‘Sherlock Holmes’, aquele com Robert Downey Jr. no papel principal.

  • ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’ ganha novos cartazes

    ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’ ganha novos cartazes
    (Foto: Divulgação)

    A Sony Pictures divulgou teve nesta segunda-feira (25) três cartazes oficiais de ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’. As imagens retratam o herói em Berlim, Londres e Veneza. O longa é dirigido por Jon Watts, o mesmo de ‘Homem-Aranha: De Volta ao Lar’. O roteiro é de Chris McKenna e Erik Sommers. O filme estreia nos cinemas no dia 4 de julho de 2019.

    Tom Holland continua sendo Peter Parker/Homem-Aranha, enquanto Jake Gyllenhaal interpretará o vilão Mysterio. O elenco também conta com Samuel L. Jackson, Zendaya, Cobie Smulders, Jon Favreau, JB Smoove, Jacob Batalon, Martin Starr e Marisa Tomei.

    Na história, Peter Parker embarca com seus melhores amigos Ned, MJ e o resto da turma para curtir férias na Europa. No entanto, os planos de Peter de deixar os feitos heroicos para trás por algumas semanas são rapidamente frustrados quando ele relutantemente aceita ajudar Nick Fury a descobrir o mistério por trás de diversos ataques de seres elementais que espalharam o caos pelo velho continente.

DESTAQUES DOS EDITORES